CURSO DE MEDICINA
 
 O Curso de Medicina
 

Histórico do Curso

 
 
 
 
 
 
 O curso de Medicina iniciou suas atividades no dia 15 de fevereiro de 1967, como Faculdade de Medicina do Norte do Paraná (Lei Estadual N. 5216). Em 1970, por ocasião da criação da Universidade Estadual de Londrina, esta e outras faculdades preexistentes foram extintas e na nova estrutura universitária criada, os cursos de Medicina e de Odontologia passaram a integrar o recém criado Centro de Ciências da Saúde.
O primeiro currículo, estruturado em disciplinas anualizadas, isto é, seriado anual, apresentava uma carga horária de 9.397 horas, com matérias trabalhadas em grandes blocos e um Internato Médico de 2.405 horas. Nos vinte anos seguintes, foram promovidas quatro reformas curriculares.
 
1.                           (1972) - O segundo currículo, anual, mas semestralizado, já preparava o sistema de matrícula por disciplinas, adotado pela Resolução n. 97/72, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UEL. Esse currículo apresentava uma carga horária total de 8.652 horas e um Internato Médico de 2.000 horas. Apresentava-se como um currículo de transição, com disciplinas fundamentais (básicas), profissionalizantes, complementares e possibilidade do aluno montar seu próprio currículo.
2.                           (1973) - O terceiro currículo, em regime de matrícula por disciplina (crédito), apresentava uma carga horária de 9.045 horas e um Internato Médico de 2.385 horas. Esse currículo passou por várias alterações, inclusive no Internato, ampliado de um ano para três semestres em 1978. Ainda que o sistema de crédito oferecesse ao aluno uma flexibilidade curricular, sendo a periodização apresentada apenas como uma sugestão, esta, na prática transformou-se em uma realidade.
3.                           (1980) - O quarto currículo, com regime de matrícula por disciplina (crédito), apresentava uma carga horária total de 7.095 horas e um Internato Médico de 3.060 horas, realizado em dois anos.
4.                           (1992) - O quinto currículo, com regime acadêmico seriado anual, apresentava uma carga horária total de 8.252 horas e um Internato Médico de 3.492 horas, realizado em dois anos.
 
