CURSO DE MEDICINA
 
 O Curso de Medicina
 

Diretrizes das Atividades Pedagógicas

 
 
 
 
 
Nos cursos de medicina em geral e neste Projeto Político-Pedagógico não estão contempladas atividades conhecidas como “Estágios” (obrigatórios ou voluntários) afora os existentes no Internato Médico e tampouco os trabalhos de Conclusão de Curso.
 
Entendemos que, para a maioria dos demais curso de graduação da universidade, a atividade pedagógica na modalidade “estágio” significa a oportunidade do exercício de atividades práticas. No curso de medicina, além do internato, as atividades práticas também são desenvolvidas, de forma integrada ou, pelo menos, articulada com a teoria, nas quatro séries iniciais e representam aproximadamente 30% da carga horária total nessas séries.
 
Além disso, deve ser ressaltado que a diretriz de inovação também está presente nas atividades pedagógicas, com a criação dos tutoriais e do ensino orientado, o que, aliás, é coerente e decorrente da adoção de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, centradas no estudante, como sujeito ativo e no professor como dinamizador dos processos de aprendizagem, ambos produtores solidários de conhecimentos e de práticas docenteassistenciais.
 
Em relação ao TCC, o curso de medicina da UEL nunca o incluiu como uma atividade pedagógica e, por esta razão, não há experiência acumulada a respeito. Ainda assim o assunto foi objeto de análise e discussão, pois se cogitou da possibilidade desta ser uma alternativa potencializadora de uma melhor integração entre teoria e prática nas duas últimas séries do curso, período em que predominam as atividades práticas.
 
Para alguns, este predomínio vem ocorrendo de uma forma excessiva, resultando em prejuízos para a formação teórico-crítica do estudante na sua fase final dos estudos de graduação. Mas esta análise é controversa e está distante de ser a dominante entre os professores do curso.
 
Além disso, sabe-se que o TCC implica em disponibilidade de volumosa carga horária para os professores-orientadores, possibilidade inexistente no momento.
 
Diretrizes dos Módulos Temáticos Interdisciplinares
 
Devem ser desenvolvidos em grupos constituídos de oito estudantes e um professor. A metodologia adotada é a Aprendizagem Baseada em Problemas, mais conhecida pela sigla em inglês PBL (Problem Based Learning).
 
Anualmente ocorre o replanejamento de cada módulo, que deve ser apreciado pela comissão de acompanhamento curricular do colegiado, atualizando suas árvores temáticas, seus conteúdos, os problemas de estudo, as palestras e as práticas. As práticas são desenvolvidas com grupos de alunos que não devem ultrapassar a relação de 20 alunos por docente.
 
Os grupos de planejamento (GP) e as equipes de professores-tutores de cada módulo são liderados por um coordenador e um vicecoordenador, escolhidos em comum acordo pelos membros dos GP, coordenação do colegiado do curso e chefias dos departamentos envolvidos. Da mesma forma, ocorre com relação à formação das equipes de tutores e de co-tutores.
 
Os detalhes do funcionamento desses módulos estão contidos em manuais dos coordenadores, dos estudantes, dos tutores que passam, a partir deste ano, a serem institucionalizados sob a forma de Portarias ou Atos Normativos do colegiado do curso, às vezes sob a forma de Atos Conjuntos com a direção do CCS.
 
Diretrizes dos Módulos Complementares Eletivos
 
DEFINIÇÃO
 
Os módulos de Atualização eletivos são obrigatórios, de natureza e conteúdo de escolha pelo aluno, que objetivam oferecer-lhe a diversificação de sua experiência curricular através da vivência de conteúdos e práticas não ofertados regularmente pelo currículo, contribuindo para o amadurecimento do aluno e a comparação dos conhecimentos que adquiriu na vivência do currículo com outras possibilidades, de modo a ampliar seus horizontes de escolha profissional futura.
 
PERIODICIDADE
 
São oferecidos uma vez para cada série de estudo da segunda à quarta séries.
 
OFERTA
 
Não há programação apriorística de oferta regular de disciplina ou estágios que possam ser cursados nos módulos de atualização. Os departamentos e as disciplinas da UEL oferecem algumas disciplinas e estágios com maior regularidade, em número limitado de vagas, que podem ser cursados. Outros fazem essas ofertas esporadicamente, na dependência da disponibilidade de docentes e interesses dos alunos e dos departamentos. Outra possibilidade é a freqüência a uma Disciplina Especial ofertada pelos mesmos departamentos. Ainda outra é a realização de estágio em área afim.
 
