Currículo nota 10!
NOTAS E RESOLUÇÕES
Um espaço multiusuário
Projetos priorizam atenção à infecção hospitalar
Mulheres usam mais medicamentos que os homens
Acontece
No tempo dos “lanterninhas”
EDUEL
EXPEDIENTE
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Marcelo Estevam: “É um sonho, vou conhecer o que existe de mais avançado na área da Física”
BEATRIZ BOTELHO*
Um jovem de 30 anos de idade, com duas graduações, muita experiência acadêmica e uma viagem marcada para Europa para conhecer o Centro Europeu de Física Nuclear (CERN).
Este é Marcelo Estevam, paulistano que veio para Londrina em 1999 cursar Física na UEL. Formado em 2003, fez mestrado e doutorado também na UEL, com orientação do professor Carlos Roberto Appoloni, coordenador do Laboratório de Física Nuclear do CCE. E para completar o currículo, possui pós-doutorado em nanobiotecnologia pela USP de São Carlos.
Em 2010, ele entrou no curso de Engenharia Elétrica na UEL e, neste mesmo ano, iniciou o pós-doutorado. Detalhe: conseguiu a vaga na segunda graduação sem fazer curso pré-vestibular. “Comecei a estudar de novo para complementar a primeira graduação”, destaca. Por se considerar um pesquisador experimental, Marcelo conta que faltava bagagem para seus estudos e considerava a parte elétrica fundamental, por isso escolheu esta área da engenharia.
Ao todo são mais de 12 anos na Universidade e o pesquisador, que hoje trabalha no Instituto Federal do Paraná (IFPR) – diz adorar Londrina: “Vim para cá com 18 anos e já me sinto londrinense. Vou me aposentar aqui, ficar aqui pra sempre”.
Com a união das duas graduações e com o currículo que possui, Estevam foi escolhido para visitar o Centro Europeu, numa seleção feita pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) em parceria com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), de Lisboa (Portugal), que ocorre desde 2007 para uma visita anual ao laboratório europeu. “É uma seleção super concorrida e o que me ajudou foi o fato de eu estar cursando Engenharia, porque lá é onde se encontra a união entre a física e a engenharia”, afirma o pesquisador.
Juntamente com mais 19 brasileiros, o físico vai para a Europa com viagem financiada pela Capes. Eles terão a oportunidade de conhecer o LHC, o acelerador de partícula, que permitiu a descoberta recente da partícula “bóson de Higgs”, conhecida como “a partícula de Deus”, e que ganhou destaque na imprensa mundial.
O acelerador tem 27 quilômetros de extensão, localizado na fronteira entre a Suíça e a França e está a 100 metros abaixo da terra. Segundo o pesquisador, o LHC é só um dos experimentos do CERN, mas tem vários outros experimentos acontecendo. “Ele é o maior empreendimento da humanidade, pois nunca se gastou tanto dinheiro num mesmo lugar, ainda mais em termo de ciência”, explica.
O grupo viaja para a Europa no próximo dia 14. Primeiro, vai para Lisboa onde fica dois dias, depois permanece uma semana no CERN, em Genebra (Suíça) para conhecer todo o laboratório e participar de minicursos e palestras com os pesquisadores europeus. “É um sonho, porque vou estar em contato com a física de ponta, o que a gente tem de mais avançado no mundo hoje em termos de tecnologia e de teoria física”, afirma o jovem pós-doutor em Física e futuro engenheiro.
• Estagiária de Jornalismo na COM
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Direção da UEL FM
O professor Osmani Costa, do Departamento de Comunicação (CECA), assumiu no último dia 31, a direção da Rádio Universidade FM, emissora educativa da UEL. Ele substitui a professora Neusa Maria Amaral, do mesmo Departamento, que há dois anos acumulava a direção da Rádio com a da TV UEL e agora vai se dedicar somente a TV e a suas atividades acadêmicas. O professor Osmani falou da honra em assumir o cargo de diretor da Rádio. “Há 25 anos sou professor de Rádio Jornalismo na UEL. Participei do planejamento e estruturação da Rádio, junto com os professores Chico Amaro e Rosa Maria Abelin, que foi a primeira diretora da Rádio UEL. Também participei da elaboração da primeira grade de programação. Este é um momento importante, esperem de mim tudo que for possível. Pretendo contribuir na melhora da qualidade, que já é muito boa, das condições de trabalho e da programação”. Ao final a vice-reitora Berenice Jordão lembrou os investimentos que a Administração da UEL está fazendo na Rádio UEL FM, com a compra de um novo transmissor digital, no valor de R$ 140 a 160 mil. Segundo ela, são investimentos bastante significativos. “Esperamos que eles viabilizem a captação de novos recursos para a Rádio crescer ainda mais”, disse.
