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JORNAL NOTÍCIA 1.299 (12/12/2012 - Quarta-feira) (com foto)              

UEL ganha novo prédio com 1.305 metros quadrados

Notas e Resoluções

COU vai adotar prontuário eletrônico

Estudo busca biomarcadores de qualidade da água

Seminário promove internacionalização da educação superior

Programa quer tornar PR referência no esporte até 2016

Projeto une estudantes de Medicina e Artes Cênicas

Geografia, imaginário, sabor: tudo se liga

“Informação & Informação” é B2 e publica edição temática

Seti e Tecpar aproximam instituições de pesquisa do PR e da Alemanha

Projeto de Anatomia recebeu 10 mil visitantes

Jogos Paradesportivos movimentaram o Campus

EXPEDIENTE

UEL ganha novo prédio com 1.305 metros quadrados


Vice-governador Flávio Arns em visita ao anfiteatro do prédio, com a reitora e demais autoridades

MIRIAN PERES DA CRUZ

Foi inaugurado no último dia 4, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o prédio que vai abrigar o Centro de Integração do Ensino Superior (INTEGRAR), do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), localizado no Campus Universitário. O programa oferece aos professores da rede pública estadual subsídios teórico-metodológicos para uma formação continuada com foco no desenvolvimento de ações educacionais. A solenidade de inauguração contou com presença do vice-governador do Estado e Secretário da Educação, Flávio Arns.

O prédio de 1.305 metros quadrados de construção custou R$ 1,6 milhão, financiado com recursos da Secretaria de Estado da Educação (SEED). A construção tem dois pavimentos, e conta com um anfiteatro de 200 lugares, quatro salas de aula equipadas com sistema de som e recursos áudio-visuais, dois laboratórios de informática com 30 computadores cada, além de uma sala de reunião e duas salas de orientação. 

Flávio Arns ressaltou que o Estado destina por ano cerca de R$ 120 milhões para o programa, buscando a formação continuada dos profissionais da educação. “Só este ano 400 professores foram liberados da sala de aula para fazer mestrado e doutorado”, informou. A reitora da UEL, Nádina Moreno, lembrou a importância da parceria com o estado no desenvolvimento de projetos para melhorias na educação básica. “A Universidade está à disposição do Estado, já que é referência nacional na área de Educação”, afirmou.  

Já o professor Vladimir Moreira, coordenador geral do PDE na UEL, os números fazem do Paraná uma referência no país. Atualmente são 2 mil professores da rede estadual de ensino buscando atualização.

“O PDE é um programa de formação permanente a partir de uma formação pedagógica bem elaborada”, afirmou. Ele também destacou o apoio da SEED, SETI e Governo Federal para fortalecimento do programa no Paraná. Os cursos são distribuídos em várias áreas, como Artes, Biologia, Ciências, Educação Especial, Educação Física, Filosofia, Geografia, Pedagogia, História, Letras Estrangeiras Modernas, Língua Portuguesa, Matemática, Química, Sociologia e Gestão Escolar.

Os professores, inclusive, integram o Grupo de Trabalho em Rede (GTR), que incentiva a troca de informações e projetos entre os profissionais da educação.O programa ainda possibilita ao professor participar de seminários e receber orientação sobre o Plano de Trabalho. Já na escola, o professor do PDE desenvolverá um projeto, que depois será transformado em artigo científico para disseminação.

Na UEL, o PDE é um programa acadêmico ligado a Pró-reitora de Extensão (PROEX). O programa representa uma política pública do Governo Federal e do Estado que proporciona o diálogo entre os professores do ensino superior e os da educação básica, através de atividades teórico-práticas orientadas. Portanto, o foco é a produção de conhecimento e mudanças qualitativas na prática escolar da escola pública paranaense.

O prédio já abriga cursos do Plano Nacional de Formação de Professores (PARFOR) e Núcleo de Educação à Distância (NEAD).
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Notas e Resoluções

Novos representantes
Por meio da Portaria 8334, de 27 deste mês, a reitora Nádina Moreno designou para compor o Conselho Universitário (CU), os novos representantes docentes de cada Centro de Estudos, não vinculados a qualquer instância administrativa. Os novos membros foram eleitos em eleição realizada no dia 8 de novembro. O mandato dos docentes abaixo será de dois anos contados a partir de 11/12/2012. Os novos representantes docentes são: (CCH) Fabiane Cristina Altino (titular) e Alfredo dos Santos Oliva (suplente), (CCB) Alcídes José Sanches Vergara (titular) e Álvaro Lorencini Junior (suplente); (CCE) Henrique de Santana (titular) e André Luiz Martinez de Oliveira (suplente); (CESA) Sinival Osório Pitaguari (titular) e Renato de Lima Barbosa (suplente); (CCS) Evelin Massae Ogatta Muraguchi (titular) e Maria Luiza Hiromi Iwakura Kasai (suplente); (CECA) Marta Silene Ferreira Barros (titular) e Ivone Guerreiro di Chiara (suplente); (CCA) Patrícia Mendes Pereira (titular) e Mirian Siliane Batista de Souza (suplente); (CTU) Nilson Magagnin Filho (titular) e Aron Lopes Petrucci (suplente) e (CEFE) Débora Beatriz Martins (titular) e Antonio Geraldo Gomes Pires (suplente).

Horário do SAUEL
O Sistema de Arquivos da Universidade Estadual de Londrina (SAUEL) informa o horário de atendimento do SAUEL/Protocolo durante o recesso de final de ano na Universidade: nos dias 26, 27 e 28 de dezembro, das 8h30 às 12 horas e das 14 às 17 horas e nos dias 2, 3 e 4 de janeiro de 2013 das 8h30 às 12 horas e das 14 às 17 horas.

NOTÍCIA
Devido ao período de férias acadêmicas, o jornal Notícia deixa de circular e retorna em fevereiro com o início do semestre letivo 2013.
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COU vai adotar prontuário eletrônico


Elisa Emi Tanaka: responsável pela implantação do sistema

MIRIAN PERES DA CRUZ

A Clínica Universitária Odontológica (COU) implanta o prontuário eletrônico, com o objetivo de agilizar e melhorar o atendimento odontológico. O sistema se posiciona como um instrumento de referência importante para a saúde do paciente, que inclusive vai facilitar o trabalho do cirurgião dentista que atua em Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade. Ao todo Londrina conta com 52 unidades de saúde, sendo que boa parte oferece o atendimento odontológico à população.

