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31/05/2019  

Tese discute avaliação da aprendizagem na Educação Infantil

Agência UEL

Professora Marlizete Cristina Bonafini Steinie (Departamento de Educação)

A professora Marlizete Cristina Bonafini Steinie (Departamento de Educação), vice-diretora do Colégio de Aplicação da UEL, há muito percebeu a ausência de literatura e pesquisas sobre Avaliação da Aprendizagem na Educação Infantil. Investigou e constatou esta lacuna. Em seu Mestrado, já havia pesquisado a Educação Infantil (EI) e, em seu Doutorado - defendido em fevereiro deste ano - voltou ao tema, desta vez focando sobre a prática avaliativa em sala de aula de duas professoras de duas escolas de um município do interior do Paraná. A tese se intitula "Avaliação na educação infantil: decorrências da formação continuada de duas professoras" e foi desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Educação na Universidade Estadual Paulista (Presidente Prudente).

A indissociabilidade entre a teoria e a prática, segundo a professora, cria um círculo virtuoso no qual a primeira enriquece a segunda, e esta fundamenta a outra. Para a pesquisadora, as teorias abordadas no curso de Pedagogia precisam se somar às práticas com as crianças nas redes escolares. Justamente por ser dinâmico, o círculo requer dos professores de Educação Infantil que estão atuando, formação continuada. Estes novos conhecimentos contribuem com o planejamento do professor que, fundamentado nos conhecimentos teóricos, planeja suas atividades pedagógicas, aplica-as, observa as crianças, avalia-as e conforme os resultados, pode modificar o planejamento tanto para superar as dificuldades das crianças, como para atender aos seus interesses de aprendizagem.

MODELO CONCEBIDO

Toda atuação do professor passa pelo modelo de educação concebido. Marlizete lembra que a visão da EI inicialmente era assistencialista, centrada no cuidado a manutenção de vida da criança. Pouco se falava em aprendizado, porque não se pensava que a criança estava aprendendo algo nesse nível escolar. Logo, nada se dizia sobre avaliação. Avanços na legislação, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), tornaram a Educação Infantil um espaço de educação, onde a criança precisa ser cuidada e educada desde a mais tenra idade. Consequentemente, começaram a valorizar a avaliação, mas, inicialmente voltada para a adequação dos espaços físicos, com raras exceções para a avaliação da aprendizagem infantil.

Ainda assim, de acordo com Marlizete, existe uma "fragilidade teórica" na maioria dos Cursos de Pedagogia quando o conteúdo versa sobre a avaliação na Educação Infantil, apesar de já ser uma realidade a existência de disciplinas de EI, pois, dificilmente se encontra uma disciplina que aborda especificamente a avaliação. Além disso, as pesquisas têm sido mais centradas nos níveis fundamental, médio e superior, e só a partir de 2014 o Ministério da Educação promoveu discussões sobre a avaliação da aprendizagem na Educação Infantil. No entanto, trouxe uma proposta padronizada que destacava a avaliação comportamental da criança, desrespeitando a sua individualidade e seu tempo de aprendizagem. Com a Academia distante da realidade escolar, os professores que já atuam acabam ressignificando sua prática no exercício da própria prática.

REALIDADE

Marlizete foi até uma cidade do interior do estado e desenvolveu sua pesquisa com duas professoras da pré-escola, em instituições distintas, especialistas em EI, cada uma com uma turma de crianças de cinco anos, com as quais passavam oito horas por dia. Ambas utilizavam em sua prática avaliativa o modelo classificatório, com rótulos (ótimo, bom, regular), baseados em atividades mecanizadas, bem estilo pedagógico tradicional. Ao mesmo tempo, os relatórios eram fundamentados nas suas memórias, por não terem conhecimento da importância dos registros diários das observações.

O primeiro passo na pesquisa foi identificar quais as concepções e práticas avaliativas utilizadas pelas professoras em sua prática de ensino; suas dificuldades e seus interesses formativos quanto ao tema. Posteriormente foi discutido como trabalhar a avaliação da aprendizagem numa perspectiva formativa e quais aprendizados são necessários para aquela faixa etária. A ideia era promover novas aprendizagens nas crianças, sem antecipar conhecimentos. Além disso, compreenderem que o erro da criança precisa ser visto como hipótese de acerto, como sinalização do que o aluno ainda não se apropriou do aprendizado. "Cada criança é singular. Seu ritmo de aprendizado deve ser observado e respeitado", afirma Marlizete.

Na EI, naturalmente o aspecto lúdico está presente na avaliação. A professora entende que a atividade principal das crianças são os jogos de papéis sociais. "O jogo é uma coisa séria para as crianças", diz Marlizete. Nestes jogos, elas interpretam os mais diferentes papéis adultos - pai, mãe, médico, professor, policial, bombeiro, etc. - e, a partir de objetos do cotidiano, desenvolvem a sua imaginação criadora - atividade fundamental para as aprendizagens das crianças.

EDUCAÇÃO CONTINUADA

A resposta para as dificuldades enfrentadas no dia a dia de sala de aula das professoras passa pela educação continuada, ou seja, a constante atualização dos educadores em âmbito acadêmico, profissional e até pessoal. Da mesma forma que a avaliação, a utilização mais desejável é a contínua, em que o professor está constantemente observando e avaliando o processo de ensino e aprendizagem.

Assim, para se afastar da pedagogia tradicional e se fundamentar em teóricos como Jussara Hoffman e, Cipriano Luckesi, e propor novas ações, a pesquisadora ouviu as professoras, levantou seus interesses e dificuldades, realizou um diagnóstico, fez retorno e junto com as professoras construiu um cronograma de formação continuada. Assim, Marlizete promoveu 14 oficinas com as professoras, quinzenalmente, com quatro horas cada uma.

A professora destaca em sua pesquisa a compreensão das professoras quanto à importância da formação continuada, expressa em sua participação e empenho nas oficinas, assim como a compreensão da Secretaria de Educação do município. "A colaboração do Poder Público é imprescindível para uma educação de qualidade, e que vai além da estrutura física e material da escola, mas, se preocupa também com a qualificação profissional dos seus professores. A Prefeitura entendeu a importância da educação continuada e que ela não deve ser vista como concessão, mas sim um direito do professor", relata.

Já no caso do professor, a palavra chave é "comprometimento": "O professor precisa estar comprometido com a formação, dedicar-se aos estudos, ler, pesquisar, participar de grupos de estudo, acompanhar pesquisas e fazer cursos", defende, e complementa: "Que a Tese possa contribuir com o processo de avaliação da aprendizagem realizado pelo do professor com suas crianças da Educação Infantil. Que o Poder Público reconheça que a qualidade educacional está intimamente ligada ao direito do professor sempre se atualizar e que o professor se comprometa com a formação continuada, para que possa planejar, ensinar e avaliar com competência".


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