I ENCONTRO PARANAENSE PÓS-GRADUADO
DE ESTUDOS LITERÁRIOS

PÔSTERES APRESENTADOS


SUMÁRIO

Orientador Orientandos
Alamir Aquino Corrêa
(UEL)

Alessandra N. Fernandes
Aurélia Hübner Peixouto Bozzi
Maria Janaína Foggetti
Maurício C. Menon
Sandra Aparecida Pires Franco
Vanderléia da S. Oliveira

Gizêlda M. do Nascimento
(UEL)
J. Maciel
Márcia Batista de Oliveira
Marcos Hidemi de Lima
Serafina Ferreira Machado
Suely Leite
Joaquim C. da Silva
(UEL)

Edna M. P. Testi
Elisangela A. da Rocha

Loredana Limoli
(UEL)
Maria Alzira de C. Santos
Luiz Carlos Santos Simon
(UEL)
Ana Paula Ramão da Silva
Angela Maria Pelizer de Arruda
Camila Vanzella
Luiza Maria Lentz Baldo
Moacir Dalla Palma
Stela de C. B. da S. Treviso
Regina Célia dos S. Alves (UEL) Débora Domke R. Lima
Elizabeth Fiori Padilha
Flaviana Gonçalves Viani
Jônathas A.de Souza
Maria Esther Putton
Renata Ribeiro de Moraes
Regina H. M. A. Corrêa
(UEL)
Katia Cristina Silva Bolognesi
Leoné Astride Barzotto
Mariana S. Cordeiro
Rita Félix Fortes
(Unioeste)
Cleusa Fatima de Oliveira Mantovanello
Janice Aparecida de Souza Salvador
Jerri Antonio Langaro
Sérgio Paulo Adolfo
(UEL
)
Donizeth A. dos Santos
Érica Antunes Pereira
Éverton Fernando Micheletti
José Eugênio das Neves

 

Pesquisadoras:
Rita Félix Fortes (Unioeste) (fortes@rondonet.com.br)
Maria Beatriz Zanchet (Unioeste) zanchet@rondonet.com.br

 


Orientador: Prof. Alamir Aquino Corrêa (UEL) (alamir@uel.br)

Linha de Pesquisa: Formação e Revisão do Cânone Literário Brasileiro

Mestranda: Alessandra N. Fernandes (UEL - PG / CNPq) (anavarro_fernandes@hotmail.com)

Título provisório: O tema da morte na poesia romântica brasileira

O objetivo deste trabalho é analisar a temática da morte na poesia romântica brasileira, tendo em vista a literatura como registro de mentalidades. Os pressupostos teóricos sobre a morte no Romantismo foram levantados, em grande parte, a partir de Philippe Ariès (1989; 2003), que se debruça sobre as práticas sociais da morte, e de Mário Praz (1996), que analisa as razões da estética da morte. Também foi realizado um levantamento do tema da morte na historiografia da literatura romântica brasileira, visando um estudo de autores, obras e argumentos relacionados àquela temática. Mediante um corpus de 72 poemas de oito poetas românticos brasileiros, pesquisados na obra de Frederico José da Silva Ramos (1959), foi feito um trabalho de sistematização dos poemas segundo certas unidades de trabalho propostas pelo professor Alamir Aquino Côrrea, em aula da disciplina "A morte na literatura brasileira". Estas unidades de trabalho referem-se à tipologia de vozes sobre a morte, aos significados que as várias representações da morte desejam expressar e às categorias estéticas da morte, de acordo com a proposição de Michel Guiomar na obra Príncipes D'Une Esthetique de la Mort. Os poemas também foram interpretados segundo as atitudes para com a morte encontradas durante a análise.
 

Doutoranda: Aurélia Hübner Peixouto Bozzi (a.bozzi@uol.com.br)

Título provisório: Um estudo sobre Josué Guimarães

 
É meta em nossa pesquisa analisar criticamente a obra completa de Josué Guimarães (1921-1986), reconhecido ficcionista e jornalista gaúcho. O autor deixou-nos uma significativa obra, que inclui romances como Os tambores silenciosos, Dona Anja, A casa das quatro luas, Camilo Mortagua, É tarde para saber, entre outros. Jornalista e político extremamente atuante (foi vereador em Porto Alegre e diretor da sucursal da Folha de S. Paulo nessa mesma cidade), a preocupação com o dado 'real' esteve sempre presente na sua ficção. Por ora, parece-nos produtiva a investigação das fronteiras entre a ficção e a realidade na construção dos universos compostos pelas suas narrativas. Diz-se de um dos personagens de Os tambores silenciosos, o 'conselheiro do prefeito da imaginária cidade de Lagoa Branca', que se assemelhava a um conselheiro do Tribunal de contas de Porto Alegre, o que evidencia, de certo modo, a tendência do autor a proporcionar o confronto de que pretendemos tratar. É nosso objetivo problematizar rigorosamente a questão das relações entre a ficção e o real, compreendendo melhor a intersecção dos seus elementos, sem meros 'biografismos', e sem cair numa comparação comum e fácil, empobrecedora de ambos conceitos. Paralelamente à leitura da obra completa de Josué Guimarães, nosso primeiro objeto de estudo (pretendemos investigar, também, a produção jornalística de Guimarães, em outro momento) tratamos de uma revisão e aprofundamento da leitura de alguns textos teóricos sobre a narrativa, de autores tais como George Lukács, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Tzvetan Todorov, Gerard Genette, Claude Bremond, Umberto Eco entre outros aos quais os primeiros podem nos levar.
 

Mestranda: Maria Janaína Foggetti (foggetti@yahoo.com.br)

Título provisório: Tetralogia Piauiense: morte e destino na configuração da miséria humana

 
Composta pelos romances Beira rio, beira vida (1965); A filha do meio-quilo (1966); O salto do cavalo cobridor (1968); e Pacamão (1969), a Tetralogia Piauiense apresenta um complexo panorama social e psicológico. A cidade de Parnaíba exerce poder paralisante sobre seus habitantes; através do padre (religião) e dos velhos (memória), ela pune aqueles que tentam ir contra o sistema. É estagnação social sob forma de sina, que por vezes adquire contornos sobrenaturais, mas que no fundo têm origens bem mundanas. Como vítimas máximas desse processo, as mulheres se destacam devido a uma maternidade problemática e uma existência manipulada. Ao final da leitura, uma questão essencial parece se impor: em que medida o ser humano pode realmente modificar sua vida, construir seu próprio destino? Assim, o drama das personagens de Assis Brasil acaba se firmando num plano mais universal e revelando a angústia de nossa existência. Para explicitar todas essas características, o presente estudo deve partir de uma análise das mortes representadas em cada um dos romances no intuito de expor, através de suas peculiaridades, um painel geral da miséria moral e física que assola suas personagens. Por fim, as condições de morte devem servir como ponto de partida para uma análise das condições de vida, nas quais questões como o feminino, a religião e a memória devem ser abordadas para uma compreensão maior do destino apresentado a essas personagens.
 

Doutorando: Maurício C. Menon (mcmenon@terra.com.br)

Título provisório: Figurações do Gótico na Literatura Brasileira

 
O processo de construção da historiografia literária é bastante complexo e muito se tem discutido sobre ele. Sabe-se que nenhum sistema que se proponha a elencar a produção literária de um determinado país é completo - daí as discussões: quem ficou excluído do cânone estabelecido? Quais as prioridades para a eleição de alguns autores e algumas obras que enquadram o assim chamado cânone nacional? Qual a linha teórica seguida? etc. Observando os registros feitos pelos principais historiadores da literatura no Brasil, percebem-se diversas lacunas que ainda precisam ser preenchidas. Uma delas é constituída daquilo que se convencionou chamar de ficção especulativa que compreende as produções classificadas nas linhas da ficção científica, policial, fantástico-maravilhosa e de terror/horror. Esta última, descendente do gótico literário (meados séc. XVIII na Europa) torna-se objeto deste estudo que visa recuperar ou trazer um novo enfoque a textos canônicos ou não da produção narrativa do século XIX e de início do século XX no Brasil. Pretende-se observar e analisar neste período algumas figuras essenciais do gótico literário ou da literatura de terror/horror dentro de narrativas do período. Com isso torna-se possível recolocar algumas obras no seu devido lugar de evidência que, por critérios vários, têm permanecido no esquecimento até mesmo do estudante de literatura.
 

