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Começo de uma nova vida
Para usufruir bem da aposentadoria é preciso se preparar física e financeiramente com antecedência, diz especialista
A aposentadoria é responsável por marcar um momento de transformação na vida das pessoas. Afinal, a partir desse momento, o trabalhador deixa o mercado de trabalho e tem o tempo livre para fazer o que quiser, certo? Deveria ser assim, mas na maioria dos casos não é o que ocorre. Para usufruir da condição de aposentado sem ''dores de cabeça'' é preciso se preparar com antecedência, tanto mental como financeiramente.
A professora de Psicologia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Alba Maria Mattos Costa, classifica o momento como uma situação de perda, onde o indivíduo terá que lidar com a sensação de não ser mais útil e por deixar seu posto no mercado de trabalho.
Segundo ela, em um primeiro momento o ex-trabalhador talvez pense que esta é a hora de realizar coisas que nunca teve oportunidade enquanto esteve ocupado com suas funções. ''Até gera uma empolgação (os primeiros momentos da aposentadoria), mas quando o aposentado se depara com um dia após o outro e vê que não é bem assim, isso pode gerar quadros de depressão e ansiedade. É preciso estar atento e saber como agir'', atesta a professora.
Medidas simples, de acordo com a professora, podem ser a saída para um envelhecimento saudável. A aposentadoria precisa ser encarada como um momento de redescoberta. ''Estando com saúde não há idade para começar algo que sempre se quis fazer. Talvez voltar a estudar, se inserir em novos grupos. É preciso se sentir ocupado com algo que dê prazer'', revela.
A ''chave'' para estar com a cabeça em dia e pronto para as novas perspectivas que serão proporcionadas pela aponsetadoria, podem estar conforme Alba, no preparo com antecedência. ''Posso começar antes meu preparo, com relação à saúde. A velhice é para ser curtida, e o planejamento é importante para que ela seja bem vivida'', argumenta.
Mas, não só a saúde corporal que pode fazer a diferença para uma aposentadoria tranquila. O bem-estar da vida financeira também é importante. Para o professor doutor em economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Carlos Roberto Ferreira, no entanto, o brasileiro de forma geral não faz os ajustes necessários para isso. ''Estamos avançando no sentido de uma educação financeira, mas essa mudança de comportamento está em um estágio inicial'', aponta
O teto da aposentadoria estipulada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) gira em torno, hoje de R$ 3,9 mil e para quem planeja ter uma renda extra o professor dá dicas básicas. ''Não é todo mundo que consegue o teto da aposentadoria e se quiser um complemento da renda precisa se programar o quanto antes'', alerta.
O primeiro passo é ter um controle dos gastos mensais. Aqui é fundamental trabalhar, segundo o professor, com anotações. ''Só colocando no papel se terá a noção exata do quanto se gasta. Isso será bom até mesmo para que se possa cortar gastos desnecessários, caso exista algum'', orienta. ''Quanto mais cedo se preocupar com poupar melhor. Por volta dos 30, 40 anos também é possível fazer, mas o sacrifício será maior'', completa.
Tornar as anotações um hábito proporcionará ao trabalhador poupar dinheiro e nesse processo vale a pesquisa, conforme Ferreira. Atualmente são muitas as formas de investimento oferecidas pelos bancos e cada instituição tem um prática diferente de valores. ''Existem diversos produtos e as regras são claras, cabe o indivíduo fazer uma pesquisa e ver qual é a forma que mais lhe atrai''. determina.
Vinícius Fonseca - Reportagem Local
Dona de casa acaba de se 'conectar'
Em Londrina, onde o acesso à internet foi classificado como homogêneo pela expedição WDC/Abranet, com grande oferta de operadoras e portanto custo baixo, também persiste a situação de famílias com baixo poder aquisitivo que sequer têm computador em casa. Quem confirma é Marcelo Casanova, presidente do projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Galera de Deus, que trabalha com a inclusão social de crianças na Zona Leste da cidade.