Agenda Aberta
A Agenda Aberta (atendimento à comunidade interna) pela reitora Nádina Moreno, que estava suspensa devido à viagem institucional da reitora ao Japão, retorna nesta quinta-feira, dia 9 de agosto.
Parfor
A professora Cleusa dos Santos Cacione, do Departamento de Música e Teatro (MUT) do CECA, é nova coordenadora adjunta do Plano Nacional de Formação de Professores (PARFOR). Ela vai atuar em parceira com a professora Maria Irene Pellegrino de Oliveira Souza, coordenadora geral do programa na UEL. Segundo a professora, a expectativa é contribuir para o crescimento do programa na região, com foco na Educação Básica e na formação continuada de professores.
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Marco Soares: “O CDPH possui documentos históricos que interessam a várias áreas do conhecimento”
BEATRIZ BOTELHO*
A UEL conta com um centro de pesquisa de grande importância para a construção da memória histórica da colonização da região norte do Paraná: o CDPH – Centro de Documentação e Pesquisa Histórica –, um laboratório com um vasto acervo de documentos sobre Londrina e região.
Criado na década de 1970 juntamente com o Museu Histórico de Londrina, o CDPH possui arquivado diversos materiais obtidos por meio de doações, como cartas, memorandos, documentos oficiais, e coleções de fotografias e audiovisuais, de mapas históricos da cidade de Londrina e do norte do Paraná, de arquivos pessoais e de jornais. Embora faça parte do Departamento de História (CCH), o acervo é multiusuário, ou seja, atende a uma série de cursos da Universidade devido a grande coleção de materiais que contém, como afirma o professor Marco Antônio Neves Soares, coordenador do Centro.
Segundo ele, o acervo conta com fotos áreas dos cultivares da década de 1930 a 1970, que são de interesse para os cursos de Agronomia e Geografia; possui a coleção de revistas femininas nacionais, como a “Grande Hotel”, da década de 1940 a 1970, fonte de estudo para os cursos de Design de Moda, Design Gráfico e História. Além disso, tem arquivado uma infinidade de processos criminais (auto findos) da Comarca de Londrina, de importância para o curso de Direito. Possui também coleções completas de jornais da cidade; do jornal O Estadão de 1850 até metade do século 20 e jornais laboratórios do curso de Jornalismo.
O CDPH conta também com documentos de grande importancia para a colonização da cidade de Londrina, como a Planta Azul, primeiro mapa da cidade, feito em 1932. Possui mais de 19 mil negativos revelados em vidro e acetato do arquivo do Foto Estrela, estúdio fotográfico criado nos anos 30. O laboratório é depositário de toda a documentação da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária). Possui também a coleção completa do jornal “A Ilustração Brasileira”, um jornal quinzenal da elite carioca que circulou entre 1809 e 1813. O Centro conta também com o Fundo Nixdorf, coleção de documentos e fotos da década de 30 até meados da década de 1970 referentes a colonização de Londrina e Rolândia, reunidos pelo imigrante alemão Oswald Nixdorf. O coordenador do CDPH, Marco Antonio, ressalta que na coleção organizada por Nixford estão reunidos documentos desde a chegada do alemão ao norte do Estado até seus últimos dias de vida. “São cartas, memorandos, fotografias, livros, recortes de jornais e diversos tipos de relatórios”, conta.
Edson Holtz: “Cada material e coleção têm seu código especifico”
Como explica o técnico do laboratório Edson Holtz, os documentos do acervo são organizados por códigos: cada material e coleção têm seu código especifico, ficando próximos conforme a sequência dos números, como é feito numa biblioteca. Na sala onde está o acervo, há o controle da temperatura e da umidade para que ele não se deteriore com o tempo. Para o melhor tratamento dos documentos, o Centro vai contar em breve com três novos laboratórios: um de restauro, um de imagem do som e outro de digitalização.
O CDPH recebe em média, 100 visitações para pesquisa por mês de alunos de História e Ciências Sociais, o que, segundo o coordenador do Centro, é muito baixo pelo suporte que o laboratório oferece de atendimento à pesquisa. O motivo da falta de procura é “o não conhecimento que a comunidade interna tem das potencialidades de pesquisa que o Centro possui e por achar que o cdph atende apenas ao curso de História”, afirma o professor Marco Antônio.