Em quaisquer das possibilidades as disciplinas cursadas nos módulos eletivos ou os estágios correspondentes deverão obedecer a determinados preceitos e quesitos abaixo especificados. É da responsabilidade do aluno encontrar uma disciplina ou estágio que possa ser cursada nos módulos eletivos. Os alunos recebem orientações específicas de como conseguir esses estágios e disciplinas através de material impresso e eletrônico
dos quais consta também a orientação àqueles que pretendem ofertar essas disciplinas e estágios.
 
TIPOS DE ESTÁGIO E DE DISCIPLINAS
 
Os estágios e disciplinas poderão ter caráter teórico, teórico-prático ou prático e deverão estar relacionados à prática ou à teoria das disciplinas que compõem o currículo ou, em caso contrário, apresentar argumentação circunstanciada convincente da pertinência de sua importância para o desenvolvimento profissional médico do aluno.
 
LOCAIS DE ESTÁGIOS
 
As eletivas poderão ser desenvolvidas em estabelecimentos de ensino superior, públicos ou privados, locais, regionais, nacionais ou internacionais ou em hospitais, clínicas, unidades básicas de saúde, públicos ou em organizações não governamentais relacionadas à área de saúde, desde que as mesmas apresentem regulamentação de funcionamento e cadastro público como organizações de interesse público. São vedadas as eletivas em locais privados tais como clínicas, consultórios, hospitais locais com número reduzido de leitos e não reconhecidos como de notório saber pelas práticas ali desenvolvidas.
 
DURAÇÃO E HORÁRIO DOS ESTÁGIOS E DISCIPLINAS
 
Os estágios e disciplinas poderão ser desenvolvidos, na época destinada, com carga horária de 60 horas.
 
SUPERVISÃO DE ESTÁGIO OU DE DISCIPLINA
 
A supervisão do estágio ou da disciplina ocorrerá através de um orientador local, membro da disciplina ou de corpo profissional do local de estágio e de um supervisor docente do curso de medicina da UEL. Em nenhuma hipótese esses profissionais poderão ser parentes diretos dos alunos envolvidos, até segundo grau de parentesco, nem os estágios poderão ser realizados em estabelecimentos cujo dono seja parente direto do aluno até uma relação de segundo grau.
 
PLANO DE DISCIPLINA OU ESTÁGIO
 
O aluno deverá apresentar um plano de disciplina ou estágio ao supervisor docente, que por sua vez o apresentará ao coordenador de Módulo de Atualização da respectiva série do aluno, que o aprovará. Este mesmo plano deverá ser previamente aprovado pelo respectivo orientador local. O coordenador apresentará seu parecer de aprovação ou reprovação ao colegiado de curso de medicina, que aprovará ou reprovará o plano do aluno. Fica dispensada essa aprovação individual para os casos em que o aluno cursar disciplina ou estágio ofertado regularmente e previamente aprovado para este fim. De qualquer forma, o supervisor do aluno no curso de medicina da UEL deverá receber um plano de disciplina ou de estágio e apresentá-lo ao coordenador supra citado.
 
Diretrizes dos Módulos de Habilidades Clínicas e Atitudes
 
São módulos de oferta anual, um para cada série da primeira parte do curso. São considerados, para efeito de progressão no curso, módulos essenciais.
 
O treinamento de habilidades é um programa educativo estruturado longitudinalmente, que visa desenvolver as habilidades necessárias para o exercício adequado da Medicina. O programa compreende o treinamento de habilidades clínicas, realização de exame físico, de procedimentos médicos, de exames laboratoriais, das técnicas de comunicação social, acesso aos meios contemporâneos de informação médica e capacitação para a leitura crítica.
 
O objetivo deste programa é capacitar o futuro profissional para uma atuação eficiente e eficaz de promover a saúde, prevenir e tratar as doenças e de reabilitar os incapacitados sob uma visão holística, humanista e ética.
 
