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Universitários vivem rotina de mecânicos
Aos poucos o clima da Stock Car vai tomando conta da cidade e ontem chegou à Universidade Estadual de Londrina (UEL). Estudantes dos mais diversos cursos tiveram a oportunidade de conhecer um pouco do que é a correria dos mecânicos que trabalham nos boxes, quando os pilotos param para o pit stop.
Quatorze equipes, cada uma formada por três alunos, participaram de uma competição onde o objetivo era trocar um dos pneus de um stock car no menor tempo possível, com os mesmos equipamentos utilizados durante as provas da modalidade. O evento foi organizado pela equipe Red Bull Racing, a mesma de Daniel Serra e Cacá Bueno, respectivamente, líder e vice-líder do campeonato de 2012. ''Fazemos em todas as cidades onde são disputadas provas da Stock Car. A equipe que vencer tem o direito de assistir a corrida nos boxes da Red Bull'', explicou Vitor Sena, que trabalha no departamento de marketing da equipe e é estudante de Administração da UEL.
Depois de algumas explicações básicas, os estudantes correram contra o tempo. Cada integrante da equipe desempenhava uma função, ficando um responsável por levantar o carro, outro por desparafusar e o último por ajudar na troca retirando um pneu e colocando o outro na posição certa.
George Alfredo Correia ficou com o trabalho de manejar a pistola pneumática, o que parecia ser o mais díficil para todas as equipes. ''É bem bacana, dá pra ver o que os caras passam na hora da corrida'', disse o estudante de engenharia elétrica.
A equipe dele ''I will be back'' completou a prova em 15 segundos e chegou a sentir o gosto dos ingressos para a Stock, já que a maioria das outras equipes passou dos 20 segundos.
Mas o trio Giovani Honório Formigoni, Laura Palhano e Ricardo Gonçales, do curso de Zootecnia se saiu ainda melhor.
Formigoni, que há dias queria participar da competição, conseguiu convencer os colegas de última hora e mesmo sem tempo de criar um nome para a equipe, os estudantes completaram a tarefa em 11 segundos. ''Eu nem pensava mais em ir ver a Stock, mas agora vai ser massa'', afirmou Formigoni.
João Fortes - Reportagem Local
Romeu & Julieta das Arábias
''As Flores de Kirkuk'' conta a história de um amor proibido tendo como pano de fundo as barbáries do governo de Saddam Husseim
Uma história de amor proibido que atravessa fronteiras, preconceitos e ideologias, a coprodução sueco-italiana ''As Flores de Kirkuk'' - estreia desta semana na programação do Cine Com-Tour/UEL - conta, tendo como o pano de fundo as barbáries do governo iraquiano de Saddam Hussein, um romance separado pela tradição de ódio entre duas etnias.
Nos primeiros minutos do filme, uma colagem de notícias e imagens reais apresentam a queda do governo de Saddam (derrubado em 2003, após os EUA invadirem a capital do Iraque) e, rapidamente, em um flashback desencadeado por um misterioso diário vermelho, somos levados aos anos 80, acompanhando a busca da protagonista Najla (Morjana Aloui) por seu namorado 'desaparecido' Sherko (Ertem Eser). Ela carrega uma carta dele, que revela sua última localização conhecida.
Enquanto ela viaja de Roma até a casa de sua família na cidade de Kirkuk - localizada no Nordeste do Iraque - entendemos que Nadja também se sente como uma estrangeira naquelas terras desérticas. Dona de uma mentalidade 'ocidentalizada', a personagem tem dificuldade em reconhecer os costumes de seu próprio país; morando na Europa desde a sua adolescência, ela logo se vê obrigada a enfrentar os tabus videntes na sociedade local, principalmente ao se hospedar na mansão de seu tio, que não via há anos.
Logo, a essência central do conflito é revelada na narrativa: o amor da vida de Najla é curdo, e isto torna impossível para o casal ter um relacionamento estável dentro da lei iraquiana. Para piorar a situação, o governo de Saddam está exterminando sumariamente a população curda, usando armas químicas e campos de concentração para promover a sua 'limpeza' étnica. Comovido pela situação de seus amigos e parentes, Sherko resolveu abandonar a sua vida passada (e, junto com ela, Najla) para se dedicar a cuidar dos feridos nos massacres.