Além das atividades de documentação e pesquisa, o CDPH oferece suporte técnico para todas os que se interessarem, com cursos sobre organização documental, memória, preservação de documentos, patrimônio. Ele está aberto a visitações e ao atendimento para consulta e pesquisa em documentos para toda a comunidade universitária e externa.
Serviço
O CDPH fica no Campus da UEL, no Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH). É aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 8 às 11h45 e das 13 às 22 horas. O acervo pode ser consultado no endereço: www.uel.br/cch/cdph. Fone: (43) 3371-4568.
* Estagiária de Jornalismo na COM
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Equipe de estagiários que atua no projeto de combate à infecção hospitalar do HU
CHICO AMARO
Apesar de ser reconhecida como um sério problema de saúde pública em todo o mundo, a infecção hospitalar ainda não ganhou o espaço que merece nos currículos dos cursos de formação de profissionais de saúde. Na UEL, para além das atividades curriculares, a professora Gilselena Kerbauy Lopes, do Departamento de Enfermagem (CCS), procura despertar os seus alunos para a importância do problema, capacitando-os para as ações de prevenção e controle em estágios e pesquisa, ao mesmo tempo em que, na frente institucional, se empenha, ao lado de colegas do Departamento, para a criação de um curso de Residência em Infectologia voltado para o controle de infecção e doenças transmissíveis.
A expressão infecção hospitalar diz respeito às infecções que podem ser adquiridas por um paciente após sua entrada num hospital ou após a alta, quando tais infecções estiverem relacionadas com a internação ou com o procedimento realizado. As causas podem ser várias, sendo a principal o desenvolvimento de bactérias multirresistentes a antibióticos, fruto do uso excessivo desses medicamentos. Outra causa está ligada a questões de higiene e ao exercício das chamadas “boas práticas hospitalares” pelos profissionais de saúde.
A professora Gilselena voltou-se para o tema da infecção hospitalar desde que, ainda como estudante de Enfermagem na UEL, fez estágio na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Universitário. Ao aprender sobre a capacidade de mutação das bactérias para se tornarem resistentes aos mais poderosos antibióticos, sentiu-se fascinada – e, ao mesmo tempo, preocupou-se com a repercussão desse fenômeno para a saúde dos pacientes internados: no mundo inteiro, muitas mortes ocorridas em hospitais estão associadas a infecções adquiridas no próprio hospital. Há quatro anos e meio como docente (efetiva há apenas três meses), a professora procurou especializar-se na área. Está fazendo doutorado em Microbiologia.
Um primeiro esclarecimento feito pela professora diz respeito à nomenclatura – o problema que surgiu no mundo como “infecção hospitalar” tem hoje a denominação de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde – IRAS, e refere-se também a infecções adquiridas em ambulatórios, clínicas e até postos de saúde. “Adotou-se essa classificação porque os microrganismos presentes nesses locais são em geral diferentes dos que circulam na comunidade. Essa distinção ajuda a direcionar o tratamento”, diz ela.
Entre suas atividades para levar orientação aos alunos sobre o tema, está o desenvolvimento do projeto de pesquisa “Estudo epidemiológico dos aspectos relacionados à infecção hospitalar”, que tem a participação de sete estudantes.
A professora Gilselena Kerbauy e a enfermeira Renata Belei defendem maior atenção ao problema da infecção hospitalar
Outro trabalho é a orientação de estágio não-curricular oferecido pela CCIH a alunos de Enfermagem. O estágio se desenvolve de segunda a sexta, das 12 às 14 horas. As atividades dos estudantes incluem participação em grupos de estudos e discussão de temas relevantes ao controle das infecções. Eles notificam aos setores do hospital os resultados de culturas com crescimento de bactérias altamente resistentes aos antimicrobianos, como a KPC, e orientam o isolamento de pacientes para prevenir a disseminação do microrganismo. Realizam também a “busca fonada”, que consiste em telefonar aos pacientes que realizaram algum procedimento cirúrgico depois que tiveram alta, para questionar sobre sinais de infecção; se o paciente confirma, o aluno o orienta a retornar ao serviço para avaliação e tratamento.
