Solenidade marcou a instalação do PTT em Londrina
Há não mais de uma década, uma mensagem que fosse enviada por um usuário de um provedor londrinense de Internet para um usuário de outro provedor também londrinense, era “trocada” entre os provedores num satélite, a muitos quilômetros da superfície da Terra. Havia demora e riscos envolvidos nessa operação.
Mais tarde, por iniciativa do Comitê Gestor da Internet Brasil, começaram a ser instalados PPTs – Pontos de Troca de Tráfego de Internet – no País, para tornar o processo de trocas dos chamados pacotes de dados entre provedores mais ágil e seguro. O de Curitiba começou a funcionar em 2002. Existiam nove PTTs, apenas em capitais, até outro dia. Mesmo assim, a mensagem de um usuário de um provedor londrinense que fosse mandada a um usuário de outro provedor londrinense tinha que percorrer um caminho sujeito a percalços – até Curitiba ou São Paulo – para chegar ao destino.
Pois Londrina acaba de dar um enorme passo para reduzir ao mínimo a demora e aumentar ao máximo a segurança nas trocas de mensagens entre usuários de seus provedores de Internet – e de outros da região –, ao se tornar a primeira cidade do interior do Brasil, décima do País, a dispor de um PTT, cujos equipamentos e operação estão sob a responsabilidade da UEL.
Newton Kaoru Kashiwakura, presidente do Comitê Gestor da Internet Brasil, exaltou a “visão de futuro” dos provedores de internet de Londrina, que, superando a rivalidade comercial, “se uniram em torno do interesse comum” e fizeram as gestões necessárias para que a cidade viesse a ter mais esta marca de pioneirismo, num setor em que ela já tem boa projeção no Brasil – o de telecomunicações.
Kashiwakura fez a declaração durante a solenidade em que foi celebrada a instalação do PTT de Londrina, na Sala dos Conselhos da UEL, sob a presidência do reitor Wilmar Marçal e com a presença de representantes dos provedores e outras lideranças empresariais. “É raro ver concorrentes comerciais se unirem e trabalharem juntos em torno de um objetivo que trará benefícios para toda a comunidade, mas em Londrina vocês fizeram isso. O PTT vai atrair para Londrina provedores de toda a região, além de outros investimentos, por proporcionar uma internet mais rápida, mais segura e mais barata”, acrescentou Kashiwakura, comparando o novo ativo a um “shopping de negócios”: “É como se Londrina tivesse concentrado num só lugar várias condições necessárias à realização de negócios”.
O PTT de Londrina está em funcionamento há alguns dias, e dois provedores locais, Sercomtel e Persis Telecomunicações, além da UEL, já usufruem dos seus benefícios. A cidade conta com outros sete provedores de internet: RedeNetworks, DirectLink, ConectWay, Irápida, Brasil Telecom, Copel e Net.
A UEL é a instituição que detém, por comodato, os servidores e suítes que constituem o PTT, devido a uma contingência legal: infraestruturas desse tipo têm que ficar sob a responsabilidade de provedores que não tenham interesses comerciais na Internet, como é o caso das universidades federais e estaduais. Ao mesmo tempo, a UEL tem tido importante presença na Rede Nacional de Ensino e Pesquisa – RNP –, pioneira rede de acesso à Internet no Brasil, criada por iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, hoje integrada por mais de 300 instituições de ensino e pesquisa no País e com mais de 1 milhão de usuários. Esse fato abriu portas para a escolha da cidade como sede do primeiro PTT do interior.
O coordenador técnico do PTT de Curitiba e da RNP no Paraná, Pedro Torres, lembrou na solenidade que as gestões para a instalação do PTT de Londrina duraram cerca de um ano e meio e demandaram intenso esforço das lideranças locais do setor de telecomunicações e da própria UEL, através da sua Assessoria de Tecnologia da Informação. Ressaltou, também, que o sucesso no projeto aumenta a força de Londrina como polo no setor de telecomunicações.
Por seu lado, o presidente do Comitê Gestor da Internet Brasil
ressaltou que o PTT de Londrina representa apenas um pequeno passo entre as grandes metas que o Comitê traçou para melhorar a Internet no Brasil. Observou, por exemplo, que os provedores internacionais fazem a troca de tráfego de mensagens com o Brasil em Miami, o que representa baixa agilidade e maior risco. “Temos que trazer essa operação para o Brasil”, disse Newton Kashiwakura, aproveitando para elogiar o Google, que tomou a iniciativa de montar uma estrutura própria em São Paulo.
Encerrando a solenidade, o reitor Wilmar Marçal fez um grande elogio ao trabalho da Assessoria de Tecnologia da Informação da UEL, cujo titular é o professor Mario Lemes Proença Jr.. Para o reitor, a atuação da ATI na conquista do PTT foi uma demonstração de sucesso do trabalho em equipe.