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17/08/2018  

Modelos dos ônibus dificultam acesso de idosos

José de Arimathéia

Estudo inédito mostra que o design dos ônibus exige mais esforço de idosos para subir e é mais uma barreira contra a acessibilidade e exercício da cidadania

Quem utiliza transporte coletivo seguramente já percebeu como o primeiro degrau do veículo é alto e exige um certo esforço para subir. A tese de Doutorado de André Wilson de Oliveira Gil, intitulada "Análise da contribuição dos músculos de membros superiores e inferiores na tarefa de subir degraus de ônibus coletivo em idosos", defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação Física associado UEL/UEM, traz um estudo inédito sobre este esforço físico. A pesquisa foi orientada pelo professor Denílson de Castro Teixeira (Departamento de Educação Física) e coorientada pelo professor Rubens Alexandre da Silva Junior (Universidade de Quebec).

Segundo o professor Denílson, a pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Universidade do Norte do Paraná (Unopar), onde Denílson foi e André é docente, e onde está o aparelho usado na medição de força (dinanômetro).

Pela primeira vez, um equipamento foi criado (por uma empresa em São Paulo) especificamente para medir a força empregada pelos idosos, tanto pelos braços quanto pelas pernas, na aparentemente simples ação de subir num ônibus. Os dados foram coletados em duas etapas, sendo a primeira para validar os parâmetros metodológicos do estudo. Na segunda, 40 idosos (metade homens e metade mulheres) e 40 jovens (grupo controle) fizeram o movimento de subir no ônibus, enquanto sensores no aparelho mediam o esforço.

Outro aspecto inédito e importante da pesquisa é que ela levantou dados objetivos sobre o esforço dos usuários idosos do transporte coletivo, e não apenas percepções. Os participantes da pesquisa tinham todos mais de 60 anos e, embora sedentários, eram independentes, ou seja, andam sozinhos pela cidade, embora vulneráveis mesmo assim. Além disso, segundo André, "a literatura apresenta poucos estudos a respeito da tarefa de subir degraus, principalmente quando consideramos o componente dos membros superiores, importantes suportes nessa tarefa quando há corrimãos".

Altura dos degraus

A altura dos degraus é definida pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro) e o primeiro pode ficar a 45cm do chão. Os demais, a 30cm um do outro, totalizando 1,05m. Nos ônibus de Londrina, o primeiro fica a 40cm do chão e o corrimão fica a 1,16m do chão. O estudo mediu a força empregada pelas mãos ao segurar o corrimão (preensão) e pelos braços para impulsionar o corpo para cima (tração), além das pernas. Primeiro, os idosos faziam os dois esforços com toda a força para medir o que seria os 100%. Ao realizar a ação de subir os degraus, o estudo mostrou que os idosos usavam cerca de 70% da força total de que eles dispõem para realizá-la, enquanto os jovens usam apenas metade disso. Considerando a perda natural de força nos membros em razão da idade, as dificuldades são evidentes.

A conclusão da pesquisa vai muito além dos dados quantitativos de esforço físico. Ela aponta para a necessidade de remodelar o design dos ônibus para que garanta o acesso dos usuários idosos sem tanto esforço. Para o professor Denílson, isto é um problema que causa exclusão de idosos, pois um grande número deles depende do transporte coletivo e muitas vezes até ficam inibidos em utilizá-lo, dada a dificuldade de subir nos veículos, inclusive enfrentando a falta de paciência de outros passageiros e de um ou outro motorista. "É um questão de exercício de cidadania", sintetiza. André, por sua vez, observa que a situação real cotidiana pode ser ainda mais difícil para os idosos, considerando, entre outros aspectos, o relevo dos pontos de ônibus, o movimento nos terminais ou detalhes como diferenças de altura entre os veículos. Um exemplo: quando os ônibus param bem próximos ao meio-fio, sua pequena altura já ajuda a usar menos força até o primeiro degrau. Caso contrário, o esforço é maior ainda, porque o idoso tem que descer o meio e depois subir novamente. "As barreiras arquitetônicas dificultam a acessibilidade e a vida autônoma de muitos idosos e de pessoas com diferentes tipos de deficiência e muitas vezes impedem o exercício mais básico dos direitos de qualquer cidadão: o de deslocar-se livremente", afirma o autor da tese.

Em seu estudo, André salienta que a natural redução de massa e força muscular, associada a outros fatores (ambientais, por exemplo) leva os idosos a terem prejuízos funcionais. No sul do Brasil, cerca de 37% dos idosos apresentam comprometimento na capacidade funcional, número que passa da metade na região norte.

O professor Denílson destacou ainda que a Banca avaliadora da tese destacou a pesquisa por seu resultado aplicável, com dados objetivos capazes de subsidiar uma discussão imediata com as empresas sobre os modelos dos veículos. A pesquisa foi indicada para publicações internacionais.


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