Essa fórmula 'Romeu e Julieta' das arábias sai do eixo pela excelente presença de Mokhtar (Mohamed Zouaoui), um oficial do exército iraquiano que se vê atraído pela bela - e petulante - Najla. Perdido entre o amor e o ódio, Zouaoui faz a atuação mais competente entre todos os personagens do longa, e é peça fundamental dentro de um triângulo amoroso fascinante; é interessante notar como o seu lado sombrio é muito mais interessante que o do mocinho Sherko, que nunca transparece nenhuma dúvida em suas ações virtuosas.
Escrito e dirigido pelo cineasta iraniano Fariborz Kamkari, a força maior do roteiro não está na sua história de amor (que em alguns momentos é aguada e sem graça), mas no conflito estabelecido entre as relações sociológicas dos personagens. Nisto, a experiência pessoal do cineasta - que nasceu na Itália, mas possui forte ascendência árabe - contribuiu de maneira fundamental. A sua protagonista é forte, inquieta, revoltada e determinada a enfrentar os antigos costumes da sociedade.
Apesar de pecar pelo exagero em alguns momentos - com algumas cenas dispensáveis de romantismo e de heroísmo do casal principal - ''As Flores de Kirkuk'' acaba tendo sucesso em contar uma boa história, tecnicamente bem realizada e que ilumina aspectos importantes (e quase esquecidos) do massacre curdo executado por Saddam Hussein. O perigo é inferir que, depois da chamada 'democratização iraquiana', muita coisa mudou pra lá de Bagdá.
Rafael Ceribelli - Reportagem Local
Nunca Mais Minta Para Mim
- Exposição reúne obras dos artistas Cínthia Santana, Flávia Junqueira, Mariana Bueno, Peterson Dias, Rodrigo Moreno e Eduardo Sancinetti na Casa de Cultura da UEL - Divisão de Artes Plásticas (Av. JK, 1973). Até 17 de agosto, de segunda a sexta, das 8h às 12h, e das 14 às 18h. Informações: (43) 3322-6844.
Cuidar, Curar, Lembrar
- A Memória da Saúde em Londrina - Mostra retrata, por meio de objetos, fotos e textos, a prática de atendimento à saúde em Londrina desde a época da colonização até a década de 70. Visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 11h30, e das 14h30 às 17h30. Aos sábados e domingos, das 9h às 11h30, e das 13h30 às 17h. Até agosto, no Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900, Centro). Tel. (43) 3323-0082 e 3324-4641.
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Equipe faz pit stop no restaurante da UEL
Brincadeira da equipe Red Bull Racing, de Cacá Bueno, desafiou alunos da UEL a trocarem pneu de um carro de competição, equipe vencedora vai assistir à prova de dentro dos boxes
Uma brincadeira da equipe Red Bull Racing, que disputa a 5ª etapa da Stock Car em Londrina neste domingo, mudou a rotina dos estudantes que passavam pelo pátio do Restaurante Universitário da UEL, na manhã de ontem. A competição Pit Stop Challenge testou as habilidades dos universitários em substituir o pneu de um carro da prova, utilizando equipamentos reais. Embora nesta temporada a Stock Car tenha abolido os pit stops para troca de pneus e reabastecimentos, a equipe de Cacá Bueno manteve a brincadeira realizada em grande parte das cidades brasileiras que recebem as etapas da competição.
Ao meio-dia, dezenas de estudantes se reuniram em torno do carro do usado por Cacá Bueno para torcer pelos amigos ou só para dar risada da falta de jeito da maioria. Quinze equipes de três pessoas se inscreveram na competição, que tinha como prêmio convites para assistir a etapa Londrina da Stock Car de dentro do box da Red Bull, no Autódromo Ayrton Senna. “Vim participar porque gosto de carro e vou a Stock Car domingo. Mas nunca troquei um pneu na vida. Fiquei ali atrás, ajudando a erguer o carro”, contou e estudante de agronomia Jéssica Pestana, 20 anos, que participou da prova com dois amigos.
Montada de última hora, por desistência de uma das equipes, a equipe “Qualquer nome”, formada pelos estudantes de zootecnia Laura Palhano, Giovane Formigoni e Ricardo Gonçalves, ganhou a prova ao trocar um pneu em 11 segundos e 64 milésimos – o recorde nacional da brincadeira eram 11 segundos. “Topei mais para brincar mesmo, achei que a gente nem ia conseguir, porque sou muito desastrada. Foi na sorte”, disse Laura.