Doutoranda: Sandra Aparecida Pires Franco (sandrafranco@astornet.com.br)

Título provisório: A mentalidade brasileira: concepções sobre a morte nas obras de Tomás Antônio Gonzaga

 
Esta pesquisa preocupa-se em compreender a produção literária do final do século XVIII feita por Tomás Antônio Gonzaga. Analisaremos a concepção de morte nas obras: Tratado do Direito Natural (1768) e Marília de Dirceu (1792), o que nos proporcionará entender como os homens agiam diante da morte das pessoas que os cercavam. Enfocaremos a morte como tema fundamental para a concepção das práticas coletivas, baseando-se na história das mentalidades. Importante ressaltar que apesar de estar escrevendo em Portugal, Gonzaga não deixa de expressar o ideário dos intelectuais da colônia, uma vez que na colônia não havia universidades e todos os que queriam estudar iam para a Universidade de Coimbra. Salientamos que será necessário para nossa tese um retorno às concepções de morte desde a Idade Média até a contemporaneidade, assim como buscar conhecimentos filosóficos, retóricos e sobre direito natural, para podermos entender a concepção de morte do período, bem como o ideal de Gonzaga ao fazer esses registros, sua biografia e sobre a colônia. Procuraremos nos informar sobre as traduções do século XVII e XVIII em Lisboa, devido aos ideais da Razão estarem presentes. Nos propomos a verificar enfim, a mentalidade da época em relação à morte, verificando o social, o inconsciente coletivo. Assim, estaremos compreendendo os valores humanos, os ideais de uma época e refletindo sobre a atual. Procuraremos contribuir para recompor o cânone literário brasileiro; identificar as idéias presentes nos textos, correlacionando-as com os fatores sociais da época; criar um novo modo de leitura das obras literárias, a fim de ter acesso a obras pouco conhecidas; e analisar filosoficamente o tema morte, desde a Antiguidade até o século XVIII. Referências:
ARIÈS, Philippe. História da Morte no Ocidente. Prefácio de Jacob Pinheiro Goldberg. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
BLANCHOT, Maurice. O espaço literário. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro:Rocco, 1987.
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 5. ed. Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo, Edusp, 1975, p.114-126.
FRIEIRO, Eduardo. O diabo na livraria do cônego. 2.ed. ver e aum. São Paulo. Ed. Itatiaia. Ed. Da Universidade de São Paulo, 1981.
GONZAGA, Tomás Antônio. Tratado do Direito Natural. Carta sobre a Usura, Minutas, Correspondência, documentos. Edição crítica do M. Rodrigues Lapa. Ministério da educação e Cultura. Instituto nacional do Livro. Rio de janeiro, 1957.
__________. Marília de Dirceu.Ediouro, Rio de Janeiro, s/d.
MAXWELL, Kenneth. Marquês de Pombal: paradoxo do Iluminismo. Trad. Antônio de Pádua Danesi. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
MARTINS, Wilson . História da Inteligência Brasileira. São Paulo:T. A. Queiroz, 1992.
PRADO JÚNIOR, Caio. História econômica do Brasil. 40. ed. Editora Brasiliense. São Paulo, 1993.
VOVELLE, Michel. Ideologias e Mentalidades. Ed. Brasiliense. 2. ed., 1991.
 

Doutoranda: Vanderléia da Silva Oliveira (vances@onda.com.br)

Título provisório: História literária brasileira nos cursos de letras - Cânones e tradições

 
O ensino de literatura brasileira na Universidade tende a ser realizado numa perspectiva diacrônica, pautada na concepção prescrita pelas Histórias da Literatura. Tal prática sacramenta um conceito de literatura e de cânone que desconsidera determinadas produções, marginalizando-as, e fixa outras, pelo simples caráter de repetição do já dito por críticos e historiadores. Esta pesquisa objetiva verificar as concepções que professores e alunos do curso de Letras têm sobre literatura e cânone e de como articulam estas concepções no cotidiano do curso. São utilizadas bibliografias que abordam basicamente quatro temas: historiografia, crítica literária, cânone e a questão da teoria e prática na formação do professor. A metodologia utilizada é a de pesquisa bibliográfica e coleta de dados para, a partir do estudo de alguns programas de Literatura Brasileira da UEPG, UNICENTRO, UNIOESTE, UEM, UEL e FAFICOP, além de formulários de pesquisa respondidos por docentes destas IES e de alunos da UEL e FAFICOP, categorizar os registros coletados e proceder à análise das concepções que eles revelam. Numa leitura preliminar, a leitura dos programas demonstra que ensinar literatura significa usualmente ensinar "história literária", o que resulta na cristalização de autores e obras, espelho de certos cânones e tradições. Pretende-se, ainda, elaborar possíveis propostas para a abordagem da literatura brasileira nos cursos de Letras.
 

Orientador: Prof.ª Gizêlda Melo do Nascimento (UEL) (gizeldamelo@uol.com.br)

Linha de Pesquisa: Diálogos Culturais

Mestrando: J. Maciel (j30mac@uol.com.br)

Título provisório: O Projeto Político Estético em Contos de Caio Fernando Abreu

 
Para Tânia Pellegrini (UFSCAR), a ficção brasileira contemporânea passou pela ruptura com a dicotomia campo/cidade, entendida como oposição entre local e universal, a qual foi marca característica da literatura brasileira desde o seu momento de formação. Esta ruptura teria se dado em favor de temáticas urbanas que são próprias da pós-modernidade. É contra o pano de fundo dessa transformação da literatura brasileira, acelerada pela violência do processo de modernização conservadora do Brasil pós-64, que a obra de Caio Fernando Abreu deve ser avaliada. Vista em seu conjunto, a obra do autor se concretiza como expressão da jornada do estrangeiro preso à metrópole, conforme mostrou Bruno de Souza Leal. A exposição do caráter avassalador desta urbanidade tentacular que a tudo envolve e sufoca é com certeza o ponto focal de sua obra. Tendo-se consagrado principalmente como contista, Caio é considerado como destaque de uma das três novas vertentes temáticas que Pellegrini apresenta como consolidadas neste começo de milênio: a prosa de temática homoerótica. Mesmo tendo afirmado em uma de suas crônicas que não acreditava estar escrevendo literatura homossexual, mas apenas literatura, não há como desviar o olhar desta temática que freqüentemente visita seus textos. O objetivo desta pesquisa é o levantamento e a análise das estratégias de que lança mão o autor para executar seu projeto estético/político que reverencia a diversidade humana e suas experiências. Considerando a metrópole como espaço da realização de identidades alternativas, não deixamos de notar o tom crítico de Caio frente ao preço cobrado para vivenciar esta "liberdade". Considerando a diversidade como valor consagratório do termo pós-modernismo, nos propomos a analisar um conjunto de contos de Caio Fernando Abreu confrontando-os com contos de duas estéticas anteriores (Realismo e Modernismo) e com outros contos da estética atual. Para tanto, tomamos como ponto de partida reflexões de Linda Hutcheon sobre o pós-modernismo. Os contos de Caio selecionados encontram-se, principalmente, no livro Morangos Mofados, considerado como a obra prima do autor. Os outros autores selecionados para as análises comparativas são: Machado de Assis, Mário de Andrade, Rubem Fonseca e João Silvério Trevisan.
 

