CURSO DE MEDICINA
 
 O Curso de Medicina
 

Diretrizes do Projeto Político-Pedagógico

 
 
 
 
 
  
Existe uma grande sintonia e identidade entre as diretrizes deste Projeto Político Pedagógico e as diretrizes curriculares nacionais para os cursos de medicina, aprovadas pelo CNE. Isto se deve ao fato de que os processos de discussão e elaboração de ambas foram simultâneos. Ou seja,
apesar do CNE ter concluído seu trabalho somente no final de 2000, as discussões ocorreram desde 1996 e vários professores e estudantes da UEL foram ativos participantes de vários fóruns nacionais. Por vários motivos, que estão registrados no capítulo introdutório deste PPPMed, houve
condições locais que propiciaram, mesmo antes da aprovação final do CNE, o desenvolvimento teórico-prático das diretrizes.
 
O mesmo acontece em relação às diretrizes aprovadas pelo CEPE para servirem de elementos norteadores para os colegiados dos cursos da UEL.
 
Ou seja, há uma forte identidade do curso com os princípios da pluralidade de idéias, do entendimento de professores e estudantes como sujeitos fundamentais para a troca de valores, da garantia de indissociabilidade entre teoria e prática, do entendimento da avaliação como processo permanente e a compreensão de formação como articulação entre as competências - técnica, científica, artística e política - e a capacidade de transformar a realidade.
 
O projeto pedagógico do curso, que está em construção, parte da compreensão de que o estudante de hoje deve ser preparado para ser o profissional e o cidadão que participará dos processos de construção do conhecimento. As atividades docente-assistenciais são centradas no
estudante, visto como sujeito da aprendizagem e no professor como facilitador do processo de ensino-aprendizagem, enfocando o aprendizado baseado em problemas e orientado para a comunidade.
 
A pedagogia da interação supera com vantagens a pedagogia da transmissão de conhecimentos, utilizada nos métodos tradicionais de ensino, possibilitando o aperfeiçoamento contínuo de atitudes, conhecimentos e habilidades dos estudantes. Facilita o desenvolvimento do seu próprio
método de estudo, aprendendo a selecionar criticamente os recursos educacionais mais adequados, trabalhando em equipe e aprendendo a aprender.
 
Outro conceito do modelo pedagógico adotado é o de aprender fazendo, que sugere a inversão da seqüência clássica teoria - prática, caracterizando que o conhecimento ocorre na ordem inversa, ou seja, da prática para a teoria. No entanto, existem várias possibilidades de ocorrer a aprendizagem e a própria construção do conhecimento. Pode-se priorizar o ponto de partida, como sendo a prática profissional, a prática social, mas não se deve afastar a possibilidade de se ter idéias, reflexões, questionamentos como ponto de partida. Os problemas são, geralmente, observados e extraídos diretamente da prática vivenciada, mas podem também ser elaborados por especialistas, com base na necessidade de incorporação de determinados conceitos ou princípios. Enfim não é a prática profissional o único ponto de partida para que ocorra a construção do conhecimento. A relação prática-teoria-prática deve ser priorizada, não havendo, no entanto, a necessidade de restringir essa seqüência P->T ou T->P, mas sim P<->T. Este modelo que, de uma certa forma, ocorre no internato médico (5ª e 6ª séries), é ampliado neste currículo, para as séries iniciais do curso.
 
Uma grande vantagem da aprendizagem baseada em problemas é a possibilidade de se discutir concomitantemente os aspectos biológicos, psicológicos, sócio-econômicos e culturais envolvidos, uma vez que as ciências médicas se situam na interface das ciências biológicas e das ciências humanas. Na realidade, se pretende conjugar o método pedagógico que melhor desenvolve os aspectos cognitivos da educação (aprender a aprender), com o método que permite o melhor desenvolvimento das habilidades psicomotoras e de atitudes (aprender fazendo).
 
O modelo pedagógico adotado não é exclusivista nem excludente. Na metodologia em construção há oportunidades do exercício de outras técnicas pedagógicas, como é o caso das palestras ou conferências, de natureza expositiva. Tampouco exclui a incorporação da rica experiência desenvolvida ao longo de 5 anos, através do Projeto especial de ensino de práticas interdisciplinares (PEEPIN), da metodologia problematizadora. Esta se mostrou adequada para o desenvolvimento da interação de professores e estudantes no desempenho das atividades de ensino e pesquisa nos cenários comunitários e nos serviços de saúde.
 
Enfim, o modelo pedagógico do curso está fundamentado nos princípios da pedagogia interativa, de natureza democrática e pluralista, com um eixo metodológico que confere destaque à Aprendizagem Baseada em Problemas.
 
