Agência UEL de Notícias
    Londrina, Quarta-Feira, 19 de Junho de 2019 -  Busca   

 · Agência UEL de Notícias  · Jornal Notícia
20/03/2019  

Patente da UEL propõe kit de casa popular mais econômica e sustentável

Agência UEL

Unidades são construídas com kit pré- frabricado, utilizando placa cimentícia e madeira de reflorestamento

Uma professora e um estudante do Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil, do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), acabam de receber a Carta Patente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de um sistema construtivo inovador, direcionado a habitações populares, que une economia e sustentabilidade. A nova patente da UEL foi conseguida após 10 anos de processo e pode inovar a construção de unidades habitacionais, unindo tecnologia e a possibilidade da habitação ser transferida, com todos os materiais sendo reaproveitados.

O Sistema Construtivo Leve de Alto Desempenho para Vedação Vertical foi concebido pela professora Berenice Carbonari, do Departamento de Construção Civil e pelo arquiteto Reginaldo de Matos Manzano, então aluno de mestrado, atualmente doutor em Engenharia Civil. O sistema foi desenvolvido para os dois participarem de concurso de um fabricante de cimento, com a temática habitação sustentável. A dupla acabou não vencendo o concurso, mas percebeu que a criação tinha características inovadoras a ponto de merecer a patente.

O sistema inova por abrir mão do tradicional tijolo e cimento, substituídos por uma construção modular, utilizando kit composto por pilar, viga, madeira de reflorestamento e placas em concreto celular, mais leve. Segundo os inventores, esta construção só é possível a partir do fornecimento dos kits, pré-fabricados, para serem usados em economia de escala, ou seja, na construção de conjuntos populares.

Placas cimentícias são colocadas em camadas duplas (uma interna e outra externa) formando paredes

Eles explicam que as vantagens estão no barateamento do processo construtivo, com rapidez, menor custo, durabilidade e conforto térmico. É possível construir uma unidade de cerca de 100 metros quadrados em apenas duas semanas. Esta unidade poderia ser posteriormente desmontada, sem qualquer comprometimento dos materiais. Para se entender o sistema, os inventores orientam que o processo é modular e racionalizado.

As placas cimentícias são colocadas em camadas duplas (uma interna e outra externa) formando paredes. Todo o acabamento hidráulico, elétrico e rede lógica ficam embutidos no interior das placas. No processo encaminhado ao INPI, os inventores definem o sistema como uma simplificação de todos os processos e métodos para a execução do produto final.

Ainda de acordo com os inventores, o novo sistema construtivo respeita os chamados três 'Rs' da construção civil - reciclar, reutilizar e reaproveitar. Reginaldo explica que a durabilidade dos materiais está garantida porque toda a estrutura em madeira, incluindo a base dos pilares, é escondida, ou seja, embora esteja aparente, não toma chuva.

Expectativa dos inventores é encontrar parceiro para produção em larga escala, contribuindo para reduzir o déficit habitacional

Inovação - Todos os detalhes foram pensados para garantir a viabilidade do sistema. Os inventores recomendam que a habitação seja construída sob uma laje maciça, do tipo Radier, fundação rasa que se assemelha a uma placa, abrangendo toda a área da construção. Outra observação relacionada à estrutura, é que a casa tem carga bem distribuída, embora utilize fundação mais rasa.

Os detalhes de acabamento, embora o sistema seja indicado para habitações populares, também foram contemplados. A proposta dos inventores é que as casas tenham cores diferenciadas. O concreto pode ser pintado. Na parte frontal eles sugerem um brise em madeira para impedir a incidência solar no interior, melhorando o conforto térmico, além de agregar