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21/05/2012  

SINOPSE - A UEL NOS JORNAIS (20-5-2012 - Domingo)

De acordo com as edições digitais dos jornais disponibilizadas no dia.

Agência UEL

www.folhadelondrina.com.br

Caminhando juntos

Para diretora da Casa de Cultura da UEL, episódio suscita uma reflexão sobre o que queremos para a cidade nas próximas décadas

''Caminhante, não existe caminho. O caminho se faz ao caminhar'', com a citação do poeta espanhol Antonio Machado, a diretora da Casa de Cultura, Magali Kleber, descreve como está sendo a reconstrução do Ouro Verde. Três meses depois da tragédia e depois de várias noites sem dormir, hoje Magali já respira aliviada, vendo que o projeto está sendo cumprido. ''Estou feliz de poder contar com as pessoas com quem estou trabalhando. De todos os lados, vejo muita boa vontade, muito comprometimento'', afirma.

Envolvida intimamente com as várias etapas do processo de reconstrução, Magali agora está esperançosa com o futuro. Em entrevista exclusiva para a FOLHA, a diretora da Casa de Cultura fala sobre o processo de reconstrução do teatro, suas expectativas para a nova obra e sobre o papel da Universidade dentro deste processo.

Na semana passada, o Sinduscon afirmou que deve concluir um plano definitivo para a reconstrução do Ouro Verde até o final deste ano. O cronograma está sendo cumprido?

Na verdade, este é um cronograma atípico, portanto ele está sendo construído no processo. Eu sempre digo: nunca, na história de Londrina, se queimou um teatro, que ainda por cima é um patrimônio histórico tombado de maneira estadual. Então qualquer cronograma que existisse, a priori, seria um cronograma hipotético, mesmo porque nós não tínhamos o conhecimento formal para lidar com processos dessa natureza. Está sendo um aprendizado e, inclusive, nós estamos aproveitando, como Universidade, para isso se transformar em um processo pedagógico. Neste sentido, exercitamos o real papel da Universidade.

Então a reconstrução também tem esse caráter pedagógico...

Exatamente. Nós temos aqui a Casa de Cultura, que é o órgão responsável pelo teatro. Mas o Ouro Verde possui várias dimensões, tanto do ponto de vista material como do valor simbólico. Cada área vai tratar de uma forma. Isso abrange também o cronograma, porque é preciso respeitar este tempo para as pessoas entenderem essas diferentes facetas. Então eu te digo: não existe cronograma atrasado ou adiantado. Ele está sendo co-construído. Está havendo uma mobilização da sociedade em diferentes áreas do conhecimento. Eu vejo uma riqueza tão grande nessas parcerias, porque é assim que a sociedade deve caminhar, no meu entendimento. É um aprendizado e um amadurecimento para a sociedade londrinense. Não se faz nada sem o coletivo.

Deve ser emocionante participar de um processo assim...

Pessoalmente, eu fico pensando: o Ouro Verde foi construído há 60 anos, e fico admirada com a solidez da edificação e com a beleza da sua estrutura. Me espanto de ver como nossos pioneiros foram ousados. Este teatro serviu Londrina por todo esse tempo, e serviria por muito mais se não houvesse um incêndio. Isso é uma lição. Serve para refletirmos sobre o que queremos para a cidade nas próximas décadas. O que construir para as novas gerações? Acho que Londrina está precisando disso: de ousadia, de um olhar amoroso, de ações voltadas para o coletivo, e sem pressa. O imediatismo desaparece ao primeiro vento. Londrina é o que é hoje por conta de uma mentalidade que nunca pensou pequeno. Ela não construiu só mais uma rodoviária, mas sim uma obra de arte. Não fez só um teatro, fez o Ouro Verde.

Então você acredita que essa reconstrução também pode servir como um reforço para a identidade da cidade?

Acho que é uma excelente oportunidade de densificar um processo de reflexão sobre a nossa própria história e, ao mesmo tempo, de refletir sobre este compromisso que está selado há 70 anos. Se hoje nós usufruímos de tudo o que Londrina tem, isso é fruto de um processo histórico. É fruto de pessoas que acreditaram e investiram em ideias artísticas e em projeções culturais.

Em um planejamento inicial, existe a intenção de reformar o Ouro Verde com a mesma estrutura de antigamente, ou a proposta é modernizar?

