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'Demora favorece acusados'
Para o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Miguel Cenci, doutor em filosofia, a demora de punições judiciais favorece o discurso dos acusados. Segundo ele, é desta forma que o prefeito Barbosa Neto (PDT) tem tentado se defender do mais recente escândalo em sua admistração: a prisão de quatro pessoas de sua confiança suspeitas de comprar votos de vereadores para arquivar a CP da Centronic (que acabou sendo instaurada após as denúncias).
''O Barbosa trabalha em cima disso: afirma que a investigação da saúde 'não deu nada', que era uma armação, e que agora também não vai dar nada e que também é uma armação'', comentou Elve. ''É um discurso da autovitimização, muito comum na política: o acusado alega que é vítima de um complô dos ricos contra os defensores dos pobres. Foi assim que agiu o ex-prefeito Antonio Belinati.'' Belinati foi cassado pela Câmara em 2000 e responde a dezenas de ações penais e por improbidade.
O promotor Jorge Barreto lamentou a demora em punição efetiva. ''Vide o caso Belinati e de tantos outros que, quando a condenação sai, muitas vezes a pena já está prescrita. Com isso a sociedade não vê os resultados práticos'', avaliou. ''A falta de punição efetivamente contribui para os assaltantes do erário.'' Para ele, a sociedade deveria cobrar melhorias estruturais no Judiciário, como varas cíveis e criminais especializadas em julgar delitos contra o patrimônio público.
Porém, mesmo com a demora em punição efetiva, Elve Cenci acredita que os sucessivos escândalos de corrupção no governo de Barbosa têm impacto. ''Há um efeito cumulativo que causa desgaste à administração.'' (L.C.)