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19/08/2013  

SINOPSE - A UEL NOS JORNAIS - (18-8-2013 - Domingo)

De acordo com as edições digitais dos jornais disponibilizadas no dia.

Agência UEL

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Censura virtual

Ao mesmo tempo em que a artista plástica Fernanda Magalhães comemora o convite para expor no Masp a série "Natureza da Vida" em que aparece nua em locais públicos, internautas questionam a censura imposta pela maior rede social do mundo. O Facebook tem excluído dos perfis dos usuários qualquer foto que tenha nudez, sendo alvo de vários processos na rede virtual.

"Não dá para generalizar, pois nem tudo que contém nudez pode ser considerado pornográfico e seria considerado crime. Em vários períodos da história o nu foi retratado de forma artística e sem nenhum contexto erótico. Por isso os apreciadores de arte têm repudiado a política do Facebook de excluir até mesmo as imagens artísticas que determinados grupos utilizam", explica Carla Delgado de Souza, doutora em antropologia e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Como exemplo, Carla cita as estátuas em que os heróis gregos eram retratados sem vestimentas. "Não existe nada de erótico nessas obras, e muitas pessoas a utilizam como objeto de estudo. Acho que não teria nada demais determinados grupos compartilharem esse tipo de imagem no Facebook", enfatiza a antropóloga.

Ela ressalta ainda que a censura à nudez é preocupante pois está atrelada a um discurso ultraconservador que pode acabar comprometendo alguns direitos civis. "Acho preocupante essa onda de conservadorismo que põe em discussão direitos adquiridos por determinados grupos feministas e de movimentos LGBT após anos de luta. É sintomático que tudo isso venha à tona no mesmo momento", avalia Carla.

A antropóloga chama a atenção ainda para a contradição existente na sociedade. "Por que a pessoa não pode fazer topless na praia, se este ato não tem nada de apelativo? É uma contradição a mulher não poder tomar sol nua de maneira espontânea e natural mas ser incentivada a fazer o quadradinho de oito, que é uma dança extremamente sexualizada", compara Carla. (M.R.)

O corpo como objeto de arte

A presença da nudez nas artes não é exclusividade dos tempos modernos. "O corpo precisa ser visto como algo livre. Em determinados períodos da história a nudez era vista como algo espontâneo e natural, ao contrário do que acontece hoje em dia. Além disso, tudo depende do contexto histórico. Existem livros de fotografias alemãs de décadas atrás que naquela época eram consideradas eróticas e hoje parecem inocentes", avalia a fotógrafa Fernanda Magalhães, que tem doutorado em artes e é professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Professor do curso de Artes Visuais da UEL com doutorado em Poéticas Visuais, Cláudio Garcia está acostumado a lidar com as diversas reações dos alunos nas aulas de desenho que contam com a presença de modelos vivos e nus. "Teve uma aluna que pediu para não participar da aula porque o marido não permitia que ela visse outro homem nu. Ele fazia questão de posar em casa para que ela o desenhasse e depois ela trazia os desenhos para que eu os avaliasse. Por outro lado, há alunos e alunas que ficam empolgados com as aulas. O ideal seria que a nudez fosse vista com naturalidade", afirma o docente.

Apesar das reações contra e a favor, Garcia enfatiza que o corpo humano é o mais rico objeto a ser retratado em desenhos e gravuras. "Não tem como deixá-lo de lado. O corpo humano tem movimento e flexibilidade inigualáveis", afirma.

Na opinião do docente é incompreensível que a nudez ainda cause tanto impacto nos dias atuais. "No século 19, o quadro 'Almoço na Relva', de Manet (Édouard Manet, 1832-1883) criou o maior furor por retratar duas mulheres nuas. O intuito dele era trabalhar as perspectivas de espaço com uma imagem de mulher à frente e outra em segundo plano. Mas como elas estavam nuas só se falava da nudez e o que era mais importante acabou ficando de lado. Isso aconteceu há mais de um século, mas nada justifica que, em 2013, algumas pessoas ainda fiquem tão chocadas ao ver um corpo nu", argumenta. (M.R.)

