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31/01/2019  

Projeto de extensão mapeia casos de câncer infanto juvenil

José de Arimathéia

Sistema de Informações Geográficas (SIG) é usado para espacializar a incidência de câncer em pacientes de 1 a 18 anos

Casos de leucemia em crianças e jovens na região

O câncer se tornou a primeira causa de morte por doença na faixa de 1 a 19 anos de idade. A leucemia é o tipo de câncer mais incidente e, em 2014, foram registrados quase 395 mil casos em todo o Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer. Tais números facilmente demonstram a necessidade de constantes pesquisas sobre a doença e, neste sentido, a Geografia da Saúde pode ajudar muito.

É o caso do projeto de extensão "MAPCCAN: Mapeamento dos casos de câncer infanto juvenil - caso da Organização Viver, de Londrina - PR", coordenado pelo professor Osvaldo Coelho Pereira Neto (Departamento de Geociências).

Através do Sistema de Informações Geográficas (SIG), que tem ganhado cada vez mais importância em diversas áreas do conhecimento, é possível localizar (espacializar) os casos de câncer, fornecendo panorama epidemiológico útil tanto para a prevenção e adoção de políticas públicas, quanto para pesquisadores. O SIG reúne programas que integram dados a mapas e assim permite e facilita a representação e a análise de fenômenos ocorridos em determinado espaço.

O projeto utiliza dados da Organização (não governamental) Viver, de Londrina, que presta assistência a pacientes de vários municípios do Paraná, especialmente da região norte do estado, abrangendo quatro macrorregiões que ocupam o Paraná de leste a oeste em sua metade setentrional. A ONG tem sede ao lado do Hospital do Câncer de Londrina e o professor tem encontros semanais com membros da entidade. Os dados utilizados são de 2014 a 2019, de pacientes de 1 a 18 anos de idade.

Osvaldo lembra que muitas variáveis podem atuar na ocorrência dos casos de câncer (ambientais ou não), e os mapas ajudam a visualizar (ou não) algumas delas, estimulando mais pesquisas e ações preventivas. Enfocar crianças e jovens tem outra vantagem metodológica: eles provavelmente sempre viveram onde estão, reduzindo variáveis.

Cada ponto do mapa representa um caso de câncer. O projeto mapeou mais de 70. Com o SIG, é possível produzir diferentes mapas - por sexo e por tipo de câncer, por exemplo - e ainda sobrepor um ao outro. Um aspecto que chamou a atenção é que os casos de leucemia (mielóide e linfóide, a mais comum) parecem seguir um "eixo" entre Londrina e Apucarana, ou seja, tem expressiva incidência tanto nestas duas cidades quanto nas que estão entre elas: Cambé, Rolândia e Arapongas.

Curiosamente, quando observados somente os casos no sexo masculino, eles ficam concentrados, enquanto no sexo feminino eles se "diluem" em um maior número de municípios. Todos estes dados convidam a aprofundar pesquisas: qual será o fator que influencia? A água consumida? Presença de indústrias? Qualidade do ar? Nenhum desses?

Prof. Osvaldo Coelho: os dados estimulam novas pesquisas e adoção de políticas públicas mais eficientes.

OUTRAS PESQUISAS

Segundo o professor Osvaldo, a pesquisa mais antiga, precursora do atual SIG, data do século XIX e ocorreu na Inglaterra. Um médico espacializou cada caso de cólera registrado em Londres, e descobriu que grande parte dos pacientes morava próximo a determinado poço de água. Mandou fechar o poço e deteve o aumento da epidemia.

Outras pesquisas através do SIG já foram realizadas, à semelhança do projeto do professor Osvaldo. Ele cita uma, feita por uma ex-aluna da UEL, que ao mapear uma doença descobriu que os casos se deslocavam de região com o passar do tempo. Com isso, tornou-se possível prever o "caminho" da doença e sugerir o investimento de recursos mais racionalmente no combate a ela.

Na UEL, em 2012 e 2014 (antes do projeto, que teve início em 2016), Osvaldo orientou dois trabalhos de conclusão de curso (TCC) de Geografia, como projeto-piloto, também com dados de câncer da ONG. E, com os dados do projeto atual, orientou outro TCC de Arquivologia em 2017 e, dias atrás (em 23 de janeiro), outro TCC de Geografia foi apresentado e analisou os casos de óbitos por câncer, aproveitando os mesmos dados levantados pelo projeto.

ONG VIVER

Fundada em 2001, a ONG Viver dá suporte a pacientes infanto juvenis com câncer, fornecendo hospedagem, alimentação e suplemento nutricional, medicação, alguns exames e acompanhamento psicológico e odontológico, além de promover atividades socioeducativas e doações de roupas, calçados e brinquedos. A entidade acompanha mais de 150 pacientes, vindos de cerca de 50 cidades do estado. A manutenção depende do apoio dos voluntários e de doações da comunidade.

O site da organização é www.ongviver.org.br/.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.388. Confira a edição completa:




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