Dezembro de 2012 PDF E-mail

APRESENTAÇÃO

 

Os vagões da revista Estação Literária se colocam em movimento novamente neste décimo volume, mas desta vez sem destino certo. Nossa locomotiva soltou-se dos trilhos, sem rumo, e ultrapassou as fronteiras de um espaço e um tempo determinados, deslocando-se sobre um lugar que é o próprio movimento. O leitor se sentirá como o passageiro de um trem correndo tão rápido que, ao olhar pela janela, não conseguirá enxergar a paisagem e os objetos, mas apenas o próprio movimento. Ao propormos o tema da errância na literatura, tão grande foi a diversidade de assuntos, de abordagens teóricas e críticas recebidas pela comissão editorial que a única unidade desse vagão acabou se tornando a própria diferença. Este é um vagão poliglota, cosmopolita, um vagão onde todas as raças, gêneros e nacionalidades compartilham o mesmo espaço, dispostos a desprender suas raízes da terra: trata-se de um vagão nômade, sem pátria, onde a literatura se põe a viajar.

Muitos foram os que contribuíram para tornar essa viagem possível: dentre os 82 artigos que recebemos, mais de 50 foram aprovados. Para dar conta de tamanha diversidade, decidimos então dividir a carga de nossa locomotiva em três viagens. A primeira é esta em que embarcamos agora. Nela, conheceremos a errância sob um ponto de vista teórico. No vagão 10A, os leitores encontrarão textos que se utilizam da viagem, do erro, do nomadismo e da instabilidade como uma abertura para criar conceitos de crítica literária. O que há em comum entre as análises de textos estritamente literários, como O Castelo de Kafka, A Caverna de José Saramago e Budapeste de Chico Buarque, a leitura de Mangás, HQs e Road Movies e a reflexão sobre os conceitos de Maurice Blanchot, Michel Mafessoli ou dos surrealistas é a presença da errância enquanto força conceitual e analítica. Não se trata de perceber como o texto literário cria sentido a partir da noção de errância, mas antes como a errância pode servir de possibilidade de leitura para as obras. Por mais diferentes que sejam os objetos analisados, permanece aqui a mesma inquietação teórica de como se pode pensar os elementos nômades próprios da criação literária e artística.

Acompanham estes escritos três criações de pesquisadores da área de Letras que no presente volume optaram pela expressão artística, pela palavra inventiva, pela transcriação. Confira no Espaço de Criação.

Ainda estamos carregando os próximos dois vagões, programados para partir em janeiro e fevereiro do ano que vem. Mas enquanto eles esperam pela partida, desejamos aos leitores do vagão 10A uma boa viagem pelos interstícios da literatura – uma viagem que, esperamos, possa levar-lhes para além de suas fronteiras familiares.

Para acessar o sumário e baixar os arquivos individualmente, por favor, clique aqui .