“Meu pai é mecânico e eu trabalhava com ele, acho que isso ajudou. Na verdade, eu quis participar desde o começo, quando vi a divulgação na internet, mas meus amigos não quiseram”, conta Giovane.
O bom tempo feito pela equipe da Atlética da UEL (18 segundos) chamou a atenção pelo fato de um dos integrantes nem ser universitário. Ao contrário da maioria dos que passam pelo RU todos os dias, Gabriel Lopes Miranda, 17 anos, não faz faculdade. “Eu vendo bombons que uma amiga faz. Consigo vender um 40 por dia, a R$ 2 cada. Treino futebol, mas quero fazer faculdade de Medicina Veterinária.”
Feliz com o terceiro melhor tempo da prova, Gabriel explicou que já tem certa experiência com pneus. “Já trabalhei como borracheiro, mas nunca tinha participado de uma competição. Eu estava bem nervoso.”
Mas a garantia de diversão para o público que assistia à prova foi mesmo a equipe “Corinthians”. Devidamente uniformizados, os meninos não deram conta de trocar o pneu e tiveram que ouvir alguém gritar da plateia “Boca!”, numa referência ao adversário do clube paulista na final da Libertadores.
“Deu tudo errado. Colocamos esse nome para dar sorte, mas essa torcida contra deu zica. Espero que no jogo [da próxima quarta-feira] não seja assim”, brincou o estudante de administração Marcelo Cavalini de Araújo, 20 anos.
Bruna Komarchesqui
Ponto de Vista
Duas espécies de pombos perturbam Londrina: o pombo doméstico e a pomba amargosinha (pomba-de-bando ou avoante). O pombo doméstico é uma espécie exótica, com origem no Mediterrâneo europeu, que foi trazida para o Brasil no século XVI. É uma espécie que pode apresentar riscos para a saúde da população, pois, segundo uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública da USP, indivíduos desta espécie podem transmitir até 70 tipos diferentes de doenças. Já a pomba amargosinha é uma espécie nativa da região, cuja população tem aumentado significativamente ao longo dos anos devido à expansão da agricultura e do desmatamento. É uma espécie que pode apresentar movimentos migratórios, com deslocamento de bandos em busca de alimentos durante o dia, e de dormitórios ao anoitecer.
Tentativas de manejo de pombos com o objetivo de controlar suas populações foram realizadas na cidade com o uso de aparelhos sonoros, construção de pombal e aplicação de gel repelente. Tais tentativas não foram bem sucedidas e nem poderiam ser, visto que não houve qualquer estudo sistematizado sobre a biologia das espécies de pombas. Sem contar que o gel repelente utilizado como teste para espantar as pombas, à base de polibuteno, poderia ter causado graves problemas como o que ocorreu na Bahia em abril deste ano, quando um gel repelente semelhante foi usado para espantar pombos e morcegos no telhado da Rodoviária de Ilhéus, resultando em morte de centenas de aves, com o Ibama autuando os responsáveis pelo dano ambiental.
Desde o ano passado, vem sendo desenvolvido um projeto de pesquisa, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas da UEL, que envolve as espécies da família Columbidae (família dos pombos) que ocorrem na área urbana e rural de Londrina. Pretende-se, ao final do trabalho, que algumas questões sobre a ecologia das espécies estudadas sejam respondidas. Ademais, o trabalho também apresentará resultado de interesse social, uma vez que a pomba amargosinha, que tem causado problemas em razão de sua abundância populacional na região, também é uma das espécies do estudo.
Embora o grande número de pombas seja um transtorno para a cidade, a presente pesquisa não obteve nenhum tipo de apoio da Prefeitura e/ou da Secretaria de Meio Ambiente de Londrina. No início, os pesquisadores responsáveis procuraram, sem sucesso, o Poder Público. Assim, caso a pesquisa tivesse obtido o apoio almejado, principalmente financeiro e logístico, muitas das questões de interesse público já poderiam estar sendo respondidas. Sem o apoio do Poder Público, a pesquisa seguiu o caminho mais adequado às condições acadêmicas, com recursos disponibilizados pelo Programa de Pós-graduação da Universidade, muito embora sejam insuficientes em razão das necessidades e complexidades do tema.
*Priscila M. Fontoura é mestranda em Ciências Biológicas na UEL e Mário Orsi é biólogo e professor da UEL