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11/08/2018  

Laboratório estuda distúrbio da reprodução masculina

Agência UEL/ Bia Botelho

Professora Glaura Fernandes, responsável pelo Laboratório de Toxicologia, do CCB

Há mais de sete anos o Laboratório de Toxicologia e Distúrbios Metabólicos da Reprodução, do Centro de Ciências Biológicas (CCB), realiza pesquisas sobre distúrbios da reprodução masculina. As pesquisas têm como foco principal a toxicologia realizando estudos com agrotóxicos, contaminação de metais e resíduos de plástico. Também atua em outras linhas, como metabolismo, relacionado à obesidade e disfunções tireoidianas, além de comportamental, como distúrbio do sono, exercícios físicos, alimentação rica em açúcar e gordura, consumo de álcool e infecções parasitárias.

De acordo com a responsável pelo Laboratório, professora Glaura Scantamburlo Alves Fernandes, do Departamento de Biologia Geral, do CCB, todas essas situações podem acometer o sistema reprodutor de um indivíduo em fase reprodutiva, o que pode inviabilizar o sucesso reprodutivo. Para avaliar o que poderia interferir na saúde de homens, roedores na fase da puberdade ou adultos são expostos a tais situações e, posteriormente, os resultados são avaliados. Isso se faz porque muitas vezes não se sabe em qual fase da vida o indivíduo adquiriu a alteração que provoca dano de fertilidade, o qual pode ser durante a vida intra-uterina, infância, adolescência, adulta ou ainda, em mais de uma dessas fases ou todas elas, como informa a coordenadora do Laboratório que também é professora de Embriologia.

Os distúrbios da reprodução masculina são causados por dois principais motivos, segundo Glaura Fernandes. "O que contribui principalmente para essas alterações é o comportamento do indivíduo: o que ele faz para ter esse prejuízo, se come mal, se bebe, ou usa substâncias impróprias. Também tem aquilo que é externo e está no ambiente, então ele deve evitar se cercar disso quando possível, pois na maioria das vezes a exposição a tais elementos são desconhecidas para o indivíduo. Assim, temos as duas situações: uma sobre hábitos de vida e outra questão externa, que foge do controle", afirmou.

A pesquisadora alerta que atualmente a dificuldade de muitos casais terem um filho biológico está ligada às alterações reprodutivas do homem e não da mulher, como antigamente se falava. "É importante que as pessoas desmistifiquem que a mulher é a responsável pelo insucesso reprodutivo do casal. Isso não pode ser uma verdade geral. O homem contribui, e muito, para tal fato e ainda pode ser o responsável por alterações no descendente como síndrome de Down e outras", afirma a docente. Ela ainda lembra que a procura pelas clínicas de reprodução assistida muitas vezes se deve pela infertilidade masculina e não feminina.

Pesquisas e resultados

De acordo com a coordenadora, os roedores são expostos a doses pequenas das substâncias tóxicas, sempre após a aprovação dos projetos pelos Comitês de Éticas para o Uso de Animais em ensino e pesquisa. Como ela explica, "ninguém toma um copo de agrotóxico por dia", por isso são utilizadas microgramas da substância, simulando a situação vivida pela população.

As pesquisas têm mostrado, segundo Glaura, que a exposição a pequenas doses são as que causam mais perturbação no sistema reprodutivo masculino. "A gente entende que o organismo quando está exposto a doses maiores, já se prepara para se defender. Quando uma substância vai chegando lentamente é como se ela driblasse essa defesa do organismo, porque a célula está sendo lesada um pouquinho de cada vez", afirma.

Todos os trabalhos com foco em toxicologia, como conta a professora, mostram pelo menos algumas das seguintes alterações: "de modo geral, os contaminantes ambientais atuam na qualidade espermática, no número de espermatozoides, causam lesões e alterações nos testículos e epidídimo, e variação do estresse oxidativo e perfil inflamatório", exemplifica.

De acordo com Glaura, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, fazendo uso indiscriminado da substância. "A gente não sabe até que ponto, por exemplo, um efeito tóxico leva só a infertilidade. Pode ser que ela é algo mais inicial. Como a gente faz pesquisa só em curtos períodos, na puberdade do animal, por exemplo, a gente não sabe se uma década de exposição a uma substância não levaria a um dano maior e vital como um câncer testicular, por exemplo". Ela não se diz contra a utilização, porém defende o uso de modo adequado, conforme a vigilância.

Outras pesquisas relacionadas ao comportamento humano (restrição de sono, exercícios físicos, alimentação), disfunções metabólicas (obesidade, alterações tireoidianas, diabetes) e infecções parasitárias mostram influência negativa para a reprodução masculina, segundo a professora. O objetivo dos estudos, com isso, é sempre trazer os delineamentos experimentais o mais próximo da realidade da população humana para assim entender os mecanismos pelos quais tais condições podem influenciar na morfologia e função dos órgãos da reprodução. O grupo também vem realizando experimentos in vitro para alcançar os objetivos.

Grupo

O grupo de pesquisa do Laboratório de Toxicologia e Distúrbios Metabólicos da Reprodução é formado atualmente por uma pós-doutoranda, seis alunos de doutorado, um de mestrado, cinco de iniciação científica e três estagiários. Todos os alunos de pós-graduação são orientados da professora Glaura pelo programa de Pós-graduação em Patologia Experimental do CCB - UEL. Para as pesquisas, são realizadas ainda parcerias científicas com outros laboratórios da própria Universidade, da UEM e UENP, além de universidades do estado de São Paulo, como a UNESP de Botucatu e de Presidente Prudente, e a USP de São Paulo e de Ribeirão Preto.


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