As infecções cirúrgicas podem se manifestar até um mês depois do procedimento, ou até um ano depois, em casos de colocação de próteses. Os estudantes também visitam diariamente os pacientes com algum tipo cateter venoso e notificam sinais ou fatores que possam favorecer o desenvolvimento de infecções. “Com tudo isso, temos que, além de aprenderem as rotinas para o controle das infecções, os alunos são peça fundamental para o desenvolvimento das atividades na CCIH”, diz a professora Gilselena.
Quanto à Residência em Infectologia, é uma proposta da área de doenças transmissíveis do Departamento de Enfermagem. A intenção, com o curso de dois anos, é capacitar o enfermeiro para realizar a prevenção e o controle das IRAS e o gerenciamento de CCIHs, além de prestar assistência de enfermagem a pacientes com doenças infecciosas, como tuberculose, aids, meningite, gripes, hanseníase e dengue, entre outras.
No HU vigilância redobrada
Não é comum a infecção hospitalar ser causa isolada de mortes em hospitais, mas, frequentemente, sua ocorrência gera complicações capazes de levar pacientes a óbito, segundo explica a enfermeira Renata Aparecida Belei, membro da Comissão de Controle da Infecção Hospitalar do HU, onde também atua na orientação de estagiários. A comissão também é integrada pelas médicas Cláudia de Maio Carrilho (coordenadora), Josiane Coelho Garcia e Jaqueline Capobianco.
Renata informa que as estatísticas não trazem a infecção hospitalar como causa de óbitos, por ser considerada “uma complicação e não uma doença”. “É muito raro um paciente estar bem, no hospital, pegar uma infecção e ir a óbito. Agora, se o paciente está em estado grave, na UTI, entubado, com dificuldade respiratória, ou está sendo submetido a uma droga vasoativa, então é mais comum uma infecção hospitalar concorrer para o óbito”, acrescenta a enfermeira.
A infecção hospitalar está em um e está em todos os hospitais. Mas, como lembra a professora Gilselena Kerbauy Lopes, alguns estabelecimentos podem ficar rotulados como locais de incidência do problema pelo fato de se ocuparem em notificar os casos que lá ocorrem. “Aqui no HU, existe uma grande preocupação em identificar as infecções e seus agentes para direcionar o tratamento para o microrganismo específico. Consequentemente, mostramos um número maior de casos comparado a outros hospitais. Nos Estados Unidos existe uma grande rede de notificações, com muitos hospitais. No Brasil ainda estamos caminhando para implantação de uma rede eficiente de notificações que gere dados em infecção hospitalar”, diz ela.
Renata observa que, apesar do baixo índice de informação sobre infecção hospitalar no Brasil, principalmente em cidades do interior, onde muitos hospitais sequer têm uma comissão voltada para o tema, Londrina é “a exceção positiva”. “As CCIHs de Londrina estão entre as mais atuantes do estado. E temos, há sete anos, um comitê municipal com a presença de todos os hospitais, além da Vigilância Sanitária e da Vigilância Epidemiológica, que se reúne uma vez por mês, para trocar informações, receber orientações e, assim, prevenir surtos”.
No HU, a vigilância contra a infecção hospitalar começa na entrada do paciente. Verifica-se se ele esteve internado em algum serviço de saúde nos últimos seis meses. “Se esteve, é de risco”, adverte Renata – e quem o atende usa luvas, avental, e colhe material para o exame de laboratório. Dependendo do resultado, ou se dispensa o uso de luvas e avental ou o paciente é colocado em isolamento, para evitar o risco de transmissão de uma bactéria multirresistente, que a seguir será identificada para se decidir sobre o tratamento adequado para o caso. “Para os pacientes da UTI, nossa rotina é fazer o exame de laboratório uma vez por semana”, acrescenta a enfermeira.
A vigilância se dá, também, no âmbito dos procedimentos com os pacientes pelos profissionais do hospital. “Muitas vezes surgem dúvidas sobre como realizar certos procedimentos e eles nos procuram para pedir orientações”, diz Renata. “Isola ou não isola, como fazer a desinfecção, transmite ou não transmite, qual é a máscara... são muito variadas as situações, mas estamos à disposição para responder qualquer consulta, a qualquer hora”.
