Linhas de pesquisa

1. Produção de Sentido nas Mídias

Estuda a produção de sentido nas diversas mídias, bem como suas expressões de linguagem. Analisa as dinâmicas do mito e do imaginário na construção de narrativas nos meios de comunicação. Investiga as representações simbólicas na práxis comunicacional.

 

Pro­je­tos de Pesquisa

 

Imagens ofensivas: demonização do outro e panfletagem na Reforma do século XVI

Alberto Carlos Augusto Klein

A reforma religiosa do século XVI, que tem em Martinho Lutero um de seus principais atores, pode ser estudada como um fenômeno comunicacional ímpar, uma vez que se constitui como o primeiro grande debate público na Europa moderna após a invenção da prensa de tipos móveis de Gutenberg. O caráter midiático deste evento pode ser atestado não somente pela intensa produção de livros, entre eles a bíblia traduzida em língua vernácula pelo reformador alemão, mas também pela disseminação virulenta de panfletos, que envolveu grande parte da população nos embates públicos entre os reformadores e a Igreja Católica Romana. Lutero e seu companheiro Phillip Melanchton assinaram 183 panfletos somente no ano de 1523. Apesar do recorte eminentemente histórico, pretendemos nos debruçar sobre as imagens que estampavam esses panfletos a partir da técnica da xilogravura. Desse modo, analisaremos mecanismos de articulação de sentido para a produção da ofensa, bem como os processos semióticos de demonização do outro, conjugando elementos visuais que se codificariam três séculos depois em uma linguagem própria, a charge. Entre estes elementos, investigaremos formas visuais que se estruturam em uma base binária e polar, repercutindo em uma destituição simbólica da alteridade. A perspectiva deste estudo baseia-se principalmente na semiótica da cultura, sistematizada por Ivan Bystrina, além das contribuições da teoria das imagens de W.J.T. Mitchell. Se as imagens ofensivas formam um conjunto marcante da produção visual na mídia contemporânea, buscaremos com este projeto estudá-las no alvorecer da imprensa.

O imaginário mágico das propagandas de tecnologia: uma análise mitocrítica da tecnocracia no século XXI

André Azevedo da Fonseca

A cultura de mídia do século XXI tem sido marcada pela emergência de um imaginário que sugere propriedades mágicas às tecnologias. Contudo, sob o brilho desse encantamento, o estado e as corporações desenvolveram sistemas de invasão de privacidade para fins de coleta intensiva de dados pessoais de cidadãos e consumidores. O objetivo desta pesquisa é identificar e analisar os símbolos arquetípicos e as narrativas de caráter mítico empregadas em propagandas de grandes empresas de tecnologia para intensificar a fidelização, a devoção e o fascínio dos usuários por produtos e serviços. Os métodos empregados serão a pesquisa bibliográfica e a análise documental, sob a perspectiva dos estudos de mitocrítica. O corpus é constituído por um conjunto de imagens e vídeos publicitários e institucionais de empresas de tecnologia. ao buscar compreender os discursos que intensificam o fascínio dos usuários pelos seus dispositivos tecnológicos, a pesquisa contribui no campo da educação para as mídias.

A produção audiovisual como articuladora de sentidos de identidade e interculturalidade

Mônica Panis Kaseker

Interessa a este projeto de investigação tomar como objeto de estudo, em especial, as produções audiovisuais que tratam da questão indígena. Com a internet, atores sociais considerados periféricos passaram a ocupar lugares de fala antes inexistentes. Por meio de blogues, portais, páginas ou canais próprios, muitos grupos de interesses em comum têm se organizado em comunidades virtuais e elaborado suas próprias narrativas sobre seus modos de viver, necessidades e anseios. É o caso dos povos indígenas, que têm ampliado sua participação na rede, a exemplo de iniciativas como a webrádio Yandé e até mesmo de organizações como o Instituto Socioambiental que articula uma rede de informações sobre o tema. Torna-se necessário avançar no estudo dessas práticas comunicativas que ajudam na articulação e integração cultural dos saberes indígenas, suas lutas e direitos, assim como na sua visibilidade social. O audiovisual consiste em uma forma de comunicação eficaz diante da forte vocação oral dos povos indígenas, especialmente porque a capacidade expressiva das imagens engloba aspectos fundamentais da comunicação indígena: a oralidade e a corporalidade.

Linguagem imagética para articulação de sentido de objetos pedagógicos com design thinking, inovação e tecnologia

Rosane Fon­seca de Fre­itas Martins

Miguel Luiz Contani

O projeto investiga a articulação de sentido e significado da linguagem imagética de objetos pedagógicos em diversos suportes (jogos digitais e impressos, livros didáticos, livros literários, livros objetos, formas tridimensionais de apoio/impressão 3D, apostilas, manuais, cartilhas, brinquedos, animações e outras formas criativas e divertidas), a fim de estimular o aprendizado de crianças e adolescentes como reforço de aprendizagem, bem como auxiliar e motivar professores neste processo. A metodologia é de natureza exploratória, qualitativa e descritiva, delineamento de dados primários (bibliografia) e secundários (análise de similares). Toda a criação será conduzida pelo processo de design thinking. Os objetos com foco educacional serão criados em conjunto com os departamentos de design, comunicação, psicologia, educação e computação, e analisados junto ao público em investigações diversas (levantamento, estudos de caso e estudos de campo) sobre forma e conteúdo e suas formas de articulação de sentido.