Mestranda: Márcia Batista de Oliveira (mboliva2002@hotmail.com)

Título provisório: A cartografia da memória em Cora Coralina

 
Trata-se de uma pesquisa em fase de definição de seu corpus e pretende direcionar sua investigação para as variadas formas de representação da memória na obra de Cora Coralina, onde é notória a recorrência deste tema. Memória como registro de um tempo, vindo expressa seja através de sua recuperação pelo veio histórico, seja pelo veio sócio-cultural, mas sempre através de uma visão que recupera a versão dos menos representáveis. Um 'eu enunciador' localizado em outro lugar, ao largo do instituído. Cartografia da memória pretende ser este caminhar por outros tempos e seus espaços - físicos ou sociais - na tentativa de, recuperando o passado, entendermos nosso presente. A obra de Cora Coralina torna-se terreno fértil para esta investida; além de evidenciar, através da fina ironia ou indignação da autora, sua postura frente (e à frente) de seu tempo. Para tal investida e reafirmando que a pesquisa encontra-se em fase embrionária, consideramos indispensáveis as leituras de Ecléa Bosi, Pierre Vernant e Gilberto Freyre; este último para dar conta da especificidade de nossa formação histórico-cultural, traço marcante nos registros poéticos da memória em Cora Coralina.
 

Mestrando: Marcos Hidemi Lima (marcos_hidemi@yahoo.com.br)

Título provisório: Personagens Femininas em Três Romances de Graciliano Ramos

 
A dissertação pretende enfocar as personagens femininas presentes nos romances São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas secas (1938), escritos por Graciliano Ramos, demonstrando que nestas obras há uma imperiosa vontade do autor em mostrar mulheres fortes, decididas, inteligentes, numa sociedade em que o papel da mulher não possuía muita relevância. Escritos há mais de meio século, nestas obras afiguram-se-nos mulheres que prenunciaram muitas das conquistas femininas obtidas posteriormente. Mulheres apresentando sintomas de incômodo diante dos papéis que lhes foram atribuídos durante este longo percurso da história ocidental assentada em valores patriarcais. Suas personagens, com isto, podem ser percebidas como prefigurações do que se debate hoje em termos de uma emancipação feminina. Ao analisar a forma como em São Bernardo Paulo Honório constrói Madalena, como Luís da Silva, em Angústia, faz a construção de Marina e de que modo o narrador onisciente de Vidas Secas apresenta-nos Sinha Vitória, tentaremos reconstituir sua imagem, buscando nas supressões, nos hiatos, nos pontos obscuros das narrativas as reais malhas com as quais são tecidas estas mulheres. Configurações femininas (apenas) aparentemente tão podadas e obscurecidas. Encontrando-se a pesquisa em fase de leituras para elaboração de um plano, pensamos, nestes primeiros encaminhamentos, deter-nos nas leituras de Roberto Reis, mais precisamente o estudo A permanência de círculo onde o autor detecta a permanência dos valores patriarcalistas ainda hoje e a obra Mulher escrita de Lúcia Castello Branco e Ruth Brandão, estudo inscrições femininas na literatura brasileira; além de leituras de Antonio Candido em obras que discutem a função social do escritor.
 

Mestranda: Serafina Machado (serafinafm@seed.pr.gov.br)

Título provisório: De Tipos a Homens: Imagens do Negro na Literatura Brasileira

 
O objetivo deste projeto é observar as várias configurações da imagem do afro-descendente ao longo da historiografia literária brasileira. Para tanto, serão utilizados dois pontos de vista: o do escritor cujo discurso reitera o instituído e a do escritor que assume, nas palavras de Zilá Bernd, um 'eu enunciador negro'. Para a análise foi escolhida a obra de Solano Trindade, não apenas por seu compromisso com o papel do escritor numa sociedade ainda arraigada a vícios colonialistas (o que para nós brasileiros significa vícios escravagistas), como também o seu compromisso com o homem em geral, independente da cor. Neste primeiro momento revisitamos obras de autores inseridos no cânone literário, detectando as diversas estereotipias, sobretudo zoomorfizadas, de que lançam mão para representar o afro-descendente. O interesse por Trindade justifica-se pois, por ele conferir um novo rosto para este homem ao mergulhar em seu universo e expressar suas inquietações; devolvendo-lhe, desta forma, a humanidade e inserindo-o no espaço cultural brasileiro. Para investigação desta proposta, serão utilizadas algumas obras referentes a questão negra, como Raça e cor na literatura brasileira de David Brookshaw; Zilá Bernd e seu estudo Introdução à Literatura negra; Benedita Gouveia Damasceno em A poesia negra no Modernismo brasileiro, Franz Fanon com Pele negra, máscara branca, Álvaro Luiz Hattner em A expressão da negritude na poesia de Langston Hughes e Solano Trindade e obras de Antonio Candido que discutam o papel do escritor na sociedade.
 

Doutoranda: Suely Leite (celsul@uol.com.br)

Título Provisório: Discurso Feminino: Retratos de uma Sociedade

 
Todo texto é objeto de interpretação e de revelação de um discurso e a literatura feminina é um desses lugares em que o discurso feminino se cristaliza. Na ficção literária, matéria privilegiada com suas lacunas, sentidos e significações, esses seres de papel ganham um estatuto de realidade ao tecerem um discurso permeado por diversas vozes na tentativa de dizer o indizível, ao usar a simbologia enquanto meio de significação, procurando atingir o além do signo, tentar construir o coletivo por meio da subjetividade, passar do texto ao discurso. Essa pesquisa busca provar a hipótese de que o texto de autoria feminina interpreta o contexto social no qual a mulher está inserida, construindo, por meio de recursos enunciativos diferenciados, um discurso feminino. Nos textos que compõem o corpus, é possível, através da linguagem, detectar a imagem e estereótipos das mulheres representados na literatura como forma de espelho da realidade e toda a ideologia que permeia a formação discursiva da qual esse discurso se originou. Também, como objetivos mais específicos, procura-se detectar o lugar do qual o sujeito enunciador constrói seu enunciado: lugar de repetição ou ruptura dos discursos circulantes na sociedade, e ainda mostrar como o sujeito histórico feminino formula seu discurso, trabalha a linguagem para produzir sentidos e construir sua história.
 

Orientador: Prof.ª Joaquim Carvalho da Silva (UEL) (disque-gramatica@uel.br)

Linha de Pesquisa: Literatura e História

Mestranda: Edna de Morais Pereira Testi (ednatesti@yahoo.com.br)

Título provisório: Um táxi para Viena d'Áustria, de Antonio Torres: O Sujeito em Filigrana

 
Com vistas ao efetivo alcance do bem, a tão almejada felicidade humana, desde os seus primórdios, o homem empenha-se em dominar a natureza bruta, pressupondo desse modo eliminar perigos e gerar recursos que propiciem conforto e facilidades abundantes e crescentes. Entretanto, apesar de todo o aparato decorrente deste ambicioso projeto, parece que não se tem atingido de forma satisfatória o objetivo primeiro, pois, em plena virada para o terceiro milênio da era cristã, inúmeras são as controvérsias que malogram a felicidade do homem. É o que bem demonstra a saga de Veltinho, ou Watson, personagem principal do romance Um táxi para Viena d’Áustria, que Antônio Torres publicou em 1991, a qual nos propomos a investigar nesta pesquisa, partindo, sobretudo, das configurações de tempo e espaço da narrativa, as quais apresentam, inicialmente, características detalhadas e bem definidas, mas a seguir sofrem alterações profundas e tornam-se confusas, resultando num texto fragmentado e labiríntico, tal e qual o universo de Veltinho.
 

