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17/02/2020  

Projeto aposta no uso da comunicação audiovisual em escolas indígenas

Natanael Pereira*

Os professores Wagner Roberto do Amaral e Mônica Panis Kaseker: a demanda surgiu pela identificação de fragilidades nas diferentes áreas que compõem a formação escolar dos estudantes indígenas ingressantes na Universidade

Promover o fortalecimento de estudantes, professores e lideranças indígenas de nove escolas estaduais localizadas em seis terras indígenas da região norte do Paraná através de práticas educativas bilíngues e interculturais proporcionadas pela comunicação audiovisual. Essa foi a proposta desenvolvida dentro do projeto de extensão "Entre os saberes da escola indígena e da universidade: A comunicação audiovisual como elemento de expressão, articulação e fortalecimento da organização dos professores indígenas", coordenado pelo professor Wagner Roberto do Amaral, do Departamento de Serviço Social, e pela professora Mônica Panis Kaseker, do Departamento de Comunicação. O projeto contou com uma equipe formada por oito integrantes, entre professores e estudantes das áreas de Jornalismo, Letras, Ciências Sociais e Serviço Social.

Segundo o professor Wagner do Amaral, a escolha pelo uso da comunicação audiovisual ocorreu justamente por conta da ligação entre este recurso e a comunicação indígena, manifestada essencialmente pela oralidade e corporalidade. A partir de oficinas de vídeo realizadas nas terras indígenas, estudantes do Ensino Médio, professores e lideranças indígenas tiveram a oportunidade de desenvolver conhecimentos sobre gravação e enquadramento utilizando aparelhos celulares, técnicas de entrevista, além de desenvolvimento da fala no vídeo. O intuito foi fazer que as comunidades indígenas utilizassem a comunicação audiovisual para contarem como compreendem a própria cultura e história, refletindo principalmente sobre o modelo de educação escolar que almejam alcançar. 

O professor ressalta que o protagonismo do projeto pertence aos próprios indígenas, já que o objetivo idealizado desde o início foi possibilitar a autorrepresentação deles a partir do contato com as tecnologias, método que também afirma e fortalece a consciência sobre o que é ser indígena. Ele explica que dos quatro estudantes bolsistas de graduação atuantes no projeto, três são indígenas pertencentes às etnias Guarani, Kaingang e Funiô/Kaingang. Ainda segundo ele, a proposta não somente garantiu o protagonismo dos acadêmicos indígenas como também possibilitou uma mediação mais intensa e profunda com as comunidades indígenas. "Geralmente o que acontece é o não indígena falando do indígena e isso pode vir acompanhado de deturpações ou equívocos. Contar nossa própria história através de projetos como esse representa um processo de empoderamento que nos faz refletir de maneira mais ampla", relata o estudante indígena e futuro jornalista, Yago Queiroz, que recentemente ficou conhecido por ser o primeiro do Paraná a defender um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em uma Terra Indígena.

DEMANDA

O projeto de extensão, finalizado em setembro de 2019, integrou uma sequência de ações realizadas desde 2013 junto à Comissão Universidade para os Índios (CUIA), responsável pela seleção e acompanhamento dos estudantes indígenas na Universidade Estadual de Londrina. A demanda surgiu pela identificação de fragilidades nas diferentes áreas que compõem a formação escolar dos estudantes indígenas ingressantes na Universidade, reflexo da ausência de acompanhamento e formação continuada dos professores e gestores que atuam nas escolas estaduais indígenas da região norte do estado.

Segundo o professor Wagner, este cenário foi resultado de um processo que começou a ser desenhado a partir de 2007, com a estadualização das escolas indígenas no Paraná, iniciada por meio do Parecer CEB/CEE n. 423/2007. Em razão disso, ficou estabelecida a responsabilidade da Secretaria de Educação do Estado em ofertar desde a Educação Infantil até o Ensino Médio nas terras indígenas, cabendo ao órgão a contratação e promoção de formação continuada para professores indígenas. O professor afirma que um investimento significativo na educação escolar indígena do estado foi promovido até 2010. "Vale destacar que havia um número muito grande de professores e diretores não indígenas atuando nas escolas indígenas. Isso representa um desafio, já que a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 define que a escola indígena é aquela que agrega profissionais indígenas, além de processos próprios de aprendizagem e de gestão", ressalta.

Para tentar suprir essas defasagens, a primeira edição do projeto, realizada entre 2013 e 2014, ocorreu justamente no sentido de elaborar um diagnóstico sobre a educação escolar nas seis terras indígenas da região através da realização de trabalho etnográfico e oficinas de formação continuada. Um dos resultados foi a identificação de fragilidades quanto ao uso das línguas Kaingang e Guarani, originadas por processos de desvalorização das línguas indígenas.

CONTRIBUIÇÕES

De lá para cá, os quatro projetos financiados pelo Programa Universidade Sem Fronteiras (USF) resultaram em avanços significativos. Um dos trabalhos publicados recentemente para divulgação das ações realizadas nas comunidades indígenas apontou que o número de professores indígenas atuantes nas escolas estaduais indígenas já é maior que o número de professores não indígenas. Apesar do avanço, o levantamento mostra que os resultados ainda podem ser estendidos, levando em conta que os cargos de diretores e coordenadores pedagógicos ainda são ocupados majoritariamente por profissionais não indígenas.

Segundo a professora Mônica Kaseker, também coordenadora da CUIA UEL, essas ações extensionistas devem ser vistas como um incentivo para que novos projetos voltados às comunidades indígenas possam surgir dentro da Universidade. "A Comissão Universidade para os Índios conseguiu agregar professores e pesquisadores da UEL inteira para atuar nas comunidades indígenas, de modo que hoje há uma articulação muito maior neste sentido", acrescenta.

Ela explica que as ações já desenvolvidas resultaram em três produtos que serão disponibilizados em breve. Um documentário baseado em quatro eixos - bilinguismo, currículo, formação de lideranças indígenas e gestão das escolas indígenas, que discute a educação com características específicas, além da atual realidade das escolas indígenas e o que elas almejam para o futuro. O segundo produto é um livro voltado para a formação dos professores indígenas, que está em fase de finalização. Já o terceiro é a criação de um site para a divulgação de atividades e articulação dos professores indígenas que integram a Comissão de Articulação dos Direitos das Escolas Indígenas do Paraná (CADEINP), movimento iniciado em 2017 em razão da necessidade de defesa da educação escolar indígena.

Ainda de acordo com a professora, a proposta agora é dar início a um novo projeto de extensão visando a formação de diretores indígenas, organização do acervo já reunido ao longo dos anos, criação de canais para a publicação dos materiais audiovisuais desenvolvidos, além da realização de um documentário específico para cada terra indígena.

*Estagiário de Jornalismo na COM

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.405. Confira a edição completa:




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