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Um Filo cheio de memórias
Mesmo sem o Teatro Ouro Verde, festival inova com programação de 23 dias que traz 115 apresentações nacionais e internacionais
Sob o tema ''memória'', em suas mais variadas formas, a 44 edição do Festival Internacional de Londrina (Filo) dá início à programação oficial que será realizada de 8 a 30 de junho. Em coletiva de imprensa realizada ontem, na Casa de Cultura, o diretor Luiz Bertipaglia deixou claro que a temática deste ano não foi por acaso: ''Devido ao incêndio do Ouro Verde, estamos em um ano atípico e é muito importante a conscientização do valor dos nossos patrimônios culturais. O Filo sempre teve a característica de trabalhar com espaços inusitados e alternativos, mas é fundamental que também tenhamos equipamentos culturais bem estruturados. A intenção não é polemizar, mas não podemos perder isso de vista'', afirmou. O evento também contou com a presença da vice-reitora da Universidade Estadual de Londrina UEL), Berenice Jordão; do secretário municipal de Cultura Aldo Moraes e da supervisora de marketing da Caixa Econômica Federal, Sílvia França.
Com uma programação diversificada e mais extensa - este ano serão 23 dias de apresentação ante os 18 do ano passado -, com 115 apresentações de grupos do Brasil e mais sete países, Bertipaglia explicou que o festival conseguiu manter praticamente na íntegra a programação que já estava prevista antes do incêndio do Teatro Ouro Verde. Apenas o espetáculo da companhia francesa Phillipe Genty foi cancelado por não poder ser adaptado para nenhum outro espaço disponível na cidade. Em 2008, o mesmo grupo participou do Filo com o espetáculo ''Les fin des terres'', em apresentação aclamada no Ouro Verde.
''Este ano tivemos que investir mais na adequação dos espaços alternativos e também aumentar o número de apresentações, já que antes podíamos acomodar 850 pessoas em uma única apresentação. No Teatro Marista teremos três espetáculos, totalizando sete apresentações'', exemplificou. O espetáculo de abertura ''Preferiria Não?'', de Denise Stoklos, será realizado no dia 8 de junho, às 20h30, no Teatro Marista, com reapresentação no dia seguinte.
Entre os destaques internacionais estão ''Translunar Paradise'', do Theatre Ad Infinitum (Inglaterra); ''La Tempestad'', do Teatro Varasanta (Colômbia); ''Sin Sangre'', do Teatro Cinema (Chile) e ''Fakir'', dos clowns do Krasky Vostoka (Quirguistão). As 29 atrações brasileiras - sete de Londrina - incluem teatro infantil, de animação e bonecos, circo, música, atrações de rua, instalação performática e um panorama do teatro nacional, com um recorte para produções no Sudeste, Sul e Nordeste.
O Filo ainda terá como sala de espetáculo o Teatro Zaqueu de Melo, além dos espaços alternativos Teatro Filo, Usina Cultural, Circo Funcart, Centro Cultural do Sesi, Teatro Vila Rica e Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL. Também serão apresentados espetáculos no Zerão, Concha Acústica e Praça Marechal Floriano Peixoto. O Filo também estende parte da programação às cidades vizinhas de Cambé e Cambará. O festival é realizado pela Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná (Àmen) e Universidade Estadual de Londrina.
Menos recursos
Com relação ao orçamento deste ano, o diretor informou que até agora está garantida a verba de R$ 1,050 milhão, mas que ainda aguarda mais recursos provenientes da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e do Governo do Estado do Paraná. Da verba para 2012, R$ 450 mil é proveniente da Petrobras, R$ 350 mil da Prefeitura de Londrina e R$ 200 mil da Caixa Econômica Federal, além do patrocínio da Copel e Unimed Londrina. No ano passado, o Filo contou com o recurso de R$ 1,6 milhão. ''Tivemos uma redução de recursos este ano e acho que parte disso se deve ao ano eleitoral e à realidade econômica atual'', pontuou.
Sobre a realização da programação musical do Cabaré do Filo, que voltou a acontecer no ano passado depois de um ''jejum'' de dois anos, Bertipaglia informou que não há nada previsto. O que está certo é mais uma versão do Ponto de Encontro no Bar Valentino, que irá reunir 13 bandas locais. O evento também lança este ano, em parceria com o Londrina Convention and Visitors Bureau, a campanha Restaurantes Parceiros, que prevê descontos especiais para quem apresentar ingressos do Filo 2012 nos estabelecimentos associados.