DIVERSIDADE RELIGIOSA - A macumba pede passagem

Apesar do preconceito que ainda sofrem, religiões afro-brasileiras têm centenas de seguidores em Londrina e região

Macumba nada mais é que o nome de um antigo instrumento de percussão, uma espécie de reco-reco tocado em cerimônias africanas. O preconceito e a perseguição aos negros durante séculos, no entanto, fizeram com que o termo passasse a ser utilizado no sentido pejorativo para designar rituais das religiões afro-brasileiras. Sobretudo pelo imaginário popular cristão e branco, com a justificativa de que se tratava de uma prática profana e pagã.

Praticadas majoritariamente no estado da Bahia e na região Nordeste, as religiões de matriz africana também têm representatividade em Londrina. De acordo com o professor Sérgio Adolfo, doutor em Literatura Africana na Universidade Estadual de Londrina (UEL), as manifestações organizadas do candomblé no município iniciaram na década de 1950, época de ouro em que chegavam milhares de imigrantes. "Mas, de maneira informal, pessoas ligadas a essa atividade religiosa já a praticavam bem antes", resume, frisando que candomblé e umbanda são oriundos da mesma matriz, porém, religiões brasileiras e totalmente distintas.

Embora não haja números oficiais, as estimativas apontam aproximadamente 40 terreiros de candomblé e 300 de umbanda em Londrina e região. Em Salvador, na Bahia, existem 2,2 mil terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogados pelo Centro de Estudos afro-orientais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

No Brasil há cerca de dez religiões de matriz africana, mas o candomblé e a umbanda são os segmentos mais difundidos e conhecidos. No último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, praticamente todas as religiões existentes no País foram listadas como categoria. Com este recorte foi possível traçar um panorama da quantidade de seguidores de cada uma, inclusive as afro-brasileiras, que eram ignoradas.

No total, mais de 123 milhões se declararam católicas apostólicas romanas e 42 milhões evangélicas. Já em relação às religiões afro, os números se dividem entre umbanda (com 407 mil), candomblé (167 mil) e outras religiões afro-brasileiras (14 mil). Para seguidores, estes números são subestimados, pois muitas pessoas ainda não declaram sua escolha por receio da intolerância religiosa. Com isso, várias dizem ser espíritas, número que passou dos 3 milhões na amostragem. O espiritismo, também conhecido por kardecismo, por sua vez, é uma ramificação da doutrina cristã.

O fato de estarem localizadas principalmente nas regiões periféricas da cidade, segundo Sérgio Adolfo, é também resultado do preconceito que produziu um processo de marginalização. "Apesar da entrada de profissionais liberais e da classe média nos últimos anos, as religiões afro-brasileiras ainda são frequentadas por negros e pobres em sua maioria. Isso não significa, porém, que todo negro é de alguma religião de matriz africana", explica.

No Brasil, além do candomblé (jejê, ketu e angola) e umbanda e suas respectivas ramificações, existem outras religiões afro-brasileiras praticadas, como tambor de mina e magê de mina (ambos no Maranhão), batuque (Rio Grande do Sul) e pajelança, xangô do nordeste e terecô (região Nordeste) e as que possuem ainda elementos indígenas, como jurema ou catimbó. Há outras religiões de matriz africana, que não são praticadas no Brasil, como o vodu haitiano e santeria cubana.

Marian Trigueiros - Reportagem Local

Pesquisa vai definir políticas públicas para cães e gatos

Trabalho de campo com a participação de estudantes de veterinária da UEL começou ontem no Conjunto Jamile Dequech e prossegue hoje no Jardim Pisa

A Rua Doutor Miguel Augel Espinosa, no Conjunto Jamile Dequech, extremo sul de Londrina, já foi conhecida no bairro como um reduto de cachorros. Os animais se abrigavam próximo de casas das donas de casa Creuza Soares da Silva Maria, de 59 anos, e Enaura de Andrade Silva Maria, 46, que nunca negaram ração e carinho a nenhum deles. Creuza e o marido, o pedreiro Luís Pereira da Silva, ganharam de vez o coração dos bichinhos quando construíram uma casa de cachorro coletiva, verdadeiro albergue canino erguido em um terreno baldio, muito disputado nos dias de chuva. "Eram 12 cachorros na época que a gente fez a casinha. Hoje, sobraram só dois. A maioria morreu atropelada", conta Creuza, desolada. Inspirada pela vizinha, Enaura decidiu abrir algumas frestas da grade que protege a garagem e o local também virou um dormitório. "Tem noite que vem três cães. Às vezes, dormem quatro". Ambas reclamam que o bairro concentra muitos animais abandonados. "Enquanto não acabar a maldade do mundo, vai ter animal sendo maltratado e largado na rua", desabafa Creuza.

