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03/06/2019  

Pesquisadores investigam vantagens do uso de fertilizante biológico

Agência UEL

Biofertilizante tem aplicação inclusive em lavouras de cana

Pesquisadores da UEL investem em estudos acerca da substituição de fertilizantes químicos, utilizados na agricultura, por inoculantes, ou seja, produtos biológicos que contém micro-organismos vivos, como bactérias. Na esteira dos avanços tecnológicos na área da agricultura, sem dúvida, o investimento em produtos biológicos ganha espaço no mercado.

Embora já conhecidos, com pesquisas registradas desde a décadas de 70 e 80, os produtos biológicos têm vantagens importantes, como redução de custos para o pequeno e grande produtor, além de menos gastos com adubo nitrogenado químico, por exemplo. Por outro lado, o meio ambiente também é beneficiado, com redução dos resíduos químicos na natureza ambiente.

O fato é que a redução do uso do fertilizante químico, consequentemente, leva à diminuição do impacto ambiental, com a redução da emissão dos gases de efeito estufa e poluição da água. "Temos conseguido mostrar que dá para diminuir o uso de químicos, melhorando as associações naturais benéficas entre plantas e micro-organismo, e que isso pode ser mais saudável para a sociedade", afirmam o professor André Luiz Martinez, do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia, do Centro de Ciências Exatas (CCE).

Professores Leandro Simões Azeredo Gonçalves (Agronomia), Elisete Pains Rodrigues (Biologia Geral) e André Luiz Martinez de Oliveira (Bioquímica)

Na UEL, pesquisas com fertilizantes biológicos são resultado da parceria dos professores do Centro de Ciências Exatas (CCE), Centro de Ciências Agrárias (CCA) e Centro de Ciências Biológicas (CCB). São pesquisadores que atuam no melhoramento genético de plantas e micro-organismos, e no desenvolvimento e aplicação de formulações para insumos biológicos.

Além do professor André Luiz Martinez de Oliveira, também faze, parte do grupo de pesquisa os professores Elisete Pains Rodrigues, do Departamento de Biologia Geral, do CCB, e Leandro Simões Azeredo Gonçalves, do Departamento de Agronomia, do CCA.

Conforme explicam os pesquisadores, os biofertilizantes são insumos formulados com células vivas de bactérias benéficas, que interagem com a planta. Eles trazem os seguintes benefícios: controle de uma doença, resistência a acidez do solo, melhoria da absorção de nutrientes, entre outros. Tudo isso ocorre pela ação de bactérias, que têm a capacidade de transformar o nitrogênio do ar em nitrogênio proteico. Eles explicam ainda que todas as espécies de plantas abrigam micro-organismos nas raízes, folhas e outros tecidos, sendo possível incrementar a quantidade de bactérias benéficas pelo uso de insumos biológicos, como inoculantes, portanto, trazendo benefícios para o solo e para a planta.

Misturado às sementes, aplicados no solo ou mesmo sobre plantas, o biofertilizante é menos tóxico e poluente que os produtos químicos. Os resultados dos estudos já apontaram melhorias no cultivo de cana-de-açúcar, soja, tomate e feijão.

Fertilizante tradicional - Embora o uso de fertilizante tradicional contribui para agricultura brasileira, com cerca de 50% dos ganhos na produtividade, a maioria deles é de composição química, com nitrogênio, fósforo e potássio. Só no ano passado, o Brasil importou quase 30 milhões de toneladas do produto, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

A grande questão é que, ao mesmo tempo em que favorecem a produção, esses fertilizantes podem levar à poluição do solo e das águas, e consomem combustível fóssil durante o processo de produção. O que se têm observado atualmente é que a conscientização dos consumidores tem levado a indústria a mudar seu posicionamento e, com isso, o trabalho com produtos biológicos tem ganhado espaço.

Pesquisas - Embora as pesquisas tenham avançado ao longo dos anos, os pesquisadores afirmam que há muitas perguntas sem respostas, o que justifica as pesquisas realizadas na UEL. Uma delas, por exemplo, identificou quatro micro-organismos capazes de melhorar o crescimento, enraizamento e perfilhamento da cana-de-açúcar.

O professor André ressalta o potencial do biofertilizante, inclusive já testados, em outras culturas, como milho. Em processo de registro de patente, o biofertilizante foi desenvolvido em parceria com IAPAR e outra empresa privada.

Na mesma linha, o mestrando em Biotecnologia, Nilton Hernandes Filho, desenvolve formulação para a bactéria Azospirillum brasilense, já comercializada no Brasil para as culturas de milho, trigo, arroz e pastagens. O objetivo é aumentar a eficiência de inoculantes contendo esta bactéria e ampliar as culturas agrícolas que recebem benefícios da inoculação

Outra pesquisa, realizada pela mestranda em Biotecnologia, Maria Tereza de Paula, investiga nova forma de misturar o inoculante às sementes das culturas. É um revestimento natural e biodegradável, que envolve a semente com micro-organismo. Segundo a pesquisa, este revestimento mantém o organismo vivo pelo maior tempo possível e dispensa o trabalho de mistura ou aplicação feito pelo produtor.

Além disso, Maria Tereza também desenvolveu formulações simples e de baixo custo para pequenos produtores. A formulação consiste na mistura de açúcar, proteína de soja, leite em pó, limão e glicerol. Os ingredientes são fermentados e depois de cinco dias podem ser misturados às sementes. "Trabalhamos para desenvolver e aumentar a eficiência das formulações existentes, assim como temos trabalhado para produzir formulações de baixo custo", reforça o professor André Luiz.

Parceria Desde 2012, os professores atuam juntos na UEL. A aproximação entre eles vem de uma cerca coincidência: todos são cariocas e formados na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Além disso, trabalharam em diferentes épocas, no mesmo centro de pesquisa da Embrapa Agrobiologia no Rio de Janeiro. Foi nesse local que a agrônoma Joana Döbereiner iniciou as pesquisas com bactérias simbióticas.

As pesquisas da agrônoma foram fundamentais para que o Brasil desenvolvesse o Programa Nacional do Álcool e se tornasse o segundo produtor mundial de soja. Os estudos ainda pouparam ao país um gasto anual próximo a 1,5 bilhão de dólares e tiveram impacto direto na economia nacional. O trabalho com fixação biológica do nitrogênio permitiu que milhares de pessoas consumissem alimentos mais baratos e saudáveis. Com isso, Joana Döbereiner foi indicada ao Prêmio Nobel em 1997.


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