Grupo de Apoio ao Ensino de Sociologia

Coordenadores: Profª Ms. Carolina dos Santos Bezerra Perez; Profa. Dra. Raimunda de Brito Batista; Prof. Dr. Cezar Bueno de Lima; Profa Mestranda Maria Carolina de Araújo Antônio.

RESUMOS

(As ideias contidas em cada resumo, são de responsabilidade de seus respectivos autores)

 

O CONSUMISMO COMO FORMA DE MEDIAÇÃO DAS RELAÇÕES NO INTERIOR DA ESCOLA

Aline C. F. Braga do Carmo

Emiliano Peggion de Carvalho

Contato: lline_braga@hotmail.com 

Neste trabalho serão expostos e analisados o cotidiano e suas conseqüências, de uma escola localizada na cidade de Marília- SP, que aqui será denominada por “Escola da contradição”. As observações na “Escola da contradição” ao longo da pesquisa, ocorreram em salas de 5ª série a 3º colegial. Em virtude de tal fato foi possível analisar as formas de interatividade e mediações, dos alunos nos mais distintos espaços. Todas as observações se atentaram quanto as relações de consumo, e como estas adentraram o interior da escola. Após a 1ª Revolução Industrial, com o aumento do produção, uma serie de transformações ocorreram, no âmbito social e econômico. Surge uma nova relação entre capital e trabalho, a cultura de massa e conseqüentemente o consumo, a cultura do consumir. Todas essas alterações na sociedade foram relevantes afinal o mundo nunca mais seria o mesmo após a concretização de todas elas, a questão do consumo foi o desdobramento dessa revolução, que mais modificou o homem e sua forma de agir, obviamente que entrelaçada com as outras transformações. O consumo em sua forma mais exacerbada se desdobrou no consumismo, que é um ato de consumir e comprar compulsivamente, sem uma reflexão a respeito da necessidade de adquirir tais produtos. O consumismo alterou de maneira sem precedentes as formas de organização de diferentes sociedades. Tal fenômeno, não se limitou ao século XIX, pelo contrário, permanece até os dias atuais, sendo que atualmente, tal fenômeno vivencia sua maior e mais intensa plenitude e isso se dá em virtude dos recursos tecnológicos que auxiliam a disseminação e criação de necessidades por meio das propagandas, via rádio, televisão, cinema, jornais, revistas, internet e outros. Estas se dão tanto por meio de mensagens subliminares, quanto liminares. A propagada é a maior aliada do consumismo. Atualmente o consumismo afetou todas as instancias e camadas da sociedade. Infelizmente, este, adentrou os portões das escolas e consequentemente as paredes das salas de aulas. 

UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA DO CONSUMO ESTUDANTIL NO AMBIENTE ESCOLAR

Franciele Del Vecchio dos Santos

Contato: fran.delvecchio@gmail.com 

O presente trabalho é um resultado da observação de uma escola estadual na cidade de Marília-SP. A percepção do cotidiano da escola possibilita a articulação entre teoria e pratica em uma tentativa de compreensão dos processos educativos que se estabelecem nas relações sociais. A escola é um espaço construído pelos seus sujeitos históricos (condensação de forças) em um cotidiano vivo, local de embates, tensões, lutas de poder e disputa de interesses, onde unidos observamos a reprodução do velho e a possibilidade de construção do novo. A análise sociológica traz consigo a possibilidade de entender de maneira mais ampla questões essenciais acerca desse universo.            Faz-se necessário compreender o espaço escolar a partir de seu próprio dinamismo, como parte de um processo educacional, visando à formação humana e não unicamente a transmissão de conteúdos. Dessa forma, analisar a escola significa percebê-la de maneira mais ampla, levando em consideração todas as relações presentes no seu interior. Ao longo da observação, um fato em especial chamou atenção de forma intrigante: a presença de uma necessidade incessante de consumir. Nesse sentido, cabe levantar uma série de perguntas que podem ajudar a problematizar o sujeito/objeto de análise. - Como o consumo se apresenta na instituição de ensino? Como vem sendo construído ou reconstruído nos espaços escolares? Como é reproduzido? Para investigar o consumo estudantil no ambiente escolar, utilizarei como procedimentos metodológicos na dimensão prática, a observação nos ambientes da escola (sala de aula, dos professores, pátio, etc.) e a conversa informal com grande parte de seus membros (alunos, professores, funcionários, etc.), como apoio teórico autores das Ciências Sociais.

