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12/12/2018  

Programa estimula aproximação entre cursos

Larissa Piauí

Ricardo Ralisch: o estudante selecionado é preparado com um bom volume de informações sobre a realidade brasileira, a estrutura do curso na Universidade e o fazer da agricultura no país, e lá ele vê onde pode explorar isso.

Pela primeira vez, Londrina sedia fórum que discute experiências de intercâmbios de alunos de graduação do Brasil e França

A UEL participa desde 2003 do Programa Brasil França Agricultura (Brafagri), no intercâmbio de alunos. Trata-se de uma parceria universitária entre os dois países para promoção do intercâmbio de estudantes de graduação, nas áreas de Ciências Agronômicas, Agroalimentares e Veterinária, concedendo bolsas de estudos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e apoio financeiro para operar o projeto de desenvolvimento parcial da graduação no exterior.

Entre 21 e 23 de novembro, Londrina sediou pela primeira vez o Fórum do Programa Brasil França Agricultura (Brafagri), em sua nova edição, financiado pela CAPES. Voltado para a discussão de experiências e resultados do Programa, o evento realizou sessões de debates sobre tecnologia e empreendedorismo, políticas do Brasil e França para uma Agricultura Sustentável, sustentabilidade em sistemas agropecuários e visitas técnicas em diferentes locais de Londrina. O representante da Embaixada da França no Brasil, Olivier Giron, discursou durante a abertura do Fórum.

O Brafagri tem como objetivo fomentar o intercâmbio entre Brasil e França pra estimular a aproximação das estruturas curriculares, inclusive a equivalência e o reconhecimento mútuo de créditos obtidos nas instituições participantes. O ex-coordenador do programa, professor Ricardo Ralisch (Departamento de Agronomia), explica que a intenção é contribuir para a formação acadêmica, científica, linguística e cultural dos estudantes. Também objetiva fomentar o potencial para a promoção de ações conjuntas com as Universidades estrangeiras nas áreas das Ciências Agrárias e fortalecer o desenvolvimento do ensino superior, para garantir excelência acadêmica e promover a internacionalização das universidades paranaenses.

São 25 escolas brasileiras e 23 francesas participantes do Brafagri. Cada projeto tem um tema como foco principal, é aprovado pela CAPES e tem duração de 2 anos, prorrogáveis por mais dois: "No decorrer dos anos, a UEL já enviou mais de 70 alunos para intercâmbio. No entanto, depois de 2015, houve grande redução do número de programas com concessão de bolsas destinadas para intercâmbio e que começou a ser retomado a partir deste ano", explica Ralisch.

Na UEL, o programa está atualmente sob coordenação do professor Valter Harry Bumbieris Júnior (Departamento de Zootecnia), com a participação dos professores Pedro Neves e Ricardo Ralisch, ambos do Departamento de Agronomia, e a professora Ana Paula Bracarense (Departamento de Medicina Veterinária Preventiva). Já na França, a entidade responsável pelo programa é a Direction Générale de l'Enseignement et de la Recherche du Ministère de l'Agriculture et de la Pêche (DGER), envolvendo a Escola Nacional Superior de Agronomia de Toulouse (ENSAT), Estabelecimento Nacional de Ensino Superior Agronômico de Dijon (ENESAD) e SupAgro de Montepellier.

O professor Ralisch explica que o estudante selecionado é preparado com um bom volume de informações sobre a realidade brasileira na educação, a estrutura do curso na Universidade e o fazer da agricultura no país, e lá ele vê onde pode explorar isso. "Assim, é possível realizar o compartilhamento de conhecimento entre as atividades daqui e as que são feitas lá. Essa mesma dinâmica é aplicada aqui, pois os alunos franceses que vêm mostram para os demais como é o sistema lá", ressalta.

POLÍTICAS DE ENSINO

São perceptíveis, conforme Ralisch, as diferenças nas políticas implementadas no ensino superior. "No Brasil nós temos uma estrutura curricular muito rígida. Tudo é feito de modo sequencial e em série, sistema que na França é muito mais flexível. Lá o aluno escolhe a estrutura de currículo que deseja estudar dentro do curso, e assim quando o professor chega para lecionar, estão presentes os alunos realmente interessados naquela atividade e que, por motivo de afinidade e compatibilidade, escolheram aquela disciplina. No entanto, aqui no Brasil a rigidez de currículo é amenizada com a flexibilidade comportamental, sempre buscando a solução dos problemas por meio do diálogo, porque o acesso ao professor aqui é mais fácil", explica o professor.

Ele destaca outra diferença: "Aqui, com o tempo, o aspecto biológico foi ganhando mais campo, e a Engenharia acabou perdendo espaço. Na França continua essencialmente Engenharia, no qual o aluno de Agronomia passa pelo ciclo básico de dois anos de estudos com todas as outras engenharias e depois deste período vai para a área especifica do curso. Com essa diferença, os alunos franceses só percebem que a Agronomia é muito mais ampla com parte social, econômica e de agronegócio, quando chegam no Brasil. Porque, aqui a formação é de maior amplitude, de uma forma mais uníssona", explica.

Também é diferente a visão de produção científica: "Existe uma forma de fazer Ciência pela Ciência e o fazer Ciência pela demanda. Na França a academia constrói a Ciência de maneira mais separada do setor produtivo, não levando em consideração as demandas mais urgentes. No Brasil, as universidades levam muito em conta as necessidades do setor produtivo, com um histórico de trabalharem em conjunto", conta Ralisch.

SELEÇÃO DOS INTERCAMBISTAS

Os alunos interessados em participarem do Brafagri enfrentam um processo criterioso de seleção. O candidato precisa ter cumprido no mínimo 40% e no máximo 80% do currículo do curso, até a data de início da bolsa de estudos; apresentar nota igual ou superior a 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), realizados a partir do ano de 2009. No entanto, é proibida a seleção de bolsista que já tenha recebido outra bolsa de estudos no exterior.

Além disso, conforme afirma Ralisch, o retorno ao Brasil deve ocorrer com pelo menos um semestre letivo de antecedência para a conclusão da graduação e assim possibilitar a maior troca de informações e aprendizados adquiridos no período de intercâmbio. Também é necessário comprovar nível mínimo de proficiência em língua francesa - B1 com certificado por testes reconhecidos internacionalmente: DELF ou DALF.

O aluno brasileiro selecionado para a graduação sanduíche, que terá duração de no mínimo quatro meses e no máximo de dez meses, é beneficiado com bolsa concedida pela CAPES, que inclui: auxílio instalação, seguro saúde, adicional localidade (em casos que a cidade é considerada de alto custo, como Paris), auxílio deslocamento e auxílio material didático.


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