O bairro que já foi o mais isolado de Londrina e hoje está integrado aos conjuntos União da Vitória por um viaduto, foi escolhido pela Prefeitura para reiniciar um trabalho iniciado em 2011 pela Universidade Estadual de Londrina e que está sendo retomado neste final de semana.

Trata-se de uma espécie de censo de cães e gatos, uma pesquisa capaz de basear a formulação de políticas públicas para os animais de estimação. Os pesquisadores, alunos de todos os cursos de medicina veterinária da cidade, percorrem as casas e entrevistam os moradores. O questionário tem 46 itens, que investigam desde as condições sanitárias dos animais até as opiniões sobre várias questões ligadas ao mundo pet, como vacinação e castração. "É um trabalho muito bom. Ninguém gosta de ver um bichinho abandonado", disse Alice Petra Cesarini, de 47, caseira de uma escola e dona de dois cachorros, Bob e Tas.

O conjunto de questões foi desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná e adaptado por professores da UEL. Cada abordagem dura no máximo 15 minutos e a soma de todas as entrevistas vai se transformar numa completa estatística por amostragem. Hoje o trabalho prossegue no Jardim Pisa (zona leste). Em setembro, o projeto aporta no norte do município, no Conjunto Maria Celina e no Distrito da Warta. Em novembro, o cronograma prevê ações no Jardim Marabá e na Vila Marízia.

O veterinário da Vigilância Sanitária, Alessandro Caseri, explica que as informações colhidas nos questionários serão essenciais para o planejamento de ações para o controle populacional de cães e gatos abandonados, além da implantação de Unidades de Saúde Animal e do Centro de Zoonoses.

Em 2011, foram visitados os jardins San Remo e Leonor. "Lá, os números apontaram uma superpopulação de cães e que a questão dos animais abandonados comovia 90% da população", adiantou a professora da UEL, Patrícia Mendes Pereira. Ela disse que os resultados serão divulgados no final de janeiro e que o trabalho deverá ser feito a cada cinco ou dez anos.

Lúcio Flávio Moura - Reportagem Local

www.jornaldelondrina.com.br

Arte e ensino

Entre os dias 22 e 24 vai ser realizado o 7º Seminário de Arte e Ensino de Londrina, que tem como tema “Experiência de pensamento: Currículo, Mediação e Produção”. A apresentação de trabalhos, oficinas, entre outras atividades ocorre nas salas de aula do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) e no auditório do prédio do PDE da Universidade Estadual de Londrina. O prazo de inscrições apenas para participação termina no dia 20. Valor do investimento: R$ 30 para universitários e R$ 50 para profissionais. Mais informações no site www.uel.br/eventos/arteuel ou pelo telefone (43) 3371- 4498.

Estudo resulta no primeiro inseticida de baixa toxicidade

Fórmula, inédita no mundo, promete criar um novo conceito para fabricação de venenos contra pragas urbanas

O Brasil pode revolucionar o mercado mundial de inseticidas e se tornar o país origem das fórmulas de baixa toxicidade para o controle da aranha-marrom, do escorpião amarelo e do mosquito da dengue, Aedes aegypti. As pesquisas são desenvolvidas longe dos grandes laboratórios do setor químico, dentro da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, em um projeto com recursos do governo federal envolvendo diversas universidades do país.

Francisco de Assis Marques, professor do Departamento de Química da UFPR e pesquisador no projeto de Controle Biorracional de Insetos e Pragas, diz acreditar que os bons resultados obtidos em apenas um ano e meio já mostram uma possibilidade do Brasil inovar no controle de pragas urbanas, agrícolas e florestais com a invenção de produtos menos tóxicos ao meio ambiente. Marques esteve em uma palestra na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e concedeu a seguinte entrevista ao JL.

Entrevista

JL - Qual a necessidade de criar novas fórmulas de aerossóis? Combater mosquito da dengue com inseticida não é um bom negócio para as pessoas?