Atividades formativas
O festival mantém a programação de atividades de formação, pesquisa e aprimoramento artístico, realizando bate-papos e demonstrações de trabalho com artistas participantes das mostras nacional e internacional.
Os projetos socioculturais desenvolverão em 2012 atividades com grupos da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina (Adevilon); Cia. de Dança Cristal, composto por jovens do Centro de Produtores Independentes de Arte e Cultura (Cepiac), e integrantes da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati).
SERVIÇO
- Festival Internacional de Londrina
Quando - De 8 a 30 de junho
Abertura da bilheteria - 2 de junho (sábado), no Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 210), em Londrina. Até 7 de junho, os ingressos serão vendidos a preços promocionais: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). A partir do dia 8, passam a custar R$ 30 e R$ 15 (meia). Clientes da Caixa têm direito a 20% de desconto
Informações - www.filo.art.br
Ana Paula Nascimento - Reportagem Local
Esforço que vale a pena
Os paradigmas comuns a estudantes cotistas foram vencidos por Silvia Castro, 27 anos, durante o período em que cursou Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''É um engano pensar que o único desafio enfrentado por negros e pardos é conseguir entrar na universidade através das cotas. Manter-se no curso exige muito esforço e disciplina'', afirma.
Silvia diz que já havia prestado dois vestibulares antes de conseguir uma vaga pelas cotas em 2005. ''Sempre estudei em escola pública e comecei a trabalhar com apenas 15 anos para ajudar nas despesas de casa. Na época do vestibular eu trabalhava como escriturária de manhã, dava aulas de balé à tarde e tinha um emprego de caixa à noite. Acho injusto tentar disputar uma vaga com uma pessoa que dedicava todo seu tempo aos estudos'', argumenta.
Ela destaca que é a primeira pessoa de sua família a fazer um curso superior e lembra do preconceito sofrido na universidade. ''Meu pai é operador de máquina e minha mãe auxiliar de enfermagem. Eles incentivaram a mim e aos meus dois irmãos a estudar, mas só eu consegui me formar. É muito difícil romper esse ciclo de abandono dos estudos. Durante a graduação sofri preconceito velado a ponto de em uma avaliação em grupo eu ficar com uma nota menor que os demais integrantes'', enfatiza.
Para atingir sua meta, Silvia destaca que contou com o apoio da mãe. ''Eu tive dois filhos ainda adolescente, o primeiro com apenas 17 anos. Esse é uma realidade bastante comum para quem vive na periferia. Mas minha mãe se propôs a me ajudar e cuidou de meus filhos para que eu pudesse estudar'', diz.
Vencidos estes desafios, Silvia continua investindo na área acadêmica. ''Me formei em Jornalismo em 2010 e já ingressei no curso de Mestrado. Nunca reprovei em nenhuma disciplina. Isso comprova que após o ingresso na universidade, o aluno cotista consegue acompanhar o curso como os demais estudantes. Pretendo fazer doutorado logo após o mestrado e vou lutar para que meus filhos sigam o mesmo caminho'', enfatiza.
Poupança
O estudante Gilberto Guizelin, 26 anos, conta que também passou por dificuldades para se manter no curso de História da UEL após entrar na instituição como cotista. ''Minha família mora no Interior de São Paulo e eu só consegui permanecer em Londrina graças a uma poupança que meu pais mantinham desde que nasci e que era destinada aos meus estudos'', revela.
Ele diz que sua formação acadêmica foi possível graças às bolsas obtidas em projetos de iniciação científica. ''Juntava o dinheiro com um pequeno valor que meus pais me mandavam e consegui me manter estudando'', diz.
Guizelin destaca que o esforço valeu a pena. ''Depois de formado ingressei no curso de mestrado e agora estou fazendo doutorado. Ganho uma bolsa como doutorando e após concluir o curso pretendo me dedicar à carreira de professor universitário. Sou visto como um troféu pela minha mãe, que é manicure e não teve condições de estudar'', destaca. (M.R.)