Em nosso entendimento, o Ouro Verde tem uma função. Ele foi, ao longo dos anos, se metamorfoseando, embora tenha sido preservada a edificação original. Esta função é o significado do Ouro Verde. O teatro não é só um prédio qualquer. Ele é aquele prédio, aquela edificação, aquele formato, com todo aquele detalhamento. Esta é a identidade. No momento em que vamos reconstruir, temos que preservar ao máximo a edificação, mas sem nunca esquecer que aquele é, fundamentalmente, o espaço de encontro do londrinense. Lógico que estamos no século XXI, e vamos fazer avanços; mas será preservado tudo o que deve ser preservado, dentro do que prescreve a lei do patrimônio. Esse é o espaço cultural e artístico do londrinense. Mas é preciso investir também em acessibilidade e equipamentos modernos.

O compromisso com o Governo do Estado está mantido?

Claro. Eu entendo que uma vez que o governador Beto Richa falou em público, é questão de honra. Não tem discussão. Ele, por iniciativa própria, se colocou à disposição e se comprometeu para a reconstrução. Nós estamos viabilizando tudo, e quando o projeto ficar pronto, vamos falar com ele. Acredito que nos próximos 60 dias já teremos a retirada total dos escombros, para podermos fazer a avaliação técnica da estrutura, e a partir disso conseguirmos fazer um projeto da edificação.

Mas nenhum valor ainda foi discutido?

Vontade política é vontade política. Não se traduz em valores, mas sim em um compromisso que se faz publicamente, diante de uma sociedade. É o que eu penso e o que espero. Creio piamente que ele falou do fundo de seu coração, com total comprometimento do que é a função de governar.

Hoje, como você avalia a ajuda financeira das campanhas das bandanas, doações e patronato de poltronas?

É preciso entender que o cidadão tem vontade de ajudar. Ele quis isto desde o começo. Na hora do fogo, as pessoas ficam apaixonadas, então mil ideias aparecem para ajudar. Isso também foi um processo de aprendizado para nós, porque somos uma entidade pública e não podemos fazer de qualquer maneira. Hoje, temos um processo na Fauel já oficializado para possibilitar quem deseja patronar uma cadeira - que é uma iniciativa muito comum em qualquer situação de desastre envolvendo bens públicos -; temos uma conta, um procedimento, e estamos especificando detalhadamente o material que será utilizado. As bandanas foram uma iniciativa bonita da Sociedade Rural. É um empreendimento transdiciplinar. Temos sempre que ter um olhar carinhoso com essas campanhas.

Mas elas representam uma fonte de renda fundamental para a reconstrução?

No aspecto financeiro, considerando o montante, a ajuda não é fundamental. Mas ela é fundamental porque, se as pessoas querem pertencer ao processo, é uma escolha positiva. Ninguém está sendo obrigado a doar nada. Quando alguém patrona uma cadeira ou compra uma bandana, por sua escolha própria, é um sinal de apoio. São iniciativas que surgiram, na verdade, no seio da sociedade.

Em sua opinião, esse patronato está cumprindo sua função?

O mais bonito, que me emocionou, é que muitas pessoas não querem colocar seus próprios nomes nas cadeiras; eles querem homenagear os fundadores do teatro, ou inserir o nome de suas próprias famílias, de seu avós ou pais. Isso me tocou bastante, e deu uma visão diferente do que é um patronato. Mesmo porque muitas das pessoas que estiveram na inauguração do Ouro Verde ainda estão vivas, então esta tragédia também queimou o coração delas... (faz uma pausa e contém a emoção) Antes das críticas, é preciso entender. É preciso saber o significado de um patronato, e entender que as pessoas muitas vezes não fazem as coisas por vaidade, mas por amor. Nós temos que viabilizar meios para que essas pessoas canalizem seu sentimento de gratidão pelo local.

O que o londrinense pode esperar quando o Ouro Verde estiver, finalmente, reconstruído?

Vai ser uma enorme celebração, e acho que a cidade merece isso o mais rápido possível. Nós sabemos que o processo, por si só, é moroso, mas precisamos aprender a lidar com este tempo. Não estamos construindo uma coisa efêmera; estamos lidando com algo que começou seis décadas atrás, que foi se plasmando à história de Londrina e que hoje requer um novo trato, com uma visão que considere todo o processo, e que represente quem está aqui neste momento, projetando a cena cultural da cidade para muitas décadas à frente. Temos um compromisso com o nosso tempo, e isto levanta nossa crença no futuro. A reconstrução do Ouro Verde vai ser isso: um caminhar coletivo.