Outro foco também é a integração com o Sistema Único de Saúde (SUS). O prontuário traz a ficha clínica completa do paciente, com dados pessoais, histórico médico, inclusive todo atendimento odontológico pelo qual a pessoa passou. “A ideia é que o sistema seja comum tanto para o Sistema Único de Saúde como para os profissionais da COU”, salienta a professora do Departamento Medicina Oral e Odontologia Infantil, Elisa Emi Tanaka Carloto, e responsável pela implantação do sistema.

O programa que originou o prontuário eletrônico foi desenvolvido no projeto “Fábrica do software”, do Departamento de Computação, sob responsabilidade dos professores Rodolfo Barros e Mário Proença. A implantação do sistema conta com o apoio financeiro do Pró-Saúde I, do Ministério da Saúde, além da Organização PanAmericana de Saúde (OPAS).

Só a COU armazena 82.291 prontuários convencionais e o Pronto Socorro Odontológico (PSO) outros 39.331. Portanto, conforme salienta o professor José Roberto Pinto, diretor da COU, a falta de espaço físico para armazenar os prontuários também é outro motivo que levou adoção do prontuário eletrônico. Segundo ele, a expectativa é que o sistema seja implantado no segundo semestre de 2013. “O projeto piloto começa a funcionar no início do ano letivo”, diz. 

Curso de Odontologia arrecada Instrumental Odontológico
Instrumental odontológico custa em média R$ 15 mil

O colegiado do curso de Odontologia da UEL começou a arrecadar Instrumentais Odontológicos para o Banco de Empréstimo de Instrumental Odontológico. Os instrumentais de uso profissional serão emprestados para alunos sem condições financeiras de adquirir o material. A campanha é direcionada a ex-alunos do curso de Odontologia e cirurgiões-dentistas de Londrina e região.

A ideia também é diminuir a desistência, pois o fato é que cada aluno gasta entre R$ 12 a R$ 15 mil na aquisição de todo o instrumental odontológico, que é indispensável para as atividades práticas durante os cinco anos do curso. É o que explica a professora do Departamento Medicina Oral e Odontologia Infantil, Elisa Emi Tanaka Carloto, coordenadora do Colegiado do curso de Odontologia. “Serão recebidos materiais em boas condições de uso, inclusive caixas metálicas para acondicionamento de instrumental e limas endodônticas”, afirma.

Ela ressalta que o Banco de Empréstimo de Instrumental ficará sob a gestão da Clínica Odontológica (COU) e do Colegiado do curso, pois todo o material será catalogado e patrimoniado pela UEL. “O próprio aluno será responsável pelo instrumental, já que vai assinar um termo de empréstimo se responsabilizando pelo cuidado e manutenção do mesmo”, afirma Elisa. O Serviço de Bem Estar à Comunidade (SEBEC) ficará responsável pela triagem dos alunos que poderão emprestar o material durante todo o curso.

A ideia do banco de instrumental odontológico surgiu em função da iniciativa do ex-aluno, Alexandre Cirino Paro da Silva, que doou o próprio material odontológico para o Centro Acadêmico de Odontologia, junto com uma carta que chamou a atenção dos professores. Ao completar 50 anos, o curso de Odontologia da UEL já formou 2.006 cirurgiões-dentistas que atuam em todo o país.

As doações de instrumental odontológico podem ser entregues no Colegiado do curso de Odontologia, na Clínica Odontológica (COU), localizada na Rua Pernambuco, 540 – Centro. Ou no Conselho Regional de Odontologia (CRO), avenida Tiradentes, 501, sala 602, das 8 às 12, das 13 às 16h45. Mais informações pelo telefone 3371-6749 ou no e-mail: odontologia@uel.br.
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Estudo busca biomarcadores de qualidade da água


Cláudia Bueno dos Reis: “Ganhamos uma visibilidade que não seria possível de outra forma”

CHICO AMARO

O leigo pode achar que, para determinar a qualidade da água de um rio ou de um lago, basta fazer a análise química dos elementos que se encontram numa amostra daquela água. De fato, até recentemente, esse era considerado um indicador satisfatório da presença de pesticidas, metais ou hidrocarbonetos (compostos associados a petróleo e derivados de petróleo).

Atualmente, porém, a análise química da água já não consegue responder, sozinha, ao desafio representado pela necessidade de conservação dos recursos hídricos, num cenário marcado pelo significativo avanço do desenvolvimento urbano, agrícola e industrial no mundo todo. “Existem compostos na água que nós sequer conhecemos e outros em concentrações tão baixas que não se consegue medir. Estamos tentando identificá-los a partir dos efeitos que produzem na vida animal presente em corpos hídricos”, diz a professora Cláudia Bueno dos Reis Martinez, coordenadora do LEFA – Laboratório de Ecofisiologia Animal –, do Centro de Ciências Biológicas da UEL.

A professora refere-se a um projeto de pesquisa de amplitude nacional que tem a participação do LEFA, no qual se estuda não apenas água doce, mas também água do mar. O laboratório integra do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Toxicologia Aquática – INCT-TA, um dos mais de 100 institutos criados dentro de uma abrangente proposta de incentivo à pesquisa científica lançada há alguns anos pelo CNPq, nos mais diversos campos acadêmicos.

Além do grupo da UEL, fazem parte do INCT-TA cientistas das Universidades Federais do Paraná, de São Carlos, de Pernambuco, de Santa Catarina e de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. É desta última o coordenador geral do Instituto, Adalto Bianchini. 

O tema do trabalho de todos os grupos é “o uso de ferramentas químicas, biológicas e de modelagem ecotoxicológica, visando o desenvolvimento e aplicação de biomarcadores de contaminação de recursos hídricos”, segundo texto institucional. A palavra biomarcadores refere-se a alterações biológicas ocorridas num peixe ou em outro organismo aquático, que traduzem a presença de contaminação na água onde aquele animal vivia.

A professora Cláudia explica que países como o Canadá, por exemplo, já têm biomarcadores definidos, isto é, existem lá formas validadas de definir a qualidade da água a partir das alterações biológicas encontradas em peixes. “Só que os peixes do Canadá são espécies de clima temperado, como a truta e o salmão, bem diferentes dos nossos. Estamos procurando biomarcadores para os peixes e outros organismos aquáticos encontrados no Brasil. A Resolução 357 do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente] já prevê o uso de biomarcadores para fazer o monitoramento da qualidade da nossa água”.

A pesquisa é feita através de experimentos realizados em cada uma das instituições envolvidas. “Feito o experimento, o grupo se reúne e cada um sai com um pedacinho daquele peixe para analisar na especialidade do seu laboratório”, informa a professora.