A visão dos estagiários
Francielle Ravagnani: “Ligo para saber se os pacientes que receberam alta tiveram algum sinal de infecção”
Francielle Maiolli Ravagnani está no segundo ano do curso de Enfermagem. Procurou fazer estágio na CCIH do HU porque “ouvia falar” em infecções, em KPCs (bactérias resistentes a antibióticos) e queria entender do que se tratava. Esses assuntos ainda não surgiram em suas aulas. “Gostei da seriedade do projeto, de saber que estou atuando numa atividade prática. A gente se cansa de só estudar, é bom ter alguma coisa para ‘fazer’”, diz ela. Quando concedeu esta entrevista, Francielle estava na busca fonada. “Ligo para saber se os pacientes que receberam alta tiveram algum sinal de infecção. A maioria não teve. Mas alguns relatam casos de febre, de inchaço no local dos pontos, de pus, de alguma sonda que acaba causando infecção. Então oriento para que procurem um médico, um posto de saúde, para começar um tratamento. Tem muitas gente que não vê importância nisso, mas com infecções não se brinca”.
Anderson Tadeo Takeda: “É uma experiência diferente do que vimos até agora no curso”
Anderson Tadeo Takeda estuda Medicina. No CCIH, ele é monitor de infecção de cateter e de sonda, isto é, faz o controle de quantos cateteres e sondas foram passados nos pacientes internados, quem teve infecção, quem não teve. Procurou o estágio para ter mais contato com o tema das infecções. “É uma experiência diferente do que vimos até agora no curso”, diz Anderson. Ele está no terceiro ano, e muito curioso em conhecer o mundo dos medicamentos, no qual entrará ainda este ano, segundo o previsto no currículo do seu curso.
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Rafahela Cardoso de Oliveira: “As mulheres vivem mais e, devido a isso, adoecem mais”
LIA MENDONÇA
As mulheres sofrem mais do que os homens de doenças não fatais, mas incapacitantes e crônicas, como artrite e hipertensão, entre outras. Com a inserção no mercado de trabalho, elas passaram a ter jornada dupla, pois também assumem o papel de “cuidadoras do lar”, o que acaba repercutindo na qualidade de vida na velhice. Por esses e outros motivos, elas fazem mais uso de medicamentos que os homens quando comparado a estudos nacionais e internacionais. Essas e outras conclusões são da farmacêutica Rafahela Cardoso de Oliveira em sua pesquisa de mestrado apresentada ao programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da UEL.
Graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especialista em Saúde da Família pela mesma Instituição, ela concluiu seu mestrado ao investigar o uso de medicamentos em mulheres com 40 anos ou mais, pesquisando 714 cambeenses. Entretanto, Rafahela Cardoso assegura que a prevalência pode variar de região para região.
Entre as mulheres do município de Cambé, que participaram de estudo, ela observou que as doenças femininas que predominaram foram: artrite/artrose/reumatismo, colesterol elevado, depressão, diabetes, hipertensão e problemas de coluna. E os medicamentos mais utilizados entre as entrevistadas foram os dos sistemas cardiovascular, nervoso e do trato alimentar e metabolismo.
Ela revela em sua dissertação que diversos estudos apontam dados demonstrando que as mulheres utilizam mais remédios do que os homens, além de os usarem de forma expressiva. Segundo Rafahela Cardoso, a partir dos 35 e 40 anos de idade, é natural que as mulheres comecem a sentir mudanças em seu corpo devido à diminuição da produção de hormônios (estradiol e progesterona). “Essas mudanças não somente repercutem em sintomas conhecidos da menopausa, como também aumentam o risco para o desenvolvimento de osteoporose, doença coronariana e demência”, explica.
Com orientação da professora Mônica Bastos Paolielo, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (CCS), Rafahela Oliveira assegura que “partir das constatações de sua pesquisa é possível repensar as práticas de educação em saúde com relação ao uso de medicamentos e as políticas públicas que têm como objetivo aumentar a qualidade de vida da população no seu processo natural de envelhecimento”.
A pesquisadora reconhece que o fato das mulheres consumirem remédios em grande quantidade pode ser atribuído também à ampla divulgação dos produtos da indústria farmacêutica. Além disso, para muitas os medicamentos simbolizam o desejo e a capacidade de modificar o curso natural da maioria das doenças, por isso, vão além da atividade terapêutica específica, convertendo-se em um traço cultural”, observa Rafahela Cardoso.
A pesquisa também aponta que de acordo com o Ministério da Saúde o Brasil ocupa a 9ª posição entre os países com maior mercado consumidor de medicamentos. “É um segmento que movimenta R$ 28 bilhões por ano”, pontua Rafahela, que hoje atua em Florianópolis como suporte técnico-pedagógico do curso de Gestão da Assistência Farmacêutica – especialização a distância pela UFSC e Ministério da Saúde.
