NÚCLEO DE TELEMEDICINA E TELESSAÚDE DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

Índice:

 

O Que É Telemedicina?

       A Telemedicina, um termo cunhado nos anos 1970, que literalmente significa “cura à distância”, significa a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para melhorar os desfechos dos pacientes, ampliando o acesso aos cuidados e a informações médicas. A Organização Mundial da Saúde adota uma ampla descrição para o termo:

A telemedicina é a oferta de serviços de atenção à saúde, onde a distância é um fator crítico, por profissionais da área da saúde usando as Tecnologias de Informação e Comunicação para o intercâmbio de informações válidas para diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças e agravos, para a pesquisa e avaliação e para a educação continuada em saúde, com o interesse em melhorar a saúde dos indivíduos e de suas comunidades.

A telemedicina é uma ciência aberta e em constante evolução, uma vez que incorpora novos avanços na tecnologia respondendo e se adaptando às mudanças nas necessidades de saúde .

Embora alguns diferenciem a telemedicina da telessaúde – a primeira se restringindo a oferta de serviços de saúde somente pelos médicos e a segunda fornecida por profissionais de saúde em geral, incluindo enfermeiros, farmacêuticos, entre outros. Na maioria das vezes a literatura emprega ambos os termos como sinônimos.

Quatro elementos são pertinentes à telemedicina:

1.       Seu propósito é fornecer suporte clínico;

2.       Intende-se superar as barreiras geográficas, conectando usuários que não estão no mesmo local físico;

3.       Ela envolve o uso de vários tipos de Tecnologias de Informação e Comunicação;

4.       Seu objetivo é melhorar a assistência à saúde.

Historicamente a telemedicina pode começar a ser traçada a partir de meados do século XIX com a publicação de um dos primeiros relatos ocorrendo no começo do século XX, quando dados eletrocardiográficos foram transmitidos através de cabos de telefone. A telemedicina na sua forma atual teve início na década de 1960, em grande parte dirigida pelos setores de tecnologia militar e espacial. Exemplos de importantes marcos tecnológicos do início da história da telemedicina incluem o uso de televisão para facilitar consultas entre especialistas de um instituto psiquiátrico e clínicos gerais de um hospital psiquiátrico estadual, e a prestação de aconselhamento médico de um especialista de hospital de ensino para um centro médico localizado em um aeroporto.
       Os avanços recentes e a disponibilidade crescente das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) para a população geral foram os maiores impulsionadores da telemedicina na última década, rapidamente criando novas possibilidades para a prestação de serviços de saúde - principalmente em países em desenvolvimento e em áreas carentes de nações industrializadas. A substituição de formas análogas de comunicação por métodos digitais, combinados com uma rápida queda no custo das TICs, deflagrou um grande interesse na aplicação da telemedicina entre os prestadores de serviços de saúde e possibilitou a organizações de saúde a visionarem e implementarem formas novas e mais eficientes de prestar o cuidado à saúde. A introdução e popularização da internet aceleraram os avanços das TICs, expandindo assim, o escopo da telemedicina para envolver aplicações baseadas em Web (e-mail, teleconsultas e conferências via internet) e abordagens multimídia (imagens digitais e vídeo). Esses avanços levaram à criação de uma riquíssima variedade de aplicações da telemedicina que o mundo passará a utilizar.

 

Aplicações e Serviços para diversos contextos

        As modalidades de telemedicina podem ser classificadas dentro de dois tipos básicos, de acordo com o timing da informação transmitida e a interação entre os indivíduos envolvidos - sejam de um profissional de saúde para outro ou de um profissional para o paciente. A modalidade assíncrona de telemedicina envolve o intercâmbio de dados pré-gravados entre dois ou mais indivíduos em tempos diferentes. Por exemplo, o paciente ou o profissional envia um e-mail com a descrição de um caso clínico para um especialista que mais tarde irá responder com a sua opinião sobre o diagnóstico e a melhor forma de manejá-lo. Por outro lado, a modalidade síncrona requer que os indivíduos envolvidos estejam simultaneamente presentes para a troca de informações, como no caso da vídeoconferência. Tanto na modalidade síncrona como na assíncrona informações relevantes podem ser transmitidas por uma variedade de mídias, tais como texto, áudio, vídeo ou mesmo imagens. Essas duas abordagens básicas para a telemedicina são aplicadas para uma ampla gama de serviços em diversos cenários, incluindo teledermatologia, telepatologia e telerradiologia.

