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19/09/2018  

Projeto qualifica catadores de materiais recicláveis

Larissa Piauí

O projeto envolve alunos de graduação de Secretariado Executivo, Administração, Direito, Jornalismo, Economia e Artes Plásticas

A coleta seletiva em Londrina é realizada no sistema porta a porta, uma vez por semana em cada setor. O "Programa Londrina Recicla" foi instituído em 2009 e passou a estimular a formação de cooperativas de trabalho, a qualificação e aprimoramento das práticas já existentes, assim como a humanização do trabalho realizado pelos catadores.

De acordo com informações do Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina, a coleta seletiva é realizada em 100% da área urbana, incluindo distritos, patrimônios e vilas rurais, totalizando 230.095 domicílios, recolhendo em média 9.010.379 kg de material reciclável, é comercializado diretamente no mercado. Do total de domicílios da cidade, os serviços são distribuídos para as sete cooperativas devidamente credenciadas, que empregam 343 recicladores.

Para capacitar esses profissionais que colaboram para a despoluição da cidade é que atua o projeto de extensão "Empreendedorismo, assessoria executiva e geração de renda junto às cooperativas de catadores de matérias recicláveis de Londrina", coordenado pela professora Lisiane Freitas de Freitas, com colaboração das professoras Marli Verni e Sueli Fátima Consolini, todas do Departamento de Administração da UEL. O projeto é multidisciplinar e envolve alunos de graduação de Secretariado Executivo, Administração, Direito, Jornalismo, Economia e Artes Plásticas com apoio financeiro do Programa de Extensão Universitária (ProExt) do Ministério da Educação.

O projeto procura levar a informação produzida dentro da Universidade por diferentes áreas do conhecimento para a realidade dos catadores de lixo e os desafios enfrentados por eles diariamente. "O projeto existe desde 2015 e sempre procuramos promover o desenvolvimento pessoal e profissional dos catadores que são atendidos, para provocar neles novas perspectivas de vida e integração no mercado de trabalho", explica a professora Lisiane Freitas de Freitas.

A Cooper Região

Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis e Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Londrina, fundada em 12 de setembro de 2009, é atendida pelo projeto. Segundo a diretora de secretaria Erica Salles, a cooperativa atualmente reúne 128 cooperados e é responsável pela coleta seletiva de 88 mil domicílios e de todos os órgãos públicos municipais, atingindo cerca de 250 mil habitantes no município. "Nosso objetivo é garantir a dignidade e a inclusão social dos catadores de material reciclável, além de contribuir para a sustentabilidade do meio ambiente com a coleta, seleção, beneficiamento e venda dos materiais recicláveis", afirma a diretora cooperada.

Para contribuir na disposição das funções de acordo com a capacidade de cada cooperado, distribuindo-os conforme suas aptidões e interesses coletivos, o projeto é organizado em três eixos principais: Assessoria e gestão de rotinas de secretariais, sob responsabilidade da coordenadora Lisiane Freitas de Freitas; Criação e materialização de produtos artesanais, com a professora Sueli Fátima Consolini; e Empreendedorismo e geração de renda, orientado pela professora Marli Verni.

As oficinas iniciaram no fim de agosto e se estendem até o mês de dezembro. As atividades contam com a participação de alunos dos cursos de Secretariado Executivo, Administração, Direito e Jornalismo.

Aproximação

"A aproximação entre esses dois mundos, uma Universidade tão respeitada como é a UEL e uma cooperativa de catadores, é uma coisa rica. Porque lá fora as pessoas podem olhar e pensar que uma coisa não tem ligação com a outra, mas não é isso. Nós também somos pessoas que buscam conhecimento para poder crescer e se desenvolver profissionalmente, mas às vezes falta oportunidade", defende Nilson Matheus Alves, atualmente fiscal de transbordo, responsável pela logística de coleta, controle e escala de coletores. Nilson integrava a equipe de separação do material e com o conteúdo que aprendeu nas aulas conseguiu desenvolver novas habilidades para atender a demanda da cooperativa.

A auxiliar financeira Priscila Alves ressalta a importância desse conhecimento que as pessoas da Universidade possuem e relata que depois do primeiro treinamento realizado em 2017 ela melhorou sua posição dentro da cooperativa. "Se hoje sou encarregada pelos pagamentos, atuando em toda a parte financeira da cooperativa, devo ao curso que este projeto de extensão proporcionou", diz.

Segundo integrantes da Cooper Região, as pessoas normalmente têm a sensação de que o lixo desaparece depois de ser jogado fora, o que não retrata a realidade. Maria Aparecida Basiani da Cruz, da equipe de triagem no barracão, destaca que para as outras pessoas aquele material que aparentemente não possui valor é fonte de renda que sustenta muitas famílias e esse fato devia ser mais respeitado e valorizado. "Lixo é apenas lixo se está jogando fora, mas ele possui grande valor para aqueles que tiram dele o seu sustento", argumenta.

Educadores ambientais

Os catadores de materiais reutilizáveis desenvolvem trabalho em beneficio da sociedade, assumindo a função de educador ambiental. Demonstram responsabilidade social, ambiental e econômica e desempenham papel fundamental na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, com destaque para a gestão integrada dos resíduos sólidos.

"Nosso trabalho reconhece o resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda. Somos responsáveis por aumentar o ciclo de vida dos produtos. Fazemos comercialização em rede, logística reversa e prestação de serviço", explica a auxiliar financeira da Cooper Região, Priscila Alves.

"Esse projeto de extensão é uma maneira de fortalecer a organização produtiva dos catadores em cooperativas, com base nos princípios de gestão, economia solidária e melhoria nas oportunidades de trabalho", afirma a professora Lisiane.

A técnica ambiental da Cooper Região relata que "Infelizmente, ainda chega muito material misturado e a embalagem que não é lavada e limpa corretamente antes do descarte, além de prejudicar a saúde dos cooperados. Também afeta a residência, porque ela atrai vetores que são transmissores de doenças. Por exemplo, quando o papel chega misturado com a casca de banana, ele perde a qualidade e assim aumentamos a quantidade de material descartado".

"Se todo mundo seguisse as regras sobre o descarte correto materiais recicláveis dos demais resíduos, a porcentagem de material do aproveitamento aqui na coleta seria muito maior. Isso além de diminuir o lixo, iria deixar o processo de triagem mais rápido e aumentaria o nosso rendimento", explica a cooperada Maria Aparecida Basiani da Cruz.


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