Palavras-chave: consumo, escola, análise sociológica.  

BULLYING ESCOLAR E EDUCAÇÃO

Manoel de Oliveira Idalgo

Professor: César Augusto de Carvalho

Contato: man.uel@bol.com.br 

A questão da violência nas escolas perpassa pelo conceito de violência e pela análise da instituição escola. Este artigo tem como objetivo, partindo do conceito de violência, apontar pistas para uma discussão específica sobre a violência escolar. Utilizaremos para reflexão algumas entrevistas abertas feitas durante um Projeto de Discussão sobre Bullying Escolar com alunos do Ensino Médio do Colégio 11 de outubro, município de Cambé, no ano de 2009.  O tema encontra relevância nas pesquisas acadêmicas embora, segundo Hannah Arendt, “falta grandes estudos sobre o fenômeno da violência e tem-se, consequentemente, uma banalização do conceito”. A reflexão de Arendt sobre violência, utilizada, fornece um referencial teórico, a partir da filosofia política, para entender o fenômeno na sua complexidade e amplitude. O artigo não elabora uma pesquisa aprofundada sobre o assunto, mas pretende dar pistas para futuro aprofundamento.

Palavras chave: Bullying Escolar, Hannah Arendt, Violência 

JUVENTUDE NA ESCOLA: DESAFIOS PEDAGÓGICOS E SOCIOLÓGICOS

Bruno Leardine Souza

Jéssica Alana Zenorini

Núcleo de Ensino. Faculdade de Filosofia e Ciências – Campus de Marília - UNESP. Contato: brunoleardine@hotmail.com 

O programa institucional Núcleo de Ensino (NE) da Unesp há anos vem realizando pesquisa na área de Ciências Sociais com um olhar voltado para a educação. O projeto “Ciências Sociais na Escola”, realizado desde 2006, desenvolveu a pesquisa por meio de atividades diretas com os estudantes do ensino médio, tendo como objetivos centrais a desnaturalização das relações sociais no espaço escolar e re-significação desse espaço por meio da cultura como mediação entre os agentes sociais. Essa pesquisa ganha maior relevância com a recente obrigatoriedade da Sociologia no Ensino Médio (Resolução CNE 04/2006 e Lei Federal 11.684/2008). A obrigatoriedade demonstra uma situação particular dessa disciplina no currículo escolar em que, diferentemente das demais disciplinas, a Sociologia ainda busca produzir uma metodologia de ensino direcionada ao Ensino Médio. Essa problemática se torna um permanente desafio a nossa pesquisa, que visa a elaboração de atividades e materiais pedagógicos voltados aos estudantes, que abarquem temáticas relacionadas à Proposta Curricular de Sociologia. O caminho trilhado em 2009 foi “Juventude na escola”, tendo a condição de jovem no espaço escolar como eixo central do trabalho. A pesquisa pautou-se, por um lado, na análise sociológica da escola e, por outro, no trabalho direto com os estudantes em sala de aula, buscando articular, na prática, o saber sociológico e pedagógico, por meio de atividades que orientassem a busca de novos significados. Para essa finalidade, o trabalho desenvolvido se baseou em demandas específicas apresentadas pelos alunos: trabalho, sexualidade, preconceito, drogas, escola pública, violência, entre outras. A partir delas, organizou-se atividades pedagógicas, nessa primeira etapa, com um permanente diálogo com os conteúdos sociológicos por meio de produção e análise de textos, debate de músicas e vídeos referentes às temáticas. O crescente interesse em aprofundar os temas vem permitindo um acúmulo de experiências pedagógicas, envolvendo tanto a preparação teórica dos futuros professores de Sociologia como a produção de materiais didáticos na área, propiciando uma reflexão permanente aliada à ação direta em sala de aula. Novos fatores estão ainda contribuindo para o andamento da pesquisa, como o desenvolvimento de cartas nas quais os alunos transmitem suas aspirações para o futuro e relatam suas experiências na escola nesse momento. Além disso, a escolha dos temas que foram apresentados pelas duas salas de aula trabalhadas, nos possibilitou a reflexão sobre a dialética relação ensino-aprendizagem e a importância da cultura como elo de mediação desse processo, espaço de expressão das características e necessidades de jovens presentes na escola, que passam a alicerçar conteúdos curriculares até então abstratos a este segmento estudantil. A pesquisa em questão ainda está em andamento. Como resultados imediatos temos o início de uma mudança na postura de cada jovem estudante na sala de aula com a própria atividade pedagógica, se colocando como sujeito ativo no processo de aprendizagem.

