CURSO DE MEDICINA
 
 O Curso de Medicina
 

Metodologia de Avaliação da Aprendizagem


 
 
 
 
 
A educação superior não tem como objetivo somente a instrução e a capacitação profissional, mas também, e prioritariamente, o fortalecimento da cidadania, e o desenvolvimento psicossocial e ético dos estudantes.

 

Há, portanto mais que conhecimento na questão da educação. Esta não se refere apenas à instrução, mas, sobretudo à formação do indivíduo.

 

Requer a superação de conceitos utilitaristas em educação, onde o conhecimento e a formação especializada são importantes, mas não o bastante. É necessário que estejam integrados a um complexo sistema sócio-educativo, englobando valores, atitudes, comportamentos e visões de mundo.

 

Todas as finalidades, dimensões, funções e processos educativos devem ser compreendidos em suas relações com a construção dos processos de emancipação e autonomia dos indivíduos e das sociedades, portanto da cidadania e de novas competências técnicas e éticas. Qualidade em educação significa valores técnico-científicos, culturais e éticos-políticos, ou seja, valores que constituem a complexidade da existência humana.

 

Uma educação para autonomia não pode se omitir diante das urgências da vida, especialmente considerando-se as novas exigências profissionais. A autonomia e a emancipação humanas requerem uma reflexão que ponha em questão os significados éticos e políticos da formação,finalidade essencial de toda educação.

 

Nessa perspectiva, a avaliação é um processo social de formação, pois implica educadores e educandos, avaliadores e avaliados, na mesma situação social, como partes do processo pedagógico onde autonomia e avaliação não se contrapõem. Autonomia, como uma irrecusável condição de possibilidades de uma educação crítica e criativa, e avaliação como um processo internalizado no conjunto de processos formativos, se complementam mutuamente. Isso só é possível se a educação for entendida como um processo temporal alargado e se sua avaliação levar em conta múltiplos referentes.

 

A verdadeira avaliação só pode acontecer se for estabelecida a partir de sua relação com os objetivos, o que permite uma construção conceitual que está voltada para os fins, e não somente para os resultados. É uma categoria central que de forma alguma pode estar isolada de outros componentes. Ela é dependente de outras ações que ocorrem em sala de aula e fora dela. Portanto, não pode ser pensada como uma etapa final, mas como parte integrante do processo. Sala de Aula, Escola e Sistemas são relações em cadeia que devem ser consideradas pela avaliação.

 

A metodologia de avaliação adotada no PPPMed entende o currículo como uma das suas expressões, tendo o ensino voltado para a construção do conhecimento sob a ótica da crítica teórico-prática, da transposição das disciplinas auto-referenciadas, da incorporação da atitude reflexiva e problematizadora e da pesquisa como seu elemento constituidor.

 

Na perspectiva de um ensino articulado à pesquisa, onde a relação professor-aluno é de parceiros, a avaliação não se reduz à cobrança da falta ou ao reforço do comportamento obediente, mas na análise do processo, dos alcances e da reorganização das ações. Deve servir para potencializar estudantes e professores na construção do conhecimento, proporcionando as condições necessárias para a integração do ensino com a realidade social.

 

Passa a ser parte do contínuo repensar sobre os fins e os propósitos da formação, gerando estímulos para servir à mudança e à transformação.

 

Tendo como base as competências, habilidades e conteúdos desenvolvidos a partir das diretrizes curriculares dos cursos de medicina, a proposta pedagógica apresentada tem a avaliação como uma questão central, que está a serviço da aprendizagem.

 

Para tanto, propõe-se o uso conjugado de modalidades de avaliação integradas entre si e relacionadas diretamente com os objetivos do curso, a saber: a) Avaliação diagnóstica; b) Avaliação formativa e c) Avaliação somativa.

 

a)     A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início de um curso, período letivo ou unidade de ensino, com a intenção de constatar se os alunos apresentam ou não o domínio dos pré-requisitos necessários, isto é, se possuem os conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. É também utilizada para caracterizar eventuais problemas de aprendizagem e identificar suas possíveis causas, numa tentativa de saná-los.

 

b)     A avaliação formativa, é aquela realizada durante todo o decorrer do período letivo, com o intuito de verificar se os alunos estão atingindo os objetivos previstos, isto é, quais os resultados alcançados durante o desenvolvimento das atividades. Visa, fundamentalmente, determinar se o aluno domina gradativa e hierarquicamente cada etapa da instrução; porque antes de prosseguir para uma etapa subseqüente de ensinoaprendizagem, os objetivos em questão, de uma ou de outra forma devem ter seu alcance assegurado. É principalmente através da avaliação formativa que o aluno conhece seus erros e acertos e encontra estímulo para um estudo sistemático. Essa modalidade de avaliação é basicamente orientadora, tanto do estudo do aluno quanto do trabalho do professor. Por isso, a avaliação formativa pode ser utilizada como um recurso de ensino e como fonte de motivação.Esta avaliação está muito ligada ao mecanismo de feedback, à medida que também permite ao professor detectar e identificar deficiências na forma de ensinar, possibilitando reformulações no seu trabalho didático, visando aperfeiçoá-lo, quando ainda em curso. É por esta razão que os especialistas afirmam ser essa modalidade de avaliação uma parte integrante do processo ensino-aprendizagem e, quando bem realizada, assegura que a maioria dos alunos alcance o objetivo desejado.