Mestranda: Elisangela A. Rocha (elisangelarocha@superig.com.br)

Título provisório: Dona Guidinha do Poço: Ecos Históricos em Diálogo com a Literatura

 
Em 1891 Manuel de Oliveira Paiva escreve Dona Guidinha do Poço obra que viria a ser conhecida pelo público somente sessenta anos após sua produção. Tanto a vida quanto a obra do escritor cearense foram marcadas por acontecimentos que o relegaram a tão longo esquecimento. A Lúcia Miguel Pereira é devido o mérito pelo resgate desse romancista, considerado por muitos como o precursor da prosa regionalista no Brasil. Sua principal obra, D. Guidinha do Poço, é construída a partir de uma história comum e verídica, extraída das crônicas policiais de uma pequena cidade do sertão cearense, um simples caso de crime passional e de adultério transformado em louvável monumento literário pela habilidade de seu autor. Ao apropriar-se de acontecimentos reais Oliveira Paiva suscita a grande discussão sobre a relação entre a Literatura e a História. De acordo com Braga Montenegro (1965), tomado pelo apelo cientificista da segunda metade do século XIX que povoava não somente história, mas também a literatura, Oliveira Paiva sentiu a necessidade de revolver os arquivos, consultar jornais da época e pesquisar em cartório para formular seu romance. O objetivo da presente dissertação é fazer uma retomada da relação entre a Literatura e a História, assim como analisar como Manuel de Oliveira Paiva, utilizando-se de recursos estilísticos, transpõe o real para o ficcional.
 

Orientador: Prof.ª Loredana Limoli (UEL) (anaderol@uel.br)

Linha de Pesquisa: Literatura e Ensino

Mestranda: Maria Alzira C. Santos (alzira@rantac.net)

Título provisório: Leitura Semiótica pelo Modelo Greimasiano de A Jangada de Pedra, de José Saramago

 
Em nosso trabalho, tratamos dos problemas que freqüentemente acompanham o aluno matriculado em instituições de ensino médio e que estão relacionados ao ensino de literatura, a saber: 1. o (des)gosto pela leitura, de forma geral, e o (des)gosto pela leitura de obras literárias, de forma particular; 2. em conseqüência, a dificuldade de abstração do significado do texto, em especial, o literário; 3. o pequeno espaço dedicado à literatura portuguesa nas escolas; 4. o estereótipo de dificuldade de leitura criado pelas narrativas de José Saramago; e, finalmente 5. as questões de identidade, tão caras ao ser humano, particularmente quando jovem, fase da vida em que se encontra a maioria dos alunos vinculados ao ensino médio. Com o objetivo de atenuar as conseqüências advindas desses problemas, escolhemos a obra A Jangada de Pedra que, por si só, contribui na solução dos três últimos problemas anteriormente relacionados. De autoria de José Saramago, escritor português, o romance trata, com privilégio, do tema da identidade sob os pontos de vista coletivo e individual. No auxílio à solução quanto às dificuldades de leitura e abstração do significado, pretendemos analisar o texto de Saramago com a sustentação da teoria semiótica de linha francesa, sobretudo, do modelo greimasiano. Quanto à metodologia de análise, ressaltamos que a teoria greimasiana consiste num eficiente método de análise textual. Aplicar o modelo semiótico de Greimas significa observar o texto, no caso, a obra literária A Jangada de Pedra, nas suas estruturas fundamentais, narrativas e discursivas, que originam o percurso gerativo do sentido que, por sua vez, traz à tona a significação geral do texto. Contamos com a possibilidade de a análise nos permitir elaborar uma sólida proposta de leitura direcionada a alunos de ensino médio e que, dessa leitura, saiam enriquecidos alunos, professores e, do outro lado da questão, a literatura portuguesa.
 

Orientador: Prof. Luiz Carlos Santos Simoni (UEL) (csimon@uel.br)

Linhas de Pesquisa: Diálogos Culturais e Formação e Revisão do Cânone Literário Brasileiro

Mestranda: Ana Paula Ramão da Silva (paulinha_cvel@yahoo.com.br)

Título provisório: Imagens do Mar nas Crônicas de Rubem Braga

 
A pesquisa tem por objetivo analisar as imagens do mar nas crônicas de Rubem Braga. Para tanto, o primeiro capítulo trata das características da linguagem da crônica, bem como refaz o trajeto das origens e fixação da desta enquanto gênero literário em nosso país. No segundo capítulo é apresentada uma bibliografia básica de pesquisadores que versa sobre o mar como elemento cultural, destacando-se os nomes de Alain Corbain, Gaston Bachelard e Raissa Cavalcanti – estudiosos que se dedicam a formular questões sobre a construção do imaginário ocidental, no qual o mar surge como um importante ícone. No terceiro capítulo, são analisadas as imagens do mar em textos clássicos da literatura portuguesa e brasileira, tais como Os Lusíadas, Mensagem, Navio Negreiro e Mar Morto. No quarto e último capítulo há a análise das imagens do mar nas crônicas de Braga em diálogo com as estudadas no terceiro capítulo. Justifica-se que o diálogo com outras obras se faz necessário para uma melhor compreensão do alcance simbólico da imagem do mar em nossa cultura, que herda da civilização ibérica o fascínio pelo mesmo e pelos mundos além dele. O mar é, para nós, entre tantas outras coisas, a prova de nossas possibilidades de superação.
 

Mestranda: Angela Maria Pelizer de Arruda (angelapelizer@pop.com.br)

Título provisório: O Humor como Movimento da Contemporaneidade: Uma Análise de Contos de Moacyr Scliar

 
Há de se reconhecer o vasto mundo que se criou de manifestações que nos fazem rir. Talvez a frase “rir é o melhor remédio” seja muito significativa, principalmente nos dias atuais. Em várias expressões artísticas há uma procura incessante pelo trabalho que envolve a comicidade, tanto pelos que a produzem, como por aqueles que a buscam. Por quê? Qual o motivo para que um número tão grande de pessoas se interesse tanto pelo riso? Por que se procura tanto a diversão através de expressões humorísticas? E esse humor demonstra uma consciência crítica acerca da realidade e suas mazelas ou é apenas um “riso amarelo” que demonstra passividade perante as mesmas? Para nos aproximarmos dessas questões e, quem sabe, encontrar algumas respostas, é necessário mergulhar num estudo que data de muitos séculos e que vem sendo ponto de referência para muitos estudiosos até hoje. O intuito desse estudo é expor algumas idéias acerca do assunto, principalmente no que se refere ao debate contemporâneo sobre o humor. Com base nesse estudo, propõe-se analisar alguns contos do autor Moacyr Scliar – um dos maiores representantes do humor na atualidade – e, a partir desse diálogo, apontar algumas nuances do humor pós-moderno relacionadas à criticidade e/ou à passividade do mesmo
 

Mestranda: Camila Vanzella (camilavanz@hotmail.com)

Título provisório: A Ficção nas Crônicas de Moacyr Scliar

 
O escritor gaúcho Moacyr Scliar publica desde 1993 uma crônica semanal no jornal Folha de S. Paulo, no caderno Folha Cotidiano. O texto é ficcional e, desse modo, traz a realidade como pano de fundo, porém com uma peculiaridade: uma notícia do próprio jornal, escolhida pelo autor, é utilizada como ponto de partida para a criação ficcional. Tomando a coluna de Scliar como objeto de estudo, trabalha-se com o vínculo ficção-crônica. Alguns aspectos da crônica, gênero ainda pouco explorado pelos teóricos, podem ser revistos pela perspectiva da ficção. Além das reflexões teóricas acerca dos temas crônica e ficção, e a possível interação entre os dois, o estudo trará análises de crônicas do autor, considerando as notícias das quais partiu para a construção ficcional.
 