Rafael Ceribelli - Reportagem Local

Cicatriz aberta

Três meses depois do incêndio que consumiu o Ouro Verde, o que foi feito de concreto

Há três meses, uma enorme cicatriz se abriu no centro de Londrina. Em chamas, o Cine Teatro Ouro Verde - maior espaço cultural da cidade - se transformava, diante dos olhos da população, lentamente em ruínas. A mobilização foi imediata; abalada com a perda de uma de suas estruturas mais significativas, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) logo recebeu votos de solidariedade da sociedade civil, assim como o apoio simbólico da Prefeitura de Londrina e do Governo do Estado. Este se comprometeu publicamente em ajudar no processo de reconstrução, estimado inicialmente em cerca de R$ 25 milhões pelo secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal. Mas até agora, quase cem dias depois da tragédia, o que foi feito de concreto?

''Por ser um patrimônio histórico, nós tivemos que prestar muitas contas, principalmente para o Iphan (Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e para a Secretaria de Cultura. Durante o primeiro mês após o incêndio, tivemos as questões envolvendo a perícia feita no local'', relata a professora Silvia Galvão, diretora do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da Universidade e envolvida nos projetos estruturais da reconstrução. ''Agora sim, já estamos nos aproximando da fase de retirada de escombros'', afirma, animada. A empresa que fará o serviço já foi definida, e o contrato deve ser formalizado ainda esta semana. Ela terá o prazo de 45 dias para concluir a retirada total dos escombros.

Além de muito trabalho nos bastidores, esses três meses também foram marcados por iniciativas de diversas camadas da sociedade civil. A comunidade artística londrinense se mobilizou através de concertos e apresentações que homenagearam o tradicional espaço cultural.

A Sociedade Rural de Londrina promoveu uma campanha para arrecadação de fundos por meio da comercialização de milhares de bandanas promocionais a R$ 5 cada. As vendas começaram no período da ExpoLondrina 2012 e vão ser estendidas até o Festival Internacional de Teatro (Filo), de 8 a 30 de junho. Toda a renda será destinada integralmente para a reconstrução do Ouro Verde.

Dentro da própria UEL, outra iniciativa foi a de abrir uma conta bancária para doações espontâneas e o patronato de 500 poltronas no valor de R$ 5 mil cada. Segundo a diretora da Casa de Cultura da UEL, Magali Kleber, a conta bancária foi criada depois que muita gente procurou a universidade querendo fazer doações em dinheiro para a reconstrução do Ouro Verde. Para ela, ações como essa são extremamente importantes não pelo retorno financeiro, mas porque mantêm a comunidade envolvida com a causa (confira entrevista na página 4).

A assessoria da Sociedade Rural de Londrina preferiu não divulgar o quanto foi arrecadado até o momento, e a UEL deve fazer um levantamento financeiro de suas campanhas na próxima semana.

''Todos sabem das dificuldades pelas quais a Universidade passa, e do quanto ela contribui para a cidade. Por isso, a sociedade se envolve verdadeiramente'', analisa Silvia, ressaltando a qualidade da equipe que acompanha a reconstrução. ''Engenheiros e arquitetos da cidade estão nos ajudando, concedendo todo o apoio possível. Muitos profissionais da nossa cidade estão, sob a coordenação nossa e do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), unindo forças para reerguer o Ouro Verde'', completa, referindo-se ao projeto de reconstrução, que deve ficar pronto até o final do ano.

Serviço:

- Quem quiser contribuir pode efetuar o depósito na agência 4113 do Banco Itaú, conta corrente 14888-8. Já para o patronato de poltronas, o telefone de contato é (43) 3321-3262 ou pelo e-mail fauel@fauel.org.br.

Rafael Ceribelli - Reportagem Local

A lição do Ouro Verde

Já se passaram três meses após o desastroso incêndio do Teatro Ouro Verde, e pouca coisa foi feita para sua reconstrução. Mas a morosidade é totalmente justificável, afinal, era imprescindível que, após a perícia, fosse feito um levantamento apurado sobre o que restou desse importante patrimônio histórico de Londrina, tombado pelo Estado.

O problema é que, diante do Festival Internacional de Teatro e do Festival de Música com suas grades de programação prejudicadas, e da perspectiva de até o final do ano estarmos apenas com os projetos de reconstrução prontos, a pressa pelo retorno do principal palco da cidade é grande.

Mas, como bem observa a diretora da Casa de Cultura da UEL, Magali Kleber, não há cronograma atrasado ou adiantado. O que há é uma tragédia nunca antes vivida na cidade, e a possibilidade de aprendizado com esse episódio. Magali está corretíssima em defender que este é principalmente um momento de reflexão.

Ao invés de exigir celeridade no processo de reconstrução, produtores culturais e a sociedade em geral precisam primeiro ajudar a definir como deve ser essa reconstrução. O Ouro Verde foi pensado como cinema, mas reconstruí-lo apenas com essa função original em um momento em que os cinemas de rua estão praticamente extintos por falta de público não parece ser a melhor saída. Mas torná-lo apenas teatro, sem projetor, também pode não ser suficiente para uma cidade que tem uma crescente produção cinematográfica. E, para transformar o lugar em um espaço multimídia, será que não seria preciso modificar demais a concepção original?

