Agência UEL de Notícias
    Londrina, Terça-Feira, 07 de Julho de 2020 -  Busca   

 · Agência UEL de Notícias  · Jornal Notícia
11/11/2019  

Projeto oferece formação complementar sobre autismo

José de Arimathéia

Professora Silvia Murari: o Transtorno do Espectro Autista não é encarado por seu grau de severidade mas pelo comprometimento da funcionalidade da criança

Ao detectar lacunas na formação, professora criou, há cinco anos, projeto de ensino para oferecer a estudantes - especialmente Psicologia, Enfermagem e Medicina - contato mais aprofundado com o Transtorno de Espectro Autista  

Quando fazia seu Mestrado na PUC/SP (concluído em 2004), estudando a variabilidade comportamental, a professora Silvia Cristiane Murari (Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento) conheceu um grupo que desenvolvia o mesmo tema, mas com crianças autistas. Motivada, já foi pensando no Doutorado.

De volta à UEL, criou o projeto "Conhecendo o transtorno do espectro autista" para investigar como os TEAs são abordados nos cursos de graduação e pós-graduação. Descobriu que não existem disciplinas específicas em nenhum nível, e que o tema é apenas mencionado, entre outros transtornos e doenças. Atualmente o projeto conta com 21 alunos, mas número bem maior já passou por ele em cinco anos. Com isso, conseguiu um amplo levantamento da literatura sobre o assunto, capaz de orientar pesquisas e aprofundar estudos em sala de aula.

Silvia Murari também conheceu a realidade do Canadá. Ela esteve num órgão, em Winnipeg, que cuida de todas as crianças canadenses diagnosticadas com TEA. A oportunidade surgiu porque a diretora do órgão é brasileira, que Silvia conheceu na PUC/SP. No Doutorado, a professora da UEL avaliou protocolos das Unidades Básicas de Saúde de Londrina e se aprofundou em uma delas, que registrou maior número de atendimentos de casos de crianças com TEA.

O projeto funciona então como uma complementação da formação dos estudantes, e é aberto não apenas a acadêmicos de Psicologia, mas de Medicina, Enfermagem e qualquer interessado, inclusive alunos de pós-graduação. Nos encontros, discutem características do TEA, etiologia, avaliações, modelos de intervenção, fazem estudos de casos, recebem pesquisadores, convidados, entre outras atividades. Existe ainda uma parceria com uma pesquisadora (ex-aluna da UEL) da Universidade do Missouri, em St. Louis (EUA).

O projeto de ensino já gerou um desdobramento - um projeto de pesquisa, em vigor mas ainda incipiente, para capacitar alunos e, num segundo momento, oferecer serviço de atendimento à comunidade, uma vez que existe uma demanda por atendimento especializado.

SINAIS

A professora explica que o TEA tem sido muito estudado, mas há muito para descobrir. Não se sabe, por exemplo, com exatidão, qual a causa do transtorno. O diagnóstico só pode ser feito por um médico, mas a avaliação é puramente clínica, baseada nos sintomas, por isso é fundamental uma equipe multidisciplinar, com profissionais de Psicologia, Pedagogia, Fonoaudiologia, entre outros. Até porque os sintomas do TEA podem ser indício de outro problema. Os falsos positivos são um dos desafios enfrentados pelos profissionais e familiares.

O que se sabe é que, se os pais, familiares ou professores ficarem atentos aos primeiros sinais, e houver uma intervenção precoce adequada, a crianças responderá melhor, mesmo antes do diagnóstico. Ou seja, mesmo diagnosticada autista, poderá melhorar habilidades como a comunicação, a interação e a sociabilização.

O primeiro sinal, ou marcador, segundo a professora Silvia, pode ser observado aos 6 meses de idade da criança: é o olhar. Se ela apresenta dificuldades em manter o contato visual com os olhos dos pais, é importante dar atenção a isto. Também se espera que a criança balbucie aos 6 meses e, aos 8, que demonstre apego - por exemplo, estenda os braços querendo voltar ao colo onde estava, ou acenar dando "tchau". Aos 12 meses, espera-se que tenha atenção compartilhada - um exemplo é acompanhar, com o olhar, as pessoas que estão falando perto dela.

Também existem mitos em torno do TEA, como o de que o autista necessariamente demonstre alguma super-habilidade, como uma memória prodigiosa.