'A Dançarina e o Ladrão' tropeça nos clichês
Com uma narrativa que envolve um grande assalto, dois bandidos de personalidades diferentes e reviravoltas amorosas, o filme espanhol ''A Dançarina e o Ladrão'' - estreia desta semana na programação do Cine Com-Tour/UEL - tem uma proposta interessante, mas acaba tropeçando no meio da sua própria trama, desperdiçando seus pontos fortes em uma história fraca e repleta de clichês.
Logo no começo do longa, somos apresentados aos seus dois protagonistas, que não se conhecem e têm as histórias entrelaçadas inicialmente apenas pelo fato de que ambos, através de uma decisão judicial, foram liberados da cadeia cumprindo apenas parte da pena. Um deles é o famoso Nicólas Vergara Grey (Ricardo Darín, ótimo no papel), um renomado ladrão de bancos, reconhecido pelo seu talento em abrir qualquer tipo de cofre. Outro é o jovem Ángel Santiago (Abey Ayala), um malandro esquisito, meio hiperativo e cheio de planos mirabolantes.
Escrito por três mãos diferentes (o que nunca é bom sinal), o roteiro é, muitas vezes, inconsistente. Enquanto ficamos genuinamente interessados pelo drama de Vergara, pelo seu conflito familiar e personalidade contida, o personagem de Ángel é muito prejudicado pela sua história bobinha, que começa com ele encontrando - no meio da rua - uma mendiga muda chamada Victoria (Miranda Bodenhofer), para se interessar instantaneamente por ela e, depois de alguns minutos dividindo um sanduíche e correndo na chuva, se apaixonar completamente. Ah, e nesse passeio mágico, descobrimos que ela também é uma ótima bailarina.
Passeando entre uma história e outra, o filme segue por altos e baixos muito bem definidos - é muito satisfatório enquanto acompanhamos Vergara tentando reconquistar a confiança de sua mulher Teresa (Ariadna Gil) e cobrando dívidas antigas de seu parceiro no crime, Monasterio (Luis Gnecco), mas assim que surge na tela o improvável casal Ángel e Victoria, a história começa a se perder. Chega a ser embaraçosa a cena em que o ladrão pergunta para a muda sobre seus pais, desencadeando uma reação exagerada e pouco convincente.
A vida dos dois ladrões finalmente se encontra quando Ángel rastreia e propõe para o 'mestre' Vergara um novo assalto, que foi planejado cuidadosamente na cadeia por ele e pelo perspicaz anão Lira, um bandido que ''tem a astúcia inversamente proporcional ao seu tamanho''. Mesmo com um roteiro cambaleante, a direção afiada de Fernando Trueba consegue manter, até certo ponto, uma coerência agradável no decorrer do filme - com alguns cortes rápidos e sacadas inteligentes, o planejamento do roubo tem sequências divertidas, que prendem a atenção e inovam na montagem.
Enquanto a força central do elenco se mantém sobre a interpretação firme de Darín como um experiente ladrão apaixonado pela ex-mulher, a sua maior fraqueza está na falta de simpatia de Miranda, que pode até dançar bem, mas apresenta uma atuação sofrível em todos seus momentos na tela, tendo sua fragilidade como atriz exposta principalmente em pontos que deveriam ser dramaticamente relevantes para o filme. Seja quando ela corre (em câmera lenta) até o mar ou anda a cavalo (isso mesmo, eles têm um cavalo) no centro de Santiago, isso nunca causa o impacto necessário, e é impossível sentir empatia por uma personagem que soa tão falsa.
Com alguns bons momentos, mas prejudicado por atuações exageradas e um final completamente inadequado, ''A Dançarina e o Ladrão'' não consegue se manter fiel ao próprio ritmo que desenvolve em sua trama. É uma pena que, depois de começar com alguns bons passos, o filme leve um tombo monumental em seu terceiro ato, o que prejudica irremediavelmente sua perfomance. A sensação que fica é de que, se o longa se chamasse apenas ''O Ladrão'' - dispensando o melodrama de uma história de amor forçada e mal executada - o resultado final poderia ter sido muito melhor.
Rafael Ceribelli - Reportagem Local
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Edição 2012 do Filo terá 115 apresentações em 23 dias
Programação oficial foi lançada nesta manhã. Abertura será no dia 8 de junho no Teatro Marista
A edição 2012 do Festival Internacional de Londrina (Filo) (veja serviço completo no Guia Jornal de Londrina) terá 115 apresentações em 23 dias. A abertura está programada para o dia 8 de junho, no Teatro Marista, com o espetáculo “Preferiria Não?”, da atriz Denise Stoklos. Além das atrações brasileiras, o Filo terá espetáculos de sete países.