A dona de casa Lazinha Albuquerque, do Santa Fé (Zona Leste), é uma das poucas moradoras que tem um computador em casa, presente da filha mais velha. Até pouco tempo atrás, a máquina não tinha acesso à internet. Porém, as idas frequentes de três das quatro filhas à lan house para realizar trabalhos de escola estavam ficando mais caras que ter acesso à rede em casa. Assim, Lazinha resolveu contratar um pacote de internet econômica oferecido por uma operadora local. O pacote custa R$ 29,90, sendo que a hora em uma lan house, segundo Diego Leonardo (14 anos), outro participante do projeto, custa de R$ 2 a R$ 3. Diego não tem internet em casa, mas conta com a solidariedade de Lazinha e suas filhas para fazer suas atividades com a ajuda da web.
A preocupação com o que as filhas acessam também levou à decisão de contratar um plano de internet banda larga, diz a dona de casa. ''Agora que tem internet em casa eu posso ficar de olho se elas realmente estão fazendo trabalho.'' Como há apenas um computador na casa, as meninas se revezam para estudar e, claro, aproveitam para visitar as redes sociais. Lazinha, que faz um curso de cuidadores de idosos, também está aprendendo a usar a internet para fazer pesquisas. (M.F.C.)
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A arte que pretende curar
Estratégia que leva linguagem diferente à terapia tradicional, facilita aos pacientes a exposição de problemas; na UEL, clínica oferece atendimento a famílias por meio da técnica
Se a terapia tradicional pode ser um pouco dolorosa para os pacientes, um bom caminho para mudar isso é a arteterapia. A psicoterapia que utiliza a expressão artística como tratamento surgiu no começo do século passado em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo a psicóloga Maíra Bonafé Sei, doutora em psicologia clínica e autora de publicações na área, a arteterapia leva uma linguagem diferente para o tratamento do paciente. “Além da comunicação verbal você tem atividades, materiais que facilitam a comunicação, especialmente quando a gente tem pessoas que precisam desse outro meio para se comunicar.” É um mecanismo, segundo ela, que facilita principalmente a comunicação com as crianças.
A Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) começa a desenvolver um projeto de extensão que propõe o atendimento a famílias a partir da arteterapia. “São os estudantes, participantes desse projeto, que realizam o atendimento às famílias, que são encaminhadas a eles ou procuram espontaneamente a ajuda”, explica a psicóloga.
Em fevereiro começou a qualificação dos alunos que fariam os atendimentos e desde o início de maio alguns já estão atendendo. É o caso de Salomé de Moura Fereli, estudante do quinto ano de psicologia. Apesar do pouco tempo, ela diz gostar da experiência. “Estou achando o máximo, porque a pessoa coloca no desenho ou na construção [referindo-se à expressão artística] coisas que ela nem imagina. Depois que você começa a conversar, ela começa a falar. Se fosse uma abordagem direta, dificilmente a pessoa traria tão facilmente aquela informação.” No momento Salomé está na terceira semana de atendimento a uma família, composta por um casal e seu filho. A estudante ainda ressalta que, para ela, o diferencial é usar as técnicas da arte, como giz, tinta, colagem e recortes. “Na arte a pessoa não tem muito filtro. Se ela tem dificuldade de expressão verbal, a emoção flui normalmente pela arte.”
“No processo arteterapêutico fortalecemos as potencialidades do indivíduo. A arteterapia é preferencialmente assentada nas artes plásticas e visuais. A dança, música e o teatro são complementos dentro da arteterapia”, explica Fabíola Gaspar, que mantém em São José dos Campos (SP) o Núcleo de Arte e Educação e, em agosto, vai oferecer uma pós-graduação na cidade (leia texto ao lado). Ela afirma que a função da arteterapia é reconhecer a fragilidade da pessoa e trabalhar no sentido de fortalecer o lado restaurador.
Serviço: Quem desejar o atendimento da arteterapia deve procurar a Clínica Psicológica da UEL. O telefone é (43) 3371-4237.
