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21/10/2019  

Professor desenvolve pesquisas na área de planejamento territorial

Juliana Félix*

Antonio Guerra abriu a XXXV Semana de Geografia da UEL e II SINAGGET

Professor da UFRJ desenvolve pesquisas na área de planejamento territorial, com foco na Geodiversidade, na Geoconservação e no Geoturismo

Antonio José Teixeira Guerra, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de mais de 20 livros publicados na área da Geografia, foi o responsável pela Conferência de Abertura da XXXV Semana de Geografia da UEL e II Simpósio Nacional de Geografia e Gestão Territorial (SINAGGET), realizado pelo Departamento de Geociências da UEL em agosto.

Referência em assuntos como erosão dos solos, movimentos de massa, meio ambiente e impactos ambientais, o geógrafo tem direcionado seus estudos a três conceitos norteadores que interferem diretamente no planejamento territorial de um ambiente: Geodiversidade, Geoconservação e Geoturismo. Os conceitos, que vêm recebendo constante valorização entre profissionais e pesquisadores, estão relacionados à variedade de ambientes, fenômenos e processos geológicos e ações desenvolvidas no sentido de preservar essa diversidade, associados a seu conhecimento científico.

O inglês Thomas Hose, um dos primeiros a introduzir o conceito de Geoturismo na literatura científica, propôs que o termo fosse usado para a "disponibilização de serviços e meios interpretativos que promovem o valor e os benefícios sociais de lugares com atrativos geológicos e geomorfológicos, assegurando sua conservação, para o uso de estudantes, turistas e outras pessoas com interesses recreativos e de ócio".

A Geodiversidade se caracteriza pela diversidade de formas de relevos, fósseis, minerais e solos, e segundo o professor pode ser vista como ponto de partida na discussão. O Geoturismo se apresenta como uma alternativa que procura aproveitar e conservar os recursos naturais, com participação da população local, investindo nas belezas naturais, história, cultura e gastronomia de uma região. E para usar isso da forma mais sustentável possível, é necessário que se pense em Geoconservação.

Guerra explica que profissionais já trabalhavam com a ideia de geoconservação, geoturismo e geodiversidade na década de 90, mas não propriamente com esses termos. O Simpósio Internacional sobre a Proteção do Patrimônio Geológico, realizado em 1991 na França, que originou a "Declaração Internacional dos Direitos à Memória da Terra", serviu como ponto de partida na discussão desses conceitos e promoveu um maior alcance do tema em nível mundial. No início, o estudo era feito apenas por geólogos. No entanto, a novidade é que nos últimos 10 anos geógrafos também passaram a trabalhar com a temática.

A efetivação desses conceitos é importante para que paisagens e geossítios sejam preservados como elementos naturais que contêm informações que mostram o processo de evolução geológica da Terra. Os geossítios são caracterizados por elementos da geodiversidade com espaços bem delimitados e que apresentam valor singular do ponto de vista científico, cultural e/ou turístico. Cada geossítio pode ser designado como um ponto de observação para turistas, como museus, cascatas, cachoeiras, igrejas, morros, entre outros.

GEOPARQUE

O geoparque, conceito atrelado aos demais, é o espaço responsável por gerar atividade econômica a partir do turismo, envolvendo geossítios representativos da história geológica da região em foco. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) estabelece critérios para que uma área seja designada como um geoparque. Entre eles, estão o de preservar o patrimônio geológico para as futuras gerações (geoconservação), educar e ensinar o grande público sobre temas geológicos e ambientais, assegurar o desenvolvimento sustentável através do geoturismo, reforçando a identificação da população com sua região e gerar novas fontes de renda para a população local e atrair capital privado.

Segundo Guerra, a proposta do geoparque é diferente da conotação de parques nacionais e estaduais, que são de proteção integral e não podem sofrer basicamente nenhuma intervenção. Esses são administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ou por Secretarias Estaduais de Meio Ambiente.

O professor explica que os estudos da área são no sentido de orientar sobre o que pode ser feito. "A implicação de geoparque propõe que possamos aproveitar e conservar ao máximo (geoconservação) os recursos naturais, história, cultura e gastronomia de uma região. As ações atraem turistas, não degradam o ambiente e inserem a população local nesse meio. Tem o propósito de gerar renda e emprego em sua localidade".

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é o órgão responsável pela identificação, levantamento, descrição, inventário, diagnóstico e divulgação de áreas com potencial para se tornarem geoparques, seguindo conceitos dos Geoparques Mundiais da UNESCO.

O Geoparque Mundial Araripe, que integra a Floresta Nacional do Araripe-Apodi e ocupa o sul do Ceará, o noroeste de Pernambuco e o leste do Piauí, é o primeiro geoparque da América Latina reconhecido pela UNESCO. Além dele, apenas "Grutas do Palácio", no Uruguai, entrou para a Rede Mundial de Geoparques da UNESCO. De acordo com o geógrafo, o Brasil está atrasado no que se refere à quantidade de geoparques, comparado a Portugal, que é significamente menor em extensão territorial e já soma quatro geoparques reconhecidos mundialmente.                       
      
"A implicação de geoparque propõe que possamos aproveitar e conservar ao máximo os recursos naturais, história, cultura e gastronomia de uma região. As ações atraem turistas, não degradam o ambiente e inserem a população local nesse meio. Tem o propósito de gerar renda e emprego em sua localidade"
      

Ter um Geoparque chancelado pela UNESCO é um processo que pode levar alguns anos. Caso o local preencha os requisitos, são reexaminados o funcionamento e sua qualidade a cada quatro anos, a partir de um relatório de progresso e avaliação a campo. Guerra afirma que a principal vantagem de ter a aprovação do órgão é por sua visibilidade internacional, que atrai turistas do mundo inteiro. Atualmente existem 127 Geoparques Mundiais da UNESCO em 35 países.

O pesquisador da UFRJ destaca um artigo, feito em parceria com o professor Michael Augustine Fullen, da Universidade de Wolverhampton (Inglaterra), reconhecido por suas contribuições na área da Geomorfologia, com quem trabalha há 18 anos. A pesquisa inclui os desafios do uso não planejado do geoturismo praticado em trilhas, problemas de erosão de solo, problemas com lixos e áreas degradadas queimadas nesses ambientes.

O trabalho foi feito baseado em pesquisas sobre degradação ambiental e análises realizadas pelo Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação do Solo (LAGESOLOS) para contribuir com a geoconservação. Os resultados procuraram orientar a conservação e o manejo da geodiversidade, sem a interrupção da rede de geoturismo do Parque Nacional Serra da Bocaina, no Rio de Janeiro.

O Geoparque Mundial Araripe é o primeiro da América Latina reconhecido pela UNESCO

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Antonio Guerra afirma que na efetivação dos conceitos - geodiversidade, geoturismo e geoconservação - são passadas noções de educação ambiental o tempo todo.

Durante sua passagem pela Universidade de Wolverhampton, participou de um projeto de Educação Ambiental, resultado da parceria entre ONG's e escolas públicas, que levava crianças para terem contato com o meio ambiente e aprenderem sobre a temática na prática.

Quando voltou ao Brasil, aproveitou a metodologia e passou a reproduzir o Projeto, adaptado à realidade local, com crianças de escolas públicas da cidade de Ubatuba, no interior de São Paulo. Segundo ele, a ação é importante porque são práticas que interessam às crianças e as orientam, desde cedo, a cuidar e aprender sobre natureza e suas possibilidades.

LABORATÓRIO

O Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação do Solo (LAGESOLOS), do departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é coordenado pelo professor Antonio José Guerra desde sua criação, há 25 anos. Com a colaboração de seus alunos, o geógrafo criou o espaço para que pudessem trabalhar com erosão de solos.

O professor explica que hoje são desenvolvidos trabalhos em muitas outras áreas, além da erosão de solos. O Laboratório conta com a participação multidisciplinar de profissionais como arquitetos e biólogos e envolve cerca de 20 pessoas, incluindo bolsistas, estagiários, mestrandos, doutorandos e pesquisadores associados.

Juntamente com o grupo de pesquisa, o professor tem publicado vários trabalhos com temas nas áreas de classificação de solos, estudos de impactos ambientais, diagnósticos ambientais e mapeamento de riscos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) financiam vários projetos em andamento do LAGESOLOS.

* Estagiária de Jornalismo na COM

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.401. Confira a edição completa:




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