DIRETRIZES DO NOVO CURRÍCULO
 
  1. Estruturação modular, viabilizando a interdisciplinaridade;
  2. Ensino centrado nas necessidades de aprendizagem dos estudantes;
  3. Currículo nuclear comum a todos os estudantes e a oportunidade de módulos e práticas eletivas, cuja função é permitir uma certa individualização do currículo;
  4. Ensino baseado na pedagogia da interação, com os conteúdos das ciências básicas e clínicas desenvolvidas de forma integrada com os problemas prioritários de saúde da população;
  5. Garantia de contato do estudante de medicina com as realidades de saúde e sócio-econômicas da comunidade desde o primeiro ano do curso;
  6. Adoção da avaliação formativa;
  7. Terminalidade do curso em 6 anos.
 
METODOLOGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM
 
O método de ensino é muito importante, como um dos componentes inovadores de toda a proposta. Cada método e técnica têm suas características, seus fundamentos teóricos e seus efeitos, dependendo estes de como são aplicados. Na linha das reformas necessárias para o currículo de medicina da UEL há situações em que os métodos e técnicas podem e devem ser adaptados e até criados, para atender aos novos propósitos. Se concepções pedagógicas mais tradicionais possuem seus métodos próprios, uma concepção mais crítica e reflexiva de currículo poderá constituir seus próprios procedimentos já que eles não estão todos prontos, à nossa disposição.
 
No método da aprendizagem baseada em problemas trabalha-se com o objetivo de resolver um problema e, nesse sentido, é um processo muito parecido com a metodologia de pesquisa científica. O método guarda a mesma lógica: a partir de um problema, busca-se compreendê-lo, fundamentá-lo, buscam-se dados para isso, que são analisados e discutidos; por último, são elaboradas hipóteses de solução, que devem ser colocadas em prática para serem comprovadas e validadas.
 
O método da aprendizagem baseada em problemas tem como ponto de partida um problema bem formulado e pretende chegar a um resultado. Nesse percurso o aluno pesquisa, discute com seus colegas, com seu professor/tutor, e outros profissionais, participa de palestras, de conferências, de aulas práticas, formula suas hipóteses diagnósticas e de solução. O método da aprendizagem baseada em problemas estimula o raciocínio, as habilidades intelectuais e a aquisição de conhecimentos.
 
Visa à formação de um profissional competente para o atendimento das necessidades de saúde da população em geral, no que diz respeito à promoção e prevenção de doenças, diagnóstico e eficácia de suas ações terapêuticas e reabilitadoras.
 
O objetivo é oferecer uma alternativa ao ensino tradicional, centrado excessivamente no professor exercendo sua atividade expositiva, conclusiva, em sala de aula, onde cabe ao aluno quase tão somente receber informações condensadas e memorizá-las. De outra forma, por ser um método inovador, cabe ao aluno, em pequenos grupos tutoriais, discutir ativamente problemas de saúde e doença, contidos em uma organização temática que contemple um currículo médico central (currículo nuclear) e, fruto deste envolvimento, absorver o conteúdo com maior profundidade e por tempo mais prolongado.
 
A aprendizagem desloca-se da transferência passiva para a responsabilização do aluno na procura de novas informações e análises nos grupos tutoriais, reconhecidas como necessárias para explicarem os problemas resultantes. O suporte estrutural se faz com orientações concomitantes nas Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios e enfermarias, em práticas laboratoriais básico-clínicas e no laboratório de capacitação técnica em exames e práticas instrumentais, sobre modelos plásticos ou humanos. O treinamento do estudante ocorre substanciado em temas envolvendo conteúdos disciplinares com integração imediata e não mais em caráter longitudinal.
 
O estudante deve compreender e conhecer os primeiros passos do caminho para aprender a aprender, como um processo de apropriação do conhecimento e elaboração ativa, em interação com o objeto e outros sujeitos. Este é o ponto chave do processo de ensino-aprendizagem de adultos.
 
Como a busca e a aquisição de conhecimentos constituem um processo contínuo ao longo da vida de cada indivíduo, os estudantes, durante o curso, são encorajados a definirem seus próprios objetivos de aprendizagem e tomarem a responsabilidade por avaliar seus progressos pessoais no sentido do quanto estão se aproximando dos objetivos formulados.
 
Esta avaliação deve incluir a habilidade de reconhecer necessidades educacionais pessoais, desenvolver um método próprio de estudo, utilizar adequadamente uma diversidade de recursos educacionais e avaliar criticamente os progressos obtidos.
 
Além da aprendizagem baseada em problemas, metodologia utilizada nos módulos temáticos interdisciplinares, outras metodologias ativas são desenvolvidas no currículo, seja nos módulos de interação entre ensino, serviços e comunidade, nos módulos de habilidades clínicas e atitudes e no internato.
 
