CHAMADA ABERTA

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO: VOLUME 17

 

Volume 17: Critical animal studies

 

Prazo para envio dos artigos: 29 de fevereiro de 2016

 

“O animal, que palavra!

É uma palavra, o animal, é uma denominação que os homens instituíram, um nome que eles se deram o direito e a autoridade de dar a outro vivente”

(Jacques Derrida)

 

Poucas relações são repletas de tantos sentimentos contraditórios como a encontrada entre os humanos e os não humanos. A presença deles em nossas vidas é inquestionável, e tem sido assim por toda a história: pinturas nas cavernas já retratavam animais. Por um lado, eles são valorizados por suas características, se tornam símbolos e parte do nosso imaginário; por outro, enfrentam a destruição de seus ambientes naturais, a morte e a exploração pelos humanos, seja por sua pele ou carne.

A literatura, assim como faz com todos aspectos da vida, não os ignora: inúmeras são as obras que retratam animais. A cachorra Baleia de Graciliano Ramos, o corvo de Edgar Allan Poe, o cão Flush de Virginia Woolf. Exemplos não faltam. A literatura pode, também, falar muito sobre a nossa atitude frente a eles: o autor J.M. Coetzee, ganhador do Nobel de Literatura em 2003, cuja obra frequentemente retrata animais, ao ser questionado, em uma entrevista, sobre como os críticos ignoram a presença deles em seu livro, afirma que isso é o reflexo de como não damos importância aos animais em nosso mundo[1].

Vivemos em um momento crítico: mais de 150 bilhões de não humanos são mortos anualmente pelas indústrias da carne, laticínios, ovos e da pesca[2]. Além disso, essas indústrias têm sido responsáveis pela destruição de áreas naturais, produção de zonas mortas no oceano, poluição da água e a produção da maior parte dos gases do efeito estufa, relacionado ao aquecimento global[3].

Em meados da década de 1970, surgiram teorias que buscam entender e trabalhar eticamente a questão do animal não humano – e, como não poderia deixar de ser, essas linhas de pensamento encontraram seus caminhos para a teoria literária. Ano após ano, dando cada vez maior visibilidade a uma ramificação dos estudos literários que tem se firmado sob a expressão Critical animal studies, pesquisadores têm produzido estudos e livros, promovido eventos que buscam rever e abalar as estruturas formais que normalizam e institucionalizam a exploração dos não humanos, bem como entender as intersecções entre essa opressão e outras formas de opressão (sexismo, racismo etc.).

Nessa esteira, o Volume 17 da Estação Literária abre espaço para a discussão dessas questões, acolhendo trabalhos que se orientem a partir do suporte teórico dos Critical animal studies. O objetivo do volume em questão é reunir contribuições que apresentem análises da exploração ou que problematizem a representação dos não humanos em manifestações literárias diversas – ou, ainda, que estabeleçam relações entre a exploração animal e outras formas de opressão.

As contribuições devem ser enviadas, de acordo com as normas de publicação, para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email até o dia 29 de fevereiro.

 

Comissão Editorial Executiva da Estação Literária

http://www.uel.br/pos/letras/EL/

  

[1] www.satyamag.com/may04/coetzee.html

[2]www.adaptt.org/killcounter.html

[3]www.cowspiracy.com/facts/ 

 

 

 
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ESTAÇÃO LITERÁRIA é uma publicação semestral do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina, com o objetivo de divulgar trabalhos ligados aos Estudos Literários e Culturais, sob a forma de artigos e, eventualmente, entrevistas e resenhas. 

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ESTAÇÃO LITERÁRIA (LITERARY STATION) is a journal of the Graduate Program in Literature of the State University of Londrina. It is refereed and publishes two electronic editions a year. Estação Literária is particularly interested in articles that engage discussions in connection with Literary and Cultural Studies. Interviews and book reviews are also accepted.

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