Até 1997, ou seja, nos primeiros trinta anos de existência do curso, verificou-se em média uma mudança curricular a cada seis anos. Este é um fato positivo, não encontrado em muitas escolas que sofrem de enrijecimento curricular. Em Londrina, o curso de medicina tem uma tradição de
procurar estar em permanente desenvolvimento, respondendo aos avanços do conhecimento científico-tecnológico da área médica e do conhecimento científico-educacional. É importante registrar que essas mudanças ocorreram sempre com a participação de professores e alunos, especialmente a partir de 1977, com a realização dos Fóruns de Debates do Curso Médico da UEL (1o em 1977; 2o em 1980; 3o em 1981; 4o em 1992 e 5o em 2003).
O 4o Fórum de Debates do Curso de Medicina da UEL, realizado em 1992, enfocou o Internato, assunto este muito discutido por se constituir num dos pontos nevrálgicos da formação médica. No internato, o aluno é definitivamente inserido na prática e as dificuldades acadêmicas, docentes, administrativas, de recursos humanos, de infra-estrutura, dos serviços de saúde, entre outras, se tornam mais evidentes.
Em 1992, fruto da reivindicação da comunidade acadêmica, foram constituídos os Colegiados de Curso, em substituição aos Colegiados por Área de Conhecimento. Esta decisão teve o intuito de resgatar o adequado gerenciamento didático-pedagógico dos cursos de graduação, buscando a melhoria da qualidade do ensino e sanar uma distorção de função e competência na Universidade, que era a do gerenciamento dos cursos pelos Departamentos, devido à falência dos antigos Colegiados.
Em meados dos anos 90, simultaneamente às ações do CCS e do Hospital Universitário, voltadas a reformas/ampliações de áreas físicas e de reequipamento das estruturas acadêmicas e assistenciais, o curso de medicina retomou iniciativas no que diz respeito às questões acadêmicas propriamente ditas.
A partir de 1991, no contexto do Projeto CINAEM, desencadeou-se intenso processo de avaliação do curso médico. Nossa escola foi pioneira, tendo sido a primeira a responder ao questionário inicial e é hoje reconhecida nacionalmente como uma das mais comprometidas com o processo de mudança da educação médica.
Além disso, as novas linhas de trabalho desenvolvidas por várias disciplinas dos ciclos básico e clínico, os projetos especiais de ensino, as novas articulações entre atividade de ensino, serviços e comunidade, as visitas e estágios feitos por professores e estudantes em escolas e centros de educação médica no exterior, a visita de consultores nacionais e estrangeiros, com conferências e assessorias, desencadeou um rico processo de reflexão e capacitação docente sobre os modelos pedagógicos e as metodologias de ensino-aprendizagem mais modernas e recomendadas para a educação médica neste final de século.
Em 1992, o XXX Congresso Brasileiro de Educação Médica, o I Fórum Nacional de Avaliação do Ensino Médico e o I Seminário Internacional dos Projetos UNI foram realizados em Londrina. Desde o início dos anos 70 o curso é um dos membros institucionais da Associação Brasileira de Educação Médica. Da mesma forma, muitos de seus professores são sócios individuais históricos dessa entidade. Desde 1992 o CCS está associado à Network of Community-Oriented Education Institutions for Health Sciences e desde 1993 participa de eventos internacionais de discussão e análise da educação médica, tendo sido credenciado, a partir de 1994, como Centro Colaborador em Educação e Prática Médica pela Organização Mundial da Saúde.
Esta inserção do curso de medicina no movimento nacional e internacional de mudanças da educação médica é resultado do projeto de apoio à implantação de novos modelos acadêmicos nos cinco cursos de graduação do CCS. Os princípios centrais desses novos modelos acadêmicos são:
articulação academia-serviços-comunidade; interdisciplinaridade; ação multiprofissional; ensino e pesquisa orientados pelos problemas prioritários de saúde da população; formação orientada para a integralidade da atenção à saúde; articulação ensino-pesquisa-assistência; integração das
disciplinas básicas e clínicas; inserção precoce do aluno em ações comunitárias e nos serviços de saúde; metodologias ativas de ensino-aprendizagem;
ensino centrado no estudante e baseado em problemas como uma das metodologias inovadoras de aprendizagem; prática tutorial na relação professor-aluno predominando em relação às aulas expositivas; educação permanente como compromisso institucional e ecologia humana (integração biopsicossocial). Ou seja, são princípios que buscam conquistar cada vez mais excelência técnica e a relevância social para o curso.
Este breve histórico caracteriza um compromisso do curso com a permanente construção de novos modelos acadêmicos e serve para reafirmar que o desenvolvimento do curso nos próximos anos continuará necessitando de apoio interno e externo, de direcionalidade político-acadêmica e de competência gerencial.
 
DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO
 
O atual processo de avaliação implantado começou pela análise do curso em 1991, por meio da Fase I do Projeto CINAEM. Naquela oportunidade foram avaliados os seguintes componentes: vínculo jurídico, data de criação da escola, estrutura econômico-administrativa, estrutura
político-administrativa, infra-estrutura material, recursos humanos, modelo pedagógico e papel da escola na assistência e na pesquisa. O médico formando foi considerado a “variável dependente” do estudo.
A análise feita pela CINAEM e pelo colegiado do curso identificou fragilidades no modelo pedagógico adotado pelo currículo vigente na época, além de outras insuficiências como, por exemplo, a deficiente capacitação pedagógica de muitos professores.
Em 1992 e 1993 foi desenvolvido um intenso processo de avaliação e de gestão da qualidade do curso, com assessoria externa, que resultou na apresentação da experiência e diagnóstico durante o Encontro Continental de Educação Médica, realizado em Punta Del Este, Uruguai, em 1994.
Em 1995 e 1996 foram desenvolvidos os estudos de Coorte e Transversal (CINAEM, Relatório Geral), bem como a avaliação estratégica do curso e do currículo, no contexto da Fase II do Projeto CINAEM. Acumulou-se, nesse processo, dados e informações além de ter havido maior conscientização acerca da realidade do nosso curso/currículo.
Ressalte-se que as debilidades e insuficiências detectadas sempre foram analisadas levando em consideração o contexto interno e externo das suas causas. Além dos motivos internos já expostos, é justo que se registre, como causas diretas ou indiretas, os problemas enfrentados pela prática médica e pelo desenvolvimento sócio-econômico do país. Há inúmeros estudos mostrando a íntima relação entre educação médica, prática médica e estrutura social. As escolas e os currículos são componentes desses processos mais gerais.
Sabe-se que a crise da saúde e da educação médica é estrutural, havendo necessidade de esclarecimento de muitos de seus determinantes, entre eles: a importância da escola para a sociedade; as atribuições exigidas pela sociedade, que vão muito além do papel de apenas ensinar; o fato de o professor estar insuficientemente preparado para essas atribuições; as carências do financiamento em educação; o avanço contínuo das ciências e a necessidade de integrar novos conteúdos, o que impõe uma dinâmica de renovação permanente.
Em 1996, culminando todos os processos acima mencionados, realizou-se, promovido pelo colegiado do curso, o Seminário de Avaliação do Curso de Medicina no Sistema Seriado que, numa perspectiva histórica e pelas suas características, deu seguimento aos quatro Fóruns mencionados anteriormente. Esse Seminário reuniu um numeroso grupo de professores e estudantes, interessados em avaliar o curso e refletir sobre a necessidade de uma reforma curricular.
Na oportunidade, as principais fragilidades apontadas no currículo então vigente foram:
 
01.                                     A excessiva segmentação/individualização e a falta de especificidade das disciplinas na área de saúde no ciclo básico, resultado da Reforma Universitária de 1968, levando a uma dissociação entre os conhecimentos básicos e clínicos;
02.                                     Enfoque essencialmente biologicista nos conteúdos curriculares;
03.                                     Informações de especialidades de ponta ministradas com a mesma relevância dos conteúdos gerais;
04.                                     Estruturação curricular por disciplinas (75), com excessiva e crescente fragmentação do ensino;
05.                                     Má utilização de cargas horárias pelas disciplinas, havendo um desperdício de tempo, com cargas horárias não cumpridas;
06.                                     Metodologia de ensino essencialmente transmissora de conhecimentos, gerando passividade dos alunos e desmotivação entre os professores;
07.                                     Avaliações da aprendizagem baseadas na memorização, essencialmente somativa e não formativa;
08.                                     Atividades fragmentadas e essencialmente teóricas nas quatro séries iniciais, em especial nas 3a e 4a séries;
09.                                     Ausência de práticas nos cenários comunitários e nos serviços de saúde de menor densidade tecnológica;
10.                                     Sobrecarga de atividades em sala de aula, dificultando outras iniciativas de ensino-aprendizagem, inclusive de investigação científica, tanto por parte dos alunos como dos professores.
 
JUSTIFICATIVAS DA MUDANÇA
 
Diante da situação diagnosticada, considerou-se que estava seriamente prejudicada a apropriação sistemática dos conhecimentos e a aquisição das habilidades e atitudes que devem possibilitar ao estudante e futuro médico uma ação mais lúcida sobre a realidade, assim como uma capacidade de interpretação mais rigorosa dos fenômenos sociais e médico-científicos.
A superação das fragilidades diagnosticadas no curso depende, fundamentalmente, de: uma ação efetiva dos professores voltada para a formação do espírito crítico dos estudantes, base para a formação da cidadania; da convivência participativa de estudantes com estudantes, de professores com estudantes e de professores com professores; do desenvolvimento da competência técnica e do compromisso do professor com as tarefas do cotidiano; do fortalecimento do núcleo escola-comunidade; da análise do cotidiano escolar, tendo em vista o aperfeiçoamento da compreensão do que ocorre na sala de aula, considerando a interação professor-aluno e as estratégias adotadas para facilitar a aprendizagem e suas repercussões sociais.
A partir das 1a e 2a Conferências Mundiais de Educação Médica, realizadas em Edimburgo (Escócia), em 1988 e em 1993, os educadores da área médica começaram a estabelecer os parâmetros que iriam balizar as reformas curriculares e a adequação da formação do médico às novas demandas sociais. O Relatório Geral dos resultados da AVALIAÇÃO DO ENSINO MÉDICO NO BRASIL (1991-1997), da CINAEM, aponta a necessidade de Reformulação do Modelo Pedagógico, compreendida em seu sentido amplo, abarcando a totalidade do processo de formação médica.
Percebe-se que as dificuldades na implementação das mudanças refletem os problemas já apontados na análise da situação do ensino médico.
Há consenso mundial de que alguns fatores determinantes devem ser norteadores das transformações. Dentre eles são destacados:
 