Nesta edição, os destaques internacionais ficam para as apresentações “Translunar Paradise", do Theatre Ad Infinitum (Inglaterra); "La Tempestad", do Teatro Varasanta (Colômbia); "Sin Sangre", do Teatro Cinema (Chile), e "Fakir", dos palhaços do Krasky Vostoka (Quirguistão).
“A promessa é que teremos um grande festival, preparado com muito carinho. Temos 10 grupos internacionais e 30 nacionais. Será um festival com muita qualidade artística”, disse o diretor do Filo Luiz Bertipaglia, à RPCTV Londrina.
Os ingressos serão comercializados no Royal Plaza Shopping a partir do dia 2 de junho. Até o dia 7, os convites terão preços promocionais de R$ 10 (meia entrada) e R$ 20 (inteira). A partir do dia 8, a entrada passa a custar R$ 30 (R$ 15 meia).
Espetáculos internacionais:
Bambolenat - Compañia Sombra de Arena (Argentina)
Circuits Fermés - Cie Defracto (França)
Dolor Exquisito - Emilio Garcia Wehbi & Maricel Alvarez (Argentina)
Fakir - Krasky Vostoka (Quirguistão)
La Pantera de Judea - Ensamblaje Teatro (Colômbia)
Las Tribulaciones de Virgínia - Hermanos Oligor (Espanha)
La Tempestad - Teatro Varasanta (Colômbia)
Llorame um Río - Banquete Scenico Teatro (Argentina)
Sin Sangre - Teatro Cinema (Chile)
Translunar Paradise - Theatre Ad Infinitum (Inglaterra)
Espetáculos nacionais:
Agreste – Cia. Razões Inversas – São Paulo (SP)
A Idade da Ameixa – N.I.Te. – São Paulo (SP)
À Meia-Noite Um Solo de Sax Na Minha Cabeça – Cia de Comédia Xepa, Napão & Parceiros - São Paulo (SP)
Atravessamentos Cotidianos – As Incríveis Laranjas Podres Performáticas – Londrina (PR)
As Três Mulheres Sabidas – Cia. Dedo de Prosa – São Paulo (SP)
A Visita da Velha Senhora – TUM – Teatro Universitário de Maringá (PR)
Baden Baden: O Acordo – Teatro Kaos – Londrina (PR)
Bartleby – Núcleo Caixa Preta – São Paulo (SP)
Bolacha Maria – Um Punhado de Neve que Restou da Tempestade – A Armadilha Cia. de Teatro – Curitiba (PR)
Cadê Meu Nariz – O Quê De Quê – São Paulo (SP)
Comunicação a Uma Academia – Cia. Club Noir – São Paulo (SP)
Do Cururu ao Tororó – Cia. Triolé Cultural – Londrina (PR)
Dois na Roda – Duo Morales – Rio de Janeiro (RJ)
El General – O Exército Contra Nada – Londrina (PR)
Essa Febre que Não Passa – Coletivo Angu de Teatro – Recife (PE)
I-mundo – Grupo Mototóti – Porto Alegre (RS)
Flutuações – Grupo Contadores de Estórias – Paraty (RJ)
Levitador Interplanetário Xereta Orbital - ABC Teatral - Rio de Janeiro (RJ)
Mantenha Fora do Alcance de Crianças – (PH2): Estado de Teatro - São Paulo (SP)
9 Mentiras Sobre a Verdade – Cia. de Teatro Líquido – Porto Alegre (RS)
O Circo Sem Teto da Lona Furada dos Bufões - Grupo Dona Zefinha – Itapipoca (CE)
O Jardim – Cia. Hiato – São Paulo (SP)
Os Amigos dos Amigos - Coletivo Teatral Filme Bê - São Paulo (SP)
O Terceiro Personagem – Artes Cênicas UEL – Londrina (PR)
Oxigênio – Cia. Brasileira de Teatro – Curitiba (PR)
Palhaços à Vista – Cia. Circunstância – Belo Horizonte (MG)
Preferiria Não? – Denise Stoklos – São Paulo (SP)
Relicário – Artes Cênicas UEL - Londrina (PR)
Tonho Costa – Universo Quintal - Londrina (PR)