No LEFA, já foram feitos experimentos com agrotóxicos, hidrocarbonetos e com metal. Agora os resultados serão validados no campo, ou seja, nos lugares onde os peixes vivem, para se verificar se a reação é a mesma. “Escolhemos um hidrocarboneto para fazer os testes e depois examinamos o peixe em diversos aspectos: molecular, bioquímico, genético, fisiológico, morfológico. É uma análise ampla, da molécula a alterações no fígado, na brânquia etc”.

Foi escolhido um pesticida – o herbicida atrazina, o segundo mais usado do Paraná – e, como metal, o cobre. Os locais em cogitação para os testes de campo são uma área em Joinville (SC) onde existem problemas de contaminação por hidrocarbonetos, uma mina de cobre desativada em Camaquã (RS) e procura-se também um açude na região de Londrina que fique próximo a lavouras, onde se possa fazer o teste depois da aplicação de atrazina.

Assim como os demais programas INCT, o INCT-TA foi feito para durar cinco anos – na verdade, três, renováveis por mais dois. “O nosso começou em 2009 e já ganhou os dois finais, depois de uma avaliação do CNPq”, diz a professora Cláudia. O ano que vem será o último. Para fechar o trabalho, os grupos envolvidos pretendem fazer um congresso nacional de toxicologia aquática na Universidade de Rio Grande, em novembro de 2013, ocasião em que deverá ser lançado um livro didático sobre toxicologia aquática que será o primeiro sobre o tema em português, “um texto básico para quem trabalha com toxicologia aquática tanto na graduação como na pós-graduação”, na definição da professora. A produção desse livro é outro fruto do trabalho do instituto.

Por ora, não se conhecem intenções do CNPq a respeito da continuidade ou não do INCT-TA depois de 2013. Mas a professora gostaria que o trabalho não fosse interrompido: “Para o nosso laboratório, foi um ganho fantástico, em muitos aspectos – mobilidade dos alunos, dinheiro para equipamentos, manutenção desses equipamentos, que é cara, facilidades para comprar material de consumo. Ganhamos uma visibilidade que não seria possível de outra forma”.

Ênfase para a formação de recursos humanos

O projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Toxicologia Aquática – INCT-TA compreende quatro missões institucionais: pesquisa, formação de recursos humanos, transferência de conhecimentos à sociedade e transferência de conhecimentos para o governo, com vistas ao estabelecimento de políticas públicas voltadas à preservação do meio ambiente.

A professora Cláudia Bueno dos Reis Martinez, coordenadora do Laboratório de Ecofisiologia Animal da UEL, que participa do projeto, chama a atenção para o grande envolvimento de alunos nos trabalhos de pesquisa, tanto no LEFA quanto nos laboratórios das outras instituições envolvidas, em cumprimento à finalidade da formação de recursos humanos.

“Temos alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado e fazemos supervisão de pós-doutorado. Gente da pós-graduação em Ciências Fisiológicas e em Ciências Biológicas. No total, perto de 18 alunos de diferentes níveis trabalham e aprendem conosco”, diz a professora, acrescentando que o projeto conta com bolsas da Capes e do CNPq, inclusive para técnicos de nível superior.

Quanto à transferência de conhecimentos à sociedade, a professora diz que o grupo tem realizado algumas ações de educação ambiental na área de qualidade da água e ressalta que o livro a ser lançado no fim do ano que vem, sobre toxicologia aquática, também preenche esse quesito.

O programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia foi lançado em 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, com grande aporte de recursos – mais de R$ 600 milhões –, com o objetivo de desenvolver pesquisa e criar patentes para o Brasil. De início havia 101 institutos, número que já foi aumentado com o lançamento de outros editais. Muitas áreas do conhecimento foram contempladas, não apenas as tecnológicas. Há institutos que tratam, por exemplo, de Segurança Pública, Educação e Inclusão Social.
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Seminário promove internacionalização da educação superior


Reitora Nádina Moreno, cumprimentando o professor João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra

Realizado em Curitiba no final de novembro, o IV Seminário Internacional do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB) reuniu entre os dias 27 e 30 na Universidade Federal do Paraná (UFPR), pesquisadores de diversas áreas e universidades para oficinas e palestras sobre cooperação universitária e internacionalização da educação superior.

Nesta edição, em que participou também a reitora da UEL Nádina Moreno como representante da única IES do Paraná até então filiada ao Grupo Coimbra, o encontro ocorreu simultaneamente com a V Assembleia Geral do GCUB.

A cerimônia de abertura reuniu os reitores das 52 instituições que compõem o GCUB em uma procissão acadêmica. Os participantes assistiram a uma conferência com a diretora do Departamento de Desenvolvimento Humano, Educação e Cultura da Organização dos Estados Americanos (OEA), Marie Levens, que abordou o tema do Seminário: “A Universidade na Ordem Mundial Contemporânea”.

Para o presidente do GCUB, Carlos Alexandre Netto, a associação das instituições de Ensino Superior com grupos brasileiros e internacionais de pesquisa possibilita a construção de um mundo de consideração e paz. “São quatro anos de sucesso do Grupo Coimbra no Brasil, devido à dedicação e ao trabalho dos que compõem o grupo”, disse o presidente, completando que a missão principal é incrementar a internacionalização das universidades e o intercâmbio de conhecimento, com o apoio do MEC e da Capes.

No segundo dia de realização do Seminário Internacional e da Assembleia Geral do Grupo Coimbra, a reitora da UEL representou o presidente da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM), João Carlos Gomes, proferindo discurso sobre a importância em se fortalecer a colaboração acadêmica e científica entre as universidades, ampliar as possibilidades de mobilidade estudantil e em debater o papel das instituições de Ensino Superior brasileiras frente à internacionalização, para promover a maior integração com suas contrapartes estrangeiras através de programas que envolvam docentes, discentes e técnicos. Ou seja, temas que constituem a missão do GCUB, instituição de vanguarda criada como associação de dirigentes universitários em novembro de 2008.
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Programa quer tornar PR referência no esporte até 2016


Os professores Jacques Brencher e Rosângela Busto explicam as especificidades do projeto

PEDRO LIVORATTI

Professores e estudantes da UEL são parte ativa de um grande programa governamental que busca descobrir e incentivar novos talentos esportivos, por meio de concessão de bolsas, além de análises e acompanhamento de resultados. O projeto Talento Olímpico do Paraná (TOP 2016) pretende transformar o estado em referência em 36 modalidades esportivas, sendo 10 paralímpicas, que deverão ser disputadas nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Os esforços tiveram início no ano passado com a concessão das primeiras bolsas. Cabe à UEL analisar o potencial dos atletas e acompanhá-los visando o desenvolvimento e a evolução.

