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Amaral é confirmado conselheiro do TC
Eleito por unanimidade, ex-secretário-chefe da Casa Civil vai ocupar vaga deixada por Heinz Herwig que se aposentou
Com unanimidade de votos dos 54 deputados estaduais presentes ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o ex-secretário-chefe da Casa Civil Durval Amaral foi o escolhido como novo conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado. Ele vai ocupar a vaga deixada por Heinz Georg Herwig, que se aposentou compulsoriamente em abril, ao completar 70 anos. A votação foi secreta.
O adversário de Amaral na disputa era Claudio Augusto Canha, que é auditor do próprio TC, e defendeu uma escolha técnica, e não política, ao cargo, antes de começar o processo de votação. O resultado era esperado, uma vez que Amaral não encontrou resistência de nenhum dos parlamentares. No discurso de agradecimento, Amaral disse aos colegas deputados: ''Vocês terão aqui sempre um amigo''.
A certeza da vitória era tal que o governo nem esperou a concretização da votação para fazer as mudanças necessárias com a saída de Amaral da Casa Civil. O anúncio de que o substituto na pasta seria Luiz Eduardo Sebastiani, então secretário estadual da Administração, já havia sido feito no último dia 7.
Amaral disse que, ao longo de sua vida pública, se preparou para assumir o cargo de conselheiro, seja como parlamentar - ao relatar alguns dos projetos mais importantes do Estado e como ''formulador de doutrinas políticas'', conforme caracterizou - seja pelas funções que já assumiu no Executivo.
Depois da confirmação do nome de Amaral na votação, o presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), saiu em sua defesa na discussão sobre a preferência técnica ou política para o cargo. ''Não existe um técnico que tenha as qualidades de um político. Para angariar votos tem que ter muita técnica, muita competência'', disse ele, que terminou elogiando Amaral, como um ''dos melhores parlamentares que já passaram pela AL''. A data da posse de Amaral no TC ainda não foi divulgada pelo TC.
Biografia
Amaral é advogado formado pela Universidade Estadual de Londrina, em 1984, e em Administração Fazendária e Tributária em Berlim, em 1988. Atuou como professor de Direito Público na UEL. Foi vereador e vice-prefeito de Cambé. Elegeu-se deputado estadual pela primeira vez em 1990. Deixou o cargo em 1992 para assumir a Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, onde permaneceu até 1994. Reelegeu-se deputado estadual diversas vezes, cargo que assumiu até 2010.
Judeus na Terra Vermelha
Historiador Marco Antonio Neves Soares lança livro nesta quarta-feira em Londrina em que reconstrói a trajetória de imigrantes alemães de origem judaica no Norte do Paraná
A ascensão do Nazismo na Alemanha, no início da década de 30, levou milhares de famílias à experiência do exílio. O Brasil foi um dos países que acolheram comunidades de judeus-alemães perseguidos pelo Terceiro Reich, assentando-os em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Santos.
Alguns refugiados estabeleceram-se no Norte do Paraná, particularmente na região onde seria fundado o município de Rolândia, vizinho a Londrina. O historiador Marco Antonio Neves Soares foi atrás desses personagens e de seus descendentes para tentar reconstruir sua trajetória, desde o temor vivido na Europa às dificuldades para se adaptar ao novo mundo.
O resultado da pesquisa é o livro ''Da Alemanha aos Trópicos - Identidades Judaicas na Terra Vermelha (1933-2003)'', que ele lança nesta quarta-feira, às 20h30, no bar Valentino, em Londrina, antes do show de jazz da banda Cinemática. O livro chega às prateleiras pela editora da UEL (Eduel) buscando compreender as teias de relações criadas entre os imigrantes com a Alemanha, o Brasil e o judaísmo.
A pesquisa surgiu como um desdobramento dos estudos do autor sobre ''judaísmo no período medieval'', desenvolvido durante o Mestrado e o Doutorado, e sobre o tema ''Etnicidade e Morte'', ao qual tem se dedicado nos últimos 10 anos. A investigação contou com a colaboração de 12 alunos de gradução do curso de História da UEL que o ajudaram nas entrevistas, no levantamento de documentos e no exame de cultura material.
''Uma importante base documental foram os relatos autobiográficos, histórias de vida que eles escreveram e que não haviam tornado públicos. Encontrei seis de oito relatos. Também tive longas conversas com remanescentes da primeira geração de imigrantes'', explica Marco Antonio. Segundo ele, a comunidade reuniu 80 famílias de origem judaica.
Elas começaram a chegar em 1933 e, com mais intensidade, entre 1938 e 1939. Posteriormente, mais famílias desembarcaram no período pós-Guerra. O desembarque foi possível a partir da aquisição de terras da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), de capital inglês, pela Sociedade de Estudos Econômicos do Ultramar, fundada por políticos ligados ao Partido Social-Democrata.
Na época, a região era coberta pela mata. ''Muitos dos que vieram eram pessoas proeminentes na Alemanha. Havia intelectuais, professores, médicos, juristas e artistas. Eles não se organizava em torno da religião, do judaísmo, mas concentravam suas atividades em torno de uma associação cultural intitulada Pró-Arte que promovia palestras com convidados de outras cidades'', conta.
Marco Antonio explica que eles procuravam manter os elementos da cultura alemã, a qual já estavam integrados. ''O judeu-alemão, com sua vestimenta e aparência, não existia mais na Alemanha. Foi uma criação de Hitler'', salienta. Uma das curiosidades do livro é o fato de que, por volta de 1935, os exilados tiveram que conviver com uma pequena célula do Partido Nazista - alemães que haviam deixado o Estado de Santa Catarina para fugir de doenças tropicais.
''Isso vai provocar uma reação das famílias, que passam a se auto-organizar e se proteger deixando inclusive de mandar seus filhos para a escola de alemão porque haviam símbolos e bandeira nazistas na fachada. Preferiam trazer professores da Alemanha para dar aulas em suas fazendas'', sublinha. A preocupação em preservar a cultura alemã se reduziu, na verdade, à primeira geração de imigrantes, mais coesa e fechada.
''Os filhos já nem falavam alemão, cresceram aprendendo o português. Procuraram assimilar a cultura do ambiente em que viviam já que Rolândia abrigava comunidades de italianos, poloneses, búlgaros e brasileiros de outras regiões. Ao se relacionar com outras etnias, se miscigenaram com outras populações'', lembra.
Para o autor, o livro poderá promover o reencontro de muitos refugiados e seus descendentes com suas origens. ''Embora seja uma obra de história regional, que permite recontar a experiência do exílio no Norte do Paraná, ela tem um caráter globoal, afinal o nazismo fez com que famílias de origem judaica se espalhassem pelo mundo. Os moradores de Rolândia têm parentes em Israel, na República Tcheca e em outros países'', assinala.
Marco Antonio é professor adjunto do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atua na área de teoria da História. Atualmente dirige o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da UEL.
Serviço:
- Lançamento do livro ''Da Alemanha aos Trópicos - Identidades Judaicas na Terra Vermelha (1933-2003)''
Quando - Quarta-feira (23) às 20h30
Onde - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486), em Londrina
Preço do livro - R$ 30
Nelson Sato - Reportagem Local