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04/02/2020  

Programa de iniciação científica reúne medalhistas da OBMEP

Reinaldo C. Zanardi

 

Ana Lucia da Silva: "O material utilizado no programa de Iniciação Científica da OBMEP é referência no Brasil"

João Marcos Bernardelli Peron tem apenas 13 anos e é bolsista da Universidade Estadual de Londrina. Ele integra o projeto de extensão "Criando Oportunidades - Disseminando Talentos", iniciativa da professora Ana Lucia da Silva, do Departamento de Matemática. O menino integra o Programa de Iniciação Científica (PIC) Júnior da UEL, por ter sido medalhista na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), em 2018.

A pedagoga Jessica Bernardelli Bagajine, mãe de João Marcos, diz que fica lisonjeada com a participação do filho nas atividades. "Esse tipo de proposta é enriquecedora. Trabalhar o aluno com essa habilidade em um projeto científico desenvolve tanto o intelecto quanto a disciplina". Ela conta que, desde criança, o menino tem facilidade para números e contas.

João Marcos diz que gosta muito de Matemática, de aprender coisas novas e do programa de iniciação científica. "A gente não apenas estuda. A gente também se diverte. Podemos ir ao quadro resolver os exercícios, dizer o nosso raciocínio. Isso me faz cada vez mais querer estudar lá [na universidade]", diz. Ele mora em Rolândia e estuda no Colégio Estadual Souza Naves.

O projeto do qual João Marcos participa na UEL é voltado para estudantes dos ensinos fundamental e médio, premiados na OBMEP, com medalhas de ouro, prata ou bronze. A professora Ana Lúcia da Silva explica que desenvolve as atividades desde 2006 e a bolsa dos alunos monitores da graduação (R$ 400,00) e de bolsista júnior (R$ 100,00) são financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As atividades de Iniciação Científica Júnior são desenvolvidas em dois polos nas regiões norte e noroeste do Paraná. Além da UEL, o outro polo é a Universidade Estadual de Maringá. Atualmente são 200 alunos, mas o projeto já chegou a ter, em um único ano, cerca de 300 crianças e adolescentes. A OBMEP é realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Conforme a professora Ana Lúcia, alunos de escolas privadas passaram a concorrer na Olimpíada de Matemática a partir de 2017. Eles também podem ser alunos de Iniciação Científica no projeto na UEL, mas sem bolsa, direcionada apenas para alunos da escola pública. Os premiados de uma edição da OBMEP frequentam o projeto de IC no ano seguinte.

SETE CICLOS

Há duas modalidades de participação dos alunos no projeto "Criando Oportunidades - Disseminando Talentos": semipresencial e virtual (à distância). Essa última modalidade é para crianças e adolescentes que moram a mais de 40 km de distância de Londrina e têm dificuldades de ir à Universidade. "O material e o conteúdo das atividades virtuais são os mesmos para o projeto presencial", destaca a professora. A única diferença entre as modalidades é que no virtual, não há os encontros presenciais realizados aos sábados.

O conteúdo da iniciação científica está dividido em três níveis. O primeiro para alunos do 6º e 7º anos; o segundo, 8º e 9º anos e Ensino Médio. As atividades têm duração de 10 meses do ano letivo da Universidade, em sete ciclos. A cada ciclo há dois encontros presenciais (somente para alunos da modalidade semipresencial) para fechar o tema. É realizada uma avaliação a cada ciclo.

João Marcos Bernardelli Peron, 13 anos, bolsista da UEL

Conforme a professora Ana Lúcia, os tópicos da Matemática passam por temas como criptografia, indução matemática, geometria, probabilidade e contagem, iniciação à Aritmética, Matemática e dobraduras, Matemática e origami, números complexos e trigonometria. "O material utilizado no programa de Iniciação Científica da OBMEP é referência no Brasil", afirma a professora.

Os alunos podem ser desligados do projeto, sendo o desempenho e a assiduidade os principais critérios. A professora afirma que a taxa de desligamento dos estudantes é de cerca de 20%, valor que ela considera alto. "Um dos motivos é a não realização de atividades on line. O estudante tem várias tarefas que precisa realizar", diz Ana Lúcia. Essas atividades são realizadas em softwares específicos com tutorial virtual. "Muitos têm dificuldade de acesso ao computador e à internet", comenta.

Como o projeto é desenvolvido há 13 anos, muitos alunos de escolas públicas participaram do projeto em mais de uma edição. Depois, ingressaram no ensino superior e muitos já realizaram até Doutorado. "Imagine a riqueza para o aluno [secundarista] frequentar uma Universidade durante um ano inteiro", afirma Ana Lúcia.

Ela calcula que 90% dos alunos que passam pelo projeto fazem uma Universidade. "Já tivemos graduandos em Matemática, engenharias Química, Civil e Elétrica, Física, Química e também Medicina e Direito", conta a professora. "A ideia não é trazer os alunos para a Matemática, mas sim para a área de Exatas e Tecnologia".

APRENDIZADO E EVOLUÇÃO

O estudante Lucas Heckler Piedade está no 3º ano do curso de Engenharia Elétrica e é bolsista do projeto "Criando Oportunidades - Disseminando Talentos". Ele diz acreditar que os projetos possibilitam aos estudantes desenvolver um olhar para fora da Universidade. "Ajudando, assim, a nos tornar um profissional mais completo e com uma experiência maior. Também auxilia o crescimento humano, pois é uma vivência a mais, em novos ambientes", complementa.

Segundo Lucas, os estudantes da graduação passam por situações diferentes e aprendem a lidar com cenários, que complementam o ensino na Universidade, fazendo grande diferença na formação profissional e humana. Ele diz que considera os projetos necessários: "Consegui absorver um conhecimento grande na área da Matemática, minha didática e meu discurso evoluíram muito".

O estudante diz que também aprendeu a lidar com pessoas de diferentes hierarquias e jeitos. "Também fui capaz de evoluir meu raciocínio para que fosse mais claro e preciso". Lucas Piedade cita ainda a evolução que teve na organização pessoal ao ter de incluir um projeto na sua rotina diária, tendo de adaptar compromissos e carga horária. "Isso exige uma boa organização", relata.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.405. Confira a edição completa:




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