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Trote solidário rende doações
Estudantes do curso de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entregaram ontem um carregamento de papel toalha, papel higiênico, desinfetante e fraldas descartáveis para o Hospital do Câncer de Londrina (HCL). Os produtos foram arreacadados desde o início do ano como parte do trote solidário idealizado por estudantes do segundo ano.
''Ligamos para o hospital para saber do que eles estavam precisando e passamos a arrecadar. Não achamos legal esse negócio de ficar no sinaleiro'', contou a estudante Giovanna Anizelli, que pretende dar o exemplo para veteranos dos próximos anos.
Ao todo, 81 embalagens de desinfetantes, 124 embalagens de papel toalha, dez fardos de papel higiênico e 15 volumes de fraldas geriátricas foram entregues. ''Com as doações que recebemos, conseguimos investir mais em medicamentos e na melhoria da estrutura do hospital'', afirmou Valéria Canônico, assessora de eventos e captação de recursos do HCL.
Carolina Avansini - Reportagem Local
Hospitais de Londrina traçam estratégias
Reunião hoje vai avaliar o impacto do fechamento do PS e da UTI do HU
Reunião na manhã de hoje entre as direções dos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina, Ministério Público e 17 Regional de Saúde vai avaliar o impacto do fechamento do Pronto Socorro (PS) e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU), anteontem, por conta da contaminação pela bactéria ''Klebsiella pneumoniae carbapenemase'' e traçar estratégias de atendimento para os próximos dias, já que não há previsão de reabertura dos dois setores.
Ontem os demais hospitais da cidade enfrentaram superlotação ao longo do dia, e o temor é que a situação se agrave ainda mais com a interdição no HU. O secretário municipal de Saúde, Edson Souza, chegou a pedir à diretora-superintendente do hospital, Margarida Carvalho, que liberasse profissionais da instituição para atendimento nos outros PSs da cidade, mas a medida mostrou-se inviável, por enquanto, devido ao grande número de pacientes que continuam em atendimento no HU. Na tarde de ontem havia nove pacientes entubados no PS, aguardando vaga de UTI em outra instituição. Na UTI do hospital 17 pacientes seguiam em tratamento.
No Hospital da Zona Sul, na manhã de ontem havia 48 pacientes para 25 vagas, entre internamentos e observação. ''Está mais lotado que o normal, mas não dá para relacionar com o fechamento do PS do HU'', avaliou a diretora geral interina, Maura Aparecida Silveira.
No Hospital da Zona Norte, a diretora técnica interina Rosane Trindade informou, no início da tarde, que apesar de quase todos os leitos estarem ocupados, o PS estava tranquilo. No final da tarde a situação continuava semelhante.
Na Santa Casa, havia 12 pacientes para quatro leitos, mas a situação estava melhor que na terça-feira, quando havia 24 pessoas internadas. No Hospital Evangélico, eram quatro internados para duas vagas. Anteontem, entretanto, antes mesmo do fechamento do HU, foram registradas oito pessoas esperando vagas.
O gerente do Samu e Siate, Elândio Cléber Câmara, confirmou que o período está complicado por causa do alto número de acidentados e baleados socorridos pelos dois serviços. ''É uma situação que se arrasta há duas semanas'', afirmou.
Ele acrescentou que aumentou o número de macas retidas nos hospitais, inclusive nos secundários (Zona Norte e Zona Sul), o que não é comum. ''Com isso, reduz-se o número de ambulâncias dsponíveis.'' Câmara avaliou que, com o fechamento do HU, a situação pode piorar. ''Pode dificultar o encaminhamento para os hospitais, que já está difícil.''
Carolina Avansini e Silvana Leão - Reportagem Local
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Fechamento do HU sobrecarrega sistema
Postos de saúde e outros hospitais da cidade registraram aumento na procura
Os hospitais de Londrina sentiram o impacto do fechamento do Pronto-Socorro do Hospital Universitário (HU), um dia depois da interdição por conta da bactéria superresistente klebisiella, que infectou 27 pacientes. O gestor do sistema público de Saúde não soube informar números, mas disse que a procura cresceu em outros serviços. Uma nova avaliação da situação será feita hoje, embora já se saiba que nenhum novo paciente foi contaminado com a bactéria.
“Sobrecarregou [o sistema], mas até agora demos conta do recado. Os hospitais sentiram o fechamento do HU, tanto o Zona Norte quanto o Zona Sul, o Evangélico e a Santa Casa”, afirmou o secretário municipal de Saúde,, Edson de Souza, que é o gestor do sistema. De acordo com ele, os postos de Saúde 16 horas e 24 horas, além do Pronto Atendimento Municipal (PAM), também sentiram aumento de demanda.
“O Siate e o Samu foram orientados a fazer a redistribuição de pacientes de maneira equitativa, para não sobrecarregar nenhum hospital. Pedimos para a 17ª Regional de Saúde para regular o sistema e não encaminhar pacientes de outras cidades a Londrina”, explicou o secretário. Segundo Souza, 30 pacientes eram encaminhados diariamente ao HU pelo Siate e Samu, além de outros 170 por procura espontânea. “Todos foram redistribuídos. A procura espontânea, ou deixou de procurar ou não estão sendo atendidos”, disse.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o HU afirma que as visitas a pacientes internados caiu de mil por dia para 400, “reduzindo os riscos de novas contaminações”. O hospital estava com 69 pacientes internados, dos 48 leitos no pronto-socorro. Na quarta-feira, havia 74 pacientes. Cirurgias eletivas e tratamentos que independem do PS continuam sendo realizados normalmente.
Remanejamento
Durante a manhã, o secretário de Saúde propôs à direção do HU o remanejamento de profissionais da unidade para os hospitais da Zona Norte e Zona Sul, para que eles ampliassem o atendimento. Entretanto, não foi possível colocar a ideia em prática. “A superintendente do HU me disse que seria difícil essa redistribuição de servidores, porque ainda tinha muitos pacientes precisando do atendimento no pronto-socorro”, justificou.
Mais de 80% têm a bactéria
A klebsiella está presente no intestino de mais de 80% da população. A afirmação é da bioquímica e membro da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HU, Marsileni Pelisson. Entretanto, segundo ela, a bactéria não se manifesta em pessoas saudáveis, mas em quem já tem alguma doença e está com o organismo debilitado. O ambiente hospitalar, portanto, é ideal para a reprodução e transmissão do organismo e, além do desenvolvimento de resistência. Marsileni Pelisson explicou que a bactéria pode ficar colonizada no organismo humano e desenvolver resistências a antibióticos utilizados no combate a outras infecções. De acordo com a especialista, a klebsiella “é resistente a praticamente todos os antibióticos de uso clínico”.
Uma pessoa infectada pela organismo não desenvolve os sintomas, mas pode chegar a ter pneumonia e infecção urinária. “O sintoma vai ser de uma pneumonia igual às outras, mas a diferença será no tratamento. Não tem antibiótico que consiga eliminar. A pessoa pode ter agravamento do quadro, porque o micro-organismo não é eliminado.” A klebsiella resistente é, conforme informou Marsileni, própria de ambientes hospitalares.