 

c)      A avaliação somativa é aquela que se realiza ao final de um módulo, período letivo, estágio, disciplina, ou unidade de ensino ou curso, e consiste em classificar os alunos de acordo com níveis de aproveitamento previamente estabelecidos, tendo em vista sua promoção de uma série para outra, ou de um grau para outro.

 

Visando o acompanhamento do processo de aprendizagem do aluno de forma contínua e flexível, e para mensurar a aprendizagem efetivamente ocorrida, utilizam-se os seguintes instrumentos, aplicáveis aos módulos temáticos interdisciplinares, aos módulos de habilidades clínicas e aos módulos de práticas de interação ensino, serviços e comunidade e estágios do internato:

 

Auto-avaliação - é realizada pelo aluno, sobre o seu próprio desempenho; deve englobar conhecimento, atitudes e habilidades, ajudando-o a reconhecer deficiências e a assumir maiores responsabilidades em cada etapa do processo de aprendizagem; é realizada oralmente ao final das sessões tutoriais, ou de trabalho em grupos dos demais módulos. Não tem peso na nota final do aluno.

 

Avaliação inter-pares - é realizada pelos membros do grupo sobre o desempenho de cada um dos participantes; tem objetivos semelhantes aos anteriores acrescidos do aprendizado de receber críticas e de criticar construtivamente aos colegas; é também realizada ao final de algumas sessões tutoriais, oralmente; não tem peso na nota final do aluno.

 

Avaliação pelo professor/tutor - é realizada por escrito pelo professor para identificar as atitudes, comportamentos e habilidades dos alunos e avaliar o progresso de cada um. Nos módulos temáticos será realizada no mínimo em três sessões tutoriais, com intervalos entre elas, excluída a 1ª sessão e obrigatoriamente na penúltima. A média das avaliações obtidas comporá a nota final do aluno e terá peso 4 (quatro). No internato esta avaliação será definida pela preceptoria do internato e a nota terá peso 1 (um).

 

Avaliação cognitiva - é a avaliação do conhecimento adquirido, realizada ao final de cada módulo e estágio do internato; é organizada por meio de questões dissertativas, de múltipla escolha, de verdadeiro/falso ou de complementação, em número variável conforme o módulo.

 

Avaliação prática em multi-estações - é a avaliação do conhecimento teórico-prático, realizada ao final de cada módulo temático interdisciplinar, quando pertinente; é organizada através do rodízio do aluno por várias estações, a intervalos determinados.

 

Avaliação baseada no desempenho clínico - mede habilidades clínicas específicas e atitudes - o método utilizado é denominado de Exame Clínico Estruturado por Objetivo (Objective Structured Clinical Examination - OSCE) e é organizado com base em um número variado de estações com emprego de diversos materiais e recursos - exames laboratoriais - peças anatômicas - pacientes - imagens - vídeos; é realizada nos módulos de habilidades, uma vez a cada semestre letivo.

 

Teste de progresso - é elaborado para fornecer uma avaliação longitudinal do progresso do aluno durante o curso, em todas as áreas da ciência médica pertinentes à formação profissional; o mesmo será aplicado uma vez ao ano, simultaneamente, a todos os alunos do curso de Medicina (1º ao 6º ano); seu resultado não entra no cômputo da nota final do aluno, mas constitui indicador importante do desenvolvimento do curso. Os estudantes que não comparecerem ao dia oficialmente designado para a realização do TPMed deverão encaminhar justificativa por escrito para o Colegiado do curso que avaliará, com a comissão de avaliação uma nova data para a realização do teste pelos faltosos. O colegiado não poderá enviar para a Pró-Reitoria de Graduação a pauta do último módulo do ano letivo enquanto todos os estudantes da série não tiverem feito o Teste de Progresso do curso.

 

Portfólio - coletânea de registro de estudos e outras produções desenvolvidas pelo estudante durante um certo período.

 

Avaliação por meio de relatórios e/ou trabalhos científicos - Realizada ao longo dos módulos PIN, podendo também ser adotada em outros módulos ou estágios a critério das instâncias pertinentes.

 

Exame Final - aplicado aos que alcançaram média superior a 3.0 e inferior a 6,0 com os resultados das demais avaliações.

 

 

 

 

 

 

 
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