O ENSINO DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO ENQUANTO UMA FERRAMENTA PARA A EFETIVAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DO JOVEM

Daiane Roberta Sério

Contato: robertaserio@hotmail.com 

O artigo é resultado da experiência de estágio realizado desde do segundo semestre de 2008 no Ensino Médio – 2º ano do curso de Magistério do Colégio Estadual Nilo Cairo da Cidade de Apucarana-Pr. Este busca abordar a importância e sentido do ensino de Sociologia, apresentar sucintamente as Políticas Públicas para a Juventude e por fim analisar o quanto é importante e fundamental para a Participação Política do Jovem que este tenha acesso ao ensino da Sociologia durante o Ensino Médio. A Sociologia, portanto, é neste texto analisada enquanto uma ferramenta capaz de desenvolver no jovem o interesse pelas questões políticas direcionadas a eles próprios – Políticas de Juventude – e mais que interesse a Sociologia possibilita que esse jovem desenvolva seu senso crítico, conheça melhor sua realidade e conquiste condições de participar de maneira ativa e consciente dos programas e projetos sociais, tais como o Projovem. Contudo, o artigo também aborda o papel do Professor da disciplina neste processo, ou seja, a necessidade do Professor conhecer a realidade desses jovens/alunos e conhecer também quais as Políticas Públicas e ações voltadas ao público juvenil e transmitir este conhecimento aos alunos, propiciando que esses analisem esses projetos e que desenvolvam sua participação política de maneira efetiva.

INTERNAÇÃO PROVISÓRIA, LIBERDADE ASSISTIDA E JOVENS ASSASSINADOS: EXISTÊNCIAS INTERROMPIDAS POR UM ITINERÁRIO PENALIZADOR

Cezar Bueno de Lima

Contato: czarbueno@gmail.com 

As determinações institucionais sobre os adolescentes infratores que passaram pelo complexo tutelar e assistencial de atendimento em Londrina (PR), incluindo os que foram vítimas de assassinato, constituem o objeto de estudo da tese. O propósito da pesquisa foi analisar o trajeto penalizador anterior à morte daqueles jovens focalizando as práticas dos técnicos sociais e jurídicos inseridos nas instituições responsáveis pelo internamento provisório, sentenças judiciais e acompanhamento das medidas sócio-educativas a céu aberto. O levantamento de dados e a análise dos autos, junto ao Projeto Murialdo, ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (CIAADI/SAS) e à Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Londrina-Pr, permitiram obter informações e analisar os processos para debater a seletividade da justiça penal juvenil, a cifra negra do crime e a regularidade do discurso penalizador entre os agentes autorizados a lidarem com os jovens autores de atos infracionais e os que foram exterminados durante o cumprimento das medidas sócio-educativas em meio aberto. A questão analítica da pesquisa indaga até que ponto a adoção das medidas jurídico-políticas de controle juvenil à distância representa a continuidade de soluções oficiais penalizadoras calcada em práticas acadêmico-discursivas com vistas a expandir os mecanismos de controle, de gerenciamento da vida e de reforço contínuo do poder de Estado. Em oposição a isso, a tese busca fazer uma crítica ao modelo de atuação dos aparelhos juvenis de controle e impulsionar mudanças de atitudes que chamam a atenção para a existência de uma sociedade sem penas e viabilizar, à margem dos aparelhos de justiça penal do Estado, a criação de mecanismos de solução dos conflitos que concede, às partes direta e indiretamente envolvidas, poderes para resolver os problemas aonde eles ocorrem.  

