PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

 

Projetos de Pesquisa

 

Linha 1: Avaliação Psicológica e Processos Clínicos

Fabiano Koich Miguel

Inteligência emocional e personalidade: Construtos distintos ou relacionados?

Nas últimas décadas, observa-se aumento na quantidade de testes para avaliação psicológica desenvolvidos em plataformas informatizadas. O presente projeto pretende se inserir nessa área, escolhendo-se como campo de estudo a inteligência emocional, que diz respeito à utilização das informações emocionais de maneira adaptativa para promover crescimento pessoal e social. Na área de inteligência emocional, ainda não está clara a interação entre capacidade cognitiva e traços de personalidade, assim como a diferenciação entre métodos avaliativos baseados no desempenho e no autorrelato. Nesse sentido, esta pesquisa buscará estudar dois testes informatizados desenvolvidos para avaliar aspectos da inteligência emocional: o Teste de Organização de Histórias Emocionais (TOHE) e o Teste de Velocidade Emocional (VE). Embora os testes avaliem capacidades cognitivas por meio do desempenho, levanta-se a hipótese de que o formato ambivalente de seus itens possa favorecer que traços de personalidade influenciem nas respostas – e.g., organizar histórias coerentemente pode estar relacionado a capacidade intelectual, enquanto incluir personagens em angústia pode estar relacionado a neuroticismo. Participarão da pesquisa cerca de 2000 pessoas, de 18 anos ou mais, que responderão, de maneira espiralada, ao TOHE, VE e ao menos mais um instrumento de avaliação, sendo previstos outros testes para avaliar construtos relacionados (percepção emocional, conhecimento emocional, empatia, inteligência fluida e cristalizada, satisfação com a vida, traços de personalidade, tríade sombria e mecanismos de defesa). Além de se estudar as evidências de validade e parâmetros psicométricos dos testes informatizados, espera-se compreender como aspectos cognitivos e de personalidade podem se manifestar na aplicação de um mesmo teste, e como se relacionam com a inteligência emocional.

 

Katya Luciane de Oliveira

Tradução, Adaptação e Evidências de Validade do Thinking Styles Inventory–Revised II (TSI-R2) no Brasil

O objetivo deste estudo é traduzir, adaptar e buscar evidências de validade para o Thinking Styles Inventory-revised II (TSI-R2), para o contexto brasileiro. Serão seguidos alguns passos para a operacionalização da pesquisa, quais sejam, tradução, síntese das versões traduzidas, avaliação por especialistas, avaliação pelo público alvo, tradução reversa, estudo piloto e aplicação na amostra total. A aplicação na amostra total ocorrerá com aproximadamente 600 alunos do ensino fundamental público dos estados do paraná e minas gerais. A coleta será coletiva e terá duração aproximada de trinta minutos. Os dados serão utilizadas as estatísticas descritiva e inferencial para o tratamento dos dados. Por fim, serão discutidas as convergências e discrepâncias entre os constructos e apresentação as implicações dos modelos para a prática educacional.

Desempenho Escolar no Ensino Fundamental: Variáveis Relacionadas

O objetivo deste estudo é buscar evidências de validade de múltiplas variáveis que se relacionam com o desempenho escolar na habilidade de leitura durante o percurso da formação no ensino fundamental. Participarão aproximadamente 600 alunos do ensino fundamental público dos estados do Paraná, Minas Gerais e Bahia. Serão aplicadas coletivamente as seguintes medidas: teste de cloze, escala de estratégias de aprendizagem, inventário de estilos intelectuais/pensamento, medidas de consciências metatextual, fonológica e morfológica e escala de avaliação da regulação emocional para estudantes do ensino fundamental. Para análise dos dados serão utilizadas as estatísticas descritiva e inferencial. Por fim, serão discutidas as convergências e discrepâncias entre os constructos e apresentação as implicações dos modelos para a prática da avaliação psicoeducacional.

Tradução, adaptação e evidências de validade do Thinking Styles Inventory – Revised II (TSI-R2) no Brasil (amostra ensinos médio e superior)

Inicialmente já foram realizadas pesquisas em âmbito nacional com os escolares do ensino fundamental (conforme bolsa produtividade CNPQ). Nessa amostra o instrumento apresentou evidências de validade com índices aceitáveis de consistência interna, mantendo parcialmente sua estrutura proposta com a população estadunidense. Na amostra brasileira a estrutura de 13 fatores, passou para 9. Contudo, nada se sabe sobre as evidências de validade para os estudantes dos ensinos médio e superior, inclusive porque essa população está mais próxima daquela inicialmente usada como amostra normativa no contexto norte-americano. Por isso hipotetiza-se que com essa amostra o instrumento manterá sua estrutura original, qual seja, 13 fatores. Posto isto, o objetivo da presente pesquisa será, a partir da tradução, adaptar e buscar evidências de validade para o Thinking Styles Inventory-Revised II (TSI-R2), para o contexto brasileiro. Serão seguidos alguns passos para a operacionalização da pesquisa, quais sejam, tradução (já efetivada), síntese das versões original e traduzida (já efetivada), avaliação por especialistas (no que tange a adaptação dos itens de modo apropriado ao público estudado), avaliação pelo público alvo, tradução reversa, estudo piloto e aplicação na amostra total. A aplicação na amostra total ocorrerá com aproximadamente 500 alunos dos ensinos médio e superior. A coleta será coletiva e terá duração aproximada de trinta minutos. Os dados serão utilizadas as estatísticas descritiva e inferencial para o tratamento dos dados. Por fim, serão discutidas as convergências e discrepâncias entre os constructos e apresentação as implicações dos modelos para a prática educacional.