Francisco de Assis Marques - No caso do Aedes aegpyti estamos desenvolvendo um novo largicida (para a fase da larva) e a vantagem em relação ao produto comercial das prateleiras dos supermercados é a baixa toxicidade. O nosso material é sintetizado a partir de plantas que ainda não podemos revelar por questões estratégicas. No caso do mosquito adulto, desenvolvemos um produto também baseado em compostos de baixa toxicidade. Os atuais aerossóis residenciais só são usados por falta de outras opções no mercado. Os que desenvolvemos são muito menos tóxicos ao meio ambiente, humanos e animais porque vêm de uma mistura de várias plantas. Há interesse comercial: é uma demanda mundial por produtos menos agressivos à saúde, com impacto bem menor, e somos o primeiro grupo com algo desse nível nas mãos. A patente já está pronta e em breve publicaremos os resultados, que já são bem importantes. A questão da toxicidade baixa está garantida: precisamos avançar mais na eficiência.

Em quanto tempo esses novos produtos podem estar disponíveis no mercado?

Ainda não consigo prever porque precisamos avançar mais em estudos sobre a proporção entre os compostos. Temos um ano e meio de pesquisas, conseguimos importantes avanços, mas precisamos de mais. Se podemos revolucionar, queremos dar o passo certo.

Na prática, quais são os avanços mais promissores?

Além do Aedes, já testamos uma mistura de compostos capaz de matar a aranha-marrom e o escorpião amarelo. No dorso dos animais, a mistura de compostos agiu e eles morreram em 24 horas. É inédito e inusitado matar escorpiões e aranhas com esse tipo de inseticida menos tóxico. Se resolvermos a questão da eficiência, estaremos a um passo de comercializar a patente do produto.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e o Paraná o campeão no país. O que uma nova linha de produtos menos agressivos pode provocar nesse panorama?

Temos pesquisas com pesticidas menos tóxicos para pragas agrícolas e florestais e que possam controlar vários problemas. Os largicidas que pesquisamos já matam o percevejo do eucalipto e o pulgão do pinus, com ampla vantagem para o meio ambiente, para a fauna de ambientes aquáticos e para a própria qualidade da água. Algumas alternativas já poderiam estar no campo.

Quais erros cometem os governos no controle de pragas e epidemias como a dengue?

Sobre o mosquito da dengue, por exemplo, as ações são tomadas em conjunturas equivocadas, quando a epidemia já está instalada, apagando incêndios. Falo aqui do novo inseticida, mas a solução é integrar várias metodologias de combate ao mosquito. Não existe algo a ser feito sozinho porque grupos consolidados de pesquisadores com métodos preciosos tem que ser ouvidos. A própria UEL tem inventos nesse campo, mas os governos deram as costas e não usam a solução dada para o problema. A academia pode apresentar solução para muita coisa, mas precisa ser ouvida e não ter as pesquisas brecadas, não utilizadas, engavetadas.

No caso do novo inseticida, grandes multinacionais do setor de defensivo químico não podem influenciar o governo a negar, por exemplo, autorizações para lançar no mercado esses produtos menos tóxicos?

É realmente um campo de embate difícil para o pesquisador. Trabalhamos na ponta, com o conhecimento e foge ao nosso entendimento como o emaranhado de interesses políticos e econômicos se entrelaçam e avançam sobre o poder de decisão dos governos. Essas multinacionais do setor agroquímico faturam bilhões e são corresponsáveis pela poluição ambiental em nível mundial - e cujos lucros são ascendentes. Teremos que romper barreiras. Um defensivo agrícola, neonicotinóide, tem sido apontado como o responsável por muitos efeitos deletérios. Foram banidos na Europa e tem causado o colapso da população mundial de abelhas. Aqui, no Brasil, continuamos utilizando. É uma rede de interesses.

Como bloquear essas influências e driblar a pressão?

Inovando. A novidade é o que temos de melhor. Temos alternativas, trabalhamos por isso e vamos viabilizar novos compostos. Se não andar, a sociedade tem que estar atenta e acompanhar as pesquisas mais de perto. O tempo joga a nosso favor em razão dos danos ambientais dos produtos que estão aí. As abelhas estão próximas da extinção em alguns países e isso é uma pressão para ser resolvida em curto espaço de tempo. O nosso produto mata larvas, mas não matam, por exemplo, os peixes.

Marcelo Frazão



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