www.folhadelondrina.com.br
Herança artística
A criança que segue os ensinamentos de sua mãe trilha um caminho correto. Mas há os filhos que escolhem seguir também o mesmo caminho delas. Neste Dia das Mães, a FOLHA buscou três histórias que revelam como o trabalho artístico das mães influenciou na opção profissional de seus filhos.
Olhar diferenciado
Respeito à individualidade, uma educação liberal e propícia para explorar novos conceitos dentro de um ambiente criativo. Segundo o designer Bernardo Faria, essas foram algumas condições propiciadas por sua mãe, a artista plástica Leticia Marquez, que influenciaram em sua opção pelas Artes Visuais. ‘‘Sem imposições, minha mãe sempre criou um ambiente propício para que eu pudesse desenvolver meu trabalho. Eu entrava em contato com obras dela, e isso conseguia me revelar outras percepções de mundo’’, analisa.
Morando e trabalhando em Londrina há 35 anos, Letícia Marquez conquistou reconhecimento nacional com suas obras contemporâneas, que desafiam e expandem os limites da sua expressão artística. ‘‘Suas obras expõem um trabalho crítico, questionador no nível social, político e espiritual. Aprendi muito com isso. Ela não faz concessões com sua arte’’, reflete Bernardo.
Hoje trabalhando com design, Bernardo gosta de trocar experiências com a mãe, em um ensinamento de mão dupla. ‘‘Nisso eu sou um felizardo: ao mesmo tempo em que levo experiências para ela, ela também traz coisas novas para mim’’, analisa.
‘‘Para mim, mais importante do que ele escolher seguir carreira dentro da arte visual, é o fato de ele possuir uma visão muito humana da vida’’, reconhece Leticia, com orgulho.
Frutos musicais
‘‘Sem dúvida, a parte de música da minha família vem lá de trás, desde a minha avó. Ela gostava de se sentar e escutar música clássica no rádio’’, relembra a flautista e cantora Hylea Ferraz, integrante de uma família marcada por gerações de amor à música. ‘‘Até hoje nós temos o piano que minha avó ganhou quando tinha 15 anos, e essa peça faz parte da história musical da família’’, declara.
Influenciada pelo gosto musical da própria mãe e fascinada pelo canto lírico, Walquíria Ferraz começou sua carreira aos 13 anos, integrando o coro da Catedral de Curitiba, em 1945. Depois de estudar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, casou-se em 1958 e se mudou para Londrina, transformando-se na primeira professora de canto da cidade. ‘‘Na década de 50 essas decisões não eram muito facéis de tomar, e eu respeito muito minha mãe por isso’’, declara Hylea. ‘‘Hoje, com 80 anos, ela dá 15 aulas por semana. Ela não pára!’’
A intensidade da paixão materna educou os ouvidos de todos os seus cinco filhos; deles, três seguiram carreira musical. ‘‘Lembro que, desde pequenininha, me deitava na cama e ficava ouvindo-a tocar, principalmente à noite, depois de cuidar de mim e de meus irmãos’’, revela Hylea, que considera essa experiência fundamental para sua formação musical. ‘‘Nossa convivência com a música era diária. Quando eu tinha cinco anos, já me apresentava em concertos’’, relembra.
Seguindo a própria vocação, Hylea fundou em 1988 o grupo Música de Câmara Intermezzo, e com ele já realizou mais de dois mil concertos em todo o Norte do Paraná. ‘‘Toda minha vida eu estudei música. Estudei piano e fui professora de flauta. Mas só aos 34 anos comecei a praticar o canto lírico’’, revela Hylea, que hoje é a soprano do grupo Intermezzo, e se aproveita da valiosa experiência da mãe. ‘‘Ela é minha professora e minha inspiração.’’
Abrindo as cortinas
Envolvida profissionalmente com a cena teatral em Londrina, a jornalista e atriz Silvia Sitta foi a principal responsável pelo primeiro contato de sua filha, Beatriz, com os palcos. ‘‘Minha mãe conta que, quando eu ainda era pequena, ficava hipnotizada pelas peças a que ia assistir. Não queria sair nem para ir ao banheiro, de tão empolgada’’, relembra a jovem, rindo.
‘‘Se hoje me encanto completamente com o teatro é porque, desde pequena, eu já estava neste meio. Cresci indo às peças do FILO, acompanhando minha mãe’’, reflete a estudante. De tanto admirar a magia nos palcos, Beatriz decidiu trilhar seu próprio caminho por detrás das cortinas, ingressando no curso de Artes Cênicas da UEL. ‘‘Nunca existiu uma pressão, mas com certeza fui influenciada pela minha mãe’’, reconhece.
Com um relacionamento pautado no diálogo e na paixão mútua pela arte teatral, Beatriz não esconde que ainda busca inspiração e aconselhamentos maternos. ‘‘Sempre pergunto para ela sobre referências de estudos e peças, e nós conversamos muito sobre tudo’’, revela a estudante, que faz questão de que Silvia acompanhe os trabalhos encenados por ela nas montagens feitas pela Universidade. ‘‘Ela não é o tipo de mãe coruja ao extremo. Mesmo quando sou eu quem está no palco, ainda mantém o seu senso crítico. E eu gosto muito disso.’’
Rafael Ceribelli - Reportagem Local
www.jornaldelondrina.com.br
Semana Jurídica da UEL
Estão abertas as inscrições para a 50ª Semana Jurídica da Universidade Estadual de Londrina, que ocorre dos dias 21 a 24 no Teatro Marista, reunindo estudantes e profissionais da área em torno de palestras com professores e autores consagrados. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 19, no Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa/UEL). Estudantes também poderão fazer inscrições na PUC/Londrina; UniFil; Faculdade Arthur Thomas; Pitágoras e Instituto Catuaí. As inscrições on-line podem ser feitas no site www.casm.org.br/semanajuridica e custam R$ 50 para estudantes e R$ 70, profissionais.