“Não fica cutucando a ferida” Em Londrina a arteterapia ainda está dando os primeiros passos, mas Silvia Maria Moreira, moradora de São José dos Campos, já conhece os seus benefícios há 16 anos. Silvia ficou sabendo da existência da arteterapia e foi procurá-la para ajudar o filho, Fernando, que na época tinha 8 anos. “Ele é adotivo e estava passando por um processo de entendimento [da própria realidade]. E eu não sabia como funcionava terapia para crianças nessa idade.” Segundo Silvia, em aproximadamente quatro meses, o menino já começou a entender e aceitar o que se passava à sua volta. Silvia também precisou da ajuda da arteterapia anos mais tarde. “Comigo foi mais a parte de plástica e desenho. E funcionou, pois eu sempre tive muita dificuldade de me expor, e o desenho não nos deixa mentir.” Para ela, todo o êxito do tratamento foi devido a essa maneira diferente de atender que a arteterapia tem. “Porque foi sem sofrimento, suave. Não teve aquela coisa da terapia tradicional, de ficar cutucando a ferida da pessoa. Foi ótimo para ele e para mim também.”
Núcleo oferece especialização
O Núcleo de Arte e Educação (Nape), de São José dos Campos (SP), vai oferecer a partir de agosto em Londrina um curso de pós-graduação em arteterapia. Segundo a psicóloga e arteterapeuta Fabíola Gaspar, coordenadora do curso, pessoas de várias áreas podem participar. “Todos os profissionais graduados e interessados no curso podem fazer a especialização, sejam das mais diferentes áreas [artes, educação, saúde, social, comunicação e afins]. Não há necessidade de habilidades artísticas por parte do aluno.” O curso terá a duração de 18 meses, com aulas nos fins semana, e inclui supervisão de estágio. Em São José dos Campos, o curso já está na sétima turma. Os interessados devem enviar para o Nape os documentos necessários para a inscrição. A relação desses documentos pode ser encontrada no site www.napesjcampos.com.br. As aulas terão início no dia 25 de agosto.
Rafael Sanchez, especial para o JL
Entidades levam ações ambientais ao Igapó 2
Evento, organizado pelo Lions Clube de Londrina, envolveu perto de mil pessoas
Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), Londrina realiza um movimento de conscientização sobre o aquecimento global. Na tarde de ontem, um evento organizado pelo Lions Clube reuniu no aterro do Lago Igapó II entidades e população em torno da defesa do meio ambiente. Este ano, o Brasil foi escolhido para sediar as atividades globais de celebração da data, que terá a atenção de milhares de pessoas no mundo todo.
O movimento realizado pelo segundo ano em Londrina tem o objetivo de esclarecer a população sobre a problemática ambiental. “Queremos despertar a importância da preservação do meio ambiente. E o problema do aquecimento global é uma das preocupações, explica o coordenador do evento, Mário Sérgio Azenha de Castro.
Ele comemora o alcance do movimento. “Uma vez que 250 escolas receberam os cartazes e as atividades foram divulgadas pela imprensa, muita gente já se atentou para a questão. É um grão de areia, mas estamos fazendo a nossa parte”, diz Castro. A organização esperava uma circulação média de mil pessoas no aterro até o final da tarde.
No palco, apresentações do Clube da Viola e de duplas sertanejas eram intercaladas com informes sobre questões ambientais. O público circulou pelas barracas das entidades, que promoveram brincadeiras, exposições e outras atividades. ”Aqui os pequenos aprendem sobre os animais em extinção, deixam mensagens, fazem desenhos sobre o tema”, explica a professora Patrícia Rosa da Silva, do Departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Outro grupo do mesmo departamento exibia uma coletânea de imagens recuperadas do Lago Igapó, do Parque Arthur Thomas e do campus da UEL e espécies da fauna local – algumas que já não existem mais. A professora Vera Lúcia Bahl de Oliveira também explicava como trabalhar com a compostagem de lixo orgânico. “Durante o ano, nosso projeto leva informações como essas para escolas do ensino fundamental e médio.”
A vendedora Maria Inês Guimarães aproveitou a tarde para circular pelo evento junto da tia Ednalva de Oliveira, e a filha, Ana Vitória. Elas levaram para casa panfletos e mudas de árvores. “É bom porque orienta desde cedo as crianças sobre a preservação do planeta. Lá em casa, é ela [filha] quem chama a atenção se eu deixo a porta da geladeira aberta”, diz. Ana Vitória gostou mesmo das brincadeiras, mas comenta que aprendeu a importância de colocar lixo no lugar certo. “Também aprendi a cuidar das plantas e do meio ambiente”, completa a menina, de 8 anos.
Jackeline Seglin