         A maioria dos serviços de telemedicina, dos quais muitos tem como foco o manejo diagnóstico e clínico, são rotineiramente oferecidos em regiões industrializadas como o Reino Unido, a Irlanda do Norte, Escandinávia, a América do Norte e Austrália. Além disso, dispositivos de medição biométrica tais como o equipamento de monitoração da frequência cardíaca, da pressão sanguínea e dos níveis de glicemia são cada vez mais usados para monitoramento e manejo remoto de pacientes com doenças agudas e crônicas. Alguns prevêem que a telemedicina transformará profundamente a forma como os serviços de saúde são prestados em países industrializados, pela migração da prestação dos serviços de hospitais e clínicas para dentro das casas.

       Em países de baixa renda e em regiões de infra-estrutura limitada, a telemedicina é utilizada principalmente para conectar prestadores de serviços de saúde com especialistas, hospitais de referência e centros terciários. Apesar da aplicação da telemedicina de baixo-custo ter se provado factível, clinicamente útil, sustentável e aplicável em tais cenários e em comunidades carentes, elas não estão sendo adotadas em escala significante devido a uma variedade de barreiras.

       

Barreiras à Difusão da Telemedicina

       A telemedicina possui um grande potencial para reduzir a variabilidade dos diagnósticos, bem como de melhorar o manejo clínico e a prestação dos serviços de saúde ao redor do mundo, aumentando o acesso, a qualidade, a eficiência e o custo-efetividade. A telemedicina pode ajudar comunidades tradicionalmente carentes - aquelas em áreas remotas ou rurais, com poucos serviços de saúde e profissionais - porque ela supera a barreira da distância e do tempo entre prestadores de serviços de saúde e pacientes. Além disso, evidências apontam importantes benefícios sócio-econômicos para pacientes, famílias, profissionais e para o próprio sistema de saúde, incluindo melhor comunicação entre o profissional e o paciente e oportunidades educacionais.

       A despeito de sua promessa, a utilização da telemedicina atingiu níveis variáveis de sucesso. Tanto em países em desenvolvimento como nos industrializados, a telemedicina ainda tem que ser consistentemente empregada no sistema de saúde para prestar serviços de rotina, e alguns poucos projetos pilotos foram capazes de se sustentarem uma vez que o financiamento inicial tinha acabado. Rotineiramente diversos relatos citam desafios que mostram a falta de longevidade em muitos empreendimentos de telemedicina.

       Um desses desafios é o complexo de fatores humanos e culturais. Alguns pacientes e profissionais resistem em adotar modelos de serviços que diferem das abordagens tradicionais, enquanto outros não possuem um grau de instrução suficiente em Tecnologias de Informação e Comunicação para usufruir da telemedicina de forma efetiva. O maior desafio de todos são as diferenças linguísticas entre pacientes (em particular os pacientes carentes) e os prestadores de serviço.

       A escassez de estudos documentando os benefícios econômicos e o custo-efetividade da telemedicina também é um desafio. A demonstração de casos sólidos para convencer os políticos a investirem e adotarem a telemedicina tem contribuído para superar as deficiências de infra-estrutura e o subfinanciamento de programas.

      Considerações legais são um grande obstáculo para a aplicabilidade da telemedicina. Estes incluem a ausência de um quadro jurídico internacional para permitir que profissionais de saúde prestem serviços em diferentes jurisdições e países; a falta de políticas que determinem a privacidade e a confidencialidade face à transferência, ao armazenamento e ao compartilhamento de dados do paciente entre profissionais de saúde e jurisdições; autenticação profissional de saúde, principalmente na utilização de e-mails; e o risco da responsabilidade médica para os profissionais que prestam serviços de teleemdicina.

       Relacionados às questões legais estão os desafios tecnológicos. Os sistemas em uso são complexos, e há o potencial para mau funcionamento e defeitos que poderiam provocar falhas de softwares e hardwares. Isso poderia aumentar a morbidade ou mortalidade de pacientes bem como a responsabilidade dos prestadores de saúde.

      No intuito de superar estes desafios a telemedicina deve ser regulada por diretrizes definitivas e abragentes, que sejam amplamente aplicáveis e de preferência mundialmente. Concomitantemente, legislação determinando a confidencialidade, a privacidade, o acesso e a responsabilidade precisa ser instituída. Enquanto setores públicos e privados se empenham em colaboração mútua e se tornam cada vez mais interdependentes na aplicação da telemedicina, cuidado deve ser tomado para assegurar que ela será implantada de forma inteligente para otimizar os serviços de saúde e garantir que empreendimentos com fins-lucrativos não privem os cidadãos de acessarem os serviços de saúde fundamentais.

      Em todos os países, questões relativas a confidencialidade, dignidade e privacidade são de interesse ético no que diz respeito à utilização das TICs na telemedicina. É imperativo que a telemedicina seja implementada de forma equitativa e com os mais altos padrões éticos, para manter a dignidade de todos os indivíduos e assegurar que diferenças de educação, língua, geográficas, de capacidade física e mental, de idade e sexo não levem à marginalização do cuidado.

 

*Adaptado de: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3402558/

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