Mestranda: Luzia M. L. Baldo (lmlentzbr@yahoo.com.br )

Título provisório: A Construção do Cotidiano em Rubem Braga eAlice Ruiz

 
As crônicas de Rubem Braga e os haicais de Alice Ruiz apresentam características comuns tais como a leveza, a rapidez e a concisão, além do registro dos fatos miúdos do cotidiano. O projeto intitulado “A construção do cotidiano em Rubem Braga e Alice Ruiz” pretende pesquisar como os dois autores transformam as situações comuns em imagens universais, considerando a hipótese de que, nessa (re)construção do cotidiano, a busca pela imagem, mais característica da poesia, em alguns casos, acaba por diluir as fronteiras entre as duas formas literárias.
 

Doutorando: Moacir Dalla Palma (dallafreitas@onda.com.br)

Título provisório: A Violência nos Contos eCrônicas do Final do Século XX

  Este trabalho tem por objetivo fazer um contraste entre os gêneros conto e crônica, com o intuito de verificar como acontece a abordagem da violência nos mesmos. Buscar-se-á caracterizar como a violência aparece no discurso de autores deste período, demonstrando que contistas e cronistas proporcionam textos que representam retratos diferentes da violência. Parte-se da hipótese de que a literatura possui contato estreito com a realidade. Contato que, ao mesmo tempo, oscila entre a dependência e a rebeldia em relação a essa realidade. Neste sentido, a incapacidade humana de aceitar a tragicidade da existência acentua as angústias do homem e a literatura surge como uma representação do inconformismo, pois ela reflete a vida e sobre a vida. Para tanto, serão contemplados os contistas: Rubem Fonseca, Luiz Vilela, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar e Sérgio Sant’Anna; e os cronistas: Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino, Affonso Romano de Sant’Anna e Paulo Mendes Campos.
 

Mestranda: Stela C. Bichuette (stelabichuette@yahoo.com.br)

Título provisório: O Recorte nos Contos de Adelino Magalhães

 
Contista fluminense, Adelino Magalhães (1887-1969) situa-se, por tradição, dentro do momento literário conhecido como pré-modernismo, não cabendo aqui as inúmeras ramificações que o prefixo “pré” pode sugerir. A inovação tanto lexical quanto estrutural de sua obra traduz um escritor liberto das técnicas convencionais da narrativa, e o faz avançar com êxito pelos caminhos de uma literatura experimental. Os traços inovadores da obra do contista, sua originalidade estilística, as formas inéditas de expressar a subjetividade das personagens e o distanciamento da sua prosa de uma narrativa tradicional fazem com que o escritor mereça um estudo bem mais consistente do que a classificação de vulto precursor do modernismo. Nesse sentido, o propósito da dissertação é estudar a construção do recorte nos contos de Magalhães. Preocupar-se-á em abordar a relação entre o fragmento de realidade que lhe serve de centro e o tratamento narrativo não convencional que o escritor dá a essa mesma realidade.
 

Orientador: Prof.ª Regina Célia dos Santos Alves (UEL) (reginacsalves@hotmail.com)

Linha de Pesquisa: Formação e Revisão do Cânone Literário Brasileiro

Mestranda: Débora Domke R. Lima (deboradomke@yahoo.com.br)

Título provisório: O Amor em Contos de Guimarães Rosa

  O tratamento do tema amor em alguns contos de Guimarães Rosa será o ponto principal dentro do estudo proposto. O recorte do trabalho a ser desenvolvido teve como objetivo principal o estudo sobre como o relacionamento amoroso é retratado. Para tanto, além de um breve resgate histórico da produção contística brasileira até chegar a Guimarães Rosa, será necessária uma abordagem referente à forma de construção desse gênero. A segunda etapa do trabalho terá como foco principal o estudo do amor e abordará o processo de construção do conto e a representação do tema no autor em questão. Com base nos teóricos pesquisados na primeira parte do trabalho, as teorias servirão de base para o estudo da técnica de construção e desenvolvimento do tema em questão. Esta segunda etapa servirá de apoio para a última parte do estudo que se refere à análise dos contos escolhidos presentes em Tutaméia (Terceiras Estórias).
 

Doutoranda: Elizabeth Fiori Padilha (elizabethfiori2000@yahoo.com.br)

Título provisório: Valores Literários no Século XX: Poetas-Críticos e Críticos

 
Embora a crítica desenvolvida pelos próprios artistas não tenha sido restrita ao Brasil nem ao movimento modernista, no século XX multiplicam-se os poetas críticos, ora incorporando a seus textos poéticos a reflexão sobre a própria criação, ora desenvolvendo textos críticos paralelamente aos poéticos. Sendo a crítica desempenhada por artistas mais livres de preocupações com objetividade e judicação, não havendo neles uma intenção de visão totalizante do passado, seriam seus valores os mesmos dos críticos profissionais, cuja intenção seria menos livre, mais presa a padrões de análise? Se os valores são os mesmos, por que os artistas se impuseram também a função crítica? O estudo que se pretende desenvolver deverá levar em conta tais questionamentos e justifica-se a partir do caráter institucionalizador da crítica, que torna necessário o conhecimento dos critérios utilizados para a valoração de obras. Tem-se por objetivo um quadro parcial dos valores literários brasileiros no século XX, considerando-se o ponto de vista da criação em oposição à crítica propriamente dita.
 

Mestranda: Flaviana Viani (flagviani@yahoo.com.br)

Título provisório: Mário de Andrade e Sérgio Milliet: Crítica Reflexiva à Poesia Modernista Brasileira

  Mário de Andrade e Sérgio Milliet são inovadores na prática de crítica literária brasileira devido principalmente ao enfoque metodológico por eles adotado. A poesia modernista brasileira é estudada por ambos a partir de variados métodos, objetivando uma visão totalizadora do objeto artístico. Para isso, é comum correlacionarem a poesia com outras formas de arte. Geralmente, nesta correlação, em Mário de Andrade a literatura aparece associada à musica e, em Sérgio Milliet, às artes plásticas. Ressalta-se ainda que a produção crítica dos poetas pretendia a emancipação da cultura nacional, parecendo residir neste aspecto o crivo da diferença entre eles. Modernidade e nacionalismo caminham juntos no projeto de Brasil de Mário de Andrade, ao passo que em Milliet o aspecto do nacional na arte poética é visto de forma mais distanciada
 

Mestrando: Jônathas Augusto de Souza (PG-UEL e Bolsista CNPq) (jonathas@cednet.com.br)

Título provisório: Ideário Nacionalista de Ronald de Carvalho: um Estudo da pequena história da literatura brasileira (1919)

 
Ao nos depararmos em nossos estudos acadêmicos de graduação com as diversas possibilidades de análise no campo literário e com diversos conceitos relacionados à literatura e literatura nacional, nossas referências são de uma "comunidade interpretativa" formada por um grupo seleto de críticos literários que no decorrer dos séculos XIX e XX defenderam suas teses e aumentaram o campo de pesquisa com novas idéias e pressupostos teóricos. Ronald de Carvalho se defrontou diretamente com esses campos de pesquisa que emergiam no último quarto do século XIX. O objetivo dessa dissertação é a análise da Pequena História da Literatura Brasileira (1919), de Ronald de Carvalho. Podemos destacar que desde 1919 até 1959, ano da publicação da obra organizada por Afrânio Coutinho, A Literatura no Brasil, a obra de Ronald era a melhor síntese sobre a Literatura Brasileira, suas reedições foram até 1968 com a publicação da 13ª edição pela F. Briguiet & Cia Editores. A Pequena História da Literatura Brasileira estabelece no início do século XX uma postura crítica que visa a necessidade e a busca pela identidade nacional. O ideário de Ronald de Carvalho era de se opor às críticas do continente europeu em busca da confirmação e efetivação da nacionalidade.
 