VIGICARDIO – A pesquisa faz parte do Projeto VIGICARDIO, do CCS/UEL, que estuda as doenças cardiovasculares no Paraná: mortalidade, perfil de risco, terapia medicamentosa e complicações – dos docentes e estudantes do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva. Ela ressalta em seu estudo que a Política de Saúde da Mulher, desenvolvida no País, demonstrou sua importância ao compreender que os problemas femininos de saúde podem ser agravados, principalmente, pela discriminação nas relações de trabalho e a sobrecarga com as responsabilidades das atividades domésticas. “Vale destacar que as mulheres vivem mais e, devido a isso, adoecem mais. O universo delas é muito mais vulnerável que o universo masculino: elas ficam mais doentes por questões relacionadas aos fatores externos do que aos biológicos”, afirma.
Para a orientadora da pesquisa, professora Mônica Bastos Paolielo, em um país de dimensões continentais e grandes diferenças regionais como o Brasil, é possível considerar que os padrões de uso de medicamentos diferem entre regiões e se modificam no decorrer do tempo em função das mudanças do perfil saúde/doença e das políticas de saúde implementadas. “Por esse motivo, o trabalho desenvolvido por Rafahela Cardoso é de fundamental importância para avaliação dessas mudanças e esse tipo de inquérito epidemiológico será sempre necessário para o país”, considera Mônica Bastos.
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Colação de Grau
Os formandos do 1º semestre de 2012, da UEL, colam grau em solenidade conjunta a ser realizada no próximo sábado, dia 11. A cerimônia será no Ginásio João Santana, do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE), no Campus Universitário, a partir das 19 horas. Será presidida pela reitora Nádina Moreno. O professor Mário Nei Pacagnan, do Departamento de Administração (CESA), será o paraninfo geral dos formandos. O orador será o concluinte Pedro Henrique de Matos Checcherini; e o representante dos formandos que prestará o juramento será Matheus Negreiros de Souza.
Congresso de Psicologia
O Colegiado do curso de Psicologia, da UEL, e os departamentos de Psicologia Geral e Análise do Comportamento, Psicologia e Psicanálise e Psicologia Social (CCB) promovem o III Congresso de Psicologia da UEL: a inserção da psicologia na saúde: alcance, limites e impasses, que será realizado de 27 a 31 de agosto. O congresso terá atividades nos períodos da manhã e da tarde, incluindo minicursos, conferências, simpósios, mesas-redondas e apresentações de trabalhos nas modalidades oral e painel. A abertura do evento será no dia 27, às 14 horas, Cine Com-Tour/UEL, com palestra sobre “Políticas públicas em saúde mental”, com o professor Silvio Yasui, da Unesp. As demais atividades vão ocorrer no Centro de Ciências Biológicas (CCB). As inscrições podem ser feitas até dia 20 de agosto. Mais informações sobre o congresso podem ser obtidas no endereço: www.uel.br/eventos/congressopsicologia/pages/inscricoes.php.
Linguística Textual
O Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH), juntamente com o Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Social (Itedes), promovem o curso Linguística Textual e Argumentação, que será ministrado pela professora doutora Esther Gomes de Oliveira, doutora em Linguística Geral e Semiótica. As inscrições começam dia 1º de agosto e podem ser feita até 15 de setembro, na Secretaria Geral do CCH. O objetivo do curso é estudar os fatores de textualidade em diversos gêneros textuais. No programa estão: A Argumentação e a Linguística Textual: breve histórico; os oito fatores de textualidade: coesão, coerência, informatividade, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, intertextualidade e contextualização; e aplicação dos fatores de textualidade no ensino. Podem se inscrever alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Letras e afins; professores do Ensino Básico e Fundamental, entre outros. O curso será ministrado aos sábados, nos dias 15, 22 e 29 de setembro e dia 6 de outubro, sempre das 8 às 12 horas. O custo é de R$ 75,00 e a carga horária é de 24 horas, sendo 16 horas presenciais e 8 horas de leitura dirigida. Mais informações pelo telefone (43) 3371-4085.