Contando com apoio de companhias mistas como Copel e Sanepar e apoio do Ministério do Esporte e da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), em menos de 24 meses o projeto coleciona números importantes. Ao todo são 1.000 atletas e técnicos envolvidos e investimentos da ordem de R$ 7,3 milhões somente neste ano. Para 2013 a expectativa é angariar novas parcerias e patrocínios aumentando o investimento para R$ 10 milhões. 

Na UEL, o TOP 2016 representa um projeto de extensão envolvendo professores, estudantes e agentes universitários das áreas de Educação Física, Esporte, Ciências da Computação, Engenharia e Direito.

Segundo a Diretora do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE) da UEL, Rosângela Marques Busto, o projeto inova por unir competências, atendendo necessidades de atletas e técnicos, propondo um cronograma de ações concretas para o desempenho das equipes, com vistas às próximas Olimpíadas. Ela explica que, paralelamente a este grande projeto, a UEL é responsável pela elaboração de um importante banco de dados a partir da coleta de informações completas sobre os atletas. O trabalho envolve ainda acadêmicos e professores da Unicentro, Unioeste e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

“Esta distribuição é importante para estar presente em todas as regiões do Estado”, explica a professora Rosângela. Segundo ela, o programa atende aos atletas divididos nas categorias formador, estudantil, nacional, internacional e treinador. A diretora explica que os atletas bolsistas recebem ajuda de custo mensais que variam de R$ 500 a R$ 1,5 mil, dependendo da categoria. As bolsas são concedidas pelo Governo do Paraná.

O papel das universidades é realizar e acompanhar as avaliações encaminhadas pelos técnicos e federações, além de aplicar e analisar os chamados testes morfofuncionais. Os exames periódicos consideram composição corporal (gordura, massa magra, densidade óssea); velocidade, resistência aeróbia, potência muscular e outras variáveis. O programa prevê ainda dois cursos de capacitação direcionados aos técnicos das equipes e treinamentos avançados que serão desenvolvidos com servidores lotados na Secretaria de Esporte do Estado. Paralelamente, pesquisadores buscam entender o chamado “DNA esportivo”, ou seja, se há relação entre recordistas com a genética (veja box ao lado).

O treinamento dos atletas bolsistas tem acompanhamento, com avaliação de relatórios periódicos. O objetivo é verificar a evolução das equipes visando a obtenção do melhor desempenho possível, índices e classificações, tornando o Paraná um estado mais competitivo em várias modalidades esportivas.

Para a diretora do CEFE, além de incentivar potenciais olímpicos e revelar novos talentos em 36 modalidades, o TOP 2016 produzirá uma base de dados rica, que poderá incentivar centenas de trabalhos científicos, a partir de comparações do que foi investido e os resultados obtidos. “À medida que tivermos as informações poderemos saber o que os atletas conseguiram em termos de evolução”, resume a diretora.

EXAMES - O professor do curso de Educação Física da UEL, Antonio Carlos Dourado assumiu no ano passado a diretoria técnica do Instituto Paranaense do Esporte, depois de trabalhar com avaliações de atletas junto à unidade UEL da Rede CENESP (Centro de Excelência Esportiva), que aplica tecnologias de ponta na área esportiva com os propósitos de promover o desenvolvimento de novos talentos.

Ele explica que o TOP 2016 constitui um programa importante porque considera a necessidade de atletas de modalidades ainda amadoras, ou seja, que não contam com grandes incentivos de patrocinadores e que dão visibilidade mais modesta quando comparadas com o futebol de campo, por exemplo.

“As bolsas representam uma ajuda de custo e a garantia de que o atleta permanecerá no esporte, recebendo recursos para adquirir material, custear parte das despesas, com foco na sua carreira”, define. Ele observa que, além das bolsas, existe o complemento das avaliações que acompanham o desempenho e fornecem orientações para os trabalhos técnicos.

“Não existe atleta com desempenho esportivo sem esse controle. É preciso acompanhamento profissional para confrontar informações essenciais, que se bem utilizadas podem resultar em êxito”, comenta o diretor.

A professora do curso de Educação Física da Unicentro, Larissa Bobroff Daros, é uma das responsáveis pela coleta de dados dos atletas. Ela desenvolve estudos no CEFE da UEL, visando coletar informações para o doutorado. A professora explica que todas as coletas são realizadas no CENESP, que conta com estrutura profissional para exames especializados em atletas de alto rendimento.

O jornal Notícia acompanhou a realização de uma bateria de testes realizada durante uma tarde inteira, em novembro passado, com atletas de Querência do Norte, município localizado no noroeste do Paraná. São atletas com idades entre 14 e 21 anos, das categorias Top Escolar e Top Nacional Paralímpico. Nesse dia os atletas foram submetidos a exames de medida corporal, para verificar a quantidade de massa magra e de gordura; também foram aplicados testes de potência em membro inferior (pernas), de velocidade e de resistência.

Segundo a professora Larissa, quando se trata de algumas modalidades esportivas que utilizam braços, como artes marciais ou canoagem, por exemplo, são incluídos testes de potência de membros superiores. O objetivo é avaliar a força física do atleta, que necessita de explosão, ou seja, capacidade para alcançar a melhor performance possível. Os testes são realizados a cada três ou quatro meses, visando tabular e comparar os resultados obtidos a cada coleta.

Coleta e consulta de informações

Quatro estudantes do curso de Ciências da Computação e um de Design Gráfico estão envolvidos no desenvolvimento de softwares que serão utilizados no programa TOP 2016 visando coletar e organizar informações gerenciais, técnicas, científicas e administrativas. O trabalho é feito de acordo com um cronograma estabelecido pela Secretaria de Esportes do Paraná, coordenado pelo professor Jacques Brencher, do Departamento de Ciências da Computação da UEL.

O professor explica que o trabalho envolve o desenvolvimento de toda a estrutura de software para recebimento e, posteriormente, arquivo de relatórios de todos os níveis. Segundo ele, a complexidade é o volume de relatórios e informações que precisam ser disponibilizadas com rapidez e de forma organizada.

“Trabalhamos com um público volumoso formado por mil bolsistas, fora as equipes técnicas, que precisam apresentar relatórios periódicos das atividades”, comenta o professor. Ele explica que a preocupação é automatizar todos esses dados, considerando a grande quantidade de informações, bem como a necessidade de consultas frequentes aos arquivos. “Nossa missão é tornar o acesso a esses dados o mais automático e rápido possível; para isso é preciso um mecanismo robusto”, explica ele.