Definindo alguns termos:
 
  • A atitude médica é a postura individual do médico no exercício de sua profissão, que é dependente de sua formação ética, humanista e psicológica. A prática de um treinamento no qual é dada grande ênfase a tais aspectos é um elemento facilitador de um adequado relacionamento médico-paciente.
  • As habilidades clínicas referem-se a experiências vividas na prática médica para dominar as técnicas semiológicas, os procedimentos médicos e exames laboratoriais necessários para atenção primária, secundária e terciária definidos no currículo.
  • A comunicação refere-se ao domínio das técnicas necessárias para atender e informar os pacientes, familiares e comunidade na atenção integral à saúde e para o exercício adequado em equipe multiprofissional.
  • O treinamento para o acesso à informação médica e técnica de leitura crítica são instrumentos indispensáveis para o médico frente à sobrecarga de informações e da transitoriedade de conhecimentos teóricos e técnicos atuais.
 
As habilidades propostas pelo currículo de medicina da Universidade Estadual de Londrina podem ser classificadas em cinco categorias, com os seguintes objetivos:
 
1. Acesso à informação:
 
 
  • Capacitar e treinar o aluno para a utilização dos recursos oferecidos pela biblioteca e pelos meios eletrônicos de transmissão de informações;
  • Capacitar e treinar os alunos para a leitura crítica da informação científica.
 
2. Habilidades de Semiologia:
 
 
  • Capacitar o aluno em técnicas de anamnese e exame físico;
  • Treinar o aluno a identificar e caracterizar os sinais e sintomas, mostrando as suas repercussões orgânicas e psicossociais com o objetivo de
  • se traçar um perfil do paciente e de sua doença, possibilitando assim a realização de diagnóstico sindrômico e de diagnóstico diferencial.
 
3. Procedimentos médicos:
 
  • Capacitar e treinar habilidades de curativos, sutura, reanimação e outros procedimentos;
  • Conhecer a técnica de realização de alguns e saber interpretar os exames de apoio diagnóstico, essenciais para o exercício da clínica geral (ex: fezes, urina, exames eletrográficos, imagem, etc.)
 
4. Comunicação:
 
  • Treinar o relacionamento médico-paciente, como obter a história do paciente;
  • Entender, informar e educar pacientes, familiares e comunidades em relação à promoção de saúde, prevenção, tratamento e reabilitação das doenças, usando técnicas adequadas de comunicação;
  • Reconhecer reações de pacientes e familiares frente à doença bem como, suas próprias emoções frente ao paciente.
 
Distribuição da carga horária estimada para o treinamento dos diferentes tipos de habilidades em todos os 4 módulos:
 
  • 50% - Acesso à informação médica + Semiologia;
  • 15% - Procedimentos médicos;
  • 10% - Realização de exames complementares;
  • 25% - Comunicação social.
 
Essas cargas horárias serão objeto de análise por ocasião do IV Encontro de Avaliação e Planejamento dos Módulos de Habilidades Clínicas e Atitudes, programado para setembro de 2004, podendo sofrer modificações que serão apreciadas pelo colegiado pleno na próxima reunião deste ano.
 
O ensino de habilidades é centrado no aluno, com resgate de suas experiências anteriores, baseando-se em alguns princípios, abaixorelacionados:
 
  • Interação entre teoria e prática visando a potencialização e o sinergismo na aquisição do conhecimento e das habilidades.
  • Desenvolvimento gradual de complexidade crescente das habilidades, das situações práticas e de integração entre habilidades e conhecimentos para a solução de problemas: a cada passo o estudante será treinado em situações práticas cada vez mais complexas e somente deverá prosseguir após o perfeito domínio do passo anterior. A qualquer momento o aluno que se sentir inseguro, poderá retornar ao treinamento precedente.
  • A avaliação seguirá os princípios e métodos estabelecidos pela Comissão de Avaliação, e será realizada após cada atividade pela análise de relatórios e por duas OSCE (Objective Structured Clinical Examination) anuais.
 
  • O treinamento das habilidades clínicas será realizado de diferentes formas:
 
  • Com a utilização de manequins/simuladores, treinamentos interpares (entre os próprios alunos), com pacientes simulados e com pacientes verdadeiros;
  • Pela observação, análise e discussão de diferentes situações clínicas encontradas em consultórios, enfermarias, outros serviços de saúde, ou em fitas gravadas especificamente para este fim;
  • Por meio de realização e interpretação de exames complementares em laboratórios clínicos, de imagem ou outros.
 