Seminário de Arte
O VI Seminário de Arte e Ensino de Londrina será realizado de 30 de agosto a 1º de setembro, numa promoção do Departamento de Arte Visual, do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). O objetivo é abordar as micropolíticas de ensino de arte, promover discussões por meio das falas e experiências de pesquisadores locais e convidados, além de constituir, divulgar e distribuir uma publicação, em formato de livro, que registre todas as instâncias do evento. Trata-se de um projeto educativo para um espaço de formação e vivências contribuindo para a formação dos participantes do seminário. A coordenação é da professora Roberta Puccetti. Os interessados em participar podem fazer suas inscrições pelo endereço www.uel.br/eventos/arteuel. As atividades serão realizadas no Anfiteatro Maior e em salas de aula do CCH, no Campus da UEL. Mais informações pelo telefone (43) 3371-4498.
Qualidade para Idosos
Estão abertas as inscrições para o II Simpósio Integral e de Qualidade a Idosos, que será realizado no Anfiteatro do Hospital Universitário da UEL/CCS, nos dias 14 e 15 de setembro, direcionado a profissionais e acadêmicos de todas as áreas. A iniciativa é do Grupo de Estudos em Envelhecimento (Gesen). As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 30, no endereço: www.uel.br/projetos/gesen. A programação prevê conferências e debates sobre temas como saúde do idoso e da família, diagnóstico de doenças, tratamento multidisciplinar, demência e assistência domiciliar.
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Antonio Trindade: “Com um carrinho eu ia buscar os filmes na antiga estação ferroviária de Londrina”
LIA MENDONÇA
Dia 24 de dezembro de 1952. Londrina que era considerada a capital mundial do café, ganhava um luxuoso cinema chamado “Ouro Verde”, uma referência ao fruto das plantações de café. Cinco meses depois da inauguração do cinema, um adolescente recém-chegado de Portugal com a família, conquistava o primeiro emprego em Londrina: Antonio Trindade Pereira, 16 anos, foi contratado como Indicador ou “lanterninha”, do Cine Ouro Verde. Apesar de trabalhar nas quatro sessões cinematográficas diárias, das 14 às 16 horas, das 16 às 18 horas, das 18 às 20 e das 20 às 22 horas, ele ainda encontrou tempo para completar seus estudos no Colégio Estadual Vicente Rijo, que funcionava na rua São Salvador, onde hoje funciona o Colégio Marcelino Champagnat.
Ele começou ganhando Cr$ 1.500 cruzeiros por mês, mas um ano depois foi promovido a porteiro. Teve então seu salário elevado para Cr$ 2 mil cruzeiros, para alegria da família, em que todos trabalhavam fora, inclusive a mãe. O pai, Manuel Pereira, chegou a ser zelador do Ouro Verde.
Sempre a postos na escadaria do cinema, assim que as pessoas chegavam ao local, já com as luzes apagadas, lá ia o “lanterninha” Antonio Trindade Pereira conduzi-las até suas respectivas poltronas. “Quando o movimento era pouco dava até para ele arriscar a assistir ao filme que estava sendo exibido”, lembra Antonio Trindade, que hoje é empresário em Londrina.
Antonio Trindade (segundo à direita) com seus colegas de trabalho em frente ao Cine Ouro Verde que na época exibia o filme “Almas Selvagens”
Ele confessa que “era pau pra toda obra”. Cansou de ir até a então Estação Ferroviária de Londrina, na rua Benjamim Constant 900 – hoje sede do Museu Histórico da UEL – empurrando um carrinho de transporte ladeira abaixo para buscar os filmes que seriam exibidos no cinema. “As fitas vinham de Botucatu (SP), que chegou a concentrar distribuidoras norte-americanas como a Warner, United e Paramount”, conta Antonio.
Como as estradas de terra eram precárias, essa cidade do interior paulista contava com a estrada de ferro Sorocabana, que servia São Paulo e norte do Paraná e ainda tinha ligação com Bauru, que reunia duas estradas de ferro.”Por isso, a distribuidora de filmes de Botucatu atendia tanto São Paulo, como norte do Paraná e Mato Grosso”, explica.
Antonio Trindade Pereira lembra com saudade as exibições que marcaram época no Ouro Verde como os filme “E o Vento Levou”, “Sansão & Dalila”, “Os Três Mosqueteiros”, além dos filmes mexicanos de Cantinflas, e os nacionais, de Mazzaropi. Ele destaca o frisson que causavam as produções cinematográficas com Tony Curtis, Erol Flyn e Elizabeth Taylor, no elenco, entre outros atores da época que atraiam espectadores de toda a região.
