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17/04/2019  

Poéticas na Arquitetura de Interiores

José de Arimathéia

"Uma casa é uma extensão da personalidade de seu morador". Assim o professor Manfreide Henrique Martinez (Departamento de Arquitetura e Urbanismo) começou a explicar seu projeto de ensino, intitulado "Poéticas na Arquitetura de Interiores: 4 estudos", em vigor desde 2017, mas continuação (ampliada) de um anterior, especificamente sobre a Arquitetura modernista de Interiores. Por sua vez, este derivou da necessidade observada pelo docente de aprofundar o material de uma disciplina de Especialização.

Para estudar estas poéticas, o professor pesquisa e realiza análise formal das criações encontradas em livros e revistas de arquitetura, estas mesmas que estão mensalmente nas bancas. É o que está sendo produzido hoje que lhe interessa. Assim, investiga aquilo que está sendo feito (materiais, mobiliário, por exemplo) para interpretar os clientes. Afinal, como afirmou o arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), minimalista, considerado um mestre minima-lista, "a Arquitetura é a vontade de uma época traduzida em espaço".

O projeto se ocupa de quatro categorias de signos de construção de linguagens: 1) Le Corbusier e a Tipologia de interiores para um estilo internacional; 2) Minimalismo, projeto e espaço interior e sua relação com a corrente plástica dos anos 60; 3) O Pop na Arquitetura de Interiores; 4) O estilo eclético na Arquitetura de Interiores e os signos de uma mentalidade boêmia.

Manfreide explica que, embora Le Corbusier (1887-1965) seja, no Brasil, literatura obrigatória, existe preconceito contra ele quando o assunto é Arquitetura de Interiores. O professor trabalha o texto chamado "A aventura do mobiliário" com os alunos. "Le Corbusier não é do gosto popular, mas de arquitetos e designers. O gosto popular é pelo luxo clássico, um estilo francês", define o professor.

Expoente modernista, e ensinado nas escolas de Arquitetura, o suíço naturalizado francês tentou "derrubar" a opulência dos estilos anteriores e contribuir para instaurar a "designocracia", assim como combateu o kitsch (imitação da cultura erudita pela de massa) no mobiliário. Porém, o gosto popular manteve suas preferências de forma arquetípica, até hoje.

O Minimalismo, por sua vez, surgiu nos anos 60 com escultores nova iorquinos e chegou à Arquitetura nos 80, acabou distorcido e se tornou um jargão - em boa parte por causa da mídia, defende o professor. Este estilo defende um interior limpo, com pouca decoração e design, e geometria formal simples. Conceitualmente, é racional. "Mas é esnobe", completa Manfreide. Segundo o professor, o estilo é uma reação contra o kitsch e os excessos, e está ligada a uma visão de mundo e abordagem estética japonesa conhecida como "wabi-sabi", que prega o despojamento, desapego e simplicidade. Porém, não deixa de ser uma vontade de "ostentar com o mínimo" por meio de uma "pobreza voluntária", explica Manfreide. "O mobiliário minimalista é feito por artistas e com materiais nobres, por isso é caro. É uma estética aristocrática que não quer consumir bens de massa", descreve.                       
      
"O mobiliário minimalista é feito por artistas e com materiais nobres, por isso é caro. É uma estética aristocrática que não quer consumir bens de massa"
      

Semelhante ao Minimalismo, o Pop também começou nas Artes Plásticas, sobretudo na Inglaterra e Estados Unidos. Mas, diferente daquele, aceita o gosto popular e é também uma reação ao Modernismo, contestando-o e negando-o, especialmente na Europa. No Pop, a estética é de massa: jovem, lúdica, com cores fortes, divertida. "Parece brinquedo de adulto", compara Manfreide. O estilo dialoga muito mais com outras formas de arte, como o cinema e a música (rock, por exemplo).

Como bem cultural de massa, deve ser acessível economicamente, por isso o Pop adotou o plástico como seu material principal - diferente do Modernismo, por exemplo, que preferia aço tubular e couro. É natural que os materiais influenciem as estéticas por seu preço, mas o mobiliário vai bem além deste fator. Manfreide lembra que o trabalho de um designer não é anônimo, mas equivale a uma obra de arte, com toda a aura que a acompanha, por isso pode ser cara. Afinal, o mobiliário não é apenas função.

Professor Manfreide Henrique Martinez (Departamento de Arquitetura e Urbanismo)

ECLETISMO BOÊMIO

A quarta poética é uma tese do professor Manfreide. O estilo eclético que ele observa possui signos contestadores e mentalidade boêmia, associada a artistas, poetas, românticos. "O boêmio não se preocupa com o presente. Ele tem saudade de um passado que não volta e de um futuro que não chegou e que nem conhece", define o professor.

Quem são os boêmios de hoje em dia? Para Manfreide é o hipster. O hipster nega o gosto popular e orienta suas preferências de moda, comida, música e atividades para longe do comum. Claro que, ao fazer isso, acaba se tornando parte de um grupo como os que rejeita. De acordo com o professor, em décadas passadas eram o hippie e o beatnik (movimentos de contracultura), mas hoje existe um nome para as versões contemporâneas: os bubos (burgueses boêmios).

Na Arquitetura de Interiores, este estilo se traduz no gosto pelo retrô (anos 50), pelo kitsch, pelo vintage e pelo elemento étnico - na verdade, uma "colagem" de diferentes elementos visuais que cria um espaço sensorial. Além disso, voltam o uso de plantas (toque de preocupação ecológica, contato com a Natureza) e o "faça você mesmo" com bricolagem e aproveitamento de objetos para uma nova função (caixas se tornam estantes, tampas viram bandejas, baldes se transformam em bancos, etc.). O bom gosto não é requisito, e o morador quer ser tão diferente que cai igualmente na cultura de massa.

MATERIAL DIDÁTICO

O professor Manfreide tem utilizado o material que reúne em sala de aula. O projeto pretende preencher uma lacuna no espaço do estudo do interior, indo muito além da ideia de que se trata apenas de decoração, de combinar cores ou objetos. Pensando no interior como extensão dos signos de representação do cliente, revelam-se poéticas de personalidade traduzidas por uma poética arquitetônica.

Como explica o professor, na Especialização ele aborda os conceitos - as teorias e as estéticas - e não projetos. Os pós-graduandos poderão enriquecer os projetos que já sabem fazer com o que assimilam das aulas. Manfreide também tem orientado alunos que aproveitam os resultados do projeto. Já alunos de graduação, além do contato com o material, ajudam o professor a elaborar imagens, como a da capa, e o material que está sendo compilado e montado por ele.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.392. Confira a edição completa:




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