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07/08/2019  

Especialista fala de riscos globais e segurança transnacional

José de Arimathéia

Especialista irlandês fala de riscos globais e segurança transnacional, provida pela iniciativa privada, a fim de chegar onde o Estado não alcança

Relações internacionais existem há séculos, mas o desenvolvimento das tecnologias de comunicação, transportes, e do comércio, trouxe novas preocupações aos atores destas mesmas relações. Para mantê-las e desenvolvê-las, é necessário um mínimo de segurança em todos os sentidos: política, econômica, social, ambiental, entre outras.

Como os Estados não são capazes de garantir a segurança de seus cidadãos em outros países, a iniciativa privada pode preencher esta lacuna, através de consultorias especializadas que avaliam as condições locais e regionais e orientam empresas interessadas em realizar negócios lá.

Este trabalho faz parte da chamada Governança na Segurança, tema do Simpósio realizado de 12 a 14 de junho na UEL, promovido pelo Laboratório de Estudos sobre Governança (LEGS), um grupo de pesquisa vinculado ao Departamento de Ciências Sociais e Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade.

O professor Conor O'Reilly, da Universidade de Leeds (Inglaterra), conferencista de abertura, tem ampla experiência no estudo e acompanhamento da governança da segurança, riscos globais e policiamento transnacional, aquele realizado não pelos Estados, mas pela iniciativa privada em favor de empresas multinacionais. O'Reilly trabalhou em outras universidades europeias, como Durham e Oxford (também na Inglaterra) e no Porto (Portugal), e já disseminou conhecimento por mais de 10 países, incluindo o Brasil, onde já esteve outras vezes.

A História da governança na segurança e da polícia transnacional remonta a séculos atrás, na expansão ultramarina dos países europeus e na colonização de outros continentes. O professor explica que os países colonizados, particularmente na África, conheceram três fases no sistema de policiamento. A primeira foi colonial, fornecido por forças do Império. Na segunda, no final do período colonial e independência dos países (anos 60 e 70 do século XX), o policiamento foi usado contra os movimentos de independência. Na terceira, pós-colonial, o policiamento se voltou para a segurança e defesa dos recursos do país.

Como passou três anos em Portugal, o professor O'Reilly conheceu a fundo as questões de segurança e policiamento transnacional de países lusófonos. Tanto que organizou e lançou um livro sobre o tema. "Havia muito escrito sobre o colonialismo inglês, mas pouco sobre Portugal, que foi também um grande império. Faltavam estudos sobre o período de descolonização e democratização", relata. Ele conta que algumas ex-colônias portuguesas, como Cabo Verde, receberam ajuda de países como Cuba e União Soviética, interessados na expansão do Comunismo. Depois, receberam ajuda de países europeus até chegar a um modelo metropolitano, parecido com o de Portugal. Só então surgiu lá a segurança corporativa (empresarial). No Brasil foi diferente, porque a independência veio um século e meio antes dos países africanos, e ele mesmo foi um Império por seis décadas.

Nos moldes atuais, o policiamento transnacional tenta garantir a segurança de quaisquer pessoas que vão exercer algum trabalho em outros países. Não se trata apenas de prever e evitar possíveis cibercrimes, atentados terroristas e sequestros, mas ter ciência de eventuais pandemias, instabilidade econômica, desastres naturais, limitações logísticas ou legais, entre outros pontos. Naturalmente, o Estado de origem do trabalhador ou investidor não pode fornecer esta segurança, e desta lacuna se abriu um nicho de mercado para consultorias, que cresceu tanto que já se tornou uma "indústria".

Para se ter uma ideia, o professor exemplifica com o México, onde são registrados perto de 100 mil sequestros por ano. "E estes números não são reais, pois ocorre uma grande subnotificação", esclarece. "Quando empresas decidem investir, a informação é essencial para que os investidores conheçam os pontos críticos do país, desde o clima até o transporte", explica.

O trabalho das consultorias especializadas não têm o condão de provocar nenhuma influência sobre o país onde as empresas que as contrataram pretendem investir. Os consultores apenas avaliam e apresentam o contexto local e seu grau de estabilidade aos potenciais investidores e eles tomam as decisões. A influência é limitada: o objetivo é proteger o cliente.

Porém, segundo o professor, o trabalho das consultorias pode causar um aumento na desigualdade de segurança, porque as empresas mais ricas têm condições de investir, enquanto quem não pode pagar fica dependendo apenas do Estado, sabidamente limitado.

Esta matéria foi publicada no Jornal Notícia nº 1.397. Confira a edição completa:




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