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20/02/2019  

Alimentação saudável e segura

José de Arimathéia

Parte da equipe do projeto num dos laboratórios do Centro de Ciências Biológicas onde desenvolvem suas atividades

Projeto de Extensão oferece cursos de segurança alimentar a merendeiras de escolas públicas de 12 municípios da região e valoriza profissão

Quem estudou em escola pública provavelmente tem uma relação afetiva com a merenda escolar, e principalmente com quem a preparava: as merendeiras. Estas dedicadas profissionais estão no imaginário e têm sido ainda mais valorizadas no projeto de extensão "Segurança alimentar: promoção da alimentação saudável na escola", coordenado pela professora Renata Katsuko Takayama Kobayashi (Departamento de Microbiologia).

Sucessor de projetos anteriores já encerrados ("Iniciação à Microbiologia para o ensino médio" e "Reconhecendo a Microbiologia no nosso dia a dia"), que atuaram por seis anos em escolas estaduais, inclusive com recursos do Ministério da Educação e Fundação Araucária, este atual oferece cursos de segurança alimentar a merendeiras de 12 municípios da região de Londrina, incluindo escolas indígenas.

As merendeiras vêm até a Universidade e a formação é dada nos Laboratórios do Departamento de Microbiologia. Cada turma tem 20 alunos e, na UEL, elas fazem um curso de 10 horas. São 2 dias de conteúdos teóricos e práticos com muita dinâmica e exercícios totalmente associados às atividades do dia a dia, como o manuseio de alimentos. O segundo dia é mais dedicado à Microbiologia dos alimentos, e as participantes conhecem as principais bactérias que podem ser encontradas neles ou nos ambientes de trabalho.

Logo no primeiro dia, a equipe do projeto demonstra a importância da lavagem das mãos por meio da pesquisa da microbiota (microorganismos) das mãos não lavadas, lavadas apenas com sabão neutro e após a utilização do álcool 70%. Em outro experimento, a equipe apresenta três bactérias conhecidas às alunas - duas encontradas nos seres humanos e um bacilo (capaz de produzir esporos) presente em cereais. Aí demonstram a resistência delas ao processo de fervura, especialmente a terceira, que sobrevive a até mais que 15 minutos na fervura. Também é feita uma coleta de material das alunas e do ambiente, como da sola de sapato, embaixo das unhas, cabelos, óculos, alianças, nariz e boca (onde mais crescem bactérias).

No segundo dia, elas veem as colônias bacterianas crescidas nos meios de cultura e as bactérias coradas para visualização com auxílio do microscópio óptico e normalmente se surpreendem. Ficam conhecendo agentes patogênicnos (que causam doenças), como a salmonela, fungos produtores de toxinas e o Campylobacter sp, um conhecido patógeno presente na carne de frango. Os patógenos são muitos e podem provocar desde uma diarreia leve até a Síndrome de Guillain-Barré (que leva à paralisia), dependendo do agente e de um conjunto de fatores. O curso fecha com informações importantes sobre as propriedades nutricionais dos alimentos, com orientações da professora Clísia Carreira, colaboradora do projeto.

O projeto já ofereceu nove cursos, atendendo quase 200 merendeiras e mais um deve ocorrer até março, quando o projeto encerra. O projeto também oferece cursos de 40 horas para alunos do curso Técnico em Nutrição e Dietética e Técnico em Alimentos, do Colégio Polivalente.

Alunos de Mestrado e Doutorado (dos Programas de Pós-graduação em Microbiologia e Tecnologia de Alimentos) ministram os cursos.Os de graduação (Biologia, Biomedicina, Veterinária e Farmácia) preparam material e monitoram os cursos. No total são 31 alunos, dos quais 23 da pós-graduação.

Além dos alunos e professores das áreas biológicas, agrárias e de Saúde, o projeto conta com alunos dos cursos de Design Gráfico (Amanda M. Tokano) e de Artes Visuais (André H. Kikumoto). Eles foram responsáveis pela criação do logo e da página do Facebook, e ficaram responsáveis também pela edição das imagens e postagens. O projeto está preparando uma cartilha dirigida às merendeiras com conteúdos para serem eventualmente consultados e fixados, e um folder sobre segurança de alimentos.

AVALIAÇÃO

Para os professores e alunos do projeto, participar dele é muito gratificante e enriquecedor. Para a aluna Bruna Carolina Gonçalves, de Biomedicina, a ênfase dos cursos em docência ajuda na formação. "Ministrar curso a um público diferente, não universitário, é difícil. Temos que mudar a linguagem mas manter a qualidade", comenta. Para Natália Belebecha Terezo, também de Biomedicina, o projeto traz vários aprendizados, e reconhece que aprendeu muito com os alunos de pós-graduação. E completa: "É incrível levar os conhecimentos para fora da UEL". Ao mesmo tempo, o curso oferecido pelo projeto dá voz às merendeiras, que encontram um espaço no qual podem falar de suas dificuldades, desafios e experiências do dia a dia. Está aí a via de mão dupla dos saberes.

O professor Gerson Nakazato (Departamento de Microbiologia), também participante do projeto, avalia positivamente o projeto, que enriquece a formação dos alunos e traz grande satisfação aos participantes. Tanto ele quanto a professora Renata desenvolvem projetos de pesquisa paralelos às ações extensionistas. Ela lembra ainda que os maiores restaurantes do Brasil (em quantidade de alimentos servidos) estão nas escolas, o que demonstra a importância da segurança alimentar nestes ambientes.

Quem também avalia muito positivamente o projeto é Ingrid Lioto, do Núcleo Regional de Educação de Londrina, órgão responsável pelas escolas estaduais. Para ela, os resultados dos cursos foram excelentes. "Pena que foi pouco tempo", afirma. A prática foi, para ela, o ponto alto da formação, destacando a oportunidade de aprender, os conhecimentos de higiene e o contato com equipamentos (microscópio, lâminas e outros), o que para muitas foi novidade. "As merendeiras e auxiliares gostaram muito e adquiriram um conhecimento que levam para a vida toda. Eu espero que esta parceria continue", finaliza.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.389. Confira a edição completa:




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