O professor diz que todas estas informações armazenadas serão importantes também daqui a alguns anos, visando o acompanhamento da carreira dos atletas. Dessa forma, os arquivos constituirão um banco de dados sobre a prática esportiva de alto nível em mais de 30 modalidades diferentes, com tempos, recordes e a evolução das equipes em várias regiões do Paraná. “Precisamos criar uma estrutura que possibilite armazenar todas estas informações que podem ser importantes para futuros trabalhos científicos”, afirma ele.

Estudos buscam identificar “DNA esportivo”

Paralelamente aos estudos e esforços desenvolvidos no TOP 2016, professores da UEL buscam identificar se a genética colabora ou não na formação de talentos esportivos. Os estudos estão sendo feitos por pesquisadores do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE) e do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UEL. Pelo projeto, estão sendo analisadas amostras de DNA dos atletas visando identificar se há relação entre recordistas, grandes talentos com a genética.

O professor do Departamento de Biologia Geral do CCB, Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL, Mário Mantovani, explica que os estudos estão sendo realizados dentro do programa de pós-graduação em Genética e Biologia Molecular. O projeto conta com a participação da professora Daniele Sartori, também do CCB.

Segundo Mantovani, as características físicas e fisiológicas dos indivíduos são definidas pelos genes, e como eles interagem com o meio ambiente, alimentação, hábitos de vida e atividades físicas, por exemplo. O estudo busca produzir um Banco de DNA e a identificação de genes específicos que possam determinar o sucesso desses atletas. O estudo considera as modalidades esportivas correlacionando-as com o DNA do atleta e seu desempenho.

“Poderemos no futuro qualificar os atletas ainda jovens com maior capacidade para sucesso ou desempenho num determinado esporte”, afirma Mantovani. Segundo ele, a expectativa é que no próximo ano seja possível ter as primeiras identificações dos genes. Ainda de acordo com o professor, o desenvolvimento dos atletas ao longo do tempo vai poder mostrar claramente se existe a correlação entre o desempenho dos atletas com as características genéticas identificadas no projeto.

Estudos semelhantes estão sendo feitos na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) buscando igualmente desvendar o talento genético de atletas de alto nível. Ainda de acordo com o professor, a população brasileira apresenta uma característica peculiar que é a miscigenação. “Isso torna nossos estudos de grande relevância uma vez que nenhum outro país tem a nossa constituição genética”, afirma ele.
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Projeto une estudantes de Medicina e Artes Cênicas


Estudantes de Medicina e Artes Cênicas simulam um atendimento entre médico e pacientes

LIA MENDONÇA

O que tem a ver a Medicina com as Artes Cênicas? As professoras Evelin Massae Ogatta Muraguchi, do curso de Medicina, e Margarida Morini, de Artes Cênicas, garantem que tem tudo a ver. Tanto que recentemente elas montaram um projeto de pesquisa em ensino de graduação “A Integração entre o Corpo Anatômico e Corpo Cênico” envolvendo estudantes da UEL de Artes Cênicas com os de Medicina para simular situações de atendimento médico utilizando a encenação para lidar com a prática profissional médica.

Não basta apenas o médico sair da universidade com uma boa base científica, é preciso que ele domine também a comunicação com seus pacientes e, consequentemente, com os familiares deles, e possa passar confiança a todos. Essa segurança que o profissional da saúde pode transmitir influi e muito na recuperação da paciente.

Em contrapartida, os acadêmicos do curso de Artes Cênicas entram com a representação das situações vividas nos consultórios, clínicas e hospitais colaborando no ensino-aprendizagem dos futuros médicos e exercendo a comunicabilidade verbal e postural tão importantes na carreira cênica que seguirão.

Desde 2011, o Projeto de Integração entre o Corpo Anatômico e Corpo Cênico tem promovido, na UEL, encontros entre estudantes dos dois cursos para aulas práticas, ações conjuntas, oficinas e práticas de atendimento médico, quando o futuro médico tem que resolver questões clínicas em poucos minutos sob a avaliação de professores de Medicina e Artes Cênicas.


Evelin Ogatta: “O médico precisa saber se comunicar com o paciente”

No projeto, as professoras Evelin e Margarida resumem que “as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) enfatizam a  importância da comunicação como competência geral, valorizando o uso adequado da gestualidade corporal e vocal na construção da relação interpessoal.

A Integração do Corpo Cênico com o Corpo Anatômico tem como objetivo ampliar a aquisição do conhecimento do corpo como órgão anatômico e comunicador para os estudantes de Medicina e Artes Cênicas de modo integrado. As professoras Evelin Muragushi e Margarida Morini acreditam que nesta atividade os estudantes de Artes Cênicas também podem ampliar a aquisição de conhecimentos anatômicos e fisiológicos do corpo humano. A criação de um mecanismo de integração entre estes dois cursos pode corrigir estas necessidades, levando à melhoria dos processos de ensino-aprendizagem e na formação de melhores profissionais.

Essa integração proposta pelas professoras vem ao encontro às diretrizes curriculares do curso de Medicina que recomenda para a formação do médico, além dos conhecimentos científicos requeridos para o exercício da profissão, o domínio das habilidades: atenção à saúde; tomada de decisões; comunicação; liderança; administração e gerenciamento e educação permanente. “A comunicação adequada é imprescindível para com os colegas de trabalho, os pacientes e familiares e a comunidade”, dizem as professoras.

Já a proposta do curso de Artes Cênicas da UEL é formar bacharel com aptidões para desempenho em todas as áreas envolvidas pelas Artes Cênicas: centralmente em Interpretação e com linhas de investigação em dramaturgia, cenografia, iluminação, direção, história, teoria e crítica teatral. Na formação deste profissional, pressupõe-se privilegiar a investigação e a pesquisa na área de interpretação teatral e nas demais áreas de suporte do trabalho do ator, tendo em vista o acesso a novos mercados de trabalho.

Enquanto a professora Evelin Ogatta Muraguchi, mestre em Medicina Interna e ex-coordenadora do Colegiado do Curso de Medicina luta para a formação humanizada dos futuros médicos que a UEL colocará no mercado de trabalho, a professora Margarida Morini se une a ela com as expectativas dos futuros atores que precisam ajustar sua representação teatral. Morini é doutora em Multimeios pela Unicamp, onde também tornou-se mestre em Artes, obteve o título de especialista em Filosofia da Educação e graduou-se em Dança. Ela é professora do Departamento de Música e Teatro (CECA) e leva para o projeto sua experiência na área de Artes, com ênfase em Dança Vocal e educação do movimento somático e terapias complementares.


Margarida Morini: “É um projeto importante para alunos de Artes Cênicas”

Estudantes aprovam a experiência

Júlia Sciécola é estudante do 2º ano de Artes Cênicas da UEL e ressalta que essa interação entre os dois cursos é muito interessante para ambas às profissões. “Nosso curso interagindo com o curso de Medicina é muito gratificante”, afirma. A estudante Luana de Paula, também de Artes Cênicas que simulou uma adolescente grávida, ao lado da mãe e que busca no médico uma resposta segura para a situação, afirma que é preciso transmitir a ansiedade necessária.

Em contrapartida, o estudante de Medicina simulando estar em pleno exercício profissional necessita transmitir tranquilidade à paciente/atriz que espera encontrar nele a maior  naturalidade possível. Já Mayara Omori, estudante de Medicina, participa do projeto pela quarta vez. “A atividade leva a gente a ir se acostumando a lidar com situações das mais diversas no consultório e nos obrigando a decisões rápidas e precisas em poucos minutos”, diz.

Matheus Alfredo Plazza, estudante do 2º ano de Medicina, gostou da prova prática de atendimento médico com  a participação de pacientes-atores. “É um ensaio para a vida profissional”, resume.
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Geografia, imaginário, sabor: tudo se liga


A professora Lúcia Helena mostra como se corta o pequi

CHICO AMARO

Os 21 alunos que assistiam à Oficina de Sabores & Saberes, ministrada pela professora Lúcia Helena Batista Gratão, no Encontro de Ensino de Geografia realizado pelo Departamento de Geociências (CCE), em novembro, não imaginavam a surpresa que os esperava quando a professora, ao fim de duas horas nas quais ela apresentou os resultados ilustrados de sua pesquisa de título “Sabor do Cerrado: Pequi Goiano”, os convidou para deixar a sala, no segundo andar do Centro de Ciências Exatas, e “percorrer os caminhos do pequi” no tempo que restava do encontro.

Que caminhos seriam esses? O pequi é o fruto do pequizeiro, árvore nativa de Goiás. Na oficina, havia-se falado muito do significado cultural do pequi. Mas fazer “os caminhos do pequi” em Londrina? Na UEL? Um dos alunos, originário de Mato Grosso e conhecedor do pequi, foi o primeiro a desconfiar do que aconteceria a seguir, ao chamar a atenção para o aroma que vinha da pequena cozinha dos funcionários do CCE, ao pé das escadas: ali estava sendo preparada uma refeição completa com pequi para ser servida à turma, de forma que todos pudessem terminar a oficina tão “impregnados” quanto possível da experiência que o pequi representa para a cultura goiana, como disse a professora Lúcia Helena.

Uma sala do térreo havia sido preparada, para que aqueles alunos conhecessem “a experiência do pequi”, não só como percepção pelo paladar ou pelo aroma, mas principalmente enquanto imaginário – essa palavra tem estado no centro da sua pesquisa e do seu trabalho pedagógico, e era essa possibilidade que ela queria transmitir na oficina.

Para transmitir um pouco do imaginário ligado ao pequi, isto é, para mostrar a importância do pequi como dado cultural, havia música na sala – no aparelho de som, tocava uma canção goiana chamava “Cerrado”. Numa mesa, alguns frutos de pequi, inteiros e cortados, para serem examinados. São quase do tamanho de um abacate, e têm consistência semelhante. A parte comestível é uma polpa amarela grudada ao caroço, que pode ser consumida pura, cozida ou junto com arroz, frango, macarrão, peixe, carnes, leite e na forma de um apreciado licor. Extrai-se azeite do pequi. Também se fazem doces e sorvetes. Os alunos também puderam ver amostras de embalagens de produtos de pequi que podem ser encontrados facilmente nos mercados em Goiás, como pequi em conserva e licores.

O pequi tem outras peculiaridades, além do aroma marcante quando cozido. Existe um verbo próprio para definir o exercício de roer a polpa: cariocar. A origem da palavra está vinculada ao nome científico da árvore: caryocar brasiliense. Outra curiosidade: roer pequi exige um grande cuidado, porque o caroço é dotado de muitos espinhos; quem se distrair e cravar os dentes no caroço pode ter sérios ferimentos nas gengivas e no palato.

No centro da sala, em outra mesa, havia cumbucas com o original “prato do dia”: arroz com pequi, frango com pequi, tudo quentinho, feito na hora, e farofa de pequi. Para beber, suco de pequi. Para encerrar, licor de pequi...

Os “caminhos” que os alunos da professora Lúcia Helena conheceram na oficina de Geografia começaram a ser abertos, em Goiás, no Século XVIII, por tropeiros que descobriram os fins culinários do pequi. Até então, o fruto era usado somente na fabricação de sabão, de uso indicado por suas propriedades terapêuticas.

PESQUISA - O nome da oficina preparada pela professora Lúcia Helena é, na verdade, emprestado de um trabalho de pós-doutorado que ela realizou no ano passado. “Sabor do Cerrado: Pequi Goiano” foi o título de sua pesquisa dentro da perspectiva da Geografia Humanista Cultural, sob supervisão da professora Lívia de Oliveira, pioneira da chamada Percepção Geográfica no Brasil. Ambas integram o Grupo de Pesquisa Geografia Humanista Cultural, cadastrado no CNPq (geografiahumanista.wordpress.com/). A linha de pesquisa do grupo é “Imagem, Matéria e Imaginação”, inspirada pelo filósofo francês Gaston Bachelard.

É um âmbito não muito difundido – pelo menos, não para os leigos, que veem a Geografia apenas como o estudo das características físicas dos lugares. Mas a professora Lúcia Helena já olhava para a Geografia do modo proposto por Bachelard quando fez sua tese de doutorado que recebeu o título “A poética do Rio Araguaia, de cheias e vazantes, à luz da imaginação”. Isso num programa de pós-graduação voltado para a Geografia Física, na USP, 10 anos atrás.

Na pesquisa que fez agora, em torno do pequi, a professora, apoiada em Bachelard, justifica suas escolhas observando que a paisagem é fonte de sentidos e projeção do imaginário – e a cozinha é o prolongamento destas dimensões que se revelam no ato de fazer a comida e no ato de comer. “A cozinha é um laboratório alquímico por excelência”, diz ela.

Assim, para a professora, não foi de estranhar que uma das alunas de sua oficina tivesse comentado, depois de saborear os pratos de pequi: “Eu não conhecia, mas minha mãe é mineira e já tinha me falado do pequi. Eu me senti como se estivesse comendo um pedaço da terra dela”. Ao que Lúcia Helena respondeu: “Mas é um pedaço da terra dela! Que não está só na memória dela, mas também na memória da paisagem”.

Para além do exercício de descoberta (ou consolidação da suspeita da existência) de uma outra Geografia, a oficina da professora Lúcia Helena, acompanhada na maioria por alunos de graduação, trouxe para eles um aprendizado reforçado por comentários de professores do Ensino Básico que também estavam lá. Disse um deles, referindo-se ao valor da “experiência prática” pela qual haviam acabado de passar, degustando os pratos de pequi: “Na escola, não basta informar, é preciso fazer acontecer!”
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“Informação & Informação” é B2 e publica edição temática


As professoras Brígida Maria e Thaís Batista: editoras da revista

CHICO AMARO

A revista “Informação & Informação”, periódico científico eletrônico do mestrado em Ciência da Informação da UEL, elevado este ano ao conceito B2 no Sistema Qualis de Classificação de Periódicos, da Capes, está encerrando 2012 com a publicação de uma edição temática sobre “Gestão da Informação”.

Embora o mestrado acadêmico em Ciência da Informação seja recente, a revista é publicada há 16 anos, por iniciativa do Departamento de Ciência da Informação. Entre outros fatores, sua existência acabou por subsidiar a criação do mestrado.

A editora responsável da revista, professora Brígida Maria Nogueira Cervantes, que está desde abril na função, diz que a subida de B3 para B2 no Qualis, na área de Ciências Sociais Aplicadas, mostra que o esforço dos envolvidos na sua produção têm tido bom resultado. “Ficamos felizes, porque sabemos que não dá para chegar ao patamar mais alto de uma vez só. Vamos nos empenhar em ações para continuar subindo. É preciso, por exemplo, atender os requisitos para conseguir o cadastramento da revista em bases de dados como Scopus e Scielo”, informa.

A revista já publica artigos em outras línguas – uma das exigências para ser cadastrada nessas bases de dados – mas ainda não de maneira regular, segundo diz a editora adjunta, professora Thaís Batista Zaninelli. Seu corpo de pareceristas “ad hoc” também conta com doutores de nível internacional, outra das exigências.

A “Informação & Informação” é quadrimestral. Recebe em média 20 submissões por mês e cada fascículo é integrado por oito artigos – além de relatos de experiências, resenhas e resumos de teses e dissertações. Um dos três fascículos anuais é temático.

Segundo a professora Brígida, fazer periódico científico dá muito trabalho. “Impossível ficar na mão de um só”. Daí a importância da presença da editora adjunta, acrescida da confissão de que “o nosso sonho” é poder ter um publisher – “uma pessoa que se dedicasse só aos aspectos editorial e comercial da revista, deixando para o editor responsável apenas do aspecto intelectual”. Enquanto isso não se concretiza, o trabalho vai sendo feito com a colaboração de estagiários de Jornalismo, Ciência da Computação e Biblioteconomia. “Queremos melhorar a legibilidade da revista”, afirma a editora.

A interdisciplinaridade será a marca da edição sobre “Gestão da Inovação” que a “Informação & Informação” vai publicar neste final de ano. A coordenadora da edição foi a professora Thaís. “O tema da inovação envolve componentes das áreas de Ciência da Informação, Engenharia da Produção, Administração e, como suporte, Tecnologia da Informação. Todas estão contempladas neste número”, informa.

De resto, a interdisciplinaridade é uma característica da própria Ciência da Informação, que é um campo “ainda em consolidação”, como lembra a professora Brígida. “Conforme o campo da Informação que subsidia as áreas científicas e técnicas vai evoluindo, as interfaces vão aparecendo. Até algum tempo atrás, achávamos que quem tinha interface conosco eram a Linguagem e a Administração. Com as inovações tecnológicas, a Ciência da Computação se tornou uma parceira muito próxima, quase uma ‘irmã’ da Ciência da Informação. E, com ela, também o Design, a Comunicação Visual. Veremos o que está por vir”, completou.
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Seti e Tecpar aproximam instituições de pesquisa do PR e da Alemanha


O secretário Alípio Leal, da Seti: “A Alemanha é um dos maiores centros de excelência”

Possibilidades de pesquisas conjuntas entre Alemanha e Paraná, intercâmbio de pesquisadores, além de bolsas de estudo e fontes de financiamento para projetos foram os principais temas tratados em uma rodada de apresentações realizada no final de novembro (28) em Curitiba, entre reitores, pró-reitores de pesquisa e pós-graduação e assessores internacionais das universidades estaduais paranaenses, com o Centro Alemão de Ciência e Inovação – DWIH-SP.

A iniciativa para a realização do encontro com representantes de instituições alemãs de ensino e pesquisa e também de fomento foi da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que desde agosto passado mantém aproximação direta com a direção do centro constituído no Brasil em 2009 para estimular e intensificar as relações nas áreas da ciência, tecnologia, pesquisa e educação entre o Brasil e a Alemanha.

O DWIH representa 10 instituições da área de ensino e pesquisa e fomento, e mantém centros como o de São Paulo em Moscou, Nova Délhi, Nova York e Tóquio, cidades escolhidas pelo governo germânico pela localização em países de ideias e de inovação. Mas segundo Márcio Welchert, coordenador DWIH-SP, “serve de plataforma para todas as instituições dispostas a cooperar, independente de sua localização”.

“A Alemanha é um dos maiores centros de excelência em inovação do mundo e o Paraná caminha no mesmo sentido. Temos que estar nos desafiando continuamente no sentido de atrair cada vez mais investimentos, gerar novos empreendimentos inovadores e criar as condições ideais para a fixação das empresas em seus locais promovendo o desenvolvimento de forma equânime pelo estado”, disse o secretário da Seti, Alípio Leal, na abertura do encontro.

Júlio Felix, diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná, acrescentou que o Tecpar tem parcerias com instituições alemãs desde os anos 1940 e que algumas das atividades desenvolvidas pelo instituto hoje são frutos dessas parcerias.

A UEL foi representada no encontro pela reitora Nádina Moreno e pela diretora de Pesquisa da Proppg, professora Carmem Silvia Neves, e já tem estabelecidas três parcerias com universidades e institutos de pesquisas da Alemanha, que são desenvolvidas através de programas de pós-graduação nas áreas de Ciência de Alimentos e Química.

