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05/09/2019  

Novas terapias na Estomatologia substituem medicamentos

Rodrigo Dourado*

"O laser surgiu há mais de 100 anos, mas ainda existe muita resistência na área médica e estomatológica. Quem não acredita é quem não usa, porque quando passa a agregar na rotina profissional, passa a ver os benefícios", diz Karla Fontes

Karla Bianca Fernandes da Costa Fontes é professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) nas disciplinas de Estomatologia, Estomatopatologia e Patologia Oral, coordenadora da disciplina de Estomatologia do Curso de graduação em Odontologia e possui Mestrado e Doutorado em Patologia Bucodental e habilitação em Laserterapia. A professora esteve na UEL no mês de junho para uma palestra sobre laserterapia, terapia fotodinâmica e ozonioterapia, durante o IV Encontro de Estomatologia e Patologia Oral do Interior do Paraná.

A professora estuda e aplica novas terapias no Instituto de Saúde de Nova Friburgo (ISNF) da UFF. O laser é utilizado como substituto ou complementar às terapias tradicionais, e suas finalidades podem ser analgesia, anti-inflamatória e de biomodulação, para cicatrizar tecidos. O laser pode ser vermelho ou infravermelho, a depender do objetivo. A energia da radiação, em joules, também é variável de acordo com a necessidade.

A radiação atua nas células, produz mais ATP (energia) e causam ações até então não desenvolvidas pela célula. É uma radiação, mas não causa mutação. Tem apenas efeitos benéficos. A gente mexe com mitocôndria, lisossomos e outras estruturas da célula que recebem essa radiação e vão melhorar o metabolismo celular. A célula fica mais funcional, estimula fibroblastos, que trabalham na síntese do colágeno. Inibe a produção de sinalizadores da inflamação, diminuindo a inflamação dos tecidos, afirma a professora.

A pesquisa de Karla sobre as terapias alternativas começou em 2009, quando sentiu dores e uma amiga propôs aplicar o laser. Até então, Karla desacreditava do método, e após sentir alivio imediato, ainda imaginou se tratar de um efeito placebo, mas no dia seguinte sentiu dores novamente e o uso do laser causou mais uma vez o alívio. A partir disso, procurou saber sobre as novas terapias. Participou dos cursos Manifestações Orais e Laserterapia em pacientes oncológicos na Universidade de São Paulo, em 2010, Técnicas Ópticas Aplicadas à Odontologia, na UFF, em 2011, e em 2019 se habilitou em Ozoniotearapia pela Faculdade do Centro Oeste Paulista (FACOP).

Dez anos após superar sua resistência às terapias, Karla lamenta a desconfiança da eficácia dos métodos alternativos, ainda muito presente entre os profissionais de saúde. O laser surgiu há mais de 100 anos, mas ainda existe muita resistência na área médica e estomatológica. Quem não acredita é quem não usa, porque quando passa a agregar na rotina profissional, passa a ver os benefícios. Na maioria dos casos o resultado é imediato, diz.                       
      
O laser é utilizado como substituto ou complementar às terapias tradicionais, e suas finalidades podem ser analgesia, antiinflamatória e de biomodulação, para cicatrizar tecidos.
      

Na prática, o uso do laser depende da doença de base. Na UFF é muito usado no tratamento e prevenção de mucosite, com a aplicação do laser no preparo para transplante de medula. Em casos de boca seca e hipossalivação, o laser é capaz de estimular a produção de saliva e evita impactos na alimentação do paciente. Em casos de analgesia, o alivio é imediato porque o procedimento leva o organismo a liberar betaendorfina. A terapia também é utilizada para tratamento da síndrome da ardência bucal, úlceras traumáticas e aftas.

O equipamento de laser custa em média R$ 4.000, o que é muito pouco diante dos benefícios, segundo Karla. Para um consultório é um investimento baixo e pode ser usado para muito além da Estomatologia, sendo benéfico para a Odontologia em geral. Para o paciente também é econômico, porque muitas vezes é uma alternativa aos medicamentos. Em caso de pacientes com baixo poder aquisitivo, o laser se torna uma ferramenta importante na eficácia de um tratamento. Além disso, como não há efeitos colaterais, apresenta um impacto muito menor na rotina do paciente. Mesmo com o baixo preço, o laser não está presente em instituições de ensino públicas ou em atendimentos do Sistema Único de Saúde. No caso da UFF, o equipamento foi adquirido através de projetos de pesquisas.

Outra terapia alternativa utilizada por Karla é a fotodinâmica, não necessariamente com laser. Nesse caso se utiliza o medicamento fotossensibilizador, irradiado com laser ou com outra fonte de luz. Esse método é importante contra infecções ou para terapias antineoplásicas, inibidoras de crescimento e disseminação de tumores a partir da destruição de neoplasmas e células malignas. A professora também salienta o uso da ILIB (Intravascular Laser Irradiation of Blood). Esse método surgiu em 1970 na Rússia e consiste em irradiação transtérmica do sangue por alguns pontos, como a artéria radial e a carótida, pela pele ou pela mucosa. O sangue irradiado é utilizado pelo corpo. Esse método é utilizado principalmente em casos de fibromialgia e diabetes.

A combinação de métodos é fundamental para entender a necessidade de cada caso, segundo Karla, que conta um: "Eu comecei a fazer terapia fotodinâmica numa paciente que tinha candidíase, fiz seis sessões e não funcionou. Entrei com o óleo ozonizado e em um mês foi tratado. A ozonioterapia, que usa ozônio para interromper processos não saudáveis do corpo, era ilegal no Brasil até 2015, quando foi regulamentada para o uso odontológico, mas permaneceu não permitido para a Medicina geral", relata.

* Estagiário de Jornalismo na COM

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.398. Confira a edição completa:




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