Que Ouro Verde queremos deixar para ser usufruído daqui a 60 anos? E por quê? Diante da oportunidade de reconstruir um belo prédio histórico, que vai demandar milhões de reais em investimento, é preciso pensar não apenas em um palco para os festivais dos próximos anos, mas sim em um patrimônio que continue sendo fundamental para a formação cultural das próximas gerações. Porque, acima de tudo, essa sempre foi a principal função do nosso querido Ouro Verde.

www.jornaldelondrina.com.br

Semana Jurídica começa nesta segunda-feira

Começa nesta segunda-feira, a 50ª Semana Jurídica da Universidade Estadual de Londrina. Ao todo, serão oito conferências sobre vários temas ligados ao Direito. A iniciativa é do Centro Acadêmico Sete de Março, do curso de Direito da UEL. Entre os nomes confirmados está o do vice-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Alberto de Paula Machado, que estudou Direito na UEL. Ele fará a conferência de abertura sobre o tema “O Advogado, a Corrupção e a Justiça”. Também estão confirmadas as presenças de juristas como Pedro Lenza, Ari Lopes e Gladston Mamede.

Ponto de Vista

No espaço universitário podemos e devemos cultivar valores universais de cunho ético e, deles, orientar nossas práticas profissionais e cidadãs. A educação, não importa por quem seja gerada, tem uma esfera pública. Temos que aprender e refazer cotidianamente a natureza da instituição que temos, que pertencemos e que somos. A Universidade, assim como a democracia, sem justiça social é uma mera formalidade, pois pouco significa o voto sem os correspondentes compromissos que ele carrega. A Universidade está em constante transformação. Buscar, construir e encontrar vasos comunicantes para que eles possam se retroalimentar, é um passo importante. Educação e desenvolvimento sustentável não devem ser tratados em separado. Todas as áreas de conhecimento da ciência, da tecnologia, podem e devem contribuir, desta forma, necessário se faz agrupar saberes, para associados buscar elementos equilibrados de um modelo de vida e de trabalho.

Não podemos adotar em sala de aula modelos educacionais que ensinam a individualidade, a tirania, a fragmentação. Paulo Freire afirmava que somos sujeitos inacabados, portanto podemos ser a atuar de outra forma. Urge pensar diferente com métodos e metodologias diferentes, preparar pessoas a estar, ser e viver num mundo em mudança. Conhecemos, e a história tem comprovado isso, que uma das melhores ferramentas para promover a inclusão social é a educação. Desta podemos alimentar modelos de Universidade que saiam da funcionalidade de hoje, que possibilite o crescimento, a inovação com qualidade, com planejamento, com ética.

Nesse processo cabe colocar em pauta a produção de conhecimentos, a pesquisa de tecnologias, alternativas que erradiquem a fome, que gere emprego, renda, qualidade de vida e preserve o meio ambiente. É possível nesta trajetória identificar, como afirmava Milton Santos: pontos luminosos, alguns mapas, pistas, e princípios de novo modelo que seja duradouro e sustentável, gerador de inclusão e mais equilibrado. Para esta tarefa é imprescindível formar pessoas com capacidade de diálogo com a sociedade e que tenham condições de responder para além das questões técnicas e academicistas. A Universidade como produtora de conhecimento e formadora tem também a responsabilidade histórica e ética de atuar como braço científico na região que se insere. No processo deste curso, é necessários transcender o campo das competências e entrar no campo dos compromissos, tentando responder as questões mais graves do nosso entorno.

E, por fim, desenvolver intensamente ações cooperativas para ampliar as possibilidades de incrementar novos conhecimentos, novas tecnologias e desta maneira desenvolver em todos os atores, um sentimento de pertencer à região para consolidar iniciativas já existentes e estimular a criação de novas.

*Prof. Dr. Paulo Bassani é Sociólogo Ambiental e professor da UEL

Saberes da Diversidade

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Prêmio Saberes da Diversidade, promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos (Neaa), da Universidade Estadual de Londrina. O objetivo é sensibilizar professores, equipe pedagógica, funcionários, gestores públicos sobre a presença do racismo no Brasil e especificamente os desdobramentos no âmbito escolar. A premiação será realizada em evento festivo no dia 22 de novembro. Mais informações pelo telefone (43) 3326-2099 ou no site do Neaa, www.uel.br/neaa. Inscrições no site www.uel.br/eventos/premioneaa.



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