Mestranda: Maria Esther Putton (marister@teracom.com.br)

Título provisório: O Inovador Adelino Magalhães

 
Adelino Magalhães publica, em 1916, seu primeiro livro, Casos e Impressões. A partir dessa data, num período de 30 anos, mais nove títulos são publicados, e reunidos, posteriormente, numa edição de obras completas. A crítica reagiu surpresa a suas primeiras coletâneas de contos, não compreendendo o estilo de livre expressão de pensamentos e sensações dos personagens por meio de uma linguagem fragmentada. Mesmo com as experimentações estéticas, a partir das vanguardas expressionista, surrealista e cubista, efetuada por Mário e Oswald de Andrade, foi somente com os primeiros trabalhos de James Joyce e Virginia Woolf que foi possível situar a estética adeliniana mais adequadamente. O excesso de subjetividade, presente em grande parte de seus textos, vem à tona por meio do monólogo interior, assim, a partir dos anos 30, o autor é considerado por Andrade Muricy e Eugênio Gomes como o precursor dessa técnica no Brasil. Adelino Magalhães retrata a fragilidade existencial dos seus personagens, seus acertos, falhas e fraquezas morais, mas sempre com o intuito de resgatar sua humanidade e sua transcendência enquanto ser espiritual. Devido a essa abordagem humana expressa, sobretudo, através do fluxo da consciência e do devaneio, consideramos importante fazer um resgate do valor estético de sua obra e, assim, melhor situá-la no contexto literário brasileiro e compreender os motivos do desconhecimento do autor pela maior parte do público leitor, a não reedição de seus livros e a exclusão de seu nome de importantes obras críticas contemporâneas.
 

Mestranda: Renata Ribeiro Moraes (renatarimoraes@yahoo.com.br)

Título provisório: João Antônio e Seus Pés Vermelhos: A Atuação do Escritor no Jornal Panorama

 
O escritor João Antônio (1937-1996) integrou a equipe do jornal londrinense chamado Panorama, veiculando, em 1975, nove textos. Estes abordam as mais diferentes temáticas e mostram um intelectual consciente frente ao fato de escrever sobre a cidade. Além disso, pôde mostrar ao público leitor um pouco de sua ficção. Os textos intitulam-se: "Os anos loucos de Londrina" (9 mar.), "Desgracido" (9 mar.), "Londrina de João Antônio" (9 mar.), "O parto" (10 mar.), "A estrela desce" (10 mar.), "Ladrão!" (17 mar.), "Guardador de carros" (24 mar.), "Está aberta a sessão" (24 mar.) e "Olá, professor, há quanto tempo!" (27 mar.). Por quase três meses João Antônio pisou no conhecido solo "roxo", sempre enfatizando a importância da terra, o quanto poderia trazer desenvolvimento e reconhecimento para Londrina e de quanto os seus moradores eram seres privilegiados por aqui habitarem. Dessa forma, seu trabalho no referido jornal possibilita-nos levantar um rico material cujas informações tendem a contribuir para traçar um histórico profissional do escritor João Antônio diante do ano que aqui foi convidado para trabalhar. Além disso, percebemos o quanto a preservação da memória cultural, neste caso, feita por meio do jornal, pode contribuir para consolidarmos nossa herança cultural.
 

Orientador: Prof.ª Regina Helena Machado Aquino Corrêa (UEL) (rcorrea@uel.br)

Linha de Pesquisa: Diálogos Culturais

Mestranda: Katia Bolognesi (katiabolo1@hotmail.com)

Título Provisório: A tradução da mulher Gabriela

 
Gabriela, Cravo e Canela, publicado em 1958, pode ser considerado um dos romances mais famosos de Jorge Amado e talvez um dos mais traduzidos. O romance é uma mistura de exotismo, amor, sensualidade e traição, que trata do desenvolvimento social da cidade de Ilhéus juntamente com uma crítica ao coronelismo reinante na região. A protagonista, que também dá nome ao romance, Gabriela, representa a mulher como símbolo sexual, aquela que ama e expressa seu amor sem preconceitos. O objeto dessa pesquisa é comparar a tradução da mulher Gabriela no original, com a sua versão traduzida para o inglês, com o intuito de realçar tanto as similaridades quanto as diferenças concernentes à imagem elaborada da protagonista no texto traduzido e também investigar o porquê das diferenças, se houver, na tradução, visto que qualquer processo tradutório é uma tarefa difícil que envolve não somente as línguas alvo e fonte mas todo um histórico cultural entre ambas. Mais custosa ainda é a tarefa de traduzir um escritor como Jorge Amado que utiliza uma linguagem bem popular e consegue transformar suas personagens em símbolos sexuais o que faz com que esse processo seja ainda mais complexo.
 

Mestranda: Leoné A. Barzotto (leonebarzotto@ibest.com.br )

Título Provisório: As Fronteiras Culturais na Tradução de The Ventriloquist's Tale, de Pauline Melville

 
Atualmente é ampla a discussão sobre a questão da identidade dos povos do assim chamado “terceiro mundo”, principalmente daqueles que sofreram com a imposição da força hegemônica européia com o imperialismo. Tal aspecto, por vezes, é visivelmente revelado na escrita literária e, comumente, apresenta caráter crítico e questionador, pairando sobre a temática de meu maior interesse investigativo: a análise das fronteiras e encontros culturais pelo viés de uma literatura não canônica com a comparação entre a obra escrita em língua inglesa e sua tradução para a língua portuguesa, almejando verificar a manutenção ou não da identidade de um grupo específico, os ameríndios.
O corpus do trabalho compreende os romances The Ventriloquist’s Tale (1997), de Pauline Melville e A História do Ventríloquo (1999), traduzido por Beth Vieira. Para abranger tal temática é salutar investigar campos distintos dentro dos estudos culturais: a tradução literária e a literatura pós-colonial; estudando seus intelectuais mais expoentes, desejando ser uma contribuição brasileira sobre o assunto. O espaço do romance é a ex-Guiana Inglesa, o único país falante de língua inglesa na América do Sul, marcado por profunda miscigenação.
 

Mestranda: Mariana S. Cordeiro (marianasbaraini@hotmail.com)

Título Provisório: Monteiro Lobato: Tradutor de Huck Finn

 
Este trabalho busca trazer um histórico sobre a vida de Monteiro Lobato, investiga as razões que determinaram a sua atividade de tradutor e influências que esta atividade sofreu. Para a análise utiliza-se a Teoria da Invisibilidade proposta por Lawrence Venuti. Analisa a tradução feita por Lobato da obra As Aventuras de Huck Finn de Mark Twain e aponta como principal ponto relevante na tradução os trechos da fala do personagem Jim, onde Mark Twain escreve da mesma forma que os negros da região do Missouri falavam em 1980. Analisa todos os trechos que representam a fala do negro Jim, e todas as palavras que se refiram ao negro de forma pejorativa, procura encontrar explicações para as escolhas feitas pelo tradutor. Também compara a tradução de Lobato com a de Sérgio Flaskman, última tradução da obra no Brasil. Procura sempre levar em consideração o processo da visibilidade utilizado pelo tradutor e enfatiza as perdas e ganhos que a língua-cultura de chegada teve com a tradução da obra. Conclui-se que Lobato foi visível em todas as traduções da fala do personagem Jim, levando sempre em consideração a inclusão de elementos próprios da língua portuguesa, deixando o seu trabalho de tradução “vestido à brasileira”.
 