LITERATURA DE CORDEL E TEATRO: DA LÍRICA NARRATIVA AO TEXTO DRAMÁTICO 

Isadora Vidal Pinotti AFFONSO

Raimunda de Brito BATISTA

Contato: isadora925@hotmail.com 

O grupo de pesquisa “Literatura de Cordel: Pesquisa, Organização e Divulgação do acervo da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina”, coordenado pela Professora Doutora Raimunda de Brito Batista, conta com um acervo de mais de 3000 folhetos localizado na Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina onde colaboradores e alunos conduzem sua pesquisas relacionados a Literatura de Cordel e ao acervo disponível. Durante estas pesquisas surgiu a notificação do poder de comunicação da Literatura de Cordel como uma forma legítima de diálogo no meio popular. Considerando-se o poder desta forma de comunicação indagou-se a possibilidade do diálogo entre a Literatura de Cordel e outras formas de linguagem, neste caso específico, a linguagem teatral. O objetivo deste trabalho pesquisa focou-se no estudo da transposição da Literatura de Cordel para o Teatro, buscando-se não somente uma análise de como se constrói esta transposição, mas também uma chance de oferecer uma possibilidade a mais de divulgação para este meio de literatura popular. Através da análise da estrutura textual dos folhetos populares de Leandro Gomes de Barros e Tarcísio Pereira, da peça teatral “O Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna e de espetáculos de teatro pretende-se encontrar uma forma de exemplificar e analisar a passagem da lírica narrativa do cordel para a linguagem teatral, que envolve a linguagem dramática do texto e a linguagem cênica do espetáculo.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura de Cordel; Teatro; Teatro Popular. 

História da organização estudantil e os grêmios na atualidade

Marcos Rogério Jesus Chagas

Contato: guilbistem@yahoo.com.br 

O presente trabalho tem por finalidade levantar elementos para possibilitar a reflexão sobre o contexto da organização estudantil na atualidade no Brasil, usando como referencial o Grêmio Estudantil. De início faremos um resgate histórico levantando o desenvolvimento das organizações estudantis desde os primeiros relatos históricos de sua existência até as ações de “ocupações” de reitorias que ocorreram nos anos de 2006, 2007 e 2008 no Brasil. Fartemos um regate histórico do Movimento Estudantil ao longo do mundo, como também do Movimento Estudantil brasileiro, se concentrando principalmente nas atividades destes movimentos que tiveram maior repercussão. No Brasil nos concentraremos nos fatos envolvendo estudantes que ocorreram durante a ditadura militar que se iniciou em 1964, entendendo que este contexto interferiu diretamente no desenvolvimento das organizações estudantis no país. Em seguida partiremos para a análise das leis, da cartilha do Governo do Estado do Paraná de incentivo aos Grêmios e o Projeto Político Pedagógico do Colégio Estadual Vicente Rijo de Londrina, tentando identificar a maneira como estes documentos apresentam o que é, ou deveria ser, o Grêmio Estudantil, entendendo que exercem influencia na maneira pela qual os estudantes entendem a sua própria organização. E, para finalizar, faremos análise dos questionários aplicados aos alunos do Colégio Estadual Vicente Rijo, tentando identificar as suas visões sobre o Grêmio Estudantil.

 A FORMAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES RACIAIS DOS LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS SOCIAIS

                         

Profª Ms. Carolina dos Santos Bezerra Perez

Contato: carolsb@usp.br

O presente trabalho tem como objetivo compartilhar as experiências realizadas no projeto LEAFRO – Laboratório de Cultura e Estudos Afro-Brasileiros: Diálogos para o reconhecimento e a valorização da história e cultura afro-brasileira no Paraná (Londrina e Jacarezinho) Universidade sem fronteiras/SETI/UEL, relatando o processo de formação dos graduandos e recém formados em Ciências Sociais para atuação nas diversas modalidades de ensino: educação infantil, educação básica, ensino médio e educação de jovens e adultos, articulando a formação sociológica no que diz respeito à compreensão social do racismo, do preconceito e da discriminação existente na sociedade, bem como as formas e mecanismos de sua atuação e perpetuação, articulada à educação para as relações raciais e à formação pedagógica necessária para atuação na realidade escolar brasileira. Assim sendo, a construção do projeto político pedagógico do LEAFRO perpassa a discussão coletiva e dinâmica, construindo referenciais teórico-metodológicos e direcionamentos epistemológicos que convergem para uma complementaridade rica e profícua tão necessária para um espaço de formação acadêmica, de formação pedagógica e de iniciação à pesquisa. O relato busca articular a importância do trabalho interdisciplinar para a construção da autonomia intelectual dos estudantes e recém-formados que vivenciam, por meio da atuação no projeto, a integração do ensino, da pesquisa e da extensão de forma exemplar, ao encontrarem uma realidade que exigem deles a elaboração de análises que mobilizam os conhecimentos e as leituras da graduação, as leituras sobre a temática étnico-racial, com as leituras da dimensão educativa, convergindo para uma práxis que se desenvolve embasada por uma ação-reflexão e ação que adquire sentido e conceito, transformando de maneira contundente a realidade na qual vivem, existem e se constroem como seres humanos e como cientistas sociais. 

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