01.                                                  As rápidas transformações sociais nos países em desenvolvimento, com as mudanças nos perfis epidemiológicos e demográficos, que conferem a esses países semelhanças aos países desenvolvidos.
02.                                                  A convicção de que o ensino compartimentalizado em disciplinas tende a formar médicos preparados para tratar doenças de forma segmentada e não capacitados para atuar como promotores da saúde integral do ser humano.
03.                                                  A necessidade de adequação da formação profissional do médico para o modelo de saúde vigente no país. Neste, há a busca da integralidade e da equidade, num sistema hierarquizado e englobando a atenção multiprofissional.
04.                                                  A necessidade de capacitar o médico para a prática da educação permanente, com ênfase nas técnicas de auto-aprendizagem, necessárias para enfrentar o rápido desenvolvimento científico e utilizar adequadamente as novas tecnologias em saúde.
05.                                                  A necessidade de o currículo reforçar o caráter de terminalidade da graduação, voltada à formação geral do médico.
06.                                                  A necessidade do exercício da medicina ser realizado sob bases científicas, baseado em evidências válidas.
07.                                                  O desenvolvimento recente de novas áreas do conhecimento, como a bioética, promotora do desenvolvimento holístico dos profissionais de saúde.
08.                                                  A expectativa de todo médico atender as necessidades tanto dos pacientes quanto as de sua comunidade, atuando como agente de transformação social e promovendo estilos de vida saudáveis, conciliando as exigências individuais e coletivas de saúde.
09.                                                  A capacidade de todo médico avaliar e melhorar a qualidade do seu atendimento, desenvolvendo habilidades de comunicação.
10.                                                  A exigência de trabalhar eficientemente em equipes multiprofissionais.
 
Estas foram, em essência, as justificativas do projeto pedagógico do currículo integrado do curso de Medicina da UEL. Sua análise e aprovação pelo colegiado do curso e pelas instâncias superiores da UEL, em 1997, permitiram a inserção definitiva do curso no cenário nacional e internacional das escolas médicas portadoras de uma nova e moderna visão de futuro.
Firmemente comprometidos com essa história, os professores e estudantes do curso de Medicina da UEL estão criando as condições para o desenvolvimento de uma educação médica de qualidade e com responsabilidade social. Na época, a aprovação do currículo integrado foi mais um motivo para a comemoração dos 30 anos do curso de Medicina de Londrina.
Estamos cientes e convencidos da necessidade e da oportunidade das mudanças, em fase de consolidação. Elas exigem de todos a clareza de que as vantagens da decisão de implantá-las, como vem ocorrendo desde 1998, superam em muito as dificuldades e as eventuais incompreensões decorrentes das transformações.
A aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2001, os resultados do processo de avaliação do curso, realizado durante 2003, e as sugestões do V Fórum do Curso, em novembro de 2003, indicam a necessidade de várias adequações no atual projeto pedagógico do curso. Algumas serão implementadas com as deliberações do colegiado pleno em torno deste PPPMed. Outras, por exigirem maior aprofundamento de análises e mais tempo de discussão, para permitir a efetiva participação dos professores e estudantes diretamente envolvidos, serão tratadas nos próximos anos.

 

 

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