Pesquisadoras: Prof.ª Rita Félix Fortes (Unioeste) (fortes@rondonet.com.br) e Maria Beatriz Zanchet (Unioeste) zanchet@rondonet.com.br

Linha de Pesquisa: Linguagem e Sociedade
Pesquisa: "Sabor e saber: o lugar do conto na escola"

 
A origem da pesquisa "Sabor e saber: o lugar do conto na escola" está vinculada aos objetivos que a embasaram - referendando um projeto desenvolvido na Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste, concernente ao programa de tempo integral e dedicação exclusiva (TIDE) - e dá continuidade à linha temática de outros projetos desenvolvidos pelas autoras e subsidiados pelo MEC/SESu em sua editoração, cuja finalidade favoreceu um maior intercâmbio entre a Universidade e o Ensino Médio, através de linhas de pesquisa em que se contempla o caráter de extensão e, basicamente, de apoio às atividades de ensino dos professores no seu cotidiano escolar. Sob esse enfoque, as autoras salientam que o trabalho, constituído enquanto referencial de apoio didático, implica as seguintes considerações: a) o ecletismo teórico na abordagem dos textos literários não foi aleatório, mas partiu do entendimento quanto à maior possibilidade de "abertura" na análise dos contos enfocados, razão da não existência de uma linha teórica exclusiva e unânime no tratamento analítico dado aos contos; b) a seleção dos contos trabalhados obedeceu ao critério de relevância dos mesmos no contexto da Literatura Brasileira e, igualmente, da consideração à dificuldade de acesso a análises mais específicas e abrangentes, do ponto de vista literário, nos manuais escolares; c) a extensão de algumas análises, em detrimento de outras, em termos de quantidade, não significa maior ou menor consideração dada ao texto literário; antes, implica outras variáveis que, em hipótese alguma, relacionam-se com a significância de obras ou autores. Com o propósito de subsidiar os professores do Ensino Médio na prática diária em sala de aula e observando-se uma certa cronologia no desenvolvimento dos textos literários, este trabalho tomou como referência, para a análise, os seguintes autores, representantes do conto brasileiro do século XX: Simões Lopes Neto, Júlia Lopes de Almeida, Monteiro Lobato, João Guimarães Rosa, Dalton Trevisan, Clarice Lispector, Ricardo Ramos, João Antonio, Moacyr Scliar, Luiz Vilela e Raduan Nassar.
 

Orientador: Prof.ª Rita Félix Fortes (Unioeste) (fortes@rondonet.com.br)

Linha de Pesquisa: Linguagem e Sociedade

Mestranda: Cleusa Fatima de Oliveira Mantovanello

Título Provisório: Espaço Fictício e Factual em Os Tambores de São Luís

 

O propósito deste estudo é analisar certos aspectos espaciais presentes na obra Os tambores de São Luís, de Josué Montello. Pretende-se mostrar como o espaço, um elemento perene no tempo - apesar da condição ficcional do romance -, funciona, também, como um ponto fixo na condução da história, contribuindo, inclusive, para dar maior verossimilhança à narrativa. Há uma estreita relação entre a caminhada que o protagonista faz, no presente da narrativa, em uma noite de agosto do ano de 1915 e os espaços que o circundam. Resguardado o caráter ficcional d'Os tambores, Montello, ao referir-se a espaços geográficos reais, consolida a intenção de efetuar um romance histórico-social no qual poder-se-ia resgatar, pelas linhas da narrativa, um pouco do plano factual que reafirma a configuração espacial do estado maranhense. O estado do Maranhão foi o cenário geográfico escolhido pelo autor para desenvolver sua narrativa. A capital São Luís, onde a maior parte da ação romanesca se desenrola, torna-se o espaço central para a trama. Nas palavras de Osman Lins, o espaço do romance "inserindo-se no mundo conhecido e na memória que possuímos do mundo, transcende o que registra o texto" (1976, p. 72). Com essa estratégia narrativa, Montello organiza o mundo interior do romance e demonstra que, a despeito do fluir do tempo, certos espaços se perpetuam. Ao escrever Os tambores de São Luís, o autor efetua uma superposição entre realidade e ficção através da recorrência não apenas aos espaços reais, mas também à história, mesclando-os ao enredo ficcional para reconstituir o tempo e o espaço e reforçar o tema nuclear do romance.

 
 

Mestranda: Janice Aparecida de Souza Salvador

Título Provisório: Infância, Violência e Memória

 

Ao se resgatar o estatuto socioideológico da infância, evidencia-se o atrelamento desse segmento da sociedade a objetivos político-econômicos, disseminados por discursos psicologizantes, por mecanismos estritos de controle que se configuram em esquemas de violência física e simbólica. Sobre este objeto incidirá a reflexão aqui proposta, aplicada à narrativa memorialista Meu pé de laranja lima na perspectiva do modo de ser e estar no mundo da personagem Zezé, particularmente, no microcosmo familiar e da importância da questão espacial nos estratagemas que o menino busca para o enfrentamento das suas condições de existência. Em especial, observar-se-á violência física como mecanismo de controle presente em todas as sociedades, principalmente em relação à infância, pois as crianças são vistas como seres improdutivos, que requerem cuidado e educação, executados através de correção, coerção e repressão, restabelecendo a ligação entre o humano e o divino, garantindo a salvação. O universo real e o imaginário se alternam ao longo de toda a narrativa. O mundo real é o do sofrimento e das peraltices; o mundo imaginário é o da evasão, da dimensão onírica, da possibilidade de realização dos desejos, no qual se situa o pé de laranja lima que fala e acalenta Zezé. O pé de laranja lima encarna, simbolicamente, o menino que, através desse recurso, realiza a transição da casa antiga para a nova casa. O narrador revela repetidamente o seu sofrimento para com a incompreensão e violência dos adultos. Há, portanto, um alto grau de incompatibilidade entre a idéia da infância do narrador e a idéia predominante na família da personagem e que indica ainda a visão da época. Sob o discurso de que a correção e o castigo são para o bem das crianças, é que elas são punidas e desrespeitadas. Claro que tomar essa situação como objeto de análise não implica culpabilizar ninguém, mas reconhecer a institucionalização da violência como mecanismo de educação, engendrada por discursos ideologicamente marcados, principalmente, pela Igreja e pelo Estado. Na base desses discursos, está a visão das crianças como seres indignos, imperfeitos por natureza. A situação das crianças, hoje, mantém algumas características desse comportamento, porém mais atenuado, nuançado, pois existem mecanismos legais para coibir esses comportamentos, inibindo, em certa medida, as atitudes de violência. A violência simbólica, contudo, é mais difícil de ser controlada e inibida. As agressões verbais, a falta de compreensão sobre o "ser" criança configuram ainda uma situação de violência para com a criança. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRAMOVAY, M., Escola e violência. Brasília: UNESCO,UCB 2002.
AGOSTINHO, Santo. Confissões. 8.ed. Trad. Maria Luiza Jardim Amarante. São Paulo: Paulus, 1984.
ARIÉS, P. História social da criança e da família. 2.ed. Trad. Dora Flaksman. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1981.
BADINTER, Elizabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. 7.ed. Trad. Waltensir Dutra. São Paulo: Nova Fronteira, 1985.
FREYRE, G. Casa-grande e senzala. 42. ed., Rio de Janeiro: Record, 2001.
---------------. Sobrados e mucambos. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1951.
MONTAIGNE, M. Ensaios. 4.ed., Trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
PRIORE, M. D. História das crianças no Brasil. 4.ed., São Paulo: Contexto, 2004.
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Trad. Suzana Menescal de Alencar e José Laurenio de Melo. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.
VENÂNCIO, R. P. Maternidade negada. In Priore, M.D. História das mulheres no Brasil. 2.ed., São Paulo: Contexto, 1997.