Na área de Ciência de Alimentos, a UEL mantém parceria com a Federal Research Institute of Nutrition and Food (Max Rubner Institute), com grupo multidisciplinar, coordenado pela professora Elisa Hirooka, envolvendo vários docentes da UEL no projeto de pesquisas em insumos e técnicas avançadas baseadas em química, imunobio-tecnologia e molecular, visando segurança e qualidade em alimento, água e meio ambiente. E na de Química, são outros dois projetos relacionados à pesquisa na formação na atmosfera do aerosol orgânico secundário em fragmentos de mata atlântica. Um deles em andamento, com o Max Plank Institut, na cidade de Mainz, e outro em preparação, com a Universidade de Mainz

Além destas parcerias já estabelecidas, a professora Carmem Silvia apresentou também ao Centro Alemão de Ciência e Inovação, outros oito programas de pós-graduação da UEL em que existe interesse em firmar parceria com instituições de pesquisa, fomento e de apoio acadêmico já conectadas ao consórcio alemão. São linhas de pesquisas e/ou projetos nas áreas de Agronomia, Ciências da Saúde, Ciências de Alimentos, Educação Física, Biologia Molecular, Letras, Microbilogia e Química.
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Projeto de Anatomia recebeu 10 mil visitantes


A professora Maria de Lourdes trata da anatomia da cabeça em curso para dentistas: todos os graus de ensino estão contemplados

CHICO AMARO

Um dos maiores projetos de extensão da UEL em volume de público atendido – o projeto Agente de Interação do Processo Ensino-Aprendizagem, mantido pelo Departamento de Anatomia – encerrou suas atividades deste ano com o registro de mais de 10 mil visitantes aos laboratórios e ao Museu de Anatomia.

O projeto, que é coordenado pela professora Vilma Schwald Babboni, destina-se, basicamente, ao público estudantil de todos os níveis, e coloca à disposição da comunidade externa todo o aparato existente no Departamento para facilitar o aprendizado relativo à Anatomia Humana.

A professora Maria de Lourdes Ferreira, a Nezinha, coordenadora de Extensão do Departamento e participante entusiasmada do projeto, observa que instituições de ensino de toda a região e até do sul de São Paulo contam, a cada ano, com a abertura que a UEL dá para complementar o ensino de Anatomia a seus alunos.

“Qualquer escola pode nos procurar para agendar visitas monitoradas aos laboratórios e ao Museu de Anatomia do nosso Departamento. O agendamento é aberto na segunda quinzena de fevereiro e, em poucos dias, o calendário do ano inteiro está preenchido, para nossa alegria”, diz a professora.

As visitas têm duração de quatro horas. O Departamento destina quatro meios períodos por semana a essa atividade. Os visitantes são recebidos com uma palestra introdutória, na qual são dadas explicações sobre o caráter pedagógico das atividades realizadas ali. “Não queremos que eles achem que vão assistir a um espetáculo”.

Outro professor engajado no projeto, Rodrigo Castellari Sela, lembra que as palestras são ajustadas ao nível de ensino de cada público – todos os níveis são contemplados, de forma a atender os interesses de todos os professores e de alunos de qualquer idade – das crianças a alunos de cursos profissiona-lizantes, de nível superior ou de pós-graduação.

Segundo a professora Nezinha, existem situações em que a existência do setor de Anatomia na UEL é essencial para a formação do aluno, como no caso do curso de graduação da UNESP de Assis no qual as aulas práticas de Anatomia são dadas aqui. Ou ainda de empresas como o IMPPAR, que promove cursos de pós-graduação em Odontologia nos quais as aulas de Anatomia são dadas por ela, dentro do âmbito das atividades do projeto de extensão.

O professor Sela lembra que, para os estudantes de graduação dos diversos cursos UEL das áreas de Saúde e Ciências Biológicas, o projeto também apresenta ganhos. “Eles participam das palestras e monitoram as visitas. Assim, têm contato direto com o público estudantil e isso representa um aprendizado que não está no currículo. É uma experiência que pode despertar uma vocação para a atividade docente”, completa o professor.  
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Jogos Paradesportivos movimentaram o Campus


Bocha paralímplico: atletas vencem as limitações físicas

Foram realizados na UEL de 4 a 9 deste mês, os Jogos Abertos Parades-portivos do Paraná, que reuniu cerca de 1,2 mil atletas, dirigentes e árbitros de 20 modalidades diferentes, provenientes de 30 cidades do Paraná. Os jogos aconteceram até domingo (9) no Centro de Educação Física e Esporte (CEFE), no Campus Universitário.

Entre as modalidades coletivas disputadas foram basquete, bocha, handebol, futsal, vôlei, goalball, futebol de 5. As modalidades individuais foram atletismo, esgrima em cadeira de rodas, golfe 7, halterofilismo, natação, parabadminton, paracanoagem, paraciclismo, tênis de mesa e xadrês.

De acordo com o coordenador dos Jogos, professor Décio Roberto Calegari, as Paralimpíadas do Rio de Janeiro, estão projetando nacionalmente equipes e atletas de vários estados. Essa prática esportiva é importante na recuperação física e emocional de pessoas. “O esporte adaptado é uma inspiração, em que podemos ver que nossos problemas são pequenos”, compara. Ele afirma ainda que o incentivo a esta prática representa também o respeito à diversidade.

Os Jogos Paradesportivos do Paraná foram disputados por atletas com deficiências auditivas, visuais, físicas e intelectuais. O anúncio da realização da competição, que foi organizada pela Secretaria Estadual do Esporte, foi feito em setembro passado, pelo governador Beto Richa, por ocasião da homenagem prestada pelo Governo do Estado aos atletas paranaenses que competiram na Olimpíada e nas Paralimpíadas de Londres. 

A realização desta primeira competição representa um suporte para que o Estado venha a revelar atletas para disputar a Paralimpíada de 2016, que será disputada no Rio de Janeiro, logo após as Olimpíadas de 2016.

Observação

Complementando a informação publicada no último Notícia (de 28/11/12), sobre os Jogos Paradesportivos do Paraná, a UEL sediou essa competição em reconhecimento à tradição desportiva da cidade. Na matéria o Coordenador Estadual de Paradesporto do Paraná, Décio Calegari, lembra que Londrina sediou a primeira edição dos Jogos Abertos do Paraná (JAPS), em 1956. O leitor do Notícia, professor aposentado da UEL, Ruy de Jesus Marçal Carneiro, observa que a iniciativa dos jogos coube na verdade à uma comissão de atletas, dirigentes esportivos e entusiastas, que incentivavam o esporte na cidade. Trabalharam para que os jogos se tornassem uma realidade o empresário Mario Fuganti, então presidente da Liga de Esportes Atléticos de Londrina (LEAL) e Gogliardo Maragno (dirigente de futebol); também participaram da iniciativa Flávio Danton Ribeiro Júnior, o professor Reynaldo Ramon (que foi o primeiro coordenador dos JAPS) e Oscar Dias Pimpão (atleta de basquete).
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