Dezembro de 2011 (A) PDF E-mail
APRESENTAÇÃO

ESTAÇÃO LITERÁRIA 8: SOBRE AS FORÇAS QUE ARRASTAM (OU PORQUE O NOVO VOLUME É ESPECIALMENTE INFLAMÁVEL)
 
Erra quem aposta suas fichas na placidez acadêmica, numa estabilidade perene, imune às pressões do tempo e das circunstâncias. Ainda que em um ritmo próprio, o universo acadêmico acompanha a irrupção de temas prementes na agenda social, normalmente carregados de alguma polêmica e que suscitam discussões metodológicas acaloradas, em paralelo aos debates midiáticos, políticos e sociais.
 
Uma dessas tendências contemporâneas que eclodem ruidosamente nos primeiros anos do século XXI são os estudos sobre a literatura com prefixo afro: afrodescendente, afrobrasileira, afromatricial, afrocêntrica... Afrodisíaca em seu poder de atração. Afrontosa para uma parcela considerável do público. Lembremos que até muito recentemente os brasileiros relutavam em admitir suas origens negras no Censo Nacional e ainda hoje recorrem a termos eufêmicos para caracterizar a mestiçagem de que todos somos fruto. Isso sem mencionar os ortodoxos de plantão, pesquisadores que rejeitam qualquer exercício analítico que não caiba em vertentes confiáveis, leia-se eurocentristas.
 
Por isso, apesar de dedicar-se a um tema de forte apelo (o número de artigos recebidos praticamente triplicou nesta edição), o volume 8A  da Estação Literária é particularmente inflamável, por insistir em discussões que voluntariamente ignoramos há pelo menos dois séculos. Dentre as faíscas aqui contidas, destacam-se algumas indagações no limite da petulância. Como a literatura afrobrasileira influencia na formação identitária infantil? Como se pensar a poesia negra contemporânea? De que maneira o texto teatral reflete questões étnicas? Os contos e poesias angolanas representam a identidade do país? Que dizer do romance moçambicano? Há uma poesia própria do amor mestiço caboverdiano? Como história e ficção se entrelaçam na literatura negra britânica e australiana? Que tipo de recepção o campo literário reservou à produção negra e marginal no Brasil? Como as religiões de matrizes africanas são tratadas em livros produzidos por seus próprios representantes? Todos esses pontos de interrogação foram explicitamente grafados/cravados pelos autores que aceitaram o desafio da Estação Literária e que agora apresentam seus textos para avaliação pública.
 
Mas o volume 8 reserva ainda outras surpresas para os internautas: a apresentação dos artigos em partes A (clique para acessar o Sumário) e B; uma destinada à temática específica, a outra aos artigos de tema livre, tempero indispensável a quem cultiva a pluralidade do olhar. Mais: o aumento do número de pareceristas responsáveis pela análise de cada texto, o que torna a revista mais criteriosa e, por que não dizer, interessante. Mais: a seleção de um time especialmente convidado para avaliação de assuntos incomuns, cuja particularidade requer um exame diferenciado. Mais: a adoção de uma série de procedimentos que visam à melhor adequação da revista aos critérios do Quallis, instrumento de avaliação da Capes.
 
 
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Revista Estação Literária