Depois de três anos e três meses como lanterninha e mais tarde como porteiro, Antonio Trindade Pereira deixou o cinema para trabalhar como balconista em uma empresa de secos e molhados. Trocou de atividade profissional, mas orgulha-se de ter passado por lá. Tanto que exibe com satisfação sua carteira de trabalho com o primeiro registro profissional. O tempo passou, mas Antonio Trindade Pereira chorou ao ver o Ouro Verde ser atingido pelo incêndio ocorrido no dia 12 de fevereiro deste ano. “Ainda não tive coragem de passar por lá depois de tudo o que aconteceu”, conta. Hoje, aos 76 anos, é sócio/diretor de uma Rede de Supermercados de Londrina. Casado com a professora Vera Lúcia, é pai de Paulo Fernando, Julio César, Luis Antonio, Maria Fernanda e Ana Lúcia e avô de nove netos.
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PRATELEIRA
• BRUXINHA XENILDA E O CALDEIRÃO GRAMATICAL
Autora: Cleide Vitor Mussini Batista
Ilustrações: Claudia Brito
EDUEL
40 páginas;
Preço: 30,00
Bruxinha Xenilda Rosa Espinhenta das Cruzes Tortas é uma bruxinha da sétima geração de bruxas da pequena e horripilante cidade de Passa Quatro de Trás dos Montes. Bruxinha Xenilda, ao contrário das bruxas de sua família, queria ser professora de gramática, e para tal escreveu um livro intitulado “Caldeirão Gramatical”, para que as crianças pudessem aprender gramática de uma forma mais divertida.
• TRÂNSITOS DA VOZ - ESTUDOS DE ORALIDADE E LITERATURA
Organizadores: Frederico Fernandes;
Eudes Fernando Leite
EDUEL
308 páginas;
Preço: 30,00
Este livro traz capítulos assinados por pesquisadores das humanidades e da literatura que estão dispostos a pensar como culturas encontram-se em trânsito e como os textos, por não serem estáticos, são importantes ferramentas de transformação da identidade de pessoas e grupos sociais. Se há uma pergunta pertinente sobre a inovação esta é: como estamos efetivamente inovando o modo de fazer ciências humanas ou crítica literária? Os vários textos aqui contidos trazem boas pistas para esta resposta.
• COSTUMBRISMO, HISPANISMO E CARÁTER NACIONAL EM LAS MUJERES ESPAÑOLAS, PORTUGUESAS Y AMERICANAS: TEXTOS E POLÍTICA NOS ANOS 1870
Edméia Ribeiro
EDUEL
291 páginas;
Preço: 60,00
O leitor deste livro poderá constatar como se constituem uma representação simbólica do Nacional e uma identidade espanhola com relação ao seu território e suas ex-colônias. Esta representação se faz por um discurso político cultural materializado em forma de textos e imagens espanholas e da América Latina e também as mulheres de províncias portuguesas, como o Brasil.
• PESQUISAS EM EDUCAÇÃO INQUIETAÇÕES E DESAFIOS
Elsa Maria Mendes Pessoa Pulin; Neusi Aparecida Navas Berbel (organizadoras)
EDUEL
564 páginas;
Preço: 45,00
O presente livro reúne artigos que abordam as pesquisas na área de Educação, as quais permitem um panorama bastante significativo do setor educacional ao buscar compreender os limites e possibilidades tanto na relação ensino e aprendizagem, quanto na perspectiva de produção de novas alternativas para o pensamento educacional brasileiro.
• AS MALASARTES DE LÚCIFER
Salma Ferraz (organizadora)
284 páginas;
Preço: 30,00
Este livro traz algumas reflexões em torno do brilho luciferino da Estrela da Manhã na Teologia, na Literatura, no Sertão, na Música e na Pintura.
Estes e outros títulos podem ser adquiridos na Livraria EDUEL.
Mais informações, pelo telefone 3371-4691. Ou pelo e-mail – livraria-uel@uel.br
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Publicação semanal da Universidade Estadual de Londrina
Reitora: Profª Drª Nádina Aparecida Moreno
Vice-Reitora: Profª Drª Berenice Quinzani Jordão
Editado pela Coordenadoria de Comunicação Social - COM
Coordenadora da COM: Ligia Barroso
Editor: Celso Mattos
Fotógrafos: Gilberto Abelha e Daniel Procópio
Jornalista Diagramador: Moacir Ferri - (MTb-3277 PR)
Jornalista Diagramador e Editor eletrônico: Nadir Chaiben (MTb 3521-PR)
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