OBJETIVOS DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
 
OBJETIVO GERAL
 
Promover a formação geral do médico como profissional competente nas suas atribuições técnico-científicas e como cidadão consciente das suas responsabilidades sociais.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 
  • Formar um profissional apto a resolver a grande maioria dos principais problemas de saúde encontrados na população;
  • Aprimorar a relação médico-paciente, aumentando a responsabilidade acadêmica e o compromisso social;
  • Integrar o ciclo básico com o clínico e a teoria com a prática;
  • Melhorar os sistemas de avaliação do processo de ensino-aprendizagem e do próprio curso;
  • Valorizar a visão bioética e humanista da medicina;
  • Estimular a compreensão do paciente como ser biopsicossocial;
  • Contribuir para o desenvolvimento de práticas multiprofissionais de ensino, pesquisa e assistência, atuando articuladamente com os demais cursos de graduação do CCS e com os serviços de saúde;
  • Participar das iniciativas desenvolvidas no campo da educação médica, em âmbito nacional e internacional;
  • Capacitar o estudante para a produção do conhecimento e para a educação permanente em saúde, de forma crítica, contínua e reflexiva.
 
As metas previstas anteriormente e as metas a serem atingidas por este projeto são:
 
1)                 implantar gradualmente as mudanças preconizadas para as primeiras quatro séries, entre 1998 e 2003;
2)                 elaborar e desenvolver um sistema de avaliação do curso, entre 1999 e 2001;
3)                 realizar o diagnóstico da situação existente nas 5ª e 6ª séries com identificação de mudanças pertinentes, entre 2003 e 2005;
4)                 aperfeiçoar o processo de avaliação, entre 2003 a 2005;
5)                 consolidar as mudanças realizadas, entre 2004 e 2008.
 
As estratégias adotadas para a elaboração e implantação do PPPMed são:
 
1)           transparência nas decisões e a abertura para a participação de todos os professores e estudantes interessados;
2)           gestão democrática do colegiado e das suas instâncias internas de discussão;
3)           parceria com os serviços de saúde e com a comunidade;
4)           institucionalização gradual das mudanças;
5)           busca ativa de recursos financeiros extra-orçamentários.
 
PERFIL DO CONCLUINTE DO CURSO
 
O médico formado com base neste currículo possuirá características que o predisporá a:
 
1.         Exercer a medicina com postura ética e visão humanística para o paciente, sua família e comunidade, observando os aspectos sociais, culturais, psicológicos e econômicos relevantes do contexto, baseados nos princípios da bioética e de forma crítica e reflexiva;
2.         Estar estimulado e capacitado para a prática da educação permanente, com preponderância da auto-aprendizagem;
3.         Exercer a medicina utilizando procedimentos diagnósticos e terapêuticos validados cientificamente;
4.         Ter capacitação para identificar quais novos conhecimentos e habilidades são necessários para a resolução de novos problemas e assumir novas responsabilidades; buscar informações utilizando recursos adequados e analisar essas informações criticamente, atitude indispensável frente à sobrecarga de informações e da transitoriedade de conhecimentos teóricos e técnicos;
5.         Dominar os conhecimentos formadores do embasamento científico de natureza biopsicossocial subjacentes à prática médica;
6.         Ter domínio dos conhecimentos sobre fisiopatologia dos principais sinais e sintomas, dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos necessários à prevenção, tratamento e reabilitação das doenças de maior prevalência e dos aspectos da saúde ao longo do ciclo biológico: saúde individual da criança, adolescente, adulto e do geronte com as peculiaridades de cada sexo; saúde da família e da comunidade; doenças crônicodegenerativas; neoplasias malignas; causas externas de morbi-mortalidade; doenças mentais e psicossociais; doenças infecciosas e parasitárias; doenças nutricionais; doenças ocupacionais, ambientais e iatrogênicas;
7.         Ter capacitação para utilizar recursos semiológicos e terapêuticos para prestar atenção integral à saúde, nos níveis primário, secundário e terciário;
8.         Utilizar procedimentos semiológicos e terapêuticos conhecendo critérios de indicação e contra-indicação, limitações, riscos, confiabilidade e sua validação científica;
9.         Atuar dentro do sistema hierarquizado de saúde obedecendo aos princípios técnicos e éticos da referência e contra-referência;
10.     Saber atuar em equipe multiprofissional, assumindo quando necessário o papel de responsável técnico da mesma, relacionando-se com os demais membros em bases éticas;
11.     Ter uma visão social do papel do médico e aceitar engajar-se em atividades de política e de planejamento em saúde;
12.     Informar e educar seus pacientes, familiares e comunidade, em relação à promoção da saúde, prevenção, tratamento e reabilitação das doenças, usando técnicas adequadas de comunicação;
13.     Conhecer as principais características do mercado de trabalho, onde deverá inserir-se, procurando atuar em termos dos padrões locais, buscando o seu aperfeiçoamento dentro da política de saúde vigente;
14.     Utilizar ou administrar equipamentos e recursos com efetividade, pautado em conhecimentos validados cientificamente.
 

 

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