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08/11/2018  

Projeto estuda revitalização do Marco Zero de Londrina

José de Arimathéia

"Empreendimentos são catalisadores do crescimento de uma região", destaca a professora Denise de Cássia Rossetto Januzzi

Pesquisa investiga processo de transformação de área próxima ao Marco Zero em área que pertenceu a uma indústria

A professora Denise de Cássia Rossetto Januzzi (Departamento de Arquitetura e Urbanismo) concluiu um projeto de ensino e extensão que estudou o processo de transformação da região do Marco Zero de Londrina, particularmente da área que pertenceu, até 2008, à Indústria Anderson Clayton, correspondente a 180 mil metros quadrados, ou seja, 180 campos de futebol, no encontro das avenidas Theodoro Victorelli (Leste-Oeste) com a Dez de Dezembro (Via Expressa).

As primeiras etapas do projeto consistiram na formação de um embasamento teórico e o levantamento dos dados referentes ao local em documentos diversos: livros, jornais, revistas, publicações científicas, documentos públicos e Internet. Denise coordena o projeto e conta com a participação da professora Maria Luiz Grassiotto, do mesmo Departamento.

A partir de fotografias aéreas do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) e do Google, e com imagens desde 1949, o projeto investigou sete décadas de História da área (uma elipse de raio de 500 metros a partir do marco zero) do ponto de vista da urbanização. O estudo se transformou num material didático a ser disponibilizado na Biblioteca da UEL e usado na disciplina de Urbanismo que a professora ministra para o 4o ano de Arquitetura, na qual aborda as intervenções urbanísticas.

Assim como em outras regiões, a área estudada - localizada no limite entre o Centro e a Zona Leste - continua crescendo, o que gera demandas urbanísticas. Os registros fotográficos documentam as mudanças na região, apesar da escassez de imagens do IPPUL para as décadas de 50 e 60. Já nos anos 70 são encontradas mudanças importantes, como a própria Via Expressa (inaugurada em 1977) e a retirada dos trilhos de trem. Em 1988 foi inaugurada a atual Rodoviária, projetada por Oscar Niemeyer. E na década de 90 alguns lotes começaram a ser preenchidos, e surgiram bairros como o Jardim São Rafael e Morumbi. A veticalização só veio forte em 2008 e este ano novos prédios já apareceram nas fotografias.

A Anderson Clayton deixou de funcionar em Londrina em 2006. Segundo a professora Denise, inicialmente se cogitou transformar a área num conjunto habitacional. Desde os anos 90, por exemplo, existe ali o SEST/SENAT. "Empreendimentos são catalisadores do crescimento de uma região", destaca a professora Denise. Daí a importância de oferecer estrutura.

Na época, foi constatada uma certa vocação da área para o serviço automotivo, considerando a quantidade de empresas do ramo ao redor. Por isso, também foi cogitada a construção de um shopping automotivo. No fim, o projeto para revitalização da área, de 2008, previu um shopping, um teatro, torres residenciais e edifícios comerciais. Além das edificações, um amplo boulevard para circulação e convívio das pessoas - daí o nome do shopping. Parte já existe - como o shopping, um hotel e uma loja de materiais de construção. Já as obras do Teatro Municipal estão paradas há quatro anos. "Era uma área mal vista, insegura, ou seja, havia também uma questão social envolvida a ser resolvida", disse a professora.

Assim, os empreendimentos levaram em conta tanto as necessidades urbanas específicas da cidade quanto a dimensão mais técnica e legal envolvida, como estudos de impacto de vizinhança (EIV) e outras legislações. Claro que o crescimento rápido da área pode gerar alguns novos problemas. No caso, o fluxo de veículos na região aumentou expressivamente, e é um dos pontos negativos e desafio a ser enfrentado, de acordo com Denise.

Tensão

Uma das fontes da pesquisa para o projeto foi o imobiliarista Raul Fulgêncio, diretamente envolvido nos empreendimentos erguidos na região estudada após o fechamento da indústria. Em entrevista à professora, ele relatou parte da história da revitalização da área, que não foi isenta de alguma tensão. As questões ambientais, sociais, econômicas e as exigências do Poder Público tiveram que ser bem equacionadas a fim de garantir o investimento no espaço e promover melhorias de maneira geral. A professora Denise lembra, por exemplo, da chamada "Lei da Muralha", que até 2012 proibia a instalação de grandes empreendimentos dentro de um quadrilátero central da cidade. Por outro lado, era preciso convencer a iniciativa privada a investir.

Esta tensão, porém, de certa forma revela seu próprio remédio. A professora explica que, atualmente, quando se discute revitalização de áreas urbanas (seja por abandono ou outra razão), fala-se em parcerias entre o Poder Público e a iniciativa privada. A decisão de revitalizar e de que forma fazê-lo depende do contexto local e por isso é de competência do município, através de seus diferentes segmentos sociais. "É preciso unir gestão pública e participação popular, numa tomada de posição política", completa Denise.

No final, o saldo é positivo, na avaliação da coordenadora do estudo. Segundo ela, os empreendimentos realmente catalisaram o desenvolvimento da região, não provocaram a gentrificação (saída da população de baixa renda e entrada dos mais ricos) e valorizaram os imóveis na região.

Produção de conhecimento

O projeto encerrou formalmente mas os estudos prosseguem. Em sua disciplina, a professora Denise utiliza o material produzido para apresentar a história da área aos alunos e criar projetos de todo tipo - residenciais, paisagísticos, multiuso, etc. - que revitalizem e melhorem ainda mais a região. A pesquisa também gerou artigos já encaminhados para publicação e, futuramente, a ideia é publicar um livro com os resultados de pesquisas anteriores e posteriores.

Vista aérea do Marco Zero em 1949

Vista aérea do Marco Zero em 2018



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