Latuff passa tarde com os mestrandos

Latuff participou da disciplina “Linguagens Iconográficas” do Mestrado em Comunicação Visual no dia 29/06. Durante uma tarde, o cartunista relatou sua trajetória dentro da imprensa sindical e, também, seu trabalho como ativista. “Meu engajamento político começou depois de ter assistido um documentário sobre os Zapatistas. Fiz doação de vários desenhos para o movimento e liberei a divulgação e reprodução dos trabalhos. Então percebi que o importante era que meus desenhos fossem não só relevantes para mim, mas para outras pessoas.”

Em 1999, Latuff foi à Palestina e aderiu a causa, dando aos palestinos “apoio artístico”. “Eu produzia charges e enviava para eles via internet. A relação imagem e internet é poderosa, é a garrafa e a gasolina” – afirmou o cartunista. Recentemente, Latuff também participou das revoluções da Tunísia e do Egito pelo Twitter, fazendo desenhos sob encomenda: “no dia das manifestações, as fotografias das agências internacionais mostravam minhas charges. O pessoal, inclusive, grafitou meus desenhos nos muros”.

No Brasil, Latuff já incomodou (e incomoda) o governo do Rio de Janeiro, principalmente por suas críticas às ações da polícia do estado. Por conta disso, foi detido e encaminhado à delegacia três vezes. A primeira vez, em 2000, o cartunista foi preso por grafitar um muro a 100m da Secretaria de Segurança. O título do desenho já adiantava “Banda Podre S/A”. “Me fizeram abrir a mochila, seguir dentro da viatura e prestar depoimento. O mais engraçado é que eu tinha a autorização do dono do muro. Se fosse qualquer outro desenho não teria problema nenhum. Dizem que vivemos uma democracia no país, mas que tipo de liberdade de expressão é esta?”

Para concluir, Latuff afirmou que a imagem tem poder, por isso é capaz de incomodar – “ela põe foco em determinados assuntos, tem poder de mobilização”. Para os mestrandos, ele faz um apelo: “vocês são uma pequena parcela da população que conhecem a potência da imagem e como ela pode ser manipulada. Então usem essa força da maneira correta e criem ruídos”.

Fotografias: Anderson Coelho

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