Catálogo
da Correspondência Ativa de George Craig Smith
Organizadoras Profª Drª Raimunda de
Brito Batista
Profª Drª Regina Maria Guarnier Domiciano (in memorian)
Bibliotecárias : Rosangela Ricieri Haddad
Ruth Hiromi Shigaki Ueda
Este projeto foi
desenvolvido no Museu Histórico de Londrina juntamente com
os Departamentos de Ciências Sociais e Letras Estrangeiras
Modernas. Contou com a colaboração de estagiários
voluntários e bolsistas IC-UEL e PIBIC dos cursos de Arquivologia,
Biblioteconomia, Ciências Sociais e Letras Estrangeiras Modernas.
No dia 20 de agosto
de 1929, George Craig Smith, paulista, descendente de ingleses,
partiu de Ourinhos - SP chefiando uma caravana de mais ou menos
doze pessoas com destino às terras roxas do Norte do Paraná.
Essa caravana iniciaria o desbravamento das matas, reconhecimento
e loteamento da maior empresa colonizadora da América do
Sul, dona de 500.000 alqueires de terras cobertas com matas virgens
que impressionaram Lord Lovat em 1924. Em 1925 Lord Lovat, escocês,
diretor da Sudan Cotton Plantations Syndicate e assessor de agricultura
para assuntos de agricultura e florestamento foi constituído
presidente da Paraná Plantations versão inglesa da
Companhia de Terras Norte Paraná (CTNP).
A Companhia de Terras
Norte do Paraná colonizou uma área correspondente
a 546.078 alqueires de terras, ou 1.321.499 hectares, ou ainda cerca
de 13.166 km2. Fundou 63 cidades e patrimônios, vendeu lotes
e chácaras para 41.741 compradores, de área variável
entre 5 e 30 alqueires, e cerca de 70.000 lotes urbanos com média
de 500 m2. Em 1944 a companhia passou a chamar-se Companhia Melhoramentos
Norte do Paraná .
O acervo de George
Craig Smith encontra-se depositado no Museu Histórico de
Londrina e compõe-se na maioria, de sua correspondência
ativa e passiva com familiares, amigos e colegas, incluindo o período
em que trabalhou para a Companhia de Terras Norte do Paraná.
Parte desse acervo foi doado ao Museu pelo próprio George
Craig Smith em 1978; o restante foi entregue após sua morte
pelos familiares e amigos. O acervo é composto de aproximadamente
5000 títulos e parte dele ainda está em vias de organização.
Neste catálogo trabalhamos apenas com sua correspondência
ativa, com os pais, irmãos e seus amigos Eugênio Victor
Larionoff e Luis Alberto Americano .
Parte desta correspondência
está escrita em inglês. A leitura e respectiva tradução
orientaram a delimitação do trabalho em quatro fases:
- 4 anos passados
em Winchester, Inglaterra no “Clayesmore School” completando
seus primeiros estudos;
- 2 anos, trabalhando
na Companhia de Terras Norte do Paraná, com interrupções;
- 1 ano em Araguacema
– Goiás, trabalhando para a “Amazon Valey Indian
Mission”;
- 17 anos em Londrina-Pr,
traduzindo obras evangélicas, fazendo palestras de cunho
histórico nas escolas e exercendo outras funções
na Primeira Igreja Batista. Nesse período retomou a correspondência
com Eugênio Victor Larionoff e outros funcionários
da CTNP.
Os primeiros colonizadores
e trabalhadores da CTNP deixaram vários documentos, registrando
os acontecimentos da abertura de terras da região Norte do
Paraná dentre esses o Sr. George Craig Smith, chefe da primeira
caravana. Na sua correspondência pessoal encontramos cartas
com valiosas informações históricas sobre o
processo de colonização.
A transformação
do acontecimento em fato histórico dá-se através
dos registros. A linguagem usada para registrar os acontecimentos
desse processo em fatos históricos foram os documentos e
objetos-testemunho. Os processos de colonização transformaram
os homens em fatos, isto é, transformaram os homens em heróis
ou proscritos e os acontecimentos em marcos de referência
para se construir a história. Consequentemente o processo
de construção da memória histórica passa
pela fase da reunião de documentos, organização
e interpretação ou até mesmo, reinterpretação.
A região
norte do Paraná passou por vários momentos de colonização,
a começar em 1924 quando, por solicitação do
Presidente Arthur Bernardes, veio ao Brasil uma Missão Econômica
Inglesa, chefiada por Lord Montagu (nome que deu origem à
“Missão Montagu”). Lord Montagu foi secretário
de Estado para as Índias e ex-secretário financeiro
do Tesouro da Inglaterra.
Londrina foi batizada em 1924 como Patrimônio Três Bocas
em homenagem ao rio divisor das terras da CTNP, e em 1932 passou
a denominar-se Londrina.
Este projeto foi
desdobrado em quatro subprojetos:
I - Tradução
da correspondência ativa em inglês (correspondência
que mantinha com os pais e amigos);
As cartas foram traduzidas integralmente do original e na tradução
procuramos respeitar o tom coloquial e as abreviaturas usadas pelo
autor. Nas cartas em inglês em que George Craig Smith escreve
trechos em português ou utiliza algumas palavras em português,
respeitamos a ortografia do documento.
II - Processamento
técnico e indexação dos documentos;
Consistiu na separação dos documentos por categoria,
higienização, registro, catalogação,
indexação, acondicionamento e armazenamento. Digitalização
das cartas traduzidas e microfilmagem das cartas originais para
pesquisas.
III - Estudo e análise
de documentos de pioneiros;
Foram elaboradas sinopse do conteúdo de cada carta. Muitas
das sinopses vieram acompanhadas de notas de pesquisa com a finalidade
de contextualizar os acontecimentos relatados e a história
da região. Os temas privilegiados nas sinopses foram: os
acontecimentos históricos, a abertura da região, a
Revolução de 32, a instalação do município
de Londrina, a formação religiosa e o pioneirismo.
IV - Catálogo
de Correspondência Ativa de George Craig Smith;
A edição do catálogo apresenta parte da correspondência
ativa do acervo pessoal de George Craig Smith.
Organizado em ordem
cronológica, contém 334 referências, índices
temático e onomástico, que remetem ao número
de referência da carta no catálogo. Nesta referência
destacamos alguns campos relevantes que permitam identificar o conteúdo
e as características físicas do documento, como: autor,
espécie documental, língua, data, local, destinatário,
número de folhas, estado de conservação, assinatura
original ou cópia carbono, manuscrito ou datilografado.
O catálogo
foi editado pela Editora da Universidade Estadual de Londrina em
novembro de 2002.
Acreditamos que,
para o pesquisador, essa documentação é de
grande valia, pois permite compreender as mudanças históricas
e o cotidiano da região norte do Paraná. Além
disso, pode se constituir em fonte de pesquisa e análise
da trajetória da vida de um homem que trabalhou para uma
empresa colonizadora que implantou um determinado sistema de colonização.
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