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31/05/2019  

Desafio para a saúde: Exercícios físicos contra a dependência química

Agência UEL

Bruno Marson Malagodi e professor Hélio Serassuelo Junior, do Departamento de Ciência do Esporte

Juliana Félix*

O exercício físico pode colaborar no tratamento e na recuperação mais rápida de pacientes que buscam superar a dependência química, considerada um transtorno psiquiátrico e doença crônica progressiva, incurável, mas tratável. O uso frequente de drogas e álcool desenvolve prejuízos neurológicos e constitui hoje um desafio para os estudiosos da saúde humana. Na UEL, o projeto de pesquisa "Influência de um programa de exercícios físicos no estigma internalizado, autoeficácia e aptidão física de indivíduos em tratamento para dependência química", iniciado em 2017, tem o objetivo de avaliar indicadores da aptidão física em dependentes químicos internados, a partir de diferentes variáveis, entre elas o equilíbrio, a agilidade e a flexibilidade.

O professor Hélio Serassuelo Junior, do Departamento de Ciência do Esporte, atua como coordenador do projeto e foi orientador de Bruno Marson Malagodi, que teve sua dissertação vinculada ao estudo, na qual foram gerados três artigos através da coleta de dados de dependentes químicos internados.

Os artigos foram: 1 - "Analisar o equilíbrio corporal e variáveis de aptidão física em indivíduos internados para tratamento de dependência química, relacionando-as com tempo de uso de drogas e álcool pelos participantes"; 2 - "Investigar o controle postural de indivíduos internados para o tratamento de dependência química e comparar os resultados obtidos por indivíduos saudáveis e sem histórico de dependência química"; 3 - "Verificar a influência de um programa de exercícios físicos multimodal com duração de oito semanas nas variáveis de equilíbrio corporal, indicadores de aptidão física e estigma internalizado em indivíduos internados para o tratamento de dependência química, relacionando os dados obtidos com algumas variáveis intervenientes, como tipo de substância consumi-da e tempo de uso da substância".

Por estimular a produção de endorfina e desencadear as mesmas sensações que a droga, como bem estar, prazer e alívio às sensações de desconforto, a atividade física é forte aliada na recuperação e mudança de hábitos desses indivíduos. A prática traz benefícios a curto prazo, faz a pessoa se sentir bem e melhora a autoestima, por exemplo. A longo prazo, a prática atua na prevenção de doenças crônicas, como obesidade e hipertensão arterial.

RESULTADOS

Os resultados foram obtidos a partir de um protocolo de exercícios físicos multimodais, ou seja, realizados em uma mesma sessão, mas de tipos diversos, que trabalham variáveis como força, resistência e flexibilidade. Como explica Malagodi, a pluralidade de exercícios foi pensando em uma proposta que fosse mais atraente aos praticantes.

Houve acompanhamento antes e depois desse protocolo, a fim de entender os benefícios da prática do exercício físico diante das variáveis físicas, como também a percepção de um estigma internalizado, ou seja, como o indivíduo que tem problemas com drogas ou álcool percebe o preconceito implícito da sociedade e internaliza esse preconceito.

Servidores técnicos administrativos, alunos e professores da UEL serviram de balizamento na comparação para traçar um perfil de como as variáveis analisadas se comportam nesses indivíduos. "O objetivo principal da intervenção é evidenciar o aspecto de que o uso crônico de substâncias psicoativas deteriora o comportamento motor e algumas variáveis psicológicas", explica Malagodi.

A coleta de dados foi feita no Centro de Recuperação de Dependentes Químicos e Alcoólatras (CREDEQUIA) e Centro de Reabilitação (MEPROVI), ambos de Londrina, e também no Centro de Recuperação Vida Nova (CERVIN), localizado em Rolândia, região metropolitana de Londrina. A intervenção total levou dois meses, porém com duração menor, já que os pacientes submetidos ao protocolo não chegaram ao mesmo tempo para o tratamento. O acompanhamento nas instituições foi no decorrer de um ano e pouco mais de 20 pacientes foram analisados. Como destaca o coordenador, no contexto da dependência química, é recomendado que se faça tratamento multidisciplinar envolvendo psiquiatras, psicólogos, terapeutas, nutricionistas e também o profissional de Educação Física. Porém, ainda é pouco explorada a estratégia de aliar o tratamento à prática desportiva como recurso terapêutico. Nas instituições, o exercício é mais utilizado como forma de recreação, sem ser algo estruturado e sistematizado.

De acordo com o professor Hélio, a dissertação é bastante relevante porque não existem referenciais dentro da literatura que trabalhem com o assunto e programas de atividade física voltada a essas pessoas. "Estamos buscando elaborar um trabalho que atenda as expectativas que temos sobre o tema e até pensando em preencher as lacunas dentro da literatura. Essa discussão possibilita abrir um espaço para o profissional de Educação Física fazer parte da equipe que trabalha com a dependência química e transtornos mentais de forma geral", avalia.

As conclusões dos artigos apontam que quanto maior o tempo de uso dessas substâncias, piores são os resultados nos testes de aptidão física, principalmente na variável de equilíbrio. Segundo Bruno Malagodi, o próximo passo será levar essas conclusões para o Doutorado e entender a fundo outros aspectos relacionados à dependência química e à influência da atividade física durante o tratamento.

NÚMEROS

Em março deste ano, o Ministério da Cidadania ampliou o número de vagas gratuitas para tratar dependentes químicos em Comunidades Terapêuticas de todo o país. O custo do governo federal à assistência dessa população passa a ser de R$153,7 milhões por ano para quase 11 mil vagas em 496 instituições.

* Estagiária de Jornalismo na COM.


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