Aprender com brilho no olho: linguagem imagética para articulação de sentido de objetos pedagógicos com design thinking, inovação e tecnologia

Rosane Fon­seca de Fre­itas Martins

O projeto investiga a articulação de sentido e significado da linguagem imagética de objetos pedagógicos em diversos suportes (jogos digitais e impressos, livros didáticos, livros literários, livros objetos, formas tridimensionais de apoio/impressão 3D, apostilas, manuais, cartilhas, brinquedos, animações e outras formas criativas e divertidas) a fim de estimular o aprendizado de crianças e adolescentes como reforço de aprendizagem, bem como auxiliar e motivar professores neste processo. A metodologia é de natureza exploratória, qualitativa e descritiva, delineamento de dados primários e secundários. Toda a criação é conduzida pelo processo de design thinking. Os objetos com foco educacional são criados em conjunto com os departamentos de design, comunicação, psicologia, educação e computação, e analisados junto ao público em investigações diversas (levantamento, estudos de caso e estudos de campo) sobre forma e conteúdo e suas formas de articulação de sentido. Espera-se minimizar a falta de sintonia entre a linguagem imagética e tecnológica às quais as novas gerações têm acesso no cotidiano fora da escola e o material didático de ensino tradicional, motivando-as a aprender com brilho no olho.

2. Processos Sociais e Práticas Culturais

Estuda estruturas e experiências comunicacionais em seus desdobramentos históricos, geopolíticos, econômicos e culturais a partir de suas mais diferentes expressões verbais, visuais, sonoras e gestuais. Interpreta criticamente práticas e processos comunicacionais como práxis sócio-históricas da reprodução e das disputas de hegemonias.

 

Pro­je­tos de Pesquisa

 

Sinais da crise do capitalismo – determinações históricas das formas audiovisuais de produção comunicacional (dos sistemas nacionais de televisão à rede mundial de computadores)

Manoel Dourado Bastos

O presente projeto se propõe a estudar o processo de transformação das determinações históricas entre comunicação e capitalismo, particularmente os processos relativos às formas audiovisuais, concentrando-se na interpretação do período que vai da hegemonia comunicativa dos sistemas nacionais de televisão àquela da rede mundial de computadores. A partir das contribuições da economia política da informação, comunicação e cultura (EPICC), pretende-se caracterizar as formas audiovisuais de comunicação moderna como aspectos de complexas dinâmicas históricas que se desdobram dos padrões de reprodução do capital e do estado-nação moderno, elementos essenciais do capitalismo. Reconhece-se assim a comunicação como um processo histórico específico da modernidade capitalista. Trata-se inicialmente de observar a expansão global dos sistemas nacionais de televisão, caracterizando-a como elemento essencial ao capitalismo no século XX. Em seguida, o interesse recai sobre a crise sistêmica do capital e a correspondente emergência das redes mundiais de computadores. Busca-se particularmente avaliar as continuidades e rupturas desse processo histórico em consonância com os debates sobre o atual estado histórico do capitalismo. Sob esse prisma, a rede mundial de computadores mantém aspectos essenciais dos sistemas nacionais de televisão, superando-os como um complexo midiático e de controle afeito à dinâmica de militarização do cotidiano.

Autoritarismos e estereótipos na comunicação: passado, presente e futuro

Márcia Neme Buzalaf

Como os autores vinculados à perspectiva pós-colonial podem colaborar na identificação dos mecanismos autoritários e na estruturação de estereótipos feitos pelos meios de comunicação? Esta é a pergunta que norteia este Grupo de Pesquisa. A busca por quebrar as narrativas hegemônicas vem sendo traçada em diferentes esferas do conhecimento, amplificando as falas que ainda são dominadas por práticas comunicativas que mascaram a pluralidade de representações sobre o passado, o presente e o futuro. Busca-se pressupostos conceituais pós-colonialistas para compreender os processos sociais envolvidos nas diferentes narrativas em relação aos dois temas propostos ? autoritarismos e estereótipos -, especialmente nas construções midiáticas. O objetivo é desenvolver uma leitura interpretativa crítica de diferentes meios comunicativos a partir, principalmente, de obras da nigeriana Chimamanda Adichie, da indiana Gayatri Spivak, do palestino Edward Said, do indiano Homi Bhabha e dos brasileiros Ruy Braga e Lilia Schwarcz, entre outros, a fim de contribuir para a solidificação das teorias pós-coloniais nas pesquisas de comunicação. Palavras-chave: Autoritarismos; Estereótipos; Mídia, História; Pós-colonialismo.

