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21/08/2019  

Projeto reforça conteúdos sobre educação ambiental entre crianças

Agência UEL

Grupo de trabalho e professora Valeria Queiroz Furtado, Departamento de Psicologia Social e Institucional

Quanto mais cedo o tema "meio ambiente" for abordado com as crianças, o quanto antes elas poderão despertar uma consciência acerca da sustentabilidade e o cuidado com a natureza. Pensando nisso, o Projeto "Educação Ambiental e Infância: reflexões e ações a partir de jogos e brinquedos confeccionados com material reciclável", do Departamento de Psicologia Social e Institucional, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), aborda a educação ambiental alinhada à educação infantil.

O objetivo, segundo a coordenadora do projeto, professora Valeria Queiroz Furtado, Departamento de Psicologia Social e Institucional, do CCB, é oferecer suporte teórico e prático aos profissionais da educação infantil de instituições filantrópicas e rede pública de ensino, por meio de curso de formação continuada. O foco é a educação ambiental a partir da criação de jogos e brinquedos produzidos com materiais recicláveis.

Fazem parte do trabalho mais três professores colaboradores: Ana Cristina Paes Leme Giffoni e Jefferson Olivatto da Silva, ambos do Departamento de Psicologia Social e Institucional, e Marta Regina Furlan de Oliveira, do Departamento de Educação, do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). Além de dez estudantes do curso de Psicologia, do 1º ao 5º ano, e uma estudante do Mestrado.

De acordo com a professora, a iniciativa não é um assunto novo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Referencial Curricular Nacional já abordaram a questão da exploração do trabalho com materiais reciclados, porém, segundo ela, de maneira limitada. "Na prática há a separação dos produtos, porém não há reaproveitamento no sentido de educar. A linguagem da criança na infância é a brincadeira, e se é brincando que se aprende, ela vai perceber que aquele objeto que ela colocava na lata do lixo ou reciclava, pode ser transformado em brinquedos. A criança vai olhar para esse objeto e saber que ele pode ter um outro destino", destaca.

Como explica Hellen Lima Buriolla, estudante de Mestrado, responsável por trabalhar a questão ambiental com os educadores, foi feita uma busca por referenciais, nacionais e internacionais, que abordassem a infância atrelada à educação ambiental. "Mesmo considerando diferentes pesquisas e trabalhos acadêmicos, a discussão sobre o assunto ainda é pequena. E também é frustrante pensar que não está sendo feito esse tipo de trabalho em outros lugares, mas por outro lado, isso nos motiva ainda mais", diz.

Segundo os pesquisadores, no projeto pesquisa e extensão andam juntas. As estudantes passam pela formação teórica com a ajuda dos professores colaboradores, e nos encontros semanais, que acontecem às terças-feira e sextas-feiras, no período da tarde, são realizadas discussões sobre a confecção dos jogos.

O desafio é criar brinquedos atraentes, que chamem a atenção das crianças, e que ao mesmo tempo sejam resistentes. Pensando nisso, são utilizadas caixas de leite, garrafas pet, revistas, tampas, cartelas de remédio, caixas de sapatos, potes de iogurte, rolos de papel higiênico, entre muitos outros. Eles foram caracterizados pela professora como materiais de fácil acesso.

Brinquedos confeccionados com materiais recicláveis

Em seis meses de projeto, já foram elaborados 18 jogos diferentes, pensando em brincadeiras que possam estimular a cooperação. "Cada uma, com sua criatividade, cria os brinquedos e suas variações, descrevem o processo de criação. Também fotografam para que essas fichas sejam enviadas às estagiárias do curso de Pedagogia. Elas vão confeccionar esses jogos e com base nas fichas irão trabalhar junto com as crianças, do Centro de Educação Infantil do Hospital Universitário (HU/UEL)".

Ainda de acordo com a professora, com a devida autorização dos pais, as crianças serão filmadas e fotografadas no momento do brincar. "A ideia é trazer para o curso e mostrar aos educadores como é na prática, o uso desses jogos dentro da sala de aula", explica a coordenadora. A professora enfatiza que se uma criança com quatro, cinco anos, começa a entender que ela precisa separar o material reciclável, além de compreender o motivo da separação, bem como a dimensão da ação, o que a longo prazo se transforma em um processo natural.

"A escola precisa pensar no meio ambiente, na preservação de um espaço que é nosso, na sua biodiversidade, na sustentabilidade e pensar que estamos em um país que necessita de recurso. Quando reciclamos, os benefícios desta ação são inúmeros. Não temos essa consciência ecológica, então eu acho que é muito importante investirmos nesse aspecto, a começar pelos pequenininhos. E por que não existem trabalhos em relação a isso? É uma lacuna muito grande", constata. 

Para a professora, o projeto traz uma proposta diferente, pois visa despertar na criança a importância do cuidado com o meio ambiente. "Quando a criança, com idade de quatro ou cinco anos, começa a entender que é preciso separar o material reciclável, ela entende a dimensão da própria ação, que vai se torna um processo mais natural ao longo da vida", salienta.

Experiência - Renata Vieira Rolin, estudante do curso de Psicologia, participa desde o início do projeto e conta que sua primeira impressão foi de que as crianças poderiam ter algum tipo de preconceito com os jogos, mas se surpreendeu. "Elas ficaram surpresas e acolheram os brinquedos, ficaram animadas para brincar. Isso me marcou", destaca. Outra estudante, Sofia Chiodi, afirma que o projeto demonstrou como a psicologia pode trabalhar com a educação. "Unir estudos teóricos sobre o tema com a experiência prática foi muito importante para compreender isso", acrescenta.

LABBE - Esse trabalho é uma continuação do projeto Laboratório de Brinquedos e Jogos Educativos (LABBE), cujo objetivo era possibilitar à comunidade externa e aos acadêmicos de Psicologia tanto um espaço de criação, investigação e uso dos brinquedos, quanto a reflexão sobre sua importância pedagógica no contexto escolar.

O projeto obteve 1º lugar da UEL na área de Educação no convênio MEC-SESU-UEL, com isso conseguiu verba para bolsas, materiais de consumo, materiais permanentes, deslocamento para eventos científicos e também para a realização das atividades. Ao longo do projeto, em parceria com outras professoras, Valeria Queiroz Furtado publicou livros como "Formação e Ação, Docente na Infância: revisando teorias, construindo novas práticas" e "Tempo de Brincar, Hora de Aprender".


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