Mestrado em Comunicação recebe cartunista Latuff   

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A turma da disciplina “Linguagens Iconográficas e Mídia”, ministrada pelo professor Dr. Rozinaldo Miani, contou com a presença do cartunista Carlos Henrique Latuff, que é mundialmente reconhecido pelo seu trabalho ideologicamente engajado. A aula especial, realizada no dia 15 de maio, teve a intenção de mostrar como acontece o processo criativo artístico, a partir do ponto de vista do próprio ilustrador.

Durante a visita, Latuff enfatizou a proposta discursiva das mensagens visuais presentes na charge, que são retratadas para um fim mais objetivo do que as pinturas tradicionais. “A charge é objetiva. Ela tem um tema delimitado e uma abordagem mais clara. Diferente de uma pintura, que tem diferentes interpretações. Mas ainda com essa objetividade, é possível que pessoas façam leituras distintas da charge, já que não dá para ter controle absoluto de uma imagem”, defende o cartunista, igualmente conhecido por seu trabalho como ativista político.

Carreira

Desde a infância, Latuff nutria um enorme prazer pela arte gráfica, mas nunca achou que se profissionalizaria na área dentro da grande imprensa. “A minha família tinha um entendimento de que quem trabalha na grande imprensa é alguém pertencente a uma classe superior ou indicado por alguém do meio. Eu sabia que seria desenhista, mas achava que seria de uma outra área totalmente contrária”, diz.

O seu primeiro emprego como ilustrador começou em 1989, quando foi contratado para trabalhar em uma pequena agência de publicidade do Rio de Janeiro. No ano seguinte, ele começa a desenvolver seus trabalhos dentro da imprensa sindical, do qual ele faz parte até hoje.

Ativismo

Bastante reconhecido por seu trabalho engajado, Latuff comenta que sua percepção ideológica nos desenhos começou a tomar contornos mais sólidos a partir de 1995, quando ele conheceu pela internet as propostas do movimento de libertação nacional zapatista.  “Desse momento, eu comecei a entender meu trabalho não apenas como profissional, mas também como ideo-lógico. E com a minha visita à Palestina, essa situação só se solidificou. A partir de lá, comecei a produzir imagens que pudessem a ser utilizados pelos palestinos em protestos e manifestações”, explica.