 

Maíra Bonafé Sei

A Clínica Psicanalítica no Contexto Institucional: O Terapeuta, as Intervenções e a Avaliação do Serviço (em tramitação)

A Psicologia Clínica se configura como uma das importantes áreas de atuação do psicólogo e cujas práticas podem se pautar em diferentes aportes teóricos, dentre eles a Psicanálise. No que se refere à clínica psicanalítica, esta pode ser desenvolvida no cenário privado, mas também desenvolve-se no contexto institucional, apresentando, contudo, certas especificidades neste cenário. Neste sentido, almeja-se, por meio deste estudo, investigar os processos e fenômenos implicados nas intervenções clínicas pautadas no referencial psicanalítico desenvolvidas no contexto institucional, com foco nos serviços-escola de Psicologia, tais como vinculação e abandono do atendimento, transferência, contratransferência, intervenções clínicas junto a diferentes populações, avaliação de serviço, dentre outros. Espera-se com esta proposta favorecer o aprimoramento das intervenções clínicas realizadas no contexto institucional.

 

Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis

Estudo exploratório sobre fatos clínicos na clínica psicanalítica

Considerando a necessidade de melhor instrumentar o psicoterapeuta-aprendiz a respeito dos fenômenos vivenciados na relação transferencial e contratransferencial da dupla paciente-psicoterapeuta durante o processo psicoterápico fundamentado na psicanálise, resolveu-se realizar o presente projeto. O objetivo consiste em estudar os fatos clínicos detectados durante os atendimentos realizados por psicoterapeutas-aprendizes, sob enfoque da psicanálise. Será realizada uma análise clínico-qualitativa dos relatórios das sessões clínicas, a partir da leitura pormenorizada dos fenômenos descritos pelos psicoterapeutas, buscando relacionar os aspectos descritos com a teoria psicanalítica e assim detectar os fatos clínicos presentes. O estudo dos fatos clínicos localizados, a partir da demanda dos pacientes de diferentes idades, poderá contribuir não apenas para melhor instrumentar os psicoterapeutas-aprendizes na compreensão dos fenômenos que ocorrem durante os atendimentos, mas também possibilitar a escrita de textos científicos, fundamentados na psicanálise, abordando questões teóricas e metodológicas, fundamentadas na psicanálise.

A interdisciplinaridade no cuidado da saúde da mulher nos diferentes níveis de atenção

A formação dos trabalhadores de saúde constitui-se em um dos principais desafios para a efetivação do sistema único de saúde (SUS). A residência multiprofissional em saúde da mulher é uma modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu, destinada à educação em serviço de profissionais que integram a área de saúde, desenvolvida em parceria entre as instituições de ensino e os serviços de atenção básica, intermediária e especializada à saúde da mulher ofertados no Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no ambulatório multiprofissional em saúde da mulher (AMASM) e em unidades básicas de saúde (UBS) do município de Londrina. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a institucionalização da residência multiprofissional em saúde da mulher (RMSM) ocorreu em 2012, com primeira turma acontecendo no biênio 13/14. Essa residência tem o objetivo de especializar os profissionais em saúde da mulher, mediante práticas interdisciplinares e multiprofissionais que visem o cuidado integral à saúde das pessoas, famílias e comunidades, com capacidade de intervenção crítica na organização do processo de trabalho em equipe, visando à melhoria da qualidade de vida e saúde da população alvo nos vários níveis de atenção à saúde da mulher. A atuação da RMSM produz um saber potente na medida em que a realidade é problematizada com a participação de tutores e preceptores e os profissionais intervêm sobre os problemas de saúde das mulheres atendidas pela equipe multiprofissional. Tais ações propiciam que os residentes se apropriem das necessidades de saúde da população usuária destes serviços de saúde e desenvolvam suas habilidades específicas. Diante disso, no intuito de dar visibilidade às ações desenvolvidas pela RMSM, esse projeto tem o objetivo de descrever as ações da RMSM Junto aos usuários destes serviços e caracterizar a população atendida e também trabalhadora destes locais. Trata-se de um estudo que pretende articular pesquisa e extensão por meio de um estudo com abordagem quantitativa e qualitativa. A população de estudo serão as mulheres usuárias do sistema de saúde, os profissionais de saúde em interface com a RMSM, os próprios residentes e os docentes da residência multiprofissional em saúde da mulher (RMSM). O HU, o AMASM e as UBS do município de Londrina são campos de atuação da RMSM, da Universidade Estadual de Londrina. Como instrumento de coleta de dados, no âmbito qualitativo pretende-se utilizar a entrevista, grupo focal, observação participante e análise documental. Já no âmbito quantitativo os instrumentos utilizados serão os formulários e questionários utilizados como instrumento de trabalho da equipe multiprofissional. A análise dos dados qualitativos será embasada na análise de conteúdo e os dados quantitativos serão processados e analisados estatisticamente. Ao final desta pesquisa espera-se que as ações desenvolvidas pela RMSM junto às usuárias e à equipe de trabalhadoras destes serviços de saúde, possam contribuir para a reflexão sobre o processo de trabalho em equipe, aprofundar estudos na área da formação multiprofissional em saúde, fortalecer os conhecimentos já adquiridos e incorporar novos elementos de produção científica sobre o trabalho multiprofissional em saúde e na formação dos profissionais na atenção à saúde em todos os níveis; sistematizar e padronizar as ações e projetos desenvolvidos pela RMSM; melhorar a qualidade de vida da população participante do projeto, diminuir a morbimortalidade da população estudada, promover ações individuais e coletivas para promoção da saúde e estímulo à participação popular na prevenção à saúde.