Diretrizes dos módulos interação ensino, serviços e comunidade
 
São módulos longitudinais, de oferta anual, cujas atividades são desenvolvidas nas quatro primeiras séries do curso. São módulos essenciais para efeito de progressão no curso. Nas duas primeiras séries são desenvolvidos de forma conjunta com estudantes e professores de outros cursos da área da saúde do CCS, especialmente enfermagem.
 
Nessas duas séries, a metodologia utilizada é a da problematização e os estudantes são distribuídos em Grupos de Interação Multiprofissional (GIM) que desenvolvem suas atividades nas áreas de abrangência e nos serviços de saúde de 10 UBS do Sistema Municipal de Saúde.
 
Na terceira e na quarta série, os estudantes atuam em serviços da rede do Sistema Local de Saúde e/ou nos próprios serviços do HU. Nestas series eles são distribuídos em duplas, constituídas somente por estudantes de medicina.
 
As atividades são desenvolvidas em um dos 10 períodos letivos semanais, geralmente no vespertino.
 
Os módulos PIN são voltados ao desenvolvimento das competências e habilidades gerais do estudante, conforme definidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais:
 
1.         Atenção à saúde: desenvolvimento de ações de promoção, proteção e reabilitação de saúde, tanto na esfera individual como coletiva. Os profissionais devem ser preparados de forma a assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do Sistema de Saúde, sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos.
 
2.         Tomada de decisões: visando o uso apropriado, do ponto de vista da eficácia e do custo-efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas de atenção, tomando decisões com base em evidências científicas.
3.         Comunicação: domínio de tecnologia de comunicação e de informação. Os profissionais do futuro devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações, além de saber interagir com outros profissionais de saúde e o público em geral.
4.         Liderança: desenvolvimento da capacidade de trabalhar em equipe multiprofissional. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia e comunicação.
5.         Administração e Gerenciamento: capacidade de tomar iniciativa, de serem empreendedores e parcimoniosos no uso dos recursos físicos, financeiros e de informação.
6.         Educação permanente: desenvolvimento da capacidade de aprender continuadamente, inclusive mobilizando a formação e a cooperação por meio de redes nacionais e internacionais.
 
Enfim, para o curso de medicina, os módulos PIN devem ser um dos espaços prioritários para o desenvolvimento das interações sociais, culturais e sanitárias entre os ambientes e sujeitos da universidade, dos serviços de saúde e da comunidade. Devem ser também terrenos favoráveis à integração das dimensões biopsicossociais e das atividades teóricas e práticas.
 
No processo de mudança do curso, os módulos PIN configuram espaços estratégicos. Primeiro porque por meio deles se garante a possibilidade dos estudantes trabalharem sobre problemas da realidade social, numa compreensão ampliada de saúde. Segundo, porque este trabalho se articula a partir de um ponto de vista multiprofissional. E, terceiro, porque se busca realizar este trabalho de uma maneira articulada com os profissionais dos serviços e com representantes da população.
 
Diretrizes do Internato
 
DENOMINAÇÃO DO INTERNATO: INTERNATO MÉDICO
 
O Internato médico é a última fase da graduação, onde o aluno recebe orientação teórica e prática em estágios supervisionados nas áreas básicas e fundamentais da Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Clínicas Médicas e Clínicas Cirúrgicas, com 24 meses (104 semanas) de duração, a partir da 5ª série.
 
Para matrícula no internato o estudante deve ter sido aprovado em todas as unidades de ensino das séries anteriores, não havendo a possibilidade de dependência juntamente com essas atividades.
 
Para que se dê uma formação médica adequada são necessários suporte técnico, recursos hospitalares satisfatórios, assistência integrada por parte dos docentes e residentes e a execução por parte dos internos das tarefas que lhe forem confiadas.
 
As atividades teórico-práticas dos internos seguem uma programação geral e a uma programação específica fornecida pelos setores de estágio obrigatórios de cada departamento.
 
Em termos de programação geral, o internato visa a formação geral do médico e para isso o interno assume, durante esse período, a total responsabilidade pelo atendimento e condução dos pacientes sempre orientado por docentes e/ou médico-residente. É vedado ao interno qualquer decisão que não seja do conhecimento do docente ou do médico-residente designado pelo docente responsável pelo estágio (preceptor).

 

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