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30/01/2019  

Projeto de pesquisa: A família não é mais como antigamente

José de Arimathéia

Prof. Paulo Roberto de Carvalho: "Família implica em sacrifício. Ter ou não ter filhos é uma questão existencial, porque se tornar pai muda toda a sua vida"

Projeto de pesquisa analisa as transformações das principais instituições sociais na contemporaneidade, especialmente a família

A sociedade é dinâmica, está em constante movimento e o avanço tecnológico contribui para transformações nos costumes e práticas sociais e individuais, sobretudo na contemporaneidade. Aparentemente indiscutível, esta realidade é construída, porém naturalizada, como se fosse algo dado e irrevogável.

O projeto de pesquisa "Transformações institucionais contemporâneas", coordenado pelo professor Paulo Roberto de Carvalho (Departamento de Psicologia Social e Institucional), estuda justamente estas transformações, principalmente na família, mas também de olho em outras instituições, como a escola e o Estado.

Teórico, o projeto tem forte enfoque no que o professor chama de "diagnóstico do contemporâneo", mostrando uma preocupação histórica e dando visibilidade a aspectos sociais menos visíveis. O que salta aos olhos, segundo ele, são as transformações aceleradas, bruscas, ocorridas nas relações de poder, muito em função da política (em sentido amplo) e da tecnologia. Mais que isso, as mudanças são "naturalizadas", ou seja, assimiladas pela sociedade que passa a considerá-las tão inevitáveis como o calor no verão ou o tempo seco no inverno.

O que o projeto propõe é que haja uma leitura crítica das novas configurações nas instituições e nas relações de poder. Em artigo intitulado "Família e Biopolítica", publicado no periódico "Psicologia em Estudo"(UEM) em 2017,o coordenador do projeto apontou que os pais foram "desapossados" de seus poderes e outras instâncias ocuparam este espaço de autoridade. A primeira delas é o professor, o mais influente. "O aumento no tempo de escolarização contribuiu para que o professor tenha maior convívio com as crianças", explica Paulo. Outra "nova" autoridade é a literatura especializada em família. "São saberes divulgados em livros, nos meios de comunicação de massa e na Internet", diz o professor Paulo, que são consumidos pelos pais contemporâneos. Uma terceira dimensão é a própria legislação, que determina o que pode ou não ser feito. O Estatuto da Criança e do Adolescente é um exemplo. "Hoje as crianças sabem do ECA e até o usam contra os pais", exemplifica Paulo Roberto. Pior que isso: os pais parecem ter se tornado obsoletos em função da presença das novas figuras de autoridade. E o professor explica psicologicamente: "Freud diz que o afeto acompanha a autoridade".

Diante de tais cenários, os pesquisadores do projeto indagam: onde isso vai parar? A família ganhará outro formato? Paulo acredita que tudo caminha para o crescimento da individualidade, sustentado por discurso de liberdade que na verdade gera um narcisismo exacerbado. "Família implica em sacrifício. Ter ou não ter filhos é uma questão existencial, porque se tornar pai muda toda a sua vida. Mas hoje muitos jovens não querem fazer sacrifício algum, nem responsabilidades", afirma o professor, ressalvando que isso não desqualifica a juventude.

TECNOLOGIA

Nesta equação, os avanços tecnológicos têm seu peso, especialmente impulsionados pela ideologia de consumo. Em outro artigo ("Uma análise do não presencial"), publicado na revista "Psicologia - Teoria e Prática" (Universidade Mackenzie) em 2018, o foco foram justamente as consequências da falta de presença física (o outro lado da mediação tecnológica) nas relações sociais, principalmente familiares.

Paulo aponta: a escola, que tanto influencia as crianças, é presencial, mas já existe a modalidade à distância, que para ele provoca perda real, um "empobrecimento afetivo e social". De acordo com o professor, a presença atua positivamente em múltiplos níveis e nem todos podem ser substituídos pela tecnologia. "A expressão emocional transborda as capacidades de mediação pela tecnologia", argumenta.

A tecnologia igualmente contribui para o processo de naturalização das transformações à medida que parece "facilitar" a vida das pessoas, aparentemente ganhando tempo e aumentando o "saldo" do que se realiza num dia. Mas uma das perguntas é: ganhar tempo para quê? Aqui entra a leitura crítica da realidade.

A alta velocidade do mundo contemporâneo é real, afirma o professor Paulo. Porém, ela tem uma determinação econômica, ou seja, ela existe para que se aumente a produtividade, seja no mercado de trabalho ou até mesmo nos afazeres domésticos. "É o que pode ser chamado de 'temporalidade da produção'", explica.

Entretanto, nem tudo pode e deve correr. O amadurecimento das crianças é um exemplo. "Sei de crianças de 12 anos que têm uma agenda assustadora", ilustra o professor. Além disso, lembra Paulo, esta velocidade não permite a 'escuta' (do outro e de si mesmo). Não se tem mais tempo de elaborar sentimentos, perdas e dificuldades. Ainda assim, o professor observa que existem lugares com diferentes velocidades - cidade do interior ou bairro - que resistem, até certo ponto, à velocidade imposta pela sociedade de massa (que incentiva o consumo de bens rapidamente descartáveis).

PRODUÇÃO

Segundo o professor, grande parte dos estudos do projeto nasce e retorna às atividades em sala de aula, no curso de graduação. Mas o projeto também está vinculado ao Mestrado em Psicologia da UEL (criado em 2017) e conta, assim, tanto com a participação de alunos de Iniciação Científica quanto da pós-graduação, além de vários outros professores. Os resultados são publicados e apresentados em eventos científicos. "Temos muito ainda a fazer neste diagnóstico do presente", sentencia Paulo Roberto de Carvalho.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.388. Confira a edição completa:




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