 
 

Mestranda: Jerri Antonio Langaro

Título Provisório: Vestígios do Patriarcalismo em Dôra, Doralina

 

Neste estudo, objetiva-se analisar como os vestígios herdados da ideologia patriarcal permanecem na obra Dôra, Doralina (1975) , de Rachel de Queiroz (1910-2003). É característico da sociedade patriarcal disponibilizar ao homem todas as possibilidades, ao mesmo tempo em que exige da mulher reclusão ao ambiente “sagrado” do lar. Em Dôra, Doralina, os resquícios do patriarcalismo são marcantes, principalmente, na personagem Senhora que, após a viuvez, reproduz o modelo patriarcal ao ocupar o lugar deixado por seu marido, na condução da fazenda Soledade, no sertão nordestino da primeira metade do século XX, como cenário que ambienta maior parte da trama. Seu eixo narrativo contempla a trajetória de Dôra, órfã de pai e que vivencia, desde menina, um relacionamento conflituoso com a mãe, Senhora, tratada, sempre, por este nome no decorrer da obra.

Enquanto matriarca da família, Senhora passa a incorporar o autêntico papel de um coronel. Essa semelhança entre a personagem e um coronel se aproxima da análise de Faoro (2001, p. 713-4) a respeito das práticas coronelistas no Brasil. Dôra, Doralina expõe a conformidade e a aceitação dos subalternos, frente às ordens impostas por Senhora, de maneira muito similar à dos camponeses em relação aos governantes e coronéis, conforme o relato de Faoro. De maneira análoga, os agregados da fazenda Soledade não se opõem às vontades de sua chefe. As represálias para aqueles que ousarem se opor à opinião de Senhora são, também, muito semelhantes ao tratamento dado pelos coronéis aos dissensos, tal qual explana Raymundo Faoro.

Outra herança patriarcalista reside na questão de que é somente após a morte do Comandante que Dôra volta para sua terra e assume a fazenda. Assim como ocorreu com Senhora, o luto de viúva lhe conferirá autonomia na condução da fazenda e da própria vida. Tal fato é evidenciado quando ela declara: “o luto, ali, (...) me garantia o direito de viver sozinha sem ninguém me perturbar em nada, de mandar e desmandar”. (p. 236-7). Dôra, após a viuvez, dá continuidade à reprodução do modelo patriarcal deixado pela mãe. A personagem, paradoxalmente, passa a incorporar, em certa medida, o papel de Senhora, que ela tanto abominara na mãe, chegando a concluir: “sendo que agora a Senhora era eu”. (p. 237).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Trad.: Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 3. ed. São Paulo: Globo, 2001.
FREYRE, Gilberto. Sobrados e mucambos. 12. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.
QUEIROZ, Rachel de. Dôra, Doralina. 19. ed. São Paulo: Siciliano, 2001.

 

Orientador: Prof. Sérgio Paulo Adolfo (UEL) (benin@sercomtel.com.br)

Linha de Pesquisa: Diálogos Culturais

Mestrand: Donizeth dos Santos (donizeth.santos@bol.com.br)

Título Provisório: O Conceito de Mãe-África na Literatura Angolana

 
Este trabalho analisa “o conceito de Mãe-África na literatura angolana”, em razão dessa temática que caracteriza a mulher como mãe, representando além do aspecto biológico, a terra angolana e o continente africano; ou o inverso, a terra e o continente metaforizados em mulher e mãe, ser uma das maiores recorrências desta literatura no período entre 1948 e 1975. Antes desse período, há a presença da Grande Mãe cristã, introduzida em Angola pelo colonialismo português, nos poemas de José da Silva Maia Ferreira e Cordeiro da Mata produzidos no século XIX; e ainda neste século há em Nga Muturi, de Alfredo Troni, a primeira manifestação da Mãe-África na literatura angolana. Depois dessa primeira aparição em 1882, a Grande Mãe africana reaparece na obra O segredo da morta (1935), de António de Assis Júnior, e torna-se soberana na poética e na ficção angolanas, a partir da criação do Movimento Vamos Descobrir Angola em 1948, quando os escritores angolanos influenciados pela Negritude e pela ideologia pan-africana lançam mão ao símbolo da Mãe-África como um meio de recuperação de suas origens africanas sufocadas pela assimilação cultural européia. Essa recorrência temática predominante até à época da independência angolana, manteve-se viva após esse período, embora se manifeste com menos freqüência.
 
 

Mestranda: Érica Antunes Pereira (ericantunes@irapida.com.br)

Título Provisório: A Expressão do Erotismo nas poéticas de Adélia Prado e Paula Tavares

 
O trabalho se volta para a expressão do erotismo nas poéticas da brasileira Adélia Prado e da angolana Paula Tavares, sustentando-se, basicamente, nos estudos de Bataille, Paz e Chevalier. Com tal pesquisa, pretende-se descobrir, estabelecer, analisar e comprovar os vários aspectos comuns nas obras poéticas das autoras, com ênfase para o erotismo. A razão da escolha deste elemento e não outro é a sua recorrência em meio às mais diversas situações, sejam elas representativas do cotidiano, da vida natural ou do mundo sagrado.
 

Mestrando: Éverton Fernando Micheletti (efmicheletti@bol.com.br)

Título Provisório: Literatura e nação: Travessias de Identidade e Cultura em Estórias de Boaventura Cardoso

 
A escritura literária de Boaventura Cardoso chama a atenção por sua riqueza expressiva, tanto no que se refere aos aspectos formais como pela temática. Suas narrativas estão no limite da prosa com a poesia, com características que tornam singular o conjunto de suas obras no âmbito da literatura angolana. Sujeito “pós-colonial”, o escritor mergulha no fazer literário sem esquecer a História, sem esquecer a relação colonizado-colonizador. Nesse sentido, é possível notar uma questão, entre muitas outras, perpassando seus textos: se o estrangeiro fez “Angola”, quem é o “angolano”? – é difícil até mesmo para um grande escritor responder, em definitivo, a essa pergunta. O que há, portanto, são caminhos, travessias de identidade e cultura: na busca de inspiração, Boaventura encontra as obras de Guimarães Rosa; em sua vivência e pesquisa, descobre, para si e para os leitores, a ancestralidade; à tona, vem o “realismo mágico”; além disso, incorpora a oralidade e transforma a língua. Esses elementos convergem para o estabelecimento de identidade e para o re-conhecimento da(s) cultura(s) angolana(s). Essa perspectiva é decorrente da abordagem que desenvolvo na pesquisa, tendo como objeto de análise as narrativas (estórias) que compõem a obra “A Morte do Velho Kipacaça” e como principal linha teórica o “Pós-colonialismo”.
   

Mestrando: José Eugênio das Neves (joseeugenioneves@uol.com.br)

Título Provisório: Uma Leitura Pós-colonial de Os Bruzundangas

 
Boa parte da obra de Lima Barreto, em especial seus romances, tem sido bastante revisitada nos últimos anos. Há, no entanto, muitos nichos ainda não explorados em sua profundidade e que merecem atenção dos pesquisadores na área de estudos literários. Seus textos satíricos constituem um desses nichos. Assim, escolhemos para nossa pesquisa a obra Os Bruzundangas, conjunto de crônicas satíricas publicadas no ano de 1922. Quanto à fundamentação teórica a ser empregada nesse estudo, nossa escolha recaiu sobre o pós-colonialismo, tendo em vista tratar-se de uma teoria ainda pouco empregada na análise de obras de nossa literatura. Escolhidas a obra a ser analisada e o ferramental que empregaríamos, determinamos a seguir o objetivo de nossa pesquisa: localizar na obra resquícios de influência colonial que ainda se encontravam presentes na vida brasileira por ocasião da escrita dessas páginas e que foram alvos das críticas do autor. Quatro áreas foram selecionadas para esse levantamento: a literatura, a economia, a política e o ensino.



Este evento foi possível graças ao apoio da Fundação Araucária.