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06/09/2019  

Estudo aborda aprendizagem conceitual na pré-escola

José de Arimathéia

A pedagoga Terezinha de Paula Machado Esteves Ottoni tem 26 anos de carreira na UEL e atua no Centro de Educação Infantil. Naturalmente, a prática diária levanta questionamentos e estimula ações visando o desenvolvimento das crianças. Foi assim que, anos atrás, ela cursou a Especialização em Metodologia da Ação Docente na UEL e desenvolveu um trabalho sobre a História do CEI. No Mestrado, em 2005, estudou as relações de dominância entre crianças de 5 e 6 anos, baseando-se na Psicologia Histórico-Cultural, publicando resultados em eventos e artigos.

Assim como a inquietação profissional nunca termina, uma pergunta permanece: como favorecer o desenvolvimento psíquico infantil? Com quais ações? Algumas respostas foram dadas em sua tese de Doutorado, defendida em julho de 2016 no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá, e que foi lançada em livro - "Aprendizagem conceitual na Educação Pré-escolar" (editora Appris) - neste mês de agosto, em coautoria com a orientadora, professora Marta Sueli de Faria Sforni.

Fundamentada na Teoria Histórico-Cultural e pautada no pressuposto vigotskyano de que a aprendizagem de conceitos promove o desenvolvimento psíquico dos sujeitos, Terezinha trabalhou com 19 crianças de 4 e 5 anos do CEI/UEL durante cinco encontros, num período de cerca de dois meses, desenvolvendo uma série de atividades e gravando tudo em vídeo. O resultado foi a confirmação de que determinadas ações de ensino, calçadas em uma intencionalidade pedagógica, favorecem a aprendizagem de conceitos nesta etapa de desenvolvimento.

Para a pesquisadora, Vigotsky representa um aporte teórico valioso ao defender uma aprendizagem com componente social, pela interação cultural, diferente de outros teóricos de sua época, como Piaget, mais centrados na dimensão biológica do aprendizado. Mas é preciso haver, segundo ela, uma intencionalidade para aprender. "A criança precisa de arte, de cultura, de tecnologia", complementa. Isso porque - ela explica - a criança tem uma relação espontânea com os objetos e, se houver estímulos dados pela família e professor (este com rigor científico), ela aprenderá muito mais.

Os conceitos científicos qualificam o conhecimento, que fica mais complexo. A criança organiza seu pensamento e isso representa um salto de qualidade no conhecimento", afirma Terezinha Ottoni

Um exemplo: para a criança em determinada fase de desenvolvimento, todo cachorro é o "Au au". Só depois ela aprende a distinguir um do outro com a ajuda do professor, com quem transpõe saberes e começa somar conhecimentos e a dominar conceitos de Anatomia e classificação biológica. "Os conceitos científicos qualificam o conhecimento, que fica mais complexo. A criança organiza seu pensamento e isso representa um salto de qualidade no conhecimento, porque os conceitos são apresentados não fechados, mas sistematizados", afirma a pedagoga. Isso tem a ver com o desenvolvimento das funções superiores de que fala Vigotsky.

COELHO BOTA OVO?

Em sua pesquisa, Terezinha trabalhou com os conceitos de ovíparos e mamíferos, um conteúdo pedagogicamente adequado para a faixa etária, previsto em currículo. Junto com duas professoras do CEI, criou uma Sequência Didática, ou seja, uma série de conteúdos e atividades variadas a partir do tema, com um caráter interdisciplinar.

De acordo com a pesquisadora, houve vários episódios que demonstraram que as crianças estavam aprendendo, como desenhos, e principalmente a verbalização e os questionamentos. "As crianças vêm com suas próprias vivências, extraescolares, e vimos que a escola apresentou algo novo". Um bom exemplo aconteceu quando o assunto era animais de fazenda - aliás, as crianças fizeram uma visita à Fazenda Escola da UEL. Terezinha conta que ver uma galinha botando ovos foi um dos momentos mais comemorados pelas crianças.

Mas surgiu a pergunta: "Coelho bota ovo?" Um aluno respondeu que sim, porque lembrou do Coelho da Páscoa. Mas outro corrigiu: "Não, ele traz o ovo, ele não bota", demonstrando algum grau de diferenciação da realidade. E outro aluno, que tinha um coelho em casa, afirmou que "coelhos não botam ovo".

Atividades como esta visita tanto foram preparadas em sala de aula quanto se transformaram em outras, como a produção de um texto coletivo, novamente em sala de aula.

CONTRIBUIÇÃO

Conforme Terezinha, as professoras envolvidas na pesquisa tiveram total adesão e avaliaram favoravelmente as ações. "A pesquisa contribuiu para os estudos curriculares da escola. Elas tiveram a teoria aplicada à prática", disse. Com um grupo de estudos e outras iniciativas, a pedagoga acabou envolvendo vários profissionais da instituição.

O saldo é a comprovação de que promover ações educativas direcionadas, com intencionalidade pedagógica, não apenas favorece a aprendizagem de conceitos como também maximiza o conhecimento. Mesmo brincando, as crianças aprenderam conceitos científicos e se abriram para muito mais.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.398. Confira a edição completa:




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