 

Patricia Silva Lucio

Formação de leitores e ações dos professores: Estudo de compreensão leitora/oral em amostra de crianças brasileiras

Esta pesquisa é uma parceria Brasil-Chile e tem como objetivo geral gerar uma proposta para abordar o problema da formação de leitores. Desse modo, propõe-se estudar se as dificuldades iniciais de leitura de crianças de 8-9 anos podem ser compensadas a partir do fornecimento de ajuda regulatória oral (mediação). Participarão da pesquisa 260 crianças cursando o 3o ano do ensino fundamental em idade regular para a série. As crianças serão avaliadas em um conjunto de tarefas de leitura e compreensão de texto e, em seguida, divididas aleatoriamente em três grupos: Grupo A – Leitura autônoma sem direcionamento; Grupo B – Leitura autônoma com direcionamento do planejamento prévio de leitura e Grupo C – Leitura conjunta com direcionamento do planejamento prévio de leitura. No primeiro, grupo, as crianças realizarão leitura silenciosa autônoma (i. e., sem auxílio) de três textos e deverão responder a questões correspondentes. No segundo grupo, as crianças recebem auxílio (i. e, mediação) do aplicador para o planejamento e antecipação do assunto no texto, mas realizam a leitura sozinhos. No terceiro grupo, além de mediação, as crianças realizam a leitura com o aplicador.

 

Silvia Nogueira Cordeiro

Sofrimento psíquico e uso de substâncias psicoativas em estudantes universitários

Os tempos atuais são demarcados pela pressa em obter satisfação e prazer; tristeza e frustração são sentimentos inadmissíveis e os indivíduos devem a qualquer custo buscar sua felicidade e bem-estar. Diante de tais demandas, os números de pessoas fazendo usos de medicamentos psicotrópicos têm aumentado cada vez mais, “das 552,6 milhões de prescrições médicas em 2000, 74,9 milhões (13,6%) foram designadas a estes medicamentos, e dentre estes, os benzodiazepínicos (BDZS) foram os mais vendidos” (Carlini; Nappo, 2003, p.201). Sabendo que tais medicamentos causam diversos efeitos psicológicos e físicos, esse estudo tem o objetivo de analisar a frequência do uso de drogas e medicamentos psicotrópicos entre estudantes de psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) comparada às outras quatro universidades da cidade de Londrina que ofertam o mesmo curso. Trata-se de um estudo quantitativo descritivo, através da aplicação de um questionário fechado, de autopreenchimento e sem identificação pessoal, para os estudantes do segundo, terceiro, quarto e quinto ano das faculdades: UEL, Unifil, Pitágoras, PUC e Unopar. Espera-se que com o estudo seja possível identificar a prevalência do uso de drogas psicotrópicas entre os estudantes e verificar possíveis relações entre o uso dessas substâncias com o ingresso na faculdade e seus fatores estressantes.

 

Linha 2: Psicologia Social e Processos Institucionais

Alexandre Bonetti Lima

Cirandando Londrina: efeitos de redes culturais ecológicas de beleza e resistência contra as subcidadanias

Em 2016, os 8 homens mais ricos do mundo ganharam o equivalente à metade mais pobre da população mundial, aproximadamente 3.6 bilhões de pessoas, que correm o risco de se ver cada vez mais reduzidas à condição de subcidadãs por conta desta violenta concentração da riqueza. Precisa-se de articulações a escala planetária para pôr limites a essa situação ecopredatória e gerar formas ecológicas de vida. Entretanto, não basta com exigir democracia na macropolítica: é preciso construi-la no dia-a-dia. Tem modos urbanos de vida, praticamente invisíveis na mídia hegemônica, que podem ser atrelados a modos de se produzir saúde, criando alternativas às subcidadanias. No cotidiano de periferias violentadas, há diversas experiências –como a associação ciranda da cultura, em Londrina- em que os moradores se mobilizam para o surgimento e a autogestão de iniciativas culturais ecológicas que articulam saúde, educação, comunicação e economia solidária, criando, assim, relações entre aspectos subjetivos, sociais e ambientais. Podem estas lógicas ser multiplicadas? A presente proposta nasce com o objetivo de contribuir com a construção crítica de alternativas à violência contemporânea, estudando a multiplicação de redes culturais ecológicas na sua possível relação com a prevenção da violência. Para fazer este estudo, promover-se-á uma pesquisa-ação participante com 5 fases: a) desenho da proposta de trabalho conjuntamente com a associação ciranda da cultura; b) formação coletiva quanto a conceitos e práticas pertinentes; c) mapeamento de regiões desprotegidas e articulação com moradores das mesmas; d) acompanhamento das realizações itinerantes e/ou permanentes nos locais interessados; e) entrevistas e devolução sistemática da informação. Como resultados esperados, pretende-se contribuir no mapeamento, apoio e aprimoramento de redes culturais ecológicas em Londrina, com possível articulação com outras do Brasil e da Venezuela.

O racismo nosso de cada dia: paradoxos de uma sociedade que se declara democrática

Este projeto dá continuidade a um conjunto de pesquisas que vimos realizando, nos últimos anos, dentro da perspectiva de uma psicologia social politicamente comprometida. Temáticas da pobreza e vulnerabilidades urbanas, da mídia popular e comunitária, das políticas públicas de saúde mental e de saúde do trabalhador, dos novos movimentos sociais são alguns dos campos de investigação-ação dos quais participamos. Em cada um deles, tal como agora, buscamos, ao invés do desvelamento de verdades essenciais e generalizáveis sobre o fenômeno de pesquisa, somar forças no sentido de problematizar relações de opressão existentes. Diante disso, este projeto faz parte de um conjunto que se situa entre aqueles que se voltam para combater discursos e ideologias que materializam e justificam violências discriminativas, práticas de extermínio, desigualdades e exclusões sociais que afastam cotidianamente inumeráveis pessoas das possibilidades de inserção nos quadros de cidadania plena, buscando contribuir politicamente para a modificação desta situação. No caso específico do projeto, o foco se volta para a grave questão do racismo no país, que ainda se esconde por detrás da égide enganosa da democracia racial.

Psicologia Social, Contemporaneidade Neoliberal e Epistemologias Afrodiaspóricas: Diálogos críticos em busca de novos devires

A partir de considerações críticas sobre os processos de colonialidade que ainda se mostram hegemônicos contemporaneamente – inspirados em concepções de conhecimento ocidental eurocêntrico –, este projeto tem como objetivo investigar os elementos epistêmicos afrodiaspóricos no Brasil e suas materializações ontológicas e intersubjetivas, de modo a somar-se a pesquisadores e pesquisadoras que têm promovido diálogos entre estes elementos e a Psicologia Social buscando radicalizar, assim, suas vertentes mais críticas. Para tanto, leitura e estudo sistemáticos de obras e documentos de epistemologias críticas da Psicologia Social e suas interfaces, bem como de epistemologias afrocêntricas e afrodiaspóricas serão realizados e confrontados, de modo a contribuir para uma trajetória de descolonização.

 

Eneida Silveira Santiago

Psicologia e Políticas Públicas: Explorações e Analíticas Conceituais

Nas últimas décadas o Estado enfrentou dificuldades em privilegiar formas mais resolutivas de enfrentamento de insuficiências sociais que, em contrapartida, se tornaram cada vez mais elevadas, sendo traduzidas em um desmonte gradativo das condições de vida em sociedade de uma expressiva parcela da população que presencia seu acesso aos direitos sociais mais básicos ficar extremamente prejudicado. É diante desta fragmentação social que as políticas públicas, como braço mais visível da ação estatal, se colocam como importante estratégia de enfrentamento e combate aos conflitos e contradições advindas das articulações da vida. Paralelamente, o campo da saúde presenciou a intensificação das discussões que relacionavam a vivência da saúde e da doença com as produções sociais e econômicas da sociedade, abandonando modelos biologicistas e de causalidades lineares, assumindo uma noção de produção social da saúde. É neste complexo contexto que colocamos a Psicologia a produzir analíticas das políticas públicas de saúde em suas proposições teóricas e práticas, bem como de suas intersetorialidades.

Estudos em Saúde Coletiva

Denomina-se por saúde coletiva a discussão da saúde no âmbito público, coletivo e social em que, ao se opor a um determinismo biológico e um universalismo do saber médico, considera a saúde, em seus saberes e em suas práticas, como fenômeno social. A partir de tais concepções, a saúde passa a ser compreendida e investigada como algo que se produz, sendo esta produção alimentada pelas dinâmicas históricas, sociais, subjetivas e políticas. Como território complexo e não delimitado permeado de teorias e práticas diversas, a saúde coletiva estabelece articulações e diálogos com áreas como a epidemiologia, medicina, psicologia, história, antropologia, sociologia e ciência política. Assim, este projeto tem por objetivos: problematizar como as desigualdades sociais podem trazer consequências à saúde, bem como, quais seriam os efeitos psicossociais; delinear e analisar teoricamente, através da valorização da dimensão histórico-social, fenômenos e processos de atenção à saúde; investigar e problematizar os modos de produzir saúde em contextos e coletivos específicos; promover o debate e a produção do conhecimento através de pesquisas na área da saúde coletiva em interface com a psicologia dentre outros. Trata-se de pesquisa qualitativa de caráter exploratório, o que nos permitirá realizar aproximações para uma maior familiaridade com noções e elementos do campo da saúde coletiva em suas interfaces com a psicologia. Além disso, fenômenos econômicos, políticos e sociais poderão ser elencados com o propósito de investigar e discutir teoricamente seus possíveis impactos e relações com a produção da saúde. Como suporte teórico para a análise dos dados utilizaremos alguns operadores analíticos Foucaultianos. Ao final do estudo espera-se que suas análises e considerações possam: auxiliar na constituição de uma agenda de pesquisa para os estudos de saúde coletiva nas interfaces com a psicologia; contribuir para a constituição de um maior escopo teórico sobre a relação entre atenção em saúde e fenômenos sociais e contribuir para um melhor delineamento conceitual sobre os enlaces ente saúde e fenômenos e desigualdades sociais.

 

Flavia Fernandes de Carvalhaes

O racismo nosso de cada dia: Paradoxos de uma sociedade que se declara democrática

Este projeto dá continuidade a um conjunto de pesquisas que vimos realizando, nos últimos anos, dentro da perspectiva de uma psicologia social politicamente comprometida. Temáticas da pobreza e vulnerabilidades urbanas, da mídia popular e comunitária, das políticas públicas de saúde mental e de saúde do trabalhador, dos novos movimentos sociais são alguns dos campos de investigação-ação dos quais participamos. Em cada um deles, tal como agora, buscamos, ao invés do desvelamento de verdades essenciais e generalizáveis sobre o fenômeno de pesquisa, somar forças no sentido de problematizar relações de opressão existentes. Diante disso, este projeto faz parte de um conjunto que se situa entre aqueles que se voltam para combater discursos e ideologias que materializam e justificam violências discriminativas, práticas de extermínio, desigualdades e exclusões sociais que afastam cotidianamente inumeráveis pessoas das possibilidades de inserção nos quadros de cidadania plena, buscando contribuir politicamente para a modificação desta situação. No caso específico do projeto, o foco se volta para a grave questão do racismo no país, que ainda se esconde por detrás da égide enganosa da democracia racial.

Sustentabilidade afetiva no cotidiano das cidades: Cartografando experiências

As descrições acerca dos riscos de desastres ecológicos são cada vez mais frequentes no cotidiano contemporâneo. Cientistas de áreas distintas (Jan, 2015, 2016; Sassen, 2016; Žižek, 2017; Marques, 2015) alertam que, caso não sejam tomadas providências imediatas de redução da poluição, restrição na produção de mercadorias e medidas de proteção à natureza, é a própria vida no planeta que está colocada em perigo. Paralelos a essa intervenção científica, movimentos sociais do mundo todo manifestam sua indignação com os efeitos destrutivos que o capitalismo vem imprimindo desde a revolução industrial, sem qualquer tipo de controle ou penalização das grandes corporações poluidoras. Cabe ressaltar ainda que eventos de âmbito nacional e internacional se multiplicaram a partir da segunda metade do século XX, sem, contudo conseguirem firmar um compromisso efetivo das nações para com o meio ambiente. Se o cuidado com a natureza, condição primordial para a continuidade da existência humana no planeta, ainda é tratado de maneira irresponsável e superficial, o que dizer do cuidado para com as relações afetivas no âmbito das cidades? É precisamente este o objetivo desta pesquisa cartográfica: identificar e analisar, sob o enfoque da psicologia social e da filosofia da diferença, experiências de sustentabilidade afetiva que se fazem presentes no cotidiano das cidades. A cartografia, como método, servirá para identificar experiências de resistência ao profundo individualismo ora instalado. Ao final do estudo, será possível demonstrar que as experiências cotidianas de individualismo, priorização do acúmulo e do consumo, bem como a competitividade nos mais diferentes âmbitos da existência são alguns dos fatores que cooperam para que o cuidado de si e do outro, na perspectiva de uma vida comum, sejam desqualificados e minimizados.

Entretons: Gênero e modos de subjetivação

O projeto de pesquisa entretons: Gênero e modos de subjetivação tem o objetivo de analisar desdobramentos das noções de gênero nos modos de subjetivação. Os referenciais teóricos adotados nesta investigação criticam noções identitárias (normativas) de subjetividade, sexualidade e gênero, bem como problematizam estas como produção colonial. Deste modo, parte-se do pressuposto que os efeitos das construções de gênero nos modos de subjetivação se articulam a partir de perspectivas plurais, interseccionais e localizadas. Assim, a presente proposta de pesquisa pretende estabelecer uma interlocução entre os campos dos estudos de gênero nas perspectivas queer e decolonial, e o operador conceitual de “modos de subjetivação” tal qual articulado por Michael Foucault. A estratégia metodológica adotada será a pesquisa documental nas bases Scielo, Pepsic, Biblioteca Virtual de Saúde – Psicologia (BVS-Psi), bem como nas principais revistas científicas de gênero do Brasil e América Latina, a saber: revistas de estudos feministas; cadernos pagu; periódicus; revista latina de geografia e gênero; bagoas; revista gênero; cadernos de gênero e diversidades; caderno de gênero e tecnologia; e caderno espaço feminino. Espera-se que, ao final desta investigação, tenha sido possível sistematizar levantamentos bibliográficos sobre as temáticas em foco; debater com a comunidade interna e externa da UEL sobre pressupostos fundamentais dos estudos de gênero nas perspectivas queer e decolonial e seus desdobramentos nos modos de subjetivação; elaborar e submeter artigos científicos para serem avaliados em periódicos; apresentar trabalhos em eventos científicos nacionais; orientar pesquisas de iniciação científica e mestrado.

 

Marcos Alexandre Gomes Nalli

A Biopolítica como Biotécnica

Nosso objetivo com o presente projeto consiste em formular uma maneira alternativa de explorar a questão, a saber, de que a biopolítica pode ser considerada analiticamente como biotécnica, isto é como um conjunto de estratégias e medidas que são ao mesmo tempo políticas e técnicas, cujo fim último é a produção de uma série de fenômenos diretamente atinentes à nossa condição vital, inclusive a morte. A razão desta ênfase reside no fato de que se a biopolítica transfigura e altera o sentido último, o modus essendi da política, ao ponto de alterar e talvez até comprometer a dignidade da política a partir de uma perspectiva que é eminentemente tecnológica: se a dignidade da política é comprometida, ela o é a partir da transfiguração de sentido do próprio agir político e da transformação da natureza do homem em sua caracterização como agente político.

A vida como objeto de biopolítica

Pretendo refletir sobre o sentido da afirmação foucaultiana à máxima de Aristóteles de que o homem era um animal vivo capaz de existência política, enquanto no homem moderno é a sua vida que está em questão política. O que tentarei mostrar é que não se trata de uma inversão entre os termos da vida e da política, mas uma transformação radical da relação pela introdução de um elemento novo, a vida num enquadramento biológico.

 

Paulo Roberto de Carvalho

Expressões da resistência ao trabalho

O estudo tem por objetivo avaliar criticamente os vínculos que se estabeleceram entre o humano e o trabalho durante a consolidação do modo de produção capitalista. Trata-se da abordagem de um tema complexo e multifacetado, mas ancorado em uma evidência inequívoca: ao final da segunda década do século XXI, parcelas significativas da população em todo o mundo convivem com o desemprego e o subemprego, bem como com as consequências a eles associadas. Uma problemática dessa magnitude, que evidencia a incapacidade das sociedades capitalistas de absorver um excedente de mão de obra que só cresce, aponta para uma questão de fundo: a vida humana socialmente organizada sob a égide do capitalismo depende de fato da existência do emprego formal para uma grande maioria ou, ao contrário, trabalho e emprego poderiam se tornar práticas executadas por parcelas cada vez menores de seres humanos? Haveria modos de vida possíveis sem a hegemonia e mesmo a universalização do trabalho as como conhecemos? Trata-se, então, de uma pesquisa teórica de perfil qualitativo que procura mapear as expressões de resistência ao trabalho. Procuraremos por esses modos de vida nos enunciados das obras de Nietzsche (2000), Lafargue (1999) e Thoreau (1990). Ao final do estudo, pretende-se conhecer como as resistências ao trabalho já se encontram em curso e produzem efeitos na economia global.

Sustentabilidade afetiva no cotidiano das cidades: Cartografando experiências

As descrições acerca dos riscos de desastres ecológicos são cada vez mais frequentes no cotidiano contemporâneo. Cientistas de áreas distintas (Han, 2015, 2016; Sassen, 2016; Zizek, 2017; Marques, 2015) alertam que, caso não sejam tomadas providências imediatas de redução da poluição, restrição na produção de mercadorias e medidas de proteção à natureza, é a própria vida no planeta que está colocada em perigo. Paralelos a essa intervenção científica, movimentos sociais do mundo todo manifestam sua indignação com os efeitos destrutivos que o capitalismo vem imprimindo desde a revolução industrial, sem qualquer tipo de controle ou penalização das grandes corporações poluidoras. Cabe ressaltar ainda que eventos de âmbito nacional e internacional se multiplicaram a partir da segunda metade do século XX, sem, contudo conseguirem firmar um compromisso efetivo das nações para com o meio ambiente. Se o cuidado com a natureza, condição primordial para a continuidade da existência humana no planeta, ainda é tratado de maneira irresponsável e superficial, o que dizer do cuidado para com as relações afetivas no âmbito das cidades? É precisamente este o objetivo desta pesquisa cartográfica: identificar e analisar, sob o enfoque da psicologia social e da filosofia da diferença, experiências de sustentabilidade afetiva que se fazem presentes no cotidiano das cidades. A cartografia, como método, servirá para identificar experiências de resistência ao profundo individualismo ora instalado. Ao final do estudo, será possível demonstrar que as experiências cotidianas de individualismo, priorização do acúmulo e do consumo, bem como a competitividade nos mais diferentes âmbitos da existência são alguns dos fatores que cooperam para que o cuidado de si e do outro, na perspectiva de uma vida comum, sejam desqualificados e minimizados.

 

Rafael Bianchi Silva

A psicologia na política de assistência social: novas leituras na atuação entre os sujeitos e coletivos

Este projeto de pesquisa visa analisar a relação entre a pedagogia problematizadora de Paulo Freire e a atuação do psicólogo no trabalho social com famílias enquanto promotora da articulação entre processos de desenvolvimento humano e de participação social correlatos ao que se propõe no âmbito da atenção básica no SUAS. Para tanto, se propõe a realizar um levantamento a partir dos documentos e referências que compõe a política de assistência social com vistas a investigar, partir da análise do conteúdo desses nestes materiais, qual é a proposta de desenvolvimento e como se expressa sua relação com a participação social para realizar uma articulação da compreensão de desenvolvimento humano expressa nos documentos da política assistência social e a pedagogia-problematizadora de Freire como subsídio para atuação no trabalho social com famílias.

Práticas psicológicas no SUAS: análise das publicações realizadas a partir de 2013

O objetivo desse projeto de pesquisa é um mapeamento e análise das práticas psicológicas que fazem parte do debate acadêmico em torno da atuação da psicologia no sistema único de assistência social (SUAS) a partir do ano de 2013. Para isso, será realizada uma pesquisa documental em artigos publicados em revistas qualificadas da área de psicologia avaliadas entre A1 e B2. Tal recorte foi realizado por considerar que são nesses extratos que os pesquisadores da área (em especial aqueles que se encontram vinculados ao stricto sensu) buscam concentrar suas publicações. Os dados/práticas serão analisados a partir de três categorias: hegemônicas, que remetem àquelas que se encontram consolidadas dentro do campo psi; parametrizadas, que seguem o que está proposto pelos documentos oficiais da política e, as emergentes, que indicam criações dos profissionais no campo de atuação que se diferenciam das duas primeiras. Enquanto resultados previstos para pesquisa, espera-se contribuir com uma forma de organização e sistematização dos materiais produzidos pela ciência psicológica em torno das práticas psi no SUAS ao mesmo tempo em que nos permite observar o movimento de emergência de novas temáticas ou questões que vem sendo enfrentadas tanto pelas pesquisas realizadas na relação com o cotidiano do trabalho no SUAS.

 

Sonia Regina Vargas Mansano

Sustentabilidade, afeto e cidades: uma investigação teórica e documental

No decorrer do século XX, a preocupação com a natureza ganhou relevância global, sendo amplamente debatida em conferências e eventos sobre o meio ambiente. Em tal discussão, a vida nas cidades, em sua dimensão social e afetiva, também é abordada, ainda que de maneira periférica. Diante desse cenário, o objetivo da presente pesquisa, de tipo teórico e documental, consiste em analisar a noção de sustentabilidade afetiva e seus desdobramentos na vida das cidades. Para tanto, na parte teórica, será realizada uma investigação aprofundada sobre a noção de sustentabilidade afetiva, mostrando que a preocupação com a natureza envolve, necessariamente, as relações afetivas que construímos em relação ao meio ambiente, mas também em relação às pessoas e aos modos de vida. Na parte documental, serão analisados os documentos gerados nas conferências nacionais e internacionais sobre o meio ambiente, no que se refere especificamente à conexão entre sustentabilidade e espaço urbano. Como resultado, pretende-se caracterizar e conceituar de maneira aprofundada a noção de sustentabilidade afetiva em sua interface com o espaço urbano, demonstrando o quanto as cidades estão diante do desafio de construir modos de vida mais sustentáveis no que diz respeito às relações sociais e afetivas nelas atualizadas.

Sustentabilidade afetiva no cotidiano das cidades: Cartografando experiências

As descrições acerca dos riscos de desastres ecológicos são cada vez mais frequentes no cotidiano contemporâneo. Cientistas de áreas distintas (Han, 2015, 2016; Sassen, 2016; Zizek, 2017; Marques, 2015) alertam que, caso não sejam tomadas providências imediatas de redução da poluição, restrição na produção de mercadorias e medidas de proteção à natureza, é a própria vida no planeta que está colocada em perigo. Paralelos a essa intervenção científica, movimentos sociais do mundo todo manifestam sua indignação com os efeitos destrutivos que o capitalismo vem imprimindo desde a revolução industrial, sem qualquer tipo de controle ou penalização das grandes corporações poluidoras. Cabe ressaltar ainda que eventos de âmbito nacional e internacional se multiplicaram a partir da segunda metade do século XX, sem, contudo conseguirem firmar um compromisso efetivo das nações para com o meio ambiente. Se o cuidado com a natureza, condição primordial para a continuidade da existência humana no planeta, ainda é tratado de maneira irresponsável e superficial, o que dizer do cuidado para com as relações afetivas no âmbito das cidades? É precisamente este o objetivo desta pesquisa cartográfica: identificar e analisar, sob o enfoque da psicologia social e da filosofia da diferença, experiências de sustentabilidade afetiva que se fazem presentes no cotidiano das cidades. A cartografia, como método, servirá para identificar experiências de resistência ao profundo individualismo ora instalado. Ao final do estudo, será possível demonstrar que as experiências cotidianas de individualismo, priorização do acúmulo e do consumo, bem como a competitividade nos mais diferentes âmbitos da existência são alguns dos fatores que cooperam para que o cuidado de si e do outro, na perspectiva de uma vida comum, sejam desqualificados e minimizados.

COVID-19: Experiências e relatos

O estudo tem como objetivo principal a produção de um conjunto de narrativas sobre os acontecimentos relacionados à pandemia do Coronavírus na Região Metropolitana de Londrina (RML). Trata-se de uma pesquisa transdisciplinar, na qual diferentes áreas do saber se unem para refletir e interpretar os testemunhos à luz de áreas como Literatura e Linguística, Ciências Humanas, Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas e Saúde. A transdisciplinaridade almejada aqui valoriza a junção de diferentes olhares sobre acontecimentos relacionados ao isolamento e distanciamento social, com potencial para desenvolvimento de estudos futuros nas áreas de Letras, História, Ciências Sociais, Filosofia, Direito, Psicologia e Enfermagem, ligadas ao projeto. Sua metodologia está baseada na história oral que recolherá relatos com agentes sociais envolvidos na pandemia do novo Coronavírus. Para tanto, ela desdobra-se em 4 eixos temáticos: educação, saúde, sociedade e cultura. Os resultados esperados são a construção de um conjunto de narrativas sobre a pandemia do Coronavírus no momento em que as pessoas estão vivenciando seus efeitos. Isso possibilitará uma reflexão transdisciplinar, a interpretação discursiva, bem como a abordagem ética e histórica dos desdobramentos da pandemia.

Expressões da resistência ao trabalho

O estudo tem por objetivo avaliar criticamente os vínculos que se estabeleceram entre o humano e o trabalho durante a consolidação do modo de produção capitalista. Trata-se da abordagem de um tema complexo e multifacetado, mas ancorado em uma evidência inequívoca: ao final da segunda década do século XXI, parcelas significativas da população em todo o mundo convivem com o desemprego e o subemprego, bem como com as consequências a eles associadas. Uma problemática dessa magnitude, que evidencia a incapacidade das sociedades capitalistas de absorver um excedente de mão de obra que só cresce, aponta para uma questão de fundo: a vida humana socialmente organizada sob a égide do capitalismo depende de fato da existência do emprego formal para uma grande maioria ou, ao contrário, trabalho e emprego poderiam se tornar práticas executadas por parcelas cada vez menores de seres humanos? Haveria modos de vida possíveis sem a hegemonia e mesmo a universalização do trabalho as como conhecemos? Trata-se, então, de uma pesquisa teórica de perfil qualitativo que procura mapear as expressões de resistência ao trabalho. Procuraremos por esses modos de vida nos enunciados das obras de Nietzsche (2000), Lafargue (1999) e Thoreau (1990). Ao final do estudo, pretende-se conhecer como as resistências ao trabalho já se encontram em curso e produzem efeitos na economia global.

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