O Transtorno do Espectro Autista não é encarado por seu grau de severidade, mas pelo comprometimento da funcionalidade da criança. Quando ela apresenta uma estereotipia forte, ou seja, possui um comportamento agressivo, machuca a si mesma, ou segue rígidos "rituais" próprios, logicamente não pode ficar sozinha e a dificuldade de frequentar uma escola é bem maior. O mesmo acontece se ela, desde cedo, demonstra dificuldades de comunicação - e o primeiro sinal pode ser a criança não apontar para as coisas, como o "au au" ou a "mamãe", mostrados para ela.

Por outro lado, a criança autista pode vir a ser um adulto funcional. A UEL, por exemplo, já contabilizou 33 alunos com TEA, sendo o primeiro caso registrado de 2009. Em 2018, eram 6 e, embora os números não estejam fechados, este ano são 7. Destes, 5 já se formaram, cada um num curso diferente. Também um aluno de pós-graduação, que já concluiu.

NÚMEROS

De acordo com a professora Silvia Murari, nos Estados Unidos, há 1 criança autista para cada 59. Para se ter uma ideia do quanto o número vem crescendo, era 1 a cada 2000 nos anos 90. No Brasil, não há um estudo epidemiológico, por isso existe apenas uma estimativa de que haja entre 1 e 2 milhões de autistas.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.402. Confira a edição completa:




rodapé da notícia

  13h30 06/07/20 Revista do Meio-Dia (UEL FM)
  12h05 Sai 1ª convocação extraordinária do Vestibular 2020. Lista tem sete nomes
  11h42 Professores e alunos debatem o futuro das artes diante da pandemia de COVID-19
  10h54 Edição 2020 do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia está com inscrições abertas
  15h15 Gráfica atende setores da saúde com produção e impressão de material gráfico
  13h21 Sistema de Bibliotecas: empréstimo de livros
  13h53 03/07/20 Revista do Meio-Dia (UEL FM)
  10h56 UEL divulga convocação extraordinária do Vestibular e nova seleção para vagas remanescentes
  12h18 Seti prorroga inscrições do Prêmio de C&T
  09h23 Professor e estudante da UEL têm acesso a pacotes Google e Microsoft
  16h42 Chamada da Rede Unesco apoia ações para erradicação do racismo no ensino superior
  13h51 02/07/20 Revista do Meio-Dia (UEL FM)
  16h08 Abertas as inscrições para curso online de direito eleitoral
  10h13 Programa de pós-graduação tem roda de conversa sobre invisibilidade lésbica
  11h20 Simpósio debate os temas gênero, sexualidade e educação
  17h10 Fundação Araucária promove live sobre o Programa Centelha
  13h40 01/07/20 Revista do Meio-Dia (UEL FM)
  16h02 UEL mantém suspensão de atividades presenciais até o próximo dia 2 de agosto
  16h26 Abertos trabalhos do Programa de Residência Técnica em gestão pública
  16h25 Artigo científico destaca importância da higiene bucal em pacientes de UTI
  10h37 UEL lança portal em inglês para estudantes e professores estrangeiros
  18h37 CCE arrecada alimentos e agasalhos nesta quarta-feira (1º) via drive-thru
  17h08 Cops divulga lista da 2ª convocação das vagas remanescentes
  13h52 30/06/20 Revista do Meio-Dia (UEL FM)
  12h19 Programa de Formação Complementar em Ciências Criminais realiza série de painéis temáticos
  16h02 Núcleo de Agroecologia repassa mais de 100 quilos de alimentos a famílias
  11h43 Sistema de Bibliotecas oferece serviços e auxilia em atividades não presenciais
D
DESTAQUES ::.

Gênero cômico faz parte do ensino de Artes Cênicas

Compostos são alternativas para tratar a Leishmanios

Síndrome associada à Doença de Chagas tem alto índic

Projeto auxilia crianças a superar dificuldades moto
B
BUSCA no SITE ::.
C
CANAIS ::.
COMITÊS / COMISSÕES
OUTROS ENDEREÇOS
PORTAIS
PROGRAMAS / PLANOS
SAÚDE
SERVIÇOS
Fale com o Reitor
Holerite
Certificados Declarações
L
LINKS ::.
                             
© Universidade Estadual de Londrina
Coordenadoria de Comunicação Social
Rodovia Celso Garcia Cid | Pr 445 Km 380 | Campus Universitário
Cx. Postal 10.011 | CEP 86.057-970 | Londrina - PR
Fone: (43) 3371-4361/4115/4331  Fax: (43) 3328-4593
e-mail: noticia@uel.br