Percepção e pobreza: a disputa pela atenção e o fim da experiência

Rodolfo Rorato Londero

Desde o advento da modernidade, a faculdade da atenção tornou-se central para as instituições capitalistas, tanto para disciplinar a produção industrial quanto para estimular o consumo de mercadorias. Contudo, em um cenário de constante disputa pela atenção do consumidor, levado a cabo pelas mais diversas técnicas publicitárias, a própria experiência se encontra ameaçada, em vias de se tornar inútil e anacrônica em uma sociedade de aceleração. O objetivo desta pesquisa é repensar o argumento benjaminiano da atrofia da experiência como decorrência da modernidade, mas desta vez a partir do problema da percepção, compreendido no atual contexto de disputa pela atenção e de suas consequências (excesso de imagens, estímulos e informações). Entende-se que, como propõe a fenomenologia merleau-pontyana, a percepção é o ponto de partida da experiência. Entretanto, se a própria percepção está ameaçada devido ao excesso e à velocidade das imagens, então como é possível a experiência? Pode-se dizer, como hipótese de pesquisa, que o tipo de atenção produzido pelas atuais condições impossibilita a experiência. Adotando a pesquisa bibliográfica como metodologia, este estudo pretende se aprofundar no debate da fenomenologia da percepção, tanto nos argumentos originais de Merleau-Ponty quanto nas revisões realizadas por Virilio considerando o advento das ?máquinas de visão? e da ?poluição dromosférica?; e nas contribuições da teoria crítica, desde autores seminais, como Benjamin e Adorno, até pensadores contemporâneos, como Türcke e Rosa. Espera-se assim mostrar a atualidade do argumento benjaminiano, repensado de acordo com questões contemporâneas, mas ao mesmo tempo antevisto em sua crítica à modernidade.

Literatura e depressão: a alegoria da doença no romance brasileiro contemporâneo

Rodolfo Rorato Londero

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, até o ano de 2030, a depressão tornar-se-á a doença mais comum do mundo. Neste sentido, é importante compreender a experiência da depressão em suas mais variadas formas, inclusive por meio da literatura. Portanto, o problema que esta pesquisa propõe é: como a experiência da depressão se manifesta no romance brasileiro contemporâneo? Acredita-se que isso ocorre por meio da alegoria, sendo esta a hipótese que verificaremos nos quatro romances que compõem o corpus literário desta pesquisa: Até o dia em que o cão morreu (2003) e Meia-noite e vinte (2016), ambos de Daniel Galera; A maçã envenenada (2013), de Michel Laub; e As perguntas (2017), de Antônio Xerxenesky. Buscando compreender a experiência em sua integridade, portanto, sem o emprego da análise convencional, o corpus em questão é estudado a partir das contribuições da fenomenologia, principalmente de autores como Maurice Merleau-Ponty, Hans Ulrich Gumbrecht e Jean-Luc Nancy.

Um novo traçado para o Brasil: análise do projeto social-desenvolvimentista do governo Lula (2003-2010) por meio das charges na imprensa brasileira

Roz­i­naldo Antonio Miani

Após um longo período de hegemonia de aplicação do projeto neoliberal no Brasil, desde o governo Fernando Collor de Mello (1990-1992) e, principalmente, com o governo FHC (1995-2002), a sociedade brasileira conheceu e experimentou uma ?nova proposta? de governo. Durante dois mandatos presidenciais, Luis Inácio Lula da Silva impulsionou um governo marcado por um modelo econômico neodesenvolvimentista combinado com a intensificação de políticas sociais voltadas para a diminuição das desigualdades sociais no país. Apesar de importantes mudanças na condução social, econômica e política no Brasil, o governo Lula (2003-2010) também ficou marcado por inúmeras contradições entre o projeto historicamente defendido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e as ações de governo que resultaram em uma ruptura com aliados políticos históricos e fizeram, dentre outras consequências, emergir diversas polêmicas políticas e escândalos de corrupção. Os principais acontecimentos que marcaram os oito anos do governo Lula foram retratados com criticidade, ironia e humor pelos chargistas da imprensa brasileira. Neste sentido, este projeto de pesquisa tem como objetivo analisar como a charge retratou os desdobramentos do projeto social-desenvolvimentista no Brasil, bem como os respectivos impactos econômicos, políticos e sociais na sociedade, durante o governo Lula, no contexto discursivo da imprensa brasileira. As análises serão realizadas com base na metodologia da análise do discurso chárgico. Por sua natureza interdisciplinar, o projeto contribuirá para uma compreensão histórica e sociológica do governo Lula, a partir de uma análise histórica e historiográfica, possibilitando uma compreensão dos fundamentos político-ideológicos que marcaram o projeto social-desenvolvimentista no Brasil durante a primeira década do século XXI. Trata-se, ainda, da continuidade de um processo de pesquisa no sentido de estabelecer uma revisão teórico-metodológica da história brasileira recente, tendo como base documental as fontes iconográficas, e de contribuir para a ampliação do leque de pesquisas em comunicação visual com impacto na produção vinculada ao Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina.