Processos Sociais e Práticas Culturais

2. Processos Sociais e Práticas Culturais

Estuda estruturas e experiências comunicacionais em seus desdobramentos históricos, geopolíticos, econômicos e culturais a partir de suas mais diferentes expressões verbais, visuais, sonoras e gestuais. Interpreta criticamente práticas e processos comunicacionais como práxis sócio-históricas da reprodução e das disputas de hegemonias.

 

Pro­je­tos de Pesquisa

 

Sinais da crise do capitalismo – determinações históricas das formas audiovisuais de produção comunicacional (dos sistemas nacionais de televisão à rede mundial de computadores)

Manoel Dourado Bastos

O presente projeto se propõe a estudar o processo de transformação das determinações históricas entre comunicação e capitalismo, particularmente os processos relativos às formas audiovisuais, concentrando-se na interpretação do período que vai da hegemonia comunicativa dos sistemas nacionais de televisão àquela da rede mundial de computadores. A partir das contribuições da economia política da informação, comunicação e cultura (EPICC), pretende-se caracterizar as formas audiovisuais de comunicação moderna como aspectos de complexas dinâmicas históricas que se desdobram dos padrões de reprodução do capital e do estado-nação moderno, elementos essenciais do capitalismo. Reconhece-se assim a comunicação como um processo histórico específico da modernidade capitalista. Trata-se inicialmente de observar a expansão global dos sistemas nacionais de televisão, caracterizando-a como elemento essencial ao capitalismo no século XX. Em seguida, o interesse recai sobre a crise sistêmica do capital e a correspondente emergência das redes mundiais de computadores. Busca-se particularmente avaliar as continuidades e rupturas desse processo histórico em consonância com os debates sobre o atual estado histórico do capitalismo. Sob esse prisma, a rede mundial de computadores mantém aspectos essenciais dos sistemas nacionais de televisão, superando-os como um complexo midiático e de controle afeito à dinâmica de militarização do cotidiano.

Autoritarismos e estereótipos na comunicação: passado, presente e futuro

Márcia Neme Buzalaf

Como os autores vinculados à perspectiva pós-colonial podem colaborar na identificação dos mecanismos autoritários e na estruturação de estereótipos feitos pelos meios de comunicação? Esta é a pergunta que norteia este Grupo de Pesquisa. A busca por quebrar as narrativas hegemônicas vem sendo traçada em diferentes esferas do conhecimento, amplificando as falas que ainda são dominadas por práticas comunicativas que mascaram a pluralidade de representações sobre o passado, o presente e o futuro. Busca-se pressupostos conceituais pós-colonialistas para compreender os processos sociais envolvidos nas diferentes narrativas em relação aos dois temas propostos ? autoritarismos e estereótipos -, especialmente nas construções midiáticas. O objetivo é desenvolver uma leitura interpretativa crítica de diferentes meios comunicativos a partir, principalmente, de obras da nigeriana Chimamanda Adichie, da indiana Gayatri Spivak, do palestino Edward Said, do indiano Homi Bhabha e dos brasileiros Ruy Braga e Lilia Schwarcz, entre outros, a fim de contribuir para a solidificação das teorias pós-coloniais nas pesquisas de comunicação. Palavras-chave: Autoritarismos; Estereótipos; Mídia, História; Pós-colonialismo.

Percepção e pobreza: a disputa pela atenção e o fim da experiência

Rodolfo Rorato Londero

Desde o advento da modernidade, a faculdade da atenção tornou-se central para as instituições capitalistas, tanto para disciplinar a produção industrial quanto para estimular o consumo de mercadorias. Contudo, em um cenário de constante disputa pela atenção do consumidor, levado a cabo pelas mais diversas técnicas publicitárias, a própria experiência se encontra ameaçada, em vias de se tornar inútil e anacrônica em uma sociedade de aceleração. O objetivo desta pesquisa é repensar o argumento benjaminiano da atrofia da experiência como decorrência da modernidade, mas desta vez a partir do problema da percepção, compreendido no atual contexto de disputa pela atenção e de suas consequências (excesso de imagens, estímulos e informações). Entende-se que, como propõe a fenomenologia merleau-pontyana, a percepção é o ponto de partida da experiência. Entretanto, se a própria percepção está ameaçada devido ao excesso e à velocidade das imagens, então como é possível a experiência? Pode-se dizer, como hipótese de pesquisa, que o tipo de atenção produzido pelas atuais condições impossibilita a experiência. Adotando a pesquisa bibliográfica como metodologia, este estudo pretende se aprofundar no debate da fenomenologia da percepção, tanto nos argumentos originais de Merleau-Ponty quanto nas revisões realizadas por Virilio considerando o advento das ?máquinas de visão? e da ?poluição dromosférica?; e nas contribuições da teoria crítica, desde autores seminais, como Benjamin e Adorno, até pensadores contemporâneos, como Türcke e Rosa. Espera-se assim mostrar a atualidade do argumento benjaminiano, repensado de acordo com questões contemporâneas, mas ao mesmo tempo antevisto em sua crítica à modernidade.

Literatura e depressão: a alegoria da doença no romance brasileiro contemporâneo

Rodolfo Rorato Londero

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, até o ano de 2030, a depressão tornar-se-á a doença mais comum do mundo. Neste sentido, é importante compreender a experiência da depressão em suas mais variadas formas, inclusive por meio da literatura. Portanto, o problema que esta pesquisa propõe é: como a experiência da depressão se manifesta no romance brasileiro contemporâneo? Acredita-se que isso ocorre por meio da alegoria, sendo esta a hipótese que verificaremos nos quatro romances que compõem o corpus literário desta pesquisa: Até o dia em que o cão morreu (2003) e Meia-noite e vinte (2016), ambos de Daniel Galera; A maçã envenenada (2013), de Michel Laub; e As perguntas (2017), de Antônio Xerxenesky. Buscando compreender a experiência em sua integridade, portanto, sem o emprego da análise convencional, o corpus em questão é estudado a partir das contribuições da fenomenologia, principalmente de autores como Maurice Merleau-Ponty, Hans Ulrich Gumbrecht e Jean-Luc Nancy.

Um novo traçado para o Brasil: análise do projeto social-desenvolvimentista do governo Lula (2003-2010) por meio das charges na imprensa brasileira

Roz­i­naldo Antonio Miani

Após um longo período de hegemonia de aplicação do projeto neoliberal no Brasil, desde o governo Fernando Collor de Mello (1990-1992) e, principalmente, com o governo FHC (1995-2002), a sociedade brasileira conheceu e experimentou uma ?nova proposta? de governo. Durante dois mandatos presidenciais, Luis Inácio Lula da Silva impulsionou um governo marcado por um modelo econômico neodesenvolvimentista combinado com a intensificação de políticas sociais voltadas para a diminuição das desigualdades sociais no país. Apesar de importantes mudanças na condução social, econômica e política no Brasil, o governo Lula (2003-2010) também ficou marcado por inúmeras contradições entre o projeto historicamente defendido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e as ações de governo que resultaram em uma ruptura com aliados políticos históricos e fizeram, dentre outras consequências, emergir diversas polêmicas políticas e escândalos de corrupção. Os principais acontecimentos que marcaram os oito anos do governo Lula foram retratados com criticidade, ironia e humor pelos chargistas da imprensa brasileira. Neste sentido, este projeto de pesquisa tem como objetivo analisar como a charge retratou os desdobramentos do projeto social-desenvolvimentista no Brasil, bem como os respectivos impactos econômicos, políticos e sociais na sociedade, durante o governo Lula, no contexto discursivo da imprensa brasileira. As análises serão realizadas com base na metodologia da análise do discurso chárgico. Por sua natureza interdisciplinar, o projeto contribuirá para uma compreensão histórica e sociológica do governo Lula, a partir de uma análise histórica e historiográfica, possibilitando uma compreensão dos fundamentos político-ideológicos que marcaram o projeto social-desenvolvimentista no Brasil durante a primeira década do século XXI. Trata-se, ainda, da continuidade de um processo de pesquisa no sentido de estabelecer uma revisão teórico-metodológica da história brasileira recente, tendo como base documental as fontes iconográficas, e de contribuir para a ampliação do leque de pesquisas em comunicação visual com impacto na produção vinculada ao Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina.