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18/11/2019  

Professor da Universidade de Paris fala sobre origem da vida

José de Arimathéia

Professor Jean-François Lambert, acompanhado do professor Dimas Zaia (UEL): "Uma grande dificuldade é que não existem rastros das formas de vida originais"

A convite da UEL, professor da Universidade de Paris vem ao Brasil pela primeira vez para falar da origem da vida a partir do mundo mineral
Em seu épico "Paraíso Perdido" (1667), o escritor inglês John Milton (1608-1674) faz eco ao mito grego da criação que afirma que do Caos nasceu Gaia (a Terra). Um trecho do poema diz: "Deus afastou o turbulento Caos / para de suas margens as desordens / não arruinarem, sendo-lhe contíguas, / a fábrica do Mundo".
Tais descrições, embora alegóricas, podem apontar para os fenômenos que deram origem à própria vida no planeta Terra. Segundo alguns teóricos, bilhões de anos atrás, uma série de reações químicas, numa espécie de "caldo primordial", começou a formar as primeiras moléculas orgânicas, que mais tarde evoluíram para seres vivos.
Foi este o tema que trouxe a Londrina, no dia 21 de outubro, o professor Jean-François Lambert, belga, que atua na Universidade de Paris (Sorbonne), com particular interesse na origem da vida. Ele veio a convite dos Programas de Pós-graduação em Química e da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PROPPG) da UEL.
Mas o que é vida? Para o professor Lambert, os cientistas ainda buscam responder esta pergunta definitivamente, porque todo conhecimento adquirido é constantemente desafiado com novas perguntas, como a possibilidade de existirem formas de vida ainda desconhecidas na Terra ou em outros corpos celestes. Uma grande dificuldade, lembra o professor, é que não existem rastros da vida original, assim como existem fósseis. Por isso, há especulações, modelos teóricos e constantes experimentos.
São referências os estudos do soviético Aleksander Oparin e do britânico John Haldane, que nos anos 20, de forma independente, propuseram que reações químicas lentas e graduais formaram os primeiros compostos orgânicos a partir de substâncias abundantes na atmosfera primitiva, como gás metano, amônia, hidrogênio e vapor de água. Ao se agregarem, passaram a ser chamados de coacervados. Estes já podiam se reproduzir, assim como absorver e transformar substâncias em seu interior, ou seja, desenvolveram um metabolismo. Com o tempo, surgiram formas mais complexas, como as bactérias.
Três décadas depois, baseado em Oparin e Haldane, o americano Stanley Miller realizou com sucesso um experimento tentando reproduzir as condições atmosféricas primordiais para gerar compostos orgânicos, o que representou um avanço nos estudos. Para o professor Lambert, todos foram estudos muito importantes em seu tempo e impulsionaram o conhecimento acerca da origem da vida na Terra.
Claro que ainda há muitas perguntas a serem respondidas, e uma delas é entender porque tudo aconteceu da forma como parece ter acontecido, e não de qualquer outra. Lambert explica, por exemplo, que o carbono - base da matéria orgânica - é abundante no planeta e tem propriedades que facilitam sua ligação com outros elementos, como o imprescindível oxigênio. Outros, como o silício, possuem propriedades semelhantes, mas não o suficiente para gerar formas de vida complexas.
Como não é possível explorar devidamente outros planetas do sistema solar, os cientistas pesquisam ambientes extremos na Terra em busca de condições semelhantes ao "caos primitivo". O professor Lambert observa que no fundo dos oceanos e dentro de vulcões (alguns submarinos) ocorrem interessantes fenômenos químicos e que poderiam gerar matéria orgânica e vida. Fora da Terra, os cientistas estão de olho em Europa, uma das luas de Júpiter.
Os estudiosos trabalham ainda com a hipótese de as primeiras formas de vida terem vindo de fora, em meteoros ou asteróides. Para Lambert, eles são capazes de sustentar aminoácidos e açúcares, que poderiam dar origem a formas de vida. Dentro desta hipótese, o candidato mais cotado é Marte, por ser relativamente próximo e apresentar algumas